Bad Blood
5 A Bruxa de Gelo
Notas iniciais
SÉCULO XVIII — FRANÇA
– MALDITA BRUXAAAAA!
– QUEIMEM ESSA ABERRAÇÃO!
– QUEIMEM A FILHA DO SATANÁS!
Uma multidão de gente furiosa estavam em volta de uma fogueira armada com uma mulher presa nela. Uma mulher encantadora, linda, na verdade... perfeita. Uma mulher de beleza incomparável, cabelos longos e negros como carvão, pele branquíssima como a neve, olhos castanhos feito mel. Estava mal vestida com uma camisola rasgada e surrada e tendo em vista aquela situação, ela não esboçava nenhum tipo expressão.
A gritaria agora tornavam-se risadas muito altas, a multidão de camponeses agora se deliciavam com o fogo que estava começando a pegar na palha da fogueira e bem em breve estaria carbonizando o corpo da bruxa. Não aconteceu... Uma friagem tomou conta do pasto onde todos estavam, congelando todo o mato e então apagando todo o fogo que começava a pegar em suas vestes, um silêncio se fez mas logo foi quebrado pelos gritos de medo de algumas crianças. Vários homens se aproximaram da fogueira com lanças de madeira e ameaçaram atirar mas antes que pudessem fazer qualquer coisa, uma ventania repentina de gelo e neve invadiu o pasto jogando todos para longe inclusive os grandes pedaços de madeira da fogueira de modo que atingiram em cheio os homens que a ameaçavam, e as velhas camponesas que a ofenderam enquanto estava presa agora foram perfuradas por finíssimas agulhas de gelo. A nevasca cessou e a bruxa desapareceu.
HOJE — NY
– Frostbyte! Já estava na hora né?! Bom, a garota é toda sua. — Homeslice e Slay-Z saíam cansadas da cúpula. Homeslice dava um sorrisinho de até breve, enquanto a mulher de cabelos de castanhos e, agora que tirara o capuz, de uma beleza estonteante que chegava hipnotizar chegava silenciosa. O frio parecia ter piorado, Cat mal aguentava em pé, a espada no chão estava branqueando, uma fina camada de gelo começava a encobrir o chão. Virou-se de costas, muito misteriosamente.
– Emily. Certo? — perguntou a mulher num tom assustadoramente calmo para o frio quase letal do ar condicionado que estava tomando conta de toda cúpula.
– N...não. S...sou Catastrophe. Emi...ly m...m...morr...eu. — Cat gaguejava de frio, os dentes não paravam de bater, estava quase caindo.
A mulher virou muito rapidamente e seu casaco grosso de frio saiu de seu corpo com muita facilidade, tirou o resto das roupas e agora estava com um cropped preto e um short um tanto curto preto também, segurando duas correntes, uma em cada mão.
– Por que está com frio? Eu ainda nem comecei.
Cat levantou a cabeça e olhou diretamente para a mulher, um olhar cortante do tipo "então é você que está fazendo isso comigo?". O frio tornara-se uma leve brisa em sua pele, endireitou-se e tomou postura.
– Sou Catastrophe.
– Frostbyte. Especialista em armas, mas geralmente só me equipo com essas correntes, são boas...
– O que você é?
– Que bom que perguntou... Então... sou uma espécie de bruxa. — Dizia Frost — Não daquelas que vemos em filmes que voam em vassoura ou vão para uma escola de magia aos onze anos. Sou de uma família de bruxas que controlam o tempo/clima, indo além disso, posso criar gelo, água, névoa... é bem útil. Vim até a AS. com o intuito de vingar minha família. Foram todos assassinados por um único homem.
Catastrophe enfim criou alguma simpatia pela mulher, ambas estavam ali por vingança, ambas compartilhavam o mesmo sentimento. A risada de Arsyn ecoava em sua cabeça agora.
– Mas então... estamos esperando o que pra começar?
O frio piorou drasticamente, Cat começava a sentir a friagem, nada comparado com aquilo que sentiu antes da raiva invadir o seu corpo. Um vento forte correu por toda a cúpula junto com grossos flocos de neve.
– Vamos ver o que você aprendeu com aquelas duas patricinhas.
Cat se adiantou e pegou a espada antes que ficasse presa no gelo do chão, mas Frostbyte desapareceu na neve e reapareceu atrás de Cat.
– Que devagar.
As correntes se enrolaram na cintura da garota e com um simples movimento a jogou para o outro lado, caindo com um forte baque no chão.
– Isso não é justo!
A raiva aquecia seu corpo novamente, Cat levantou com pressa, pegou sua espada, foi correndo na direção de Frost com a espada em punho, de nada adiantou, ela pulou e suas correntes agarraram a espada e a arremessou para bem longe do seu alcance, Frostbyte esticou o braço, apontou para espada e a congelou num bloco do tamanho de uma mesa.
Parece que acabaram-se as ideias. Cat se preocupou, olhou com revolta a Frost e novamente partiu para cima da mulher. Frost sorria muito agradavelmente com outro descuido da garota, lançou as correntes que envolveram as mãos de Cat...
– Sua vez.
Catastrophe girou os braços com toda a força que tinha e as correntes puxaram Frost lançando-a do outro lado da cúpula, bateu o rosto com força na parede de vidro e começou a sangrar nos lábios.
– Parece que não sou a única com surpresas por aqui.
Os braços de titânio de Catastrophe. Ela quase havia esquecido.
Frostbyte não gostou nada daquilo, se sentiu muito ameaçada. As correntes seguiram Cat por toda cúpula, o vento e a neve não colaboravam nada, tentaram prender a garota de todas as formas, mas agora estava se defendendo com os braços. Frost cansada do joguinho de pega-pega, soltou as correntes, sumiu entre a neve e reapareceu atrás de Cat, já esperando por isso a garota pulou e pegou uma das correntes, segurou com força e envolveu o grande bloco de gelo, puxou fazendo muito esforço e assim partindo o bloco ao meio deixando sua espada solta. Não esperou Frost atacar, pegou a arma e... Frostbyte desapareceu novamente em meio a neve.
De repente, sentiu um gelo dentro de seu corpo.
– Que foi? Não gosta de brincar na neve?
A garota caiu dura no chão. Frostbyte acabara de congelar Catastrophe.
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