Backstage

21 Capítulo XXI


Notas iniciais
Olá, amores! Perdão pelo sumiço. Como a história está próxima de seu clímax, optei por adiantar alguns capítulos antes de voltar a postar, para garantir que não fiquem pontas soltas nesta reta final. Desde já, agradeço a compreensão. Tenham uma ótima leitura! Kisses❣

O susto que Diana tivera com a abordagem estranha de Wally West no meio da tarde diminuíra consideravelmente seu entusiasmo em jantar fora, porém tendo sido tranquilizada por Bruce a respeito do garoto e incentivada pela companhia da irmã, ela não desistiu do compromisso. Mesmo porque, ela estava ciente de que ficar em casa, remoendo hipóteses sobre seu caso, só serviria para desestabiliza-la.

Passava das vinte e uma horas quando Bruce, Diana e Donna cruzaram o hall de entrada da mansão Wayne, sendo recebidos afetuosamente por Alfred que, mesmo muito discretamente, não deixou de lançar um olhar repreensivo a seu patrão pelo atraso. Todavia, a felicidade do mordomo em receber as irmãs Prince, superava qualquer meticulosidade britânica em relação à pontualidade.

O dia de Bruce fora intenso na delegacia, não bastasse a análise minuciosa do caso de Diana, os depoimentos obtidos, a informação sobre a visita estranha de Wally West, ainda tivera que analisar o caso de um novo assassino em série que começava a causar pânico na cidade. Por esses e outros motivos, o detetive não conseguiu cumprir o combinado de buscar Diana e a irmã às oito horas.

Ele estava esgotado quando chegou à residência Prince, olhar frustrado, cabelo despenteado, semblante exausto. Mas nada disso ficou marcado na mente de Diana quando ele abriu um meio sorriso, assim que ela atendeu a porta. Ele era lindo, tentadoramente lindo, mesmo depois de um dia intenso de trabalho e com vincos sutis de preocupação marcando sua fronte.

Agora, sentada confortavelmente em uma poltrona na antessala do quarto de Bruce, esperando-o terminar o banho para descerem juntos para o jantar, ela estava convencida de que sair lhe fizera bem. Talvez fosse pela atmosfera receptiva que pairava na mansão, talvez fosse pela segurança que Bruce sempre lhe transmitia.

Na sala de estar da mansão, a irmã fazia companhia à Martha Wayne. Diana não pode deixar de notar em como Donna e Martha pareciam íntimas, certamente o fim de semana fora bastante propício para que elas se aproximassem e encontrassem afinidades, o que lhe deixava muito feliz. A amizade da matriarca Wayne, mesmo sendo tão recente, lhe fizera muito bem e intuía que faria o mesmo à irmã.

Era curioso o quanto tudo ali – a casa, a família de Bruce, as interações – lhe parecia familiar, como se já se conhecem há muitos anos, tamanha a empatia que os envolviam.

Quando chegaram e Bruce lhe convidou para subir, para aguarda-lo em seu quarto, ela se sentiu deslocada, sem jeito, afinal, não era como se tivessem um relacionamento definido, ainda que já tivessem bastante intimidade um com o outro. Mas a oportunidade para conversar a sós com o detetive antes do jantar, longe do olhar curioso da irmã caçula a quem insistia em não preocupar, lhe serviu de estímulo extra para acompanha-lo.

O quarto de Bruce era exageradamente grande e extremamente confortável, embora imaginasse que algumas mudanças o faria mais aconchegante. Não era apenas o fato de ser um quarto tipicamente masculino, mas parecia faltar um pouco de calor ali, ela notou, avaliando o cômodo enquanto o aguardava.

Ela notou também que ele não ligava para enfeites. Embora o quarto fosse imenso, precedido por uma antessala com poltronas, aparelho de som e televisor, a extravagância ficava por conta dos móveis caros de madeira, dispostos pelo cômodo. As cortinas eram de tecido nobre e em tom neutro, para o gosto de Diana eram espessas demais, bloqueando o brilho da lua que reluzia no céu.

Movida pela curiosidade, ela examinou cada detalhe do ambiente. Haviam dois únicos porta retratos sobre a mesa de centro, uma foto bastante conhecida de Diana, Bruce com os pais, e outra de Bruce adolescente acampando com Alfred. Ela avaliou a foto em que Bruce parecia ter uns quinze anos, achando-o bonito, mas dizendo para si mesma que o tempo lhe fizera muito bem.

Havia um quadro pendurado na antessala que, pelo conhecimento de Diana, não era traço de nenhum pintor renomado. Era uma paisagem campestre, traços muito delicados e cores intensas. Não era uma pintura impressionista, mas lhe transmitia muito significado. Quando Diana aproximou-se para identificar a assinatura do artista, surpreendeu-se ao ver que era de Martha Wayne.

Ela remexeu em alguns livros organizados numa prateleira, a maioria sobre ciência forense – o que lhe trouxe certos arrepios, devido o caso que protagonizava. Mas haviam muitos clássicos literários, biografias, enciclopédias, documentários, livros sobre música... um gama de gêneros literários para se entreter. Ela sorriu ao ver que Bruce e ela já haviam lido alguns títulos em comum.

Sem se importar em ser indiscreta, ela circulou pelo quarto. Reparando na cama, grande e perfeitamente arrumada, o telefone sobre a mesa de cabeceira e um bloco de anotações ao lado. Bruce era organizado e funcional, ela percebeu, bem diferente dela. Por um instante pensou em como seria a mescla de sua desorganização com a organização dele naquele quarto. Brigariam quando ela mudasse as coisas dele de lugar sem avisa-lo? Ela pensou e se repreendeu, em seguida, por sonhar acordada.

Ela podia ouvir o som do pressurizador do chuveiro pela porta entreaberta que levava ao banheiro. Ela pensou se Bruce deixara a porta aberta para tenta-la ou se isso era hábito. Considerando as hipóteses, era mais provável que fosse hábito, mas isso não a impediu de lembrar-se do banho que tomaram juntos na casa dos lagos e sua pele de reagir com saudades do calor do corpo de Bruce contra o seu.

Atordoada pelas lembranças, ela espiou mais uma porta aberta no quarto, que levava ao closet. Definitivamente, Bruce era um homem muito formal e pouco adepto de cores, ela avaliou de longe a organização, por cor e tipo, das peças de roupas e sapatos perfeitamente dispostos nos modulados.

Se distraindo um pouco mais, começou a imaginá-lo nos vários trajes que seus olhos podiam avistar, formais e informais, sorrindo involuntariamente para sua visualização imaginária e admitindo que o achava extremamente sexy de terno.

― Quer me ajudar a escolher o que vestir? – Bruce sussurrou no ouvido dela, fazendo-a saltar e estremecer de surpresa. Havia ficado tempo demais vestindo o detetive mentalmente.

― Eu não quis ser invasiva, me desculpe. – Ela ajeitou uma mecha de cabelo, virando-se para olha-lo e perdendo o ar quando o contemplou, secando os cabelos com uma toalha, o torso nu e molhado, e apenas outra toalha cobrindo-lhe o restante do corpo, em volta da cintura.

Ao contrário de segundos atrás, ela estava prestes a despi-lo mentalmente.

Perto demais, seu sentindo olfativo foi invadido pelo cheiro fresco de sabonete e shampoo que emanava dele, cerrou os dedos em punho para conter a tentação de toca-lo.

― Vou espera-lo na antessala para que você possa se trocar. – Ela se desviou, prendendo a respiração quando ele segurou seu pulso.

― Não me importaria em me atrasar para o jantar. Já estamos atrasados mesmo. – Ele sugeriu e ela sentiu as pernas fraquejarem quando os lábios de Bruce resvalaram nos seus.

A boca salivou de desejo e Diana tinha certeza que só não desmoronou porque a mão de Bruce amparou suas costas e a trouxe pra junto de si. Era tão dele, ela percebeu quando ele a beijou suavemente e pode retribuir com naturalidade. Sentia o coração pulsar forte em seu peito, sabendo que Bruce também era seu, independentemente de suas restrições.

Embora o calor irradiasse por seus corpos, o beijo foi gentil, calmo, saboreado lentamente. Como os beija-flores se deleitam com o néctar das flores, eles se deliciavam com o gosto um do outro. Não era mais o arroubo da atração que os impulsionava, era a conexão que o amor estabelecera entre eles que os envolvia.

― Eu estou com fome. – Ela murmurou contra os lábios de Bruce e se afastou, lembrando-se que não estavam em sua casa ou sozinhos em casa, quando o desejo por mais começou a ganhar voz. ― Estou louca para experimentar a comida de Alfred. Donna disse que é inacreditável.

Com um sorriso conformado, Bruce beijou-lhe a bochecha, deixando-a escapar. Também estava de acordo que não era o momento para se levarem por desejos. Podia oferecer mais do que isso a ela essa noite, lhe mostrando como ela era bem vinda em sua família, como podia se encaixar em sua vida.

Rapidamente e caprichosamente, o detetive se arrumou e se perfumou, encontrando Diana à sua espera, de pé, na antessala. Ele já tinha reparado em como ela ficava bonita de azul? Ele pensou, correndo os olhos pelo vestido de mangas curtas e decote discreto, mas que trazia vivacidade à silhueta delgada e à pele clara.

― Lembrei de dizer que estava linda quando a busquei em sua casa? – Ela sorriu, assentindo com a cabeça. ― Não importa, vou dizer de novo agora que posso observar melhor. Você está linda!

Bruce enfiou as mãos nos bolsos da calça social, contemplando-a até que as bochechas de Diana adquirissem o charmoso tom róseo que nem mesmo um blush muito bem aplicado poderia lhes conferir.

― Você também está ótimo. – Foi o primeiro elogio verbal que Diana fizera a Bruce e isso lhe deixou extremamente vaidoso e preocupado. ― Podemos conversar um pouco antes de descermos para o jantar? – Apesar do pedido, Bruce sabia que ela insistiria em conversar mesmo que ele se recusasse.

― Pensei que estivesse com fome. – Bruce murchou um pouco, percebendo que o elogio não fora despretensioso.

― E estou. – Ela encurtou a distância entre eles. ― Mas preciso saber o que obteve de informações sobre o meu caso. – Ela sentiu um nó na garganta ao assumir que era pauta de um caso de polícia. ― Hoje foi um dia de depoimentos. Aconteceu aquela situação estranha com Wally. Eu preciso saber se há novidades. – O nervosismo fez as mãos de Diana se agitarem na frente do corpo.

― A novidade é que, provavelmente, Wally West não é o homem que procuramos. O rompante do jovem é certamente imaturidade, não psicopatia. – Bruce viu a dúvida no olhar de Diana. ― Ele pediu demissão da emissora, logo que deixou a delegacia. O homem que estamos procurando não perderia a oportunidade de continuar perto de seu alvo. Além disso, a ficha do garoto é boa. Mais cedo ou mais tarde ele vai perceber que a paixão por você foi um arroubo juvenil.

Bruce era desconfiado, Diana havia percebido isso desde que se conheceram. Ele próprio havia relacionado Wally como suspeito. Se estava reconsiderando agora, era porque tinha um bom motivo para isso ou uma suspeita mais forte.

― E os outros? O inquérito sobre o caso da minha mãe? – Ela abraçou o próprio corpo, queria respostas, mas não sabia se tinha forças para assimilá-las.

― Ainda temos depoimentos a colher, princesa. – Haviam muitas novidades, mas Bruce decidiu que não era o momento de compartilha-las. ― Não vou permear sua cabeça com teorias de detetive. Quando houver evidências concretas, você será a primeira a saber. – Ele tocou de leve a bochecha de Diana. ― A propósito, preciso que você e Donna prestem depoimentos. – A resistência no semblante de Diana foi imediata. ― É importante.

― Não quero Donna nisso. – Ela decretou, irritada. ― E também prefiro responder às suas perguntas em caráter extraoficial. – Só de se imaginar em uma delegacia, depois de tantos anos, Diana sentia arrepios.

― As coisas não funcionam assim, Diana. Você sabe. – Bruce explicou, pacientemente. ― Não expedi intimações para vocês, porque achei desnecessário. Mas se decidir não colaborar, farei isso.

Há algumas semanas atrás, Diana pagaria pra ver. Mas considerando sua animosidade em relação ao detetive superada e a urgência que tinha em se ver livre de ameaças, era mais fácil colaborar.

― Certo, então exclua Donna. Ela era só uma criança quando nossa mãe morreu. Não vai se lembrar de nada útil, apenas da dor.

― É procedimento padrão. Eu não posso isenta-la. – O olhar de Diana discordava com veemência. ― Sua irmã não é tão frágil como você imagina, princesa. – De fato, a frágil, ultimamente, era muito mais ela do que a irmã. Diana admitiu para si mesma.

Percebendo que não iria convencer Diana no momento, Bruce propôs uma trégua ao assunto. Encontraria uma maneira de persuadi-la depois.

― Se não se importa, gostaríamos que esquecêssemos nossa relação profissional esta noite. Vai fazer bem para nós dois. – Bruce tocou-lhe o queixo e beijou suavemente os lábios pintados de vermelho. ― Tudo bem?

Diana assentiu. Se continuassem com o assunto acabariam brigando. Era ansiosa, curiosa e inquieta, mas quanto mais mergulhava nas informações do próprio caso, mais a sua tranquilidade se esvaía. Perder o equilíbrio, a paz de espírito, só lhe seria prejudicial. No momento, era melhor equilibrar as coisas, aproveitando a noite.

(...)

Alfred servia o jantar com imenso prazer por ver a mesa cheia. Havia anos que não se tinha um clima tão agradável naquela casa. As visitas que recebiam sempre eram amigas de sua patroa ou sócios das empresas Wayne, mas nada tão familiar como o que ele via esta noite.

À cabeceira da mesa, Martha Wayne não escondia seu olhar de admiração pela nora em potencial. Discretamente, ela avaliava como o clima entre Bruce e Diana parecia bastante harmonioso e torcia para que aquela Diana que conheceu, restritiva, estivesse dando lugar a uma mulher receptiva, disposta a ser feliz.

Martha Wayne não era o tipo de matriarca que fechava os olhos aos defeitos do próprio filho e o colocava num pedestal, sabia que dificilmente uma mulher qualquer teria uma relação saudável e duradoura com um homem da posição de Bruce, que optara por uma profissão tão sacrificante e a levava com tanta seriedade. Todavia, Diana lhe parecia uma mulher forte e com capacidade o suficiente para amar Bruce e entendê-lo.

Mesmo depois de ter sido alertada por Donna, dos traumas da irmã em virtude da morte da mãe, ela podia reconhecer a mulher de fibra que Diana podia ser em sua vida pessoal, tal como era na vida profissional. Ela podia ver nos olhos dela, o mesmo brilho que via nos olhos de seu filho recentemente, havia algo muito especial entre eles e era sábia o bastante para ter certeza de que os caminhos dos dois não se cruzaram, a essa altura da vida, por acaso.

― Eu não acredito! – Diana arregalou os olhos ao servir-se do prato principal. ― É Moussaka. – Ela saboreou a iguaria, sentindo o gosto de infância e de suas raízes gregas ganharem corpo em seu paladar. ― É meu prato favorito. – Ela encarou Alfred com gratidão.

Donna deu uma rápida piscadela para Alfred. Fora a responsável por contar ao mordomo qual a iguaria grega favorita da primogênita.

― Espero que tenha agradado seu paladar, senhorita. – Alfred deu um sorriso polido.

― Alfred, eu confesso que nem minha mãe poderia superá-lo. – Ela usou o guardanapo para limpar o canto da boca. ― Donna teceu inúmeros elogios aos seus dotes culinários, mas tenho que dizer que nem mesmo tudo o que ela disse lhe faria justiça. O jantar está divino.

― Eu agradeço a gentileza. – Alfred fez uma mesura para ambas as irmãs e se retirou, satisfeito.

― Aliás, preciso agradecê-la por tudo que fez por mim, Martha. – Diana virou-se para a mãe de Bruce. ― O convite para o show de Bocceli foi o melhor presente que recebi em anos e a hospitalidade que teve com Donna, foi de uma generosidade inesquecível.

― Não há o que agradecer, Diana. Você merecia o presente. – Ela sorriu para Diana, olhando rapidamente para Donna antes de prosseguir. ― E foi um prazer ter sua irmã conosco. Inclusive, sentirei falta da companhia dela.

― Eu também sentirei. Por isso manteremos contato sempre. – Donna entrou na conversa. ― Aliás, precisamos planejar nossa viagem à Londres, tendo Alfred como nosso guia.

― Planejaram viajar juntos? Os três? – Bruce olhou para a mãe, que assentiu. ― Obrigado por se lembrarem de incluir Diana e eu nos planos. – Ele se fez de ofendido.

― Não foi por mal, futuro cunhado. – Bruce sorriu com o título e Diana corou. ― Na verdade, se tudo correr bem, nossa viagem será quando estiverem em Lua de Mel. Esse é o nosso plano inicial. – Donna sorriu para Martha, que deu uma risada discreta.

― Se é assim, acho justo. – Bruce levou mais uma porção do jantar à boca, notando o olhar envergonhado de Diana.

― Donna! – Ela repreendeu, sutilmente, a caçula, que deu de ombros. Ao perceber que Martha parecia bastante cúmplice dos pensamentos da irmã, concluiu que havia sido um elo bastante forte para os laços de amizade entre as duas.

Para evitar deixar sua nora em potencial constrangida, Martha mudou de assuntou, perguntando Diana sobre como foi a estadia em Washington. Em seguida, começaram a falar sobre viagens, possibilitando que todos interagissem igualmente e sem desconfortos.

Mesmo mergulhando nos assuntos triviais, a aceitação que descobriu ter, por parte da família de Bruce, mexeu com os pensamentos de Diana. Ela não tinha que fantasiar com eles, pensou, mas não faria mal ser conivente só um pouquinho. O jantar estava sendo maravilhoso. Desde a adolescência, quando ainda morava com a mãe, o padrasto e a irmã, não tinha uma refeição à mesa que lhe remetesse a um clima tão familiar.

Martha, Bruce e Alfred não eram sua família, mas parecia que se encaixavam tão bem à sua vida, que se viu desejando que se tornassem. Amava Bruce, se afeiçoara à Martha e Alfred, e eles à Donna. Pareciam complementares, ao analisar o jantar, as conversas e os sentimentos. Sentiu-se feliz com algo tão simples, que desejou que se perpetuasse.

Antes de servir a sobremesa, Alfred retornou à mesa, estava com o semblante polido, mas um tanto resistente. Com pesar, ele interrompeu o jantar.

― Patrão Bruce, me desculpe. – O detetive trocou um olhar intenso com o mordomo. ― É o Comissário Gordon ao telefone. É urgente.

Alfred nem precisaria frisar a urgência, o simples fato de ter interrompido o jantar era o suficiente para que Bruce soubesse que algo de grave havia acontecido. Pedindo licença, Bruce se levantou, como detetive, Diana e Martha notaram, para atender a ligação.

Embora Donna continuasse mantendo a mesa falante, Diana não conseguia esconder sua apreensão pelo telefonema que tirara Bruce do jantar. O mesmo acontecia com Martha, mas ela já estava habituada à rotina do filho.

Demorou cerca de dez minutos para que Bruce voltasse, devidamente vestido para trabalhar. O coldre sobre o ombro, a arma municiada, colete à prova de balas sob a camisa. A calça social substituída por um jeans escuro e uma jaqueta de couro em mãos.

― Eu sinto muito por não poder terminar o jantar. – Seu olhar era totalmente voltado para Diana. ― Aconteceu uma emergência. Precisam de mim. – As palavras eram objetivas, mas havia uma pontada de súplica nelas, Diana podia sentir.

Tudo o que Bruce queria era uma noite comum, para que Diana esquecesse um pouco de sua profissão, mas, ao contrário do que planejara, sua profissão falou mais alto.

A cena era um déjà vu para Diana. Perdera as contas de quantas vezes a mãe saía em meio a ocasiões especiais ou de madrugada para o cumprimento de seu dever. A dor das lembranças e o choque de realidade vieram imediatamente quando fez um aceno de cabeça para Bruce. Ela compreendia. O difícil era aceitar.

― Por favor, espere por mim. Não devo demorar. – Suas palavras eram pura expectativa, não podia prometer nada.

― Não se preocupe conosco. – Ela olhou rapidamente para Donna, que, pelo olhar, lhe pedia para ser razoável. ― Está tudo bem. – Foi só o que Diana pode dizer, não podia assegurar que o esperaria.

― Deus lhe acompanhe, filho. – Martha o abençoou, sentindo muito pelo olhar desolado de Bruce ao sair.

― Posso servir a sobremesa, senhora? – Alfred interveio, tentando recuperar o clima agradável.

― É claro. – Martha autorizou e o mordomo se retirou. ― Acho que vai gostar da sobremesa, Diana. Profiteroles com recheio de sorvete. – A matriarca tentou anima-la.

Diana forçou um sorriso. Havia perdido o apetite. A saída de Bruce era como ver seu castelo encantado ruir. Não era mais a felicidade simples que reinava, mas a insegurança que administrara ao longo da vida por causa da ausência da mãe.

― Está tudo bem, Di? – Donna questionou ao perceber o olhar perdido da irmã, desatenta aos assuntos que acabaram de iniciar.

Diana forçou um sorriso, garantindo que estava bem, mas que não convenceu nem a si mesma.

― Perdoe-me a intromissão. – Martha tocou a mão de Diana sobre a mesa. ― Sinto que a saída de Bruce mexeu com você, minha querida. – Diana tentou negar, mas Martha insistiu. ― Eu sei o que está sentindo, Diana. Todas as vezes que vejo Bruce saindo para atender a uma ocorrência a qualquer hora, me lembro do pai dele saindo para atender emergências no hospital, também a qualquer hora.

― É diferente. – Diana contestou.

― Em parte. – Martha pontuou. ― A preocupação sempre é a mesma. A lamentação pela ausência também. – Olhando profundamente nos olhos de Diana, Martha prosseguiu. ― A vida é um bem instável, querida. Independentemente de profissões. Mas, sabe o que mais Bruce herdou do pai, além da obstinação em tudo o que faz? – Diana aguardou a resposta, sentindo os olhos marejarem. ― A hombridade. Ele nunca vai ficar em falta com os seus deveres, mas também nunca vai ficar em falta com você quando precisar dele.

Assimilando as palavras de Martha, Diana provou a sobremesa, trocando um rápido olhar com Donna, que lhe sorria. Não era como se as palavras pudessem sanar todos os seus receios, mas ter esperanças já era um bom motivo para reconsiderar suas barreiras. Sabia qual seria sua rotina se decidisse ficar com Bruce, mas começava a se convencer também que seria infeliz se não ficasse com ele.

(...)

Ao terminarem o jantar, Martha ligou a TV e viram no noticiário a repercussão do caso que Bruce fora chamado para acompanhar. Um pai de família, que havia chegado de viagem, encontrou a esposa e os dois filhos mais novos mortos. O suspeito era o filho adolescente, que estava desaparecido.

Diana não esperou por Bruce. Aquilo definitivamente não iria acabar cedo.

Alfred as trouxera para casa. Já passava de meia-noite quando ele as deixou, insistindo para que voltassem logo para uma visita.

Donna estava cansada demais para argumentar com a irmã sobre o imprevisto da noite, conversariam no dia seguinte, foi o que a caçula decidiu, percebendo a inquietude da primogênita. Já Diana, sem sono, ficou à janela, observando a viatura que sempre ficava de prontidão em frente a casa, na expectativa que Bruce aparecesse, e depois optou por tentar ver TV.

Com resistência, ligou no canal da Planet, lutando para digerir a imagem de Lois Lane fazendo figuração em seu programa em chamadas nada carismáticas e anunciando entrevistas externas que Diana fizera anteriormente e ainda não tinham sido exibidas.

A que fora ao ar esta madrugada, era uma cobertura de uma gravação com a dupla Roxette. Diana bufou, irritada, queria ter sido ela a responsável por exibir a entrevista, tinha tantas curiosidades para comentar sobre os bastidores daquela matéria, e agora tudo ficaria guardado apenas para si mesma.

Rememorando o show incrível que assistira naquela ocasião, superou a frustração, deitando-se no sofá para assistir ao programa. A edição da entrevista estava incrível, mérito de sua equipe de produção, todavia, Lois tentando comandar a atração era um fiasco. Faltava naturalidade, improviso, empatia e se Diana fosse sincera, diria que faltava o essencial: talento.

Entediada, acabou adormecendo no sofá, antes mesmo que o programa terminasse.

(...)

Eram quase três horas da madrugada quando Diana despertou, com uma dor terrível no pescoço e assustada com os reflexos das imagens exibidas pela TV, que ficara ligada. Se arrastando, ela desligou o televisor e reuniu forças para subir para o quarto. Ao chegar à escada, notou a luz da secretária eletrônica piscando, na mesa de canto da sala.

Não tinha certeza se o telefone tocara enquanto dormia ou se o recado fosse de antes de saírem. O telefone estava no mudo, por isso não ouviu o toque. Sonolenta, pensou em deixar para ouvir o recado no dia seguinte, não devia ser nada de importante àquela hora.

Entretanto, ao lembrar-se de seu perseguidor e na possibilidade de Donna acordar e ouvir um recado terrorista em seu lugar, decidiu verificar do que se tratava. Reunindo esperanças de que fosse Bruce, antes de acionar o botão da secretária eletrônica, Diana congelou quando ouviu o recado deixado.

“Maldita! Acha que vai ficar livre de mim parando de trabalhar ou de atender ao telefone?” – Um chiado longo ressoou, resultado da irritabilidade do autor da ligação. “Eu vou cerca-la, eu vou pega-la, mesmo que se brinde de defesas. Acha que o detetive vai poder salva-la?” – Uma risada doentia se seguiu e Diana perdeu o ar. “Você herdou isso dela, a manipulação. Pobre detetive. Ele não vai salva-la. Aliás, eu vou salva-lo de você, antes que você desgrace a vida dele, como ela fazia, como você fez com...” – Um suspiro longo interrompeu a conclusão da frase. “Eu vou mata-lo.”

Diana recostou-se na parede, sentindo o chão sumir abaixo de seus pés. Bruce, não! Ela sussurrava para si mesma, sem conseguir prestar muita atenção no que a voz continuava a falar na mensagem gravada.

“Mas serei gentil com ele, uma morte rápida. Diferente do que vou fazer com você. Vou te matar da mesma forma que ele morreu, por sua culpa. Você sentirá dor, você sentirá medo. Vai sofrer e implorar. Comece a contar suas horas.”

A mensagem terminou e Diana escorregou até o chão. Os olhos arregalados, os joelhos trêmulos, a mente em choque. Uma segunda mensagem apitou e ela se viu forçada a tampar os ouvidos, não podia ouvir mais nada.

“Diana!” Ela reconheceu a voz de Bruce na sequência. “Se ouviu a primeira mensagem antes que eu chegue em sua casa, tente se acalmar. Eu estou saindo do Departamento de Polícia, chego em dez minutos.”

Diana só conseguiu chorar, não de alívio, mas de medo. E se o seu algoz estivesse à espreita? Atirasse em Bruce pelas costas quando ele batesse à porta? Ele não podia vir, não podia. Ela tentou ficar em pé, pegar o telefone e discar para Bruce, implorando que ele não viesse, mas enquanto tentava encontrar a própria voz, bateram à porta.

Certamente ela ouvira a mensagem com atraso. Devia ser Bruce. O pânico de que fosse seu perseguidor também ganhou voz, mas se fosse ele, deixaria que lhe matasse, isso acabaria com seu tormento e salvaria Bruce de morrer por sua culpa.

Ela avistou, pela janela, o carro do detetive estacionado atrás da viatura que montava guarda em frente a casa. Com dificuldade, destrancou a porta, deixando Bruce assustado quando pousou os olhos nela e viu o quanto ela estava frágil.

Ela o puxou para dentro, com o que lhe sobrara de vitalidade, trancou a porta avidamente e desmoronou nos braços do detetive ainda no hall de entrada.

Bruce ainda tinha uma pontada de esperança de que ela não tivesse ouvido os recados. Quando as ligações foram feitas, ele já estava na delegacia e fora chamado para acompanhar o rastreamento. Fora avisado por Alfred que Diana havia ido pra casa, mas como ela não atendeu ao telefone, pensou que ela não acordaria antes que ele chegasse e não ouviria os recados antes que ele pudesse estar ao seu lado. Infelizmente, ele estava enganado.

― Acalme-se, princesa. Está tudo bem. – Ele sussurrou, tentando conter os tremores que percorriam o corpo dela e consola-la em meio ao choro silencioso que ela derramava.

Diana agarrou-se a Bruce, precisava senti-lo, precisava ter certeza de que ele estava inteiro, precisava garantir que ele ficaria vivo, com ou sem ela. Ela o amava, intensamente, sentiu o coração rasgar-se só de imaginar que ele poderia morrer por querer protegê-la. Ela não permitiria. Ninguém iria se ferir por sua culpa, especialmente Bruce.

― Case-se comigo, Bruce! – Ela pediu e ele achou que ela estava delirando. ― Case-se comigo. – Ela se afastou minimamente para olha-lo nos olhos. ― Ainda quer se casar comigo? – Ela o questionou, vendo a confusão no semblante do detetive. ― Se a resposta for sim, largue o caso e eu aceito me casar com você.

(...)

Se não fosse o estado frágil de Diana, Bruce teria ficado extremamente irritado com a proposta que ela havia acabado de lhe fazer, assim que compreendeu seu intuito. Ela não estava delirando e tampouco estava sendo honesta. Ela estava lhe propondo uma barganha suja e desesperada.

Tentando ser indulgente diante da situação, ele não a respondeu antes de trazê-la para a cozinha da casa, dar-lhe água e esperar que ela se acalmasse minimamente antes de conversarem.

Havia medo, muito medo, no olhar de Diana. O rosto estava lívido, os lábios trêmulos e o pulso acelerado.

― Você não me respondeu. – Ela o cobrou, sem se dar conta da frustração no olhar de Bruce. ― Não quer mais se casar comigo, não é? Percebeu que é melhor se afastar. – Ela suspirou, pensando que a ameaça tivesse feito com que Bruce desistisse dela. Sentiu alívio e dor ao pensar na possibilidade.

― O que está dizendo? – Bruce respirou fundo, só então ela percebeu que ele estava nervoso. ― Acha legítimo seu sim, condicionado pela situação que está vivendo? Acha justo eu me afastar do caso para me casar com você? Foi a tentativa de suborno mais vil que já me ofereceram.

― Ele disse que vai mata-lo. – Diana reagiu, tentando se justificar.

― E daí? – Bruce a encarou seriamente. ― É natural que ele me ameace, afinal, sou uma barreira para que ele conclua seu objetivo.

― Eu não posso permitir que se fira, que morra por minha causa. Se não aceitar se afastar do caso, pedirei ao Comissário que coloque outro investigador em seu lugar.

― Acha mesmo que, a essa altura, isso me impediria de continuar envolvido? – Bruce passou a mão pelos cabelos, tentando controlar a raiva.

― Escute, Bruce, depois de Donna, você é a pessoa que mais amo nesse mundo. Eu sinto que ele não está blefando. De alguma forma, essa pessoa percebeu, até mais do que eu, o quanto você é importante pra mim. Não posso perdê-lo. – O desespero e a honestidade no olhar de Diana controlaram a fúria de Bruce.

― Não pode me perder, mas pode se casar comigo como se isso fosse uma obrigação contratual? – Ele tentou trazê-la para a realidade. ― O que virá depois disso? Eu entrego meu distintivo e você aceita ter um filho comigo?

Droga! Diana praguejou mentalmente, constrangida por sua proposta descabida. Ela queria proteger Bruce, não queria que ele se sentisse tratado como um mero objeto de estima do qual não queria se desfazer.

― Me perdoe! – Ela pediu, abaixando os olhos. ― Não sei o que fazer. Sinto medo, impotência e não posso fugir. Não poderia viver em paz em nenhum lugar do mundo enquanto essa maldita voz quiser me encontrar. – Ela levantou-se, olhando a rua pela janela. ― Ele está perto, não está?

Bruce a tocou nos ombros, acariciando seus braços, sentindo os músculos tensos.

― Conseguimos rastrear a ligação. – Ela virou-se para encara-lo. ― Foi de um telefone público há duas quadras daqui. – Diana tremeu. ― Ele nos deixou mais pistas com o recado, Diana. Vamos pega-lo.

― O que ele disse, sobre eu ter herdado a manipulação dela. – Diana lembrou-se das palavras. ― Acha que tem a ver com a minha mãe?

― Provavelmente.

― Mas o que foi que eu fiz? Ele deu a entender de novo que eu fiz algo contra alguém. Eu não fiz nada.

― Com certeza não, princesa. – Ele a abraçou, trazendo a cabeça dela para aconchegar-se em seu peito. ― Mas estamos lidando com uma mente doentia. Assim que ligarmos os pontos desse mistério, entenderemos como nasceu essa perseguição obsessiva.

A cabeça de Diana latejava. Bruce parecia tão seguro de que resolveria esse mistério, mas e se fosse tarde demais? Não era a única ameaçada agora, ele também podia morrer, apenas por ter assumido uma investigação e por ter se apaixonado por ela. Quem poderia lhe odiar tanto? Mesmo que houvesse feito mal a alguém, teria sido tão grave a ponto de merecer passar por este tormento? Não ter respostas fazia a dor em seu peito e em sua cabeça aumentar.

Seu desejo era trancar-se no quarto, não sair de casa até que estivesse segura. Se Bruce não estivesse ali, certamente se entupiria de calmantes para tentar dormir e esquecer o pesadelo real que enfrentava.

Mas Bruce estava ali e isso fazia toda a diferença.

Sem querer pensar no futuro, olhou para Bruce um instante. Admirou-o, tocou de leve seu rosto e sentiu um aperto tão forte no peito, que seus olhos marejaram novamente.

― Suba comigo. – Ela pediu.

― Eu acho que você devia tomar um calmante e dormir. – Ele sugeriu e ela negou com a cabeça.

― Por favor. – Ela insistiu, estendendo-lhe a mão.

Em silêncio, ele a acompanhou até o quarto. Para tranquilidade de Diana, a movimentação não acordara a irmã, que tinha o sono pesado e dormia profundamente.

Ela conduziu Bruce até seu quarto. Trancou a porta e fechou as cortinas, como se isso fosse protegê-los de qualquer ameaça externa. Fitando-o nos olhos, percebeu o quanto precisava dele naquele momento. Somente ele lhe faria esquecer todo pânico, todo o terror. Não havia remédio mais eficaz do que o amor para curar suas dores e temores.

Sem deixar de encara-lo, separados por uma distância de um metro, ela abriu o zíper do vestido, deixando o tecido deslizar calmamente pelo seu corpo e cair a seus pés. Com movimentos lentos, ela deu um passo para o lado, livrando-se também das sandálias.

Em qualquer outro tempo, jamais se sentira tão a vontade com outro homem. Mas Bruce compartilhara uma intimidade tão grande com ela, que sentia-se livre para ser dele, sem qualquer reservas. Sem rubor, sem receios, ela terminou de se despir diante do olhar escurecido de desejo do detetive sobre si.

Contendo-se para não toca-la desesperadamente, ele a imitou, despindo-se vagarosamente. Nem mesmo vê-lo despir-se do coldre e do colete à prova de balas atormentou Diana desta vez. Ela olhava os músculos perfeitamente esculpidos, as cicatrizes, com admiração.

Quando ele terminou de se despir, aguardou até ela encurtar a distância entre eles. Erguendo lentamente os braços para envolver o pescoço de Bruce, ela beijou suavemente seu tronco, pescoço, mandíbula e sussurrou seu nome, antes de beijar sua boca.

Extremamente excitado com aquela rendição de Diana, ele apenas apoiou as mãos em sua cintura, deixando-a explorar seus lábios e correspondendo-a em seu ritmo.

As últimas barreiras de Diana desmoronaram com a compreensão e acolhida de Bruce. Ele era o seu lar. Era abrigo, fortaleza, calor, imperfeição, mas era onde poderia habitar em qualquer tempo. Com as lágrimas queimando em seus olhos, ela aprofundou o beijo, submetendo-se completamente a todos os sentimentos que Bruce lhe despertava.

Entorpecido pela entrega calma e completa de Diana, Bruce a ergueu do chão, carregando-a até a cama e deitando-a, para cobrir o corpo dela com o seu. Com gentileza, ele a tocou, beijou, saboreou cada pedaço de seu corpo, retribuindo tudo que ela estava compartilhando com ele naquele momento.

Não havia mais pensamentos negativos permeando sua mente, não havia mais insegurança descompassando seu coração, apenas a oportunidade e simplicidade de poder amar e ser amada, felicidade em estar viva e desejo de viver a cada instante que a viagem de prazer que Bruce roteirizava para ambos evoluía.

Sem cobranças, eles trocaram juras de amor um ao ouvido do outro, trocaram beijos e carícias sem pressa, até os fios de cabelos se aquecerem com tanta intensidade e generosidade de um para com o outro.

Enquanto os primeiros raios de sol da manhã despontavam, eles estavam acomodados no centro da cama, perfeitamente encaixados um ao outro, perfeitamente sintonizados de corpo e alma. Os suspiros de ambos eram suaves e serenos.

Tinham os olhos reluzentes quando o clímax chegou. Tinham o coração aberto quando se viram refletidos nas íris um do outro.

Notas finais
Continua! *Moussaka é um prato típico grego, semelhante a nossa lasanha, a base de berinjela e carne de carneiro. P. S. Já que citei Roxette no texto, sugiro a canção abaixo como tema de Diana e Bruce no capítulo. A letra é linda e tem muito a ver com a fase dos protagonistas no momento. https://www.youtube.com/watch?v=yCC_b5WHLX0