Bad Beat: The Price's Marry Me.
15 Capitulo 14
Notas iniciais
– Estão felizes agora? – Ele perguntou olhando para todos que estava delirando depois do beijo que tinha acabado de rolar. E eu ainda estava com as pernas bambas. Meu Deus, o que tinha rolado ali?
Quer dizer, eu sabia bem o que tinha rolado, mas era exatamente isso que me intrigava. O DC tinha acabado de me beijar e pior ainda, eu correspondi. Como assim? Não, isso estava errado. Eu fui me deixada levar por ele, porque infelizmente o Do Contra era... Me da até raiva de falar, mas ele era incrivelmente bom no que fazia. Ele era envolvente e sabia bem como seduzir uma garota. Mas quer saber de uma coisa? Eu não vou ser mais uma garota dessa lista enorme, eu sei bem quem ele é e eu não quero me envolver com um cara assim, um cara problema. Problema eu já tenho muitos, não preciso de mais um.
Eu ainda estava agarrada com aquele... Aquele miserozinho, que também estava segurando a minha cintura. Eu me soltei dele e me afastei, ele vendo que eu estava tentando me distanciar, soltou a minha cintura também.
– Gente, vocês não tem noção de como são lindos juntos! – Uma das garotas disse, nem sabia quem era quem.
– Vamos trazer umas taças de... – A veia ia dizendo quando eu a cortei.
– Não, chega! Vocês viram o que queria. E agora que vocês já sabem que estamos juntos e somos um casal feliz, nós precisamos ir embora. – Eu disse pegando no pulso da Magali, que se levantou animada da mesa.
– Ir embora? – Do Contra perguntou surpreso. – Mas eu ainda...
– Nós vamos embora agora, Do Contra! – Eu o peguei pelo pulso. – Tchau para todas as meninas, para o pessoal, para todo mundo, pros amigos do DC. – Falei o puxando, ele ficava recuando porque não queria ir embira, mas eu era mais forte. Magali estava na minha frente e abriu a porta pra nós dois e segurou pra que saíssemos.
– Sam!! – Do Contra gritou plantando no chão. Já estávamos do lado de fora, mas ele parecia um pouco irritado, mas tinha um sorriso maroto no rosto, como se o sarcasmo falasse mais alto que a raiva.
– Para com o que? – Perguntei como se não tivesse feito nada.
– De agir assim, eu disse que não queria ir embora. – Ele riu. Fui até ele brava.
– Mas nós vamos. – Eu disse olhando pra ele brava.
Ele estava com a chave do carro que estava fechado, então comecei a apalpar seus bolsos pra encontrar a chave.
– O que está fazendo? – Ele perguntou rindo – Se estiver afim de sentir o meu corpinho, só pedir querida.
– Imbecil, eu quero a droga da chave!
– Por que esta tão irritada?
– E ainda pergunta? Que porra foi aquela lá dentro?
– Ao que você esta se referindo?
– O que você acha que eu estou me referindo, Do Contra?
– Bom, eu tenho muitas deduções.
– Eu to falando daquele beijo.
– Ahh isso era uma delas...
– Idiota. Você é um idiota, você me beijou. Por que você me beijou?
– Por que você colocou sua língua?
– Eu... Er... Não importa, foi momentâneo! Acontece que você fez sem me pedir, você não tem esse direito de ir me beijando!
– Se foi momentâneo ou não, não importa, você quis me beijar. Você poderia ter me parado.
– Ah claro, e estragar todo o nosso plano, de parecer um “casal lindo” na frente de todos?
– Eu acho que você esta usando isso como desculpa, para fazer algo que você diz que não queria ter feito, mas no fundo amou e queria mais.
– É lógico que não! Está Maluco?
– Não, estou falando o que acho.
– Gente... – Ouvi a Magali tentando falar, mas naquele momento eu estava furiosa, não acredito que estava tendo aquela discussão com o DC mesmo.
– Escuta aqui... Não importa o que você acha, não importa se eu te beijei lá... O que você acha é invalido e o que eu fiz foi algo totalmente e 100% momentâneo, foi automático. Não quis dizer nada, eu ainda não te suporto, eu ainda te acho um idiota e eu não quero que você encoste em mim novamente de forma romântica, carinhosa e maliciosa de forma alguma, a menos que eu deixe. Você entendeu?
– Calma ai, Dona Fúria. Não precisa encanar... Eu entendi, apesar de não acreditar, mas tudo bem. Eu não vou mais fazer nada que você não queira, não encosto mais um dedo em você, a menos que você queira.
– Ótimo!
– Veja pelo lado bom vocês dois... – Magali se manifestou dessa vez com o tom de voz mais alto e mais forte para que ninguém ignorasse – O que aconteceu ali dentro, vai fazer com que as pessoas realmente acreditem no relacionamento de vocês, e vai ser um ponto a menos pro Cássio.
– Nisso ela está certa! – Do Contra disse
– É, pelo menos valeu alguma coisa! – Falei pensativa, mas sem paciência – Quer saber vamos embora logo, eu quero dormir. – Falei olhando com raiva pro Do Contra, eu queria a chave.
– Ok, vamos lá! – Ele tirou do bolso a chave se dando por vencido. Fomos até o carro, agora seria mais uma longa viagem até chegar em casa.
16/04/2014 — quarta-feira. 22:40 PM
P.O.V Nimbus
Eu tinha chegado em casa, agora era 22:30. A Casa estava vazia, onde será que estava a Sam e o Do Contra?
Eu tinha medo de ir pra faculdade e chegar em casa e encontrar a terceira guerra mundial dentro do meu apartamento.
Mas diferente do que eu imaginei, a casa estava quieta e em “perfeito” estado.
Eu estava cansado, acabado, morto. Eu precisava de 3 coisas: Comida, um banho quente e minha cama.
Era só isso que eu precisava agora, não queria me preocupar com prova, lição, trabalho, Do Contra, Samanta e Magali.
A Magali. Sim, ela era uma preocupação, um problema, um tudo. Porque a todo instante ela estava na minha mente. E eu pensava nela o dia todo. Eu normalmente ocupava a minha mente com varias coisas, mas se eu não pensasse em outra coisa, então era ela que começava a me incomodar. Eu só sei que eu estava muito mal pelas coisas que ela jogou na minha cara na lanchonete hoje. Coisas como “Se a garota não se tocou ainda, bola pra frente”, quer dizer, a garota era ela. E ela não tinha se tocado, todos esses anos que a gente se conhece. (Ou ela era muito lerda ou se fazia de lerda, porque não queria nada comigo)
Eu gostava dela há anos! Desde o colegial. Tanto tempo e eu ainda gostava dela. Só que não que era igual a esses filmes românticos, em que eu sou um maluco apaixonado que passa o resto da sua vida tentando conquistar a sua garota. Eu gostava dela, pensava nela e queria ficar com ela, mas escondia. Só que nunca deixei de viver a vida por causa dela.
Eu ficava com outras garotas, eu saia e aproveitava quando dava. Mas no fundo, era a Magali quem eu queria.
O problema é que, antes eu conseguia disfarçar. Eu conseguia fingir e eu fingia tão bem que eu chegava a acreditar que finalmente tinha esquecido ela e seguido em frente.
Mas aquele dia na balada, em que eu fiquei com ela, esse sentimento só cresceu e aumentou dentro de mim e agora eu já não conseguia mais disfarçar. Parece que eu tinha voltado pra época quando eu era um adolescente apaixonado pela garota do primeiro ano. E eu já não queria mais ficar com outras garotas, porque eu acreditava que nenhuma iria me satisfazer e me deixar da mesma forma que Magali me deixa. Eu queria ela, estava me torturando com os meus pensamento e infelizmente, ter ficado com ela (apesar de ter sido a melhor coisa), foi a pior. Porque foi por causa disso que eu voltei a ser “esse adolescente apaixonado” eu odeio isso, mas a culpa é dela, o beijo dela que me deixa assim. E acreditem, foi a primeira vez que eu beijei ela.
Eu nunca fiquei com ela, porque quando era aquele adolescente idiota apaixonado pela sua amiga, eu guardei o sentimento. Até que um dia que resolvi “tomar atitude”, mas era tarde, a Magali estava namorando um tal de Quim e eu continuei na “friendzone”. O tempo passou, eles terminaram, mas eu já havia conformado e nem tentei “tomar uma atitude”, eu resolvi continuar na mesma e seguir em frente. Eu fiz isso durante todo esse tempo... Até alguns dias atrás. Quando ela deu a louca, resolvendo ficar bêbada e me beijar. Foi melhor de tudo aquilo que eu sempre imaginei, e assim como agora eu me pegava pensando nela e naquele beijo, ficando mal e depressivo por tudo isso.
Eu estava sentado na mesa, pensando essas coisas feito um emo depressivo enquanto comia cereal, quando eu ouvi meu celular tocar. Eu peguei e vi na tela “numero desconhecido”. Eu pensei “Quem esta me ligando esse hora?”, mas eu resolvi atender.
– Aló? – Falei de boca cheia.
– Aló... – Era uma voz feminina
– Quem ta falando? – Eu perguntei engolindo o cereal
– Er... Hm... Me desculpa, mas posso te perguntar uma coisa antes?
– Não, se não me disser quem você é.
– Sou Wendy! Você é o garoto da lanchonete? ... Nimbus?
– Como você sabe quem eu sou?
– Oi, eu sou Wendy...
– Disso eu já sei! – Eu a cortei.
– Er... É que eu... – Só depois de ver que ela tinha ficado sem graça, eu notei o quanto havia sido grosso.
– Me desculpa. Não queria ser grosso...
– Tudo bem!
– Mas ainda não sei quem você é...
– Se lembra da garota da lanchonete? A sua amiga me deu seu numero...
Foi ai que me lembrei. Era a garota loira que estava afim de mim, de acordo com a Magali. E eu disse que ela não era o meu tipo. Na verdade, a achei linda, mas eu não queria ficar com ela, por causa da Magali.
– Ahh sim, me lembro sim!
– Então... Eu não sei... – Ela riu abafado – Mas, eu queria saber se você está afim de sei lá, sair comigo?
– Wendy... – Eu não queria sair com ela. Eu realmente não estava afim e eu ia dizer não pra ela. Quando me lembrei da promessa que fiz pra Magali de que iria tentar, e era tão complicado, mas eu teria de cumprir a promessa. Eu estava em silencio, pensando no que diria, se diria sim ou não.
– Se não der... Tudo bem! – A garota falou do outro lado com a voz um pouco triste. – Eu vou entender se não...
– Sim!
– O que?
– Eu quero sair contigo! – Falei tentando parecer animado.
– Serio?
– Uhum... Serio!
– Legal, então vamos marcar alguma coisa.
– Pode escolher!
– Tem certeza? – Ela falou com o tom duvidoso e curioso. Arqueei a sobrancelha.
– Sim, por quê?
– Eu pago e será uma surpresa! – Ela riu
– Como?
– A gente se encontra no Bubba Gump pode ser?
– Pode! – Falei meio desconfiado — Mas eu pago.
– Não, pode deixar que eu pago. Tudo bem! No sábado, as 18:00 PM, vamos jantar e depois vamos para um lugar surpresa! Tudo bem?
– Tudo! – Eu estava meio desconfiado e não evitei mostrar isso. — Menos a parte em que você paga, eu pago! — Ri sem animo
– Não, você não vai pagar!– Ela soltou um riso abafado - Acho que vai ser divertido! – Ela riu – Não se preocupe!
– Tudo bem! Se você está dizendo! – Falei
– Ok, então... Nos vemos sábado! Até mais!
– Até! Boa noite! – Falei
– Boa noite! – Ela disse e desligou o telefone. Eu fiquei pensando onde será que ela iria e queria me levar? E sobre essa garota... Por que eu disse sim? Quer dizer, não quero sair com ela, seria errado eu sair com ela, pensando na Maga?
Mas não estaria fazendo nada errado, eu só estou indo conhecer uma pessoa.
Tudo bem, que é uma pessoa que esta querendo sair comigo uma coisa comigo, mas eu posso falar isso pra ela. Quer dizer, mais uma amiga. O que tem de ruim nisso? E quer saber... A Magali disse “conheça pessoas novas, bola pra frente”. Talvez eu tenha que desencanar mesmo e dar uma chance. Mas, de que adianta eu pensar dessa forma, se eu sei que no fundo não quero dar uma chance, não quero seguir em frente, o que eu quero é ficar com a Maga.
– E ai mano? – Acordei dos meus pensamentos, quando ouvi a porta bater eu me virei e vi o DC e a Sam, eles tinham acabado de chegar.
– Onde vocês estavam? – Resolvi perguntar.
– Seu irmão, teve a ideia de Jerico de levar a gente pra “apresentar” o casal pras pessoas conhecerem. – Sam disse
– Ideia de jerico, mas você topou! Não tenho culpa! – Do Contra se defendeu, ele estava caçando alguma coisa pra comer.
– Mas era uma ideia boa, até você fazer aquilo. – Ela disse se sentando à mesa colocando o cotovelo sobre a mesa e apoiando a cabeça em sua mão.
– O que ele fez? – Perguntei e fui ignorado.
– Mas de novo essa historia? Desde que saímos de lá, você falou isso uma vez na frente do karaokê, e duas vezes no carro. Chega, já entendi.
– Do que vocês estão falando? – Perguntei intrigado e novamente fui ignorado.
– É pra deixar bem claro, que se você fizer aquilo de novo... Eu vou... Eu vou... Quebrar a sua cara! – Sam estava exaltada.
– Alguém pode me explicar de que porra vocês estão falando?? – Aumentei o tom de voz e finalmente não me deixaram no vácuo.
– Mano, eu dei um beijo nela e ela ficou estressada! Pode isso? – Do Contra disse
– Por que você beijou ela, DC? – Falei olhando pra ele com uma cara nada feliz – Achei que estivesse claro que não era para mexer com a Sam. Deixei isso muito claro pra você, não quero que mexa com a Sammy!
– Eu sei, mas eu precisei fazer! – Ele falou
– Mas não me pediu! – Ela revidou
– Afinal, o que aconteceu? – Arqueei a sobrancelha irritado. Cara, será que meu irmão não toma jeito?
– Aconteceu que nós fomos pra um karaokê com os amigos do DC e a Magali pra me acompanhar, ficamos no tédio por uma hora, apareceu umas ex-ficantes do DC, que estavam puta da vida porque ele ia se casar, elas fizeram um monte de perguntas e tivemos que inventar uma historia falsa sobre nós dois, e por sinal ele me transformou em uma puta na historia dele... – Ela contava tudo com raiva e DC a cortou.
– Ahh... E Você? Que me fez parecer um viado na frente de toda aquela gente!
– Ahh, romantismo é diferente de viadagem.
– Para mim, é tudo a mesma coisa! Coisas como “você é o amor da minha vida”? Isso nunca sairia da minha boca, ainda mais pra você! – Ele falou olhando feio pra ela. Meu Deus, esses dois pareciam que iam se matar. Eu sentia uma grande tensão entre eles, como se eles se odiassem, mas sem motivo algum. Eu queria poder entender a mente do meu irmão, o porquê dele implicar tanto com a Sam.
– Não importa, antes viado do que puta.
– Não mesmo, pelo menos agora os caras acham que você é a garota perfeita, porque é uma safada. — Ele a provocou
– VOCÊ ME RESPEITA SEU FILHO DA PUTA... – Ok, esse é o momento em que eu, tenho que agir pra que eles não se matem.
– OK!! CHEGA! – Gritei e eles pararam de bufar e olharam pra mim – Vocês dois precisam parar com isso. É serio. Do Contra, seguinte: Você não mexe mais com a Sam, de forma alguma. Ela não gosta de você, ela não é igual as outras meninas e você ficar jogando charme e brincar com o seu jogo de palavras, não cola com ela. E Sam, você precisa desencanar de tudo que o DC faz. Se ele assiste TV; te incomoda, se ele quer dormir de cueca; te incomoda, se ele respira; você se incomoda, tudo que ele faz te incomoda e arranja um jeito de tretar. Aprendam a viver um com o outro, ao invés de tornar a convivência de vocês um inferno. Vocês dois nem ao menos tentam!! Vocês só sabem implicar um com o outro por coisas bestas, brigam o tempo todo sem razão e tem esse ódio desnecessário. Vocês parecem que não sei, parece que precisam cutucar um ao outro, pra que se sintam bem. Porque ao invés de ficar nessa coisa chata de “serem o casal que não se suporta”, não tentam se entender de verdade ou ao menos respeitar um ao outro. Que merda, vocês não precisam se amar, nem se gostar... Mas vocês precisam se respeitar. Por enquanto as coisas estão “na linha”, mas em algum momento eu sei que vocês vão tornar essa coisa tão maçante, que vai ser cansativo. Vocês toparam essa coisa de casamento de fachada, mas sabia que teria consequências e estão parecendo duas crianças ao invés de tentar lidar com isso. Então, pelo amor de Deus, parem com essa porra!! – Eu desabafei e eles olhavam para mim surpresos.
Eu nem pedi pra terminarem a historia deles, porque eu até já imaginava o final, era previsível até pro meu irmão. Mas agora eu não queria ouvir os dois discutindo novamente. Eles ficaram calados, não trocaram uma palavra. Para mim estava ótimo, silencio e paz. Ótimo, espero que isso sirva pra que eles pensem um pouco ao invés de só brigarem.
– Bom eu vou tomar banho! – Me levantei e coloquei a tigela de cereal na pia. Deixando os dois sozinhos lá. Eu nem queria saber o que eles iriam fazer da vida depois disso, como eu disse antes eu já tinha muito em que pensar e me preocupar. Cada um resolve os seus problemas, então eu vou resolver os meus, que agora é tomar um banho e dormir. Porque amanha, eu tenho que trabalhar, ser obrigado a ver a Magali, ir pra faculdade e enfim, a minha vida de sempre. Então vamos lá.
17/04/2014 — quinta-feira. 09:40 AM
Eu estava na cozinha fazendo alguns pedidos. Ainda era cedo, e o movimento na lanchonete, era pequeno. Tinha algumas pessoas, mas era algo bem mais calmo do que o horário de almoço.
– Então Nimbus... – Ouvi a Magali me chamando do outro lado do balcão.
– Oi Maga! – Respondi. Cara, como era difícil falar com ela depois do que aconteceu na balada aquele dia.
– Então... A menina te ligou? – Ela perguntou curiosa. Ela parecia que queria aquilo mais que eu, e isso me deixava triste.
– Ahh, é... Ela ligou! – Falei sem animo
– E ai?
– É, vou sair com ela! – Falei dando de ombros
– Ta parecendo mais que foi convidado pra um enterro com esse animo...
– Eu não to animado pro encontro.
– Pois deveria se animar! Já pensou o quanto vai ser legal?
– Não...
– Para de ser chato e pessimista, Nimbus. Você deveria se animar pra esse encontro, vai ser incrível, você vai ver!
– Talvez...
– O que foi hein, rapaz? – Ela perguntou brincalhona. Acabei rindo do “Rapaz” que ela disse no fim da frase.
– Maga, eu já te falei que gosto de outra garota... Não te disse?
– Sim, me disse! Não me disse quem é, mas me disse!
– Então, eu não sei se é certo sair com uma pensando em outra, eu não tiro essa menina da cabeça. – Que coisa esplêndida, eu desabafando sobre a garota que eu gosto, pra garota que eu gosto.
– Para de besteira! – Ela falou – A garota que você gosta é uma idiota por não querer nada com você! Você é um cara incrível, lindo e chama a atenção das meninas, Nimbus. Não sabe o que ela ta perdendo... Você deveria seguir em frente e esquecer de vez essa guria ai! – Irônico não?
Minha vontade era virar pra ela e falar “Então, você é uma idiota. Sua idiota. Não percebe que a garota que eu to falando, é você!”, mas lógico que eu não falaria isso pra ela. Mas foi só depois que caiu a ficha de algo que ela me disse, então só saiu isso...
– Você me acha tudo isso ai que você disse! – Falei sorrindo pra ela, sem parecer um bobo apaixonado, claro. Mas por dentro, eu estava tão gay. Tava parecendo um flamingo cor de rosa saltitante e explodindo de felicidade.
– Não enche tua bola – Ela riu – To falando isso como uma amiga, o ponto de vista da mulherada. Eu sou garota, sei do que estou falando! – Ela piscou. Por um instante, eu me senti com uma gotinha de esperança, a Maga me achava lindo, incrível, e o tipo de cara que chama a atenção da mulherada, ou seja... Ela me achava sexy. Mas apesar de tudo, ainda estávamos falando da garota que eu ia sair. Então voltei a desanimar.
– Então você vai colocar um sorriso nesse rosto e vai sair com ela...? – Ela perguntou
– É... – Falei forçando um sorriso
– Acho bom! – Ela disse – Tudo vai dar certo entre vocês dois!
– É... – Eu falei e ela abriu a boca pra falar algo, mas fomos interrompidos pelo seu Carlito. Eu agradeço, porque aquela conversa com a Magali, me deixava muito mal.
Ela queria porque queria que eu saísse com a tal garota. E isso era deprimente, quer dizer que ela não gosta de mim nem um pouco, ela esta tentando arranjar um encontro pra mim.
Quer saber? Eu vou ir naquele encontro, com um sorriso no rosto, disposto a dar uma chance. Não prometo nada, até porque eu sei que aquela garota nunca chegará perto do que a Magali significa pra mim. Mas eu vou dar uma chance, vou fazer aquilo que ela disse “tentar seguir em frente”.
17/04/2014 — quinta-feira. 17:50 PM
P.O.V Do Contra
Finalmente em casa.
Ahh, você quer saber onde eu estava?
Estava por ai, curtindo um pouco. Desde que eu me envolvi nessa burrice que se chama casamento, eu não tenho mais vida direito. O tempo em que eu fico sozinho em casa... É o tempo que eu tenho pra me divertir. Agora eu entendo porque os caras dizem que casamento é furada, é a coisa mais chata do mundo.
E se dizem isso com uma pessoa que amam, imagina com uma pessoa que você mal conhece e esta casando de fachada?
Essa á pior roubada, até pior do que a minha divida com aqueles caras... Ok, não é pra tanto, porque eu posso perder a minha vida se não pagar eles, mas parando para pensar por um lado, é mais fácil eu morrer antes nas mãos na Sam do que com eles.
Enfim, eu tinha chegado de uma festa muito foda da casa do Maejor, foram todos os caras, teve um racha na parte da manha na rodovia que ia pra cidade mais próxima de New York, porque essas são vazias e é foda correr nessas pistas. E na festa em si, teve muita bebida, maconha e garotas, eu curti bastante. Mas infelizmente, não pude pegar garotas, porque metade do povo que me conhecia já estava sabendo do casamento. Trair a mulher, não seria algo bom. Mas eu pude ver cenas que provavelmente vão servir pra momentos em que eu tomo banho, se é que me entende.
Eu cheguei em casa e vi que o relógio marcava “17:50” e isso quer dizer que a qualquer momento o meu irmão e a Sam, vão chegar do trabalhinho deles.
Meu irmão como sempre, vai correr contra o tempo pra chegar a tempo na faculdade e a Sam, vai ficar aqui me enchendo a paciência aqui, até o ultimo instante do dia. Eu simplesmente não suporto mais essa convivência, porque tudo o que o me irmão disse ontem, é verdade.
Existem dois motivos, resumidos, do meu ponto de vista, do porque a nossa convivência é um saco.
1° A Sam ela “me odeia”. Na verdade, eu não tenho certeza, eu fico em duvida quanto a isso, porque ela realmente parece me odiar, mas algumas coisas me faz achar que no fundo, ela tem uma queda por mim. Mas a questão é que, “me odiar” pra ela, está acima de qualquer coisa. O que torna ela uma pessoa: Chata, irritante, persistente, grossa e brava.
2° Eu me sinto totalmente, atraído por ela exatamente pelo primeiro motivo. O fato de ela me odiar, tratar como me trata, ser chata, irritante, persistente, grossa e brava comigo, torna ela mais sexy do que já é, com aquelas curvas de garota brasileira que deixa um homem louco. O fato é que, ela é um desafio. Eu adoro desafio. Eu não consigo deixar de imaginar como seria se ela fosse pra cama comigo, é tenso, porque eu me pego pensando nela às vezes, dessa forma. Só que ir pra cama comigo, pra ela, é algo totalmente fora de cogitação, o que me deixa ainda mais louco pra transar com ela, mas como o meu irmão disse, “isso não vai rolar”.
Enfim, eu sei que ela é o tipo garota “10” que eu adoraria de passar a noite. Mas ela realmente, é a pessoa mais irritante e chata do mundo. Só que beija muito bem... Isso com certeza. Depois do que rolou ontem, eu realmente acho que ela é a garota 10.
Só que eu estava pensando seriamente no que o meu irmão falou ontem, eu realmente teria que aprender a conviver com ela e ela teria que aprender a conviver comigo, e nós teríamos que transformar em isso algo aceitável pelo menos, não desagradável. Por isso, eu vou tentar ser um pouco mais gentil.
– Oi DC, to atrasado! – De repente, Nimbus entrou pela porta como um furacão e passo correndo pela sala e foi direto pro quarto. Como eu imaginei, ele estava correndo contra o tempo pra chegar a tempo na faculdade. Logo depois, Sam entrou e a primeira coisa que eu reparei foi os seios, ela usava um decote V que deixava os seios dela a mostra. Heey, calma ai DC Junior, é só um decote. Só um decote.
– E ai Sam? – Perguntei.
– E ai Do Contra? – Ela perguntou de volta. Parou frente a mim. Olhei pros peitos dela, lógico, mas disfarçadamente. Então olhei pra ela. Fiquei encarando ela serio e ela com a mesma feição.
– Sabe... Eu acho, que precisamos conversar.
– Precisamos?
– Sim. Eu estivesse pensando no que o meu irmão disse ontem.
– Prossiga...
– Então, eu acho que deveríamos tentar ser legal um com o outro. E tornar a nossa convivência uma coisa, agradável.
– Concordo!
– Para isso, você precisa prometer que não vai encanar com tudo que eu fizer.
– E você não meche comigo. Só me deixa em paz. E evite entrar no meu caminho!
– Ok, combinado!
– Então eu não vou encanar com tudo que você fizer!
– Perfeito! – Falei – E é importante, que nós dois se conheça.
– Por quê?
– Eu não sei se você se lembra, mas o Cássio, disse que iria fazer uma entrevista com cada um de nós, certo? Uma entrevista surpresa sobre cada um.
– Sim, e daí?
– A gente precisa se conhecer, pra falar um do outro.
– Ahh, sim! – Ela fez uma cara pensativa – Tem razão, precisamos nos conhecer. Mas não faço ideia de como. Um quis?
– Não, tenho uma ideia melhor.
– Qual?
– Mercado!
– Mercado?
– É!
– Por quê raios um mercado?
– Mercado, é algo do cotidiano. Temos que ir algumas vezes, todos os dias, lá tem as coisas que mais gostamos, os tipos de comida e etc, e isso revela muito sobre cada, nós podemos ir ao mercado, e ir colocando coisas na cesta, que cada um gosta e comprar e ir descobrindo um pouco sobre cada.
Ela arqueou a sobrancelha e fez uma cara de duvida.
– É uma boa ideia. Acho que pode ser, mas apenas se...
– Apenas se o que?
– Se não tiver amigos, ex namoradas e nem beijos.
– Pode deixar, não levarei meus amigos no mercado – Falei como se fosse obvio, porque era – E nem ex, e pode ter certeza que não irei te beijar.
– Então pra mim está ótimo! – Ela sorriu
– Podemos ir hoje?
– Podemos! – Falei e assim ela sorriu e virou, deduzi que estava indo pro quarto se trocar.
Eu na verdade, já estava pronto, então só me sentei no sofá e esperei ela se arrumar.
***
Alguns minutos depois, Sam voltou pra sala e estava pronta. Agora com um shorts curto e uma blusinha apertada, Damn que sexy. Mas se recomponha DC.
– Estou pronta, vamos? – Ela disse
– Vamos lá! – Me levantei do sofá.
– Onde vocês vão? – Nimbus perguntou aparecendo na sala pronto pra sair também
– Vamos no mercado. – Ela disse
– No mercado? – Ele fez uma cara de duvida.
– Sim! – Falei dando de ombros. Ele balançou a cabeça confuso.
– Olha, não importa. Desde que voltem vivos e não façam que nem ontem. Pode ser? – Ele falou
– Tudo bem, Nim! Não vai acontecer! – Sam disse sorrindo pra ele.
– Ok, vocês vão em que mercado? Passa perto da minha faculdade?
– Não sei, mas podemos ir a um por perto de lá, e ai te dou uma carona, mano! – Ofereci. Depois dizem que eu sou chato, ruim, mal...
– Beleza, então vamos lá! – Nimbus disse abrindo a porta, saímos e fomos até o carro e pegamos o caminho para o mercado.
***
– Você prefere bolacha recheada de chocolate ou de morango? – Sam disse pegando dois pacotes
– Prefiro de limão!
– Limão? Quem prefere a de limão?
– Eu prefiro a de limão! – Eu falei pegando 4 pacotes da minha bolacha preferida.
– Aff, eu sou muito mais a de chocolate! – Ela falou – e oreo!
– Oreo é tão “Todo mundo come”, não tem graça.
– Não é pra ter graça DC, é pra comer!
– Bolachas assim, é muito modinha, sou mais a de limão! – Falei com certeza e ela revirou os olhos.
Continuamos revirando o mercado e era incrível. Nossos gostos conseguiam ser totalmente diferentes e ao mesmo tempo super parecidos. Tinha coisas que eu nem imaginava que ela gostava e outras que eu não suportava sentir o cheiro e ela amava ou vice-versa.
Sorvete, frios, tipos de bolacha, salgadinho, bolos, comida congelada, em conserva, doces, salgados, frutas, verduras, legumes, molhos, massa, bebidas. Exatamente tudo, nós gostávamos de tudo e quando chegávamos no setor era uma preferência diferente. Se eu gostava de salgadinho de queijo, ela gostava do de churrasco. Se eu preferia maracujá, ela preferia morango. Eu preferia sucos e ela refrigerante.
E apesar de tudo, ainda tinha coisas que concordávamos, como por exemplo: Macarrão só parafuso ou espaguete. E molhos a mostarda e a maionese eram essenciais.
***
E depois de passar algum tempo no mercado, descobrindo os gostos dela e ela descobrindo os meus, nós aprendemos poucas coisas sobre cada um. Era bom isso, pois o Cássio logo estaria fazendo aquelas malditas perguntas que ele falou. Eu queria estar preparado.
Nós havíamos passado no caixa e estava saindo daquele mercado, que por sinal, ficava em uma rua pouco iluminada. Infelizmente eu tive que estacionar o carro longe, pois não tinha mais vagas no estacionamento, por isso o carro estava na outra rua. Por isso pedi pra que ela esperasse ali, que eu iria trazer o carro pra poder guardar as coisas.
– Sam, fica aqui! Eu vou trazer o carro pra colocar as compras, ok?
– Tudo bem, não demora! – Ela disse impaciente. O seu tom me irritou.
– Eu vou demorar o tempo que for preciso! – Dei de ombros. Assim fica difícil, a gente manter aquela coisa de “clima agradável entre nós”.
Atravessei a rua e fui andando até onde estava o carro. Avistei-o um pouco distante, apertei o botão da chave para destrancar, quando me aproximei dele, abri a porta, me ajeitei e liguei. Fiz uma manobra pra tirar ele dali e assim fui até o lugar onde eu estava a Sam com as nossas compras.
Só que tinha algo errado, o carrinho com as compras estavam ali, mas a Sam não estava. Ela era louca de deixar o nosso carrinho sozinho sem ninguém vigiando?? Parei o carro perto da calçada e desci. Fui até o carrinho e vi que as coisas estavam ali paradas, essa Samanta é louca.
Eu comecei a guardar as comprar no porta-malas e depois de guardar tudo e ir devolver o carrinho, Samanta ainda não tinha voltado de onde quer que ela tinha ido.
Me encostei no carro e fiquei observando o lugar com mais atenção, enquanto esperava ela. O que eu percebi foi uma rua com pouca movimentação, quase escura.
Foi ai que eu parei e pensei “E se a ela, não deixou isso aqui sozinho de propósito?”, e aquilo me preocupou. Quer dizer, independente de qualquer coisa que ela é, diga ou faz... Ela era em primeiro lugar: A garota que ia dar o dinheiro pra pagar a minha divida e em segundo lugar: Uma pessoa.
E se alguns bandidos pegaram e vai lá saber o que eles podem querer fazer com ela. Quando esses pensamentos me vieram a cabeça, achei melhor ir procurar a Samanta. Por ali, na rua mesmo.
Tranquei a porta do carro e comecei a andar devagar.
– Sam... Saaaam! – Eu gritei – Samanta? – Eu continuava caminhando, com passos lentos e olhando em volta pra ver se a achava, então eu passei em frente a um beco, olhei rápido e sem prestar muito atenção eu vi algo, mas continuei andando, quando eu me dei conta de que o que eu vi, foi algo MUITO estranho. Dei uns passos pra trás pra ter certeza se de que o que eu tinha visto era real ou verdade.
Vi Sam, parada e estática. Ali, naquele beco, como se tivesse visto algum fantasma ou algo do tipo... Bom, eu garanto que o que eu vi não foi fantasma, mas entendo a reação dela. Eu estava um pouco assustado, será que o que eu vi, foi mesmo real?
Fale com o autor