Bad
9 Dorian
Notas iniciais
Cheguei na pequena bangunça que caracterizava meu apartamento. Fechando a porta ruidosamente atrás de mim, direcionei-me à pequena sala de televisão, ligando o aparelho enquanto sentava-me em um dos cantos do sofá escuro que não estava corberto pelo lixo que dominava o resto do cômodo.
Um pequeno sorriso alastrou-se por meus lábios enquanto a voz do apresentador do noticiario proclamava mais uma vez sobre a morte misteriosa que ocorrera mais cedo. De acordo com sua voz mal controlada, já era a terceira vez que falavam sobre tal crime naquele mesmo programa.
Perguntei-me se meu perseguidor assistira ao noticiario sensacionalista, e por um instante havia acreditado que seu plano extremamente mal formulado fora comprido, até receber a ligação desesperada de seu funcionário que não sabia manter a calma perto dos alvos do chefe, ainda mais quando o alvo era eu, uma vítima um pouco mais esperta que as dos seus últimos casos.
Desliguei a televisão, que agora continha o rosto desesperado de uma das vizinhas do sujeito que morrera, dando seu depoimento em meio à soluços e frases desconexas. Parecia que o ladrão morto tivera mais amigo em vida do que eu imaginava.
Fui para meu quarto, sentando-me em frente à tela de computador escura, tamborilei os dedos na madeira da mesa que carregava o aparelho, enquanto minha mente viajava sobre meus próximos passos para derrubar a enigmática figura de Luke. Eu precisava saber mais informações sobre o ex integrante de minha empresa, porém seria difícil conseguí-las, visto que até mesmo o simples motorista mal humorado que me levava aos deveres parecia interligado às linhas autoritárias de meu alvo.
Não, eu não poderia simplesmente acessar os perfis que estavam nos arquivos da agência, seria um ato abrupto demais que poderia levar o sujeito à seguir meus pensamentos, e eu não queria dar uma chance à sorte para saber até onde seu domínio ia naquela empresa. Eu teria que fazer tudo sozinho.
Olhei para a janela aberta na parede ao meu lado, a passagem trazendo uma bisa fresca do fim de tarde que escurecia lentamente, despejando um leve cansaço em meu corpo pelo dia atarefado que eu tivera, enquanto fazia-me cada vez mais querer deitar naquela cama minúscula e poder mergulhar por alguns instantes em pensamentos que não tivessem ligação à assassinos ou perseguidores.
Apenas um cochilo, disse à minha mente cada vez mais sonolenta, enquanto me deixava cair sobre os lençóis bagunçados. O novo plano que começara a ser construído por minha mente sádica poderia esperar até a próxima manhã.
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