Notas iniciais
"Em breve ela vai descobrir que roubar brinquedo dos outros no playground não vai lhe trazer muitos amigos..." Catastrophe começou o treinamento. Dilemma é a primeira assassina profissional a treinar Cat, digo... "treinar". Galera, acho que finalmente to pegando o jeito com a Emily/Cat, ela tá sendo uma personagem bem complicada, e agora nesse terceiro capítulo é que to começando a moldar ela do meu jeito. Espero que gostem.

Agora que Ems estava recuperada, o pesadelo de Welvin de que a amiga não conseguisse sobreviver passou, mas algo muito pior invadia seus pensamentos durante os dias que se seguiram, Emily estava inundada de ódio que ela fazia questão de drenar e transformá-la em puro desejo de vingança. Welvin tinha medo do que todo aquele ódio era capaz de fazer com ela e com todos ali, pelo fato de que Anne, ou melhor, Arsyn — como Catastrophe fazia questão de chamá-la agora -, já fora treinada ali.

Welvin deixou a AS. logo após se certificar que sua amiga estava muito bem obrigada, Emily estava agindo estranho desde que tinha se recuperado, estava mais séria e quieta que o normal.

O primeiro dia de treino de Catastrophe começou na manhã do dia dois de junho e era a primeira vez que ela saía da área privada do prédio. A garota agora usava um penteado diferente, os cabelos lisos presos num coque caído na nuca e uma franja que escondia parte do olho direito presa atrás da orelha, usava também um batom da cor da sua pele e vestia uma espécie de collant preto, mas para quem conhecia Emily Alison a maior mudança foi o fato de que a garota agora exigia que a chamassem de...

– Catastrophe ou Cat. Como preferir, e você...

– Dilemma... mas pode me chamar de Lena. — dizia uma mulher negra de cabelos bem volumosos que aparentava ser bem mais velha que ela, e que agora terminava de polir sua metralhadora, ou sei lá o que parecia aquilo, parecia ser bem simpática. — Pronta pra começar?

Cat se assustou um pouco com o tamanho da arma que Lena segurava, precisou se afastar quando a viu mirando na sequência de alvos que estava lá na frente da área de treino.

O local estava estranhamente vazio, nunca imaginaria que aquele prédio, por maior que fosse, poderia abranger um lugar como aquele, era enorme, lembrava bastante um estacionamento de um shopping, contudo, não havia pilares nem marcas no chão. Os alvos tinham formato humano e estavam espalhados por toda área.

– Eu sou a assassina especialista em armas de fogo da AS. Lucky me disse que você nunca teve contato com uma, isso não é sério, é? — Lena apoiava a arma no chão como se fosse uma mera bengala.

– Sim, é. Na verdade eu... eu sempre tive medo de usar. Kaio trabalha com bombas, mas nunca me interessei...

– Bom, menina, você vai ter que aprender a utilizar uma se quiser virar uma assassina... Toma, segura essa. — e jogou uma pistola toda prateada na direção de Cat. A garota muito desajeitada pegou e segurou de mal jeito.

– Ei, ei. Não segura aí, garota! Pelo o amor de deus! Quer se matar?

Pegou a mão de Cat e mostrou o modo certo de manusear uma pistola.

– Isso... agora mire num alvo, pode ser nesse aqui mais perto, e atire. Não se preocupe em acertar o centro, só tente acertar no alvo, seja nos braços, nas pernas.

Catastrophe mal esperou Lena terminar de falar, mirou no alvo do meio do campo e num segundo de concentração fechou os olhos e sentiu a arma na sua mão direita, era como se ela fosse a continuação de seu membro, uma vontade maior que ela tomou conta de seu corpo, fez-se silêncio e então...

POW!

Um buraco no centro do alvo. Dilemma olhou pasma para a garota que acabara de corar quando viu o que tinha feito.

– Você tá brincando com a minha cara, garota?

– Não, não... eu realmente não sei como fiz, hum, eu...

– Primeira vez com uma arma na mão e acertou um alvo bem no centro? LUCKY! Aquela vadia me paga.

– Dilemma! É sério! Eu nunca manuseei uma arma mas... sei lá, eu me senti confiante agora...

– Então, segura essa aqui, espertona.

Lena com um movimento rápido jogou a metralhadora que estava polindo até agora a pouco para a garota, a mostrou como segurar, e...

TRRRRRÁ!!!

Cat tirou o olho da mira e ficou de cara com o que acabara de fazer. Acertou todos os alvos à frente.

– Jesus! Garota, você é um prodígio. — sorrindo boquiaberta Lena olhava os alvos todos perfurados. — Eu acho que não tenho muito o que ensinar pra você, a não ser como segurar, parece que nisso você ainda não está melhor que eu. — e sorriu.

Catastrophe não podia estar mais satisfeita com seu primeiro dia de treinamento, quase não teve dificuldade com as armas de fogo, que era algo que ela sempre teve receio de usar.

Logo no fim da tarde, Cat deixou Lena na área de treino. Andando distraída indo em direção ao corredor principal e mais feliz impossível esbarrou numa mulher alta e magra, muito mais loira que ela e usava luvas de boxe.

– Olha por onde anda!

Cat não respondeu, preferiu ignorar mas achou aquilo extremamente grosseiro. Nem todas ali eram iguais a Lena, já era de se esperar.

Os corredores de volta para a parte restrita do prédio estavam cheios aquele horário, eram várias mulheres parecendo que tinham acabado de treinar, umas com facas e espadas na mãos, outras com luvas de boxe e outras até com roupas de frio. Virou mais um corredor e por fim chegou na parte restrita da AS., Cat dividia o quarto com as trigêmeas. Para o seu gosto quando entrou não havia ninguém, as The Trinity trabalhavam até tarde, só deviam aparecer depois de uma da manhã. Muito cansada e agora um pouco indisposta, deitou na sua cama e apagou.