Bad Feelings
1 Ellen & Alex
Notas iniciais
Espero que gostem, até! ♥
Dor era algo tão relativo para alguns, podia ser um extremo ou outro, prazer ou tristeza. E era nisso que Ellen pensava enquanto sentia as lágrimas caindo pelas bochechas rosadas e os soluços vinham à tona quase como um grito, na solidão do quarto, naquele início de uma manhã fria, assim como o assassinato de seu marido. Não bastasse perder o marido, ainda teve que aguentar o ódio dos outros em relação ao seu pai, morto semanas atrás por um crime de ódio preconceituoso.
A garota olhou para a foto acima do criado-mudo ao seu lado, pegou-a e abraçou mais forte o cobertor em volta de si junto da foto, trazendo o pouco de conforto que sentia naquelas semanas. Conforme os minutos se passavam, ela decidiu se levantar, ao menos para comer alguma coisa. Limpou as lágrimas e colocou a pantufa branca nos pés, indo para a cozinha e pegando um pacote de salgadinhos, sentando no sofá vermelho da sala, onde os canais aleatórios da Televisão não lhe chamavam a atenção, com a cabeça cheia, pensando em seu pai e marido, com o coração ainda apertado.
—Ellen. — A garota escutou seu nome ser chamado através da porta e se levantou rapidamente. Ellen apoiou o pacote de salgadinho na bancada que dividia a cozinha da sala e abriu a porta, dando de cara com a amiga, sentindo seu coração se encher de gratidão e alegria pela cumplicidade e carinho da outra, enquanto a puxava para um abraço forte, agradecendo mentalmente aos céus pela amiga estar ali todos os dias por ela.
—Alex. — A amiga então as dirigiu para o sofá, onde ficou acariciando seus cabelos enquanto a deixava chorar mais, afinal ela sabia que superar uma morte de quem se ama não era fácil, mesmo que já houvesse se passado mais de algumas semanas. — Ei, eu estou aqui.
E como vinha ocorrendo muito naquelas semanas, o medo e desespero se uniram da raiva que Ellen sentia, e seu ataque de pânico voltou com força, a respiração ficou rarefeita e os olhos se apertaram, o coração passou a bater rápido, repetidamente. Alex, ao perceber lhe segurou a mão esquerda e colocou a direita sobre sua barriga, tentando a ajudar para a respiração se acalmar, infelizmente falhando.
—Dói. Tanto. — Ellen tentava respirar, mas sentia como se tudo conspirasse contra.
—Tem um método, e não sei como vai reagir, então peço desculpas antecipadamente. — Alex disse, puxando Ellen pelo queixo e colando seus lábios em um selinho demorado. A garota de cabelos cacheados prendeu a respiração e fechou os olhos com força, com medo da reação da outra. Alguns segundos depois, ambas se separaram e se encararam, olho castanho no de mel, Ellen sentia seu orgulho e compaixão pela outra aumentar.
—Obrigada. — Ellen disse, apoiando sua testa na da outra e respirou fundo, sentindo o pânico ir embora de seu corpo. — O que foi isso?
—Uma vez li em algum lugar que um beijo força a pessoa a segurar a respiração, controlando a si mesma. — Alex sorriu e então Ellen soltou um riso nasal e acariciou a pele mais escura da outra, pensando que talvez, mesmo com tudo que aquele mês lhe trouxe, aquilo era o melhor, a simplicidade, harmonia e paz de alma já a fazia se sentir melhor.
—Obrigada. — E como se fosse mágica, toda a ambição de vingança, apesar de a justiça já ter sido feita, por quem havia causado sofrimento em seu pai e ex-marido, sumiram, junto do fingimento em frente aos outros que estava bem. O rancor já não tinha mais lugar, somente o pequeno arrependimento de não poder ter falado pela última vez que os amava, mas era um desejo que realizaria mais tarde no mesmo dia, afinal, um amor não some com o surgimento de outro.
Talvez a felicidade surgisse de onde menos se espera, talvez a saudade e esperança se guiem juntas para um futuro melhor, mas a única certeza é que nenhuma dor é para sempre e que toda história não acaba, assim como a de Ellen estava só começando. Sentimentos negativos e tristes fazem parte de nós, do nosso cotidiano, pois nem tudo é feito somente de uma boa emoção, às vezes algo somente irá nascer após uma tristeza em meio à tantas expectativas. Entretanto, no fim, quem guia seu caminho é você mesmo, seu destino não é escrito sozinho, então se lembre que após toda tempestade, vem o arco-íris.
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