Backstage
22 Capítulo XXII
Notas iniciais

Diana havia jurado que nunca mais pisaria em uma delegacia depois que a mãe morreu. O que ela não podia prever, é que estaria circunstanciada a romper essa promessa ao tornar-se pauta de uma investigação policial, precisando não somente pisar novamente em um departamento de polícia como também prestar depoimento.
Ao contrário dela, Donna não se incomodou em saber que teria que depor, sentada ao lado da irmã na sala de Bruce, a caçula parecia bastante atenta e interessada à movimentação na delegacia, ambiente que não lhe seria completamente estranho quando terminasse sua graduação em direito.
Já Diana era envolvida por lembranças remotas, de quando era criança e a mãe ainda não havia se casado com o pai de Donna. Eventualmente, quando a babá faltava, atolada de trabalho, a mãe lhe buscava na escola e a levava para o trabalho para finalizar alguma ocorrência que atendera. A pequena Diana ficava sentada em um banco frio, numa sala de espera, sempre com uma boneca de pano em mãos ou algum papel e lápis para desenhar, enquanto a mãe terminava de cumprir seus deveres.
Alguns agentes, amigos de sua mãe, tentavam lhe entreter quando podiam, mas o carinho e atenção que recebia, não contribuíam para que ela gostasse daquele lugar. Ela tinha medo. Lembrava-se das muitas vezes que via meliantes chegando agressivos após serem detidos, mulheres chorando após terem coragem de denunciar uma agressão e de jovens alegando inocência enquanto eram encaminhados para as salas de interrogatório. As horas não passavam, ela lembrou-se com pesar. Os minutos pareciam horas, enquanto esperava à mãe naquele ambiente tenso e obscuro.
Todavia também não podia ser injusta com a mãe em suas lembranças. Sempre que aconteciam essas eventualidades, em que a mãe precisava leva-la para o trabalho, quando chegavam em casa, a mãe se despia da policial e a mimava, brincando ou levando-a para passear, outras vezes assistindo tv juntas até tarde. É verdade que muitas vezes sentiu a ausência da mãe, mas Hipólita não era uma mãe negligente ou ruim, era devotada quando podia e Diana sabia que ela fizera o melhor para cria-la, educa-la e nunca deixou de dar-lhe afeto.
Inquieta por ser a próxima a entrar para depor, Diana levantou-se e começou a caminhar pela delegacia. Não era permitido transitar deliberadamente pelo departamento, mas ela não tinha condições de ater-se às regras. Paciência estava longe de ser uma de suas virtudes ultimamente.
Se enveredando por um dos corredores, avistou uma das salas de interrogatório. Embora a luz em seu interior fosse fraca, o vidro de isolamento acústico era transparente, o que aguçou sua curiosidade para saber se o detetive Wayne estaria ali. Olhando de esgueira, ela deu um sorriso involuntário ao avistar Bruce, sério e sexy, enquanto fazia algumas anotações. Ao seu lado, a detetive Lance falava e gesticulava, e, em um canto da sala, um escrevente digitava freneticamente. O que mais lhe chamou a atenção, porém, foi a silhueta masculina que era interrogada. Os cabelos claros e longos do homem não lhe eram estranhos.
“Não pode ser!” Ela murmurou para si mesma, quando reconheceu o homem que se levantou dentro da sala, certamente terminando de prestar seu depoimento.
Estática, ela teve a confirmação de sua suspeita quando a porta da sala se abriu e de lá saiu Arthur Curry, alinhado em um terno cinza claro, embora os sapatos informais e o cabelo rebelde evidenciassem seu despojamento.
Há meses atrás ela vira o ex-marido, de longe, durante um evento em Nova York, não se aproximaram, não trocaram olhares, apenas uma visão de relance de sua parte. Desde que se separaram formalmente, nunca mais ficaram frente a frente, era a primeira vez que olhava nos olhos do homem que fora seu primeiro amor e sua primeira decepção, após dez anos desde a separação.
Ao pousar os olhos sobre ela, tomado da mesma surpresa, Arthur encurtou a distância entre eles, sob os olhares atentos de Bruce e de Dinah, que conteve o parceiro de intervir naquela aproximação.
― Não dá pra entender o que ela viu nesse cara. – Bruce comentou, desgostoso com o encontro de Diana e o ex-marido. Seu desejo era marcar o depoimento das irmãs para mais tarde, mas como Diana era imprevisível, achou melhor deixa-la vir pela manhã, antes que mudasse de ideia.
― Tá brincando?! – Dinah o encarou. ― Desculpe, parceiro, mas o homem é um gato. Eu sei muito bem o que Diana viu nele. – A loira foi honesta e não se intimidou com o olhar mortal que Bruce lhe dedicou.
― Diana! – Arthur parou diante dela, sem saber se estendia a mão para cumprimenta-la. Na dúvida, enfiou as mãos nos bolsos da calça e abriu um sorriso. Embora não ficasse frente a frente com a ex mulher há anos, sempre acompanhava-a pela mídia. Contudo, ela estava muito mais bonita do que ele se lembrava e do que a televisão e as capas de revistas eram capazes de mostrar.
― Arthur! – Diana também não sabia exatamente como se portar. Já haviam se passado muitos anos, virara a página, mas era impossível ficar neutra diante do homem que permeou seus sonhos e sua ruína emocional, sendo que tudo aconteceu quando eram jovens demais.
Arthur continuava lindo, ela admitiu para si mesma, sem saber exatamente o que sentia, além da surpresa, ao reencontra-lo.
― Como você está? – Ele tentou puxar assunto. ― Quer dizer, além desse problema que vem enfrentando. Eu sinto muito por tudo.
― Eu vou ficar bem. – Diana tentou parecer convicta. ― Me desculpe por termos que nos encontrar nessas circunstâncias. – Ela abraçou o próprio corpo, desconfortável. ― Eu não suspeitei de você, em nenhum momento.
― Tudo bem. – Ele sorriu, despretensiosamente. Não parecia incomodado por ter sido interrogado, Diana o avaliou. ― É natural que a investigação considere o ex-marido como suspeito. Especialmente quando ele foi um idiota no passado. – Arthur tocou, gentilmente, no ombro de Diana. ― Não é o melhor momento, mas estou feliz por revê-la. Além disso, estou disposto a ajudar no que puder e gostaria muito de conversar com você.
Desde quando Arthur era tão... simpático? Diana tentou lembrar-se, sentindo-se incomodada com o gesto do ex ao tocá-la e não escondendo a surpresa ante suas palavras. Ele parecia tão diferente do que se lembrava, algo em seu olhar lhe deixou momentaneamente sem resposta.
― Creio que já esteja liberado, senhor Curry. – A voz de Bruce interveio na conversa. ― Não deve se aproximar de sua ex-mulher enquanto a investigação estiver em curso.
Bruce se colocou ao lado de Diana e os dois homens se encararam. Bruce sabia exatamente o porquê não simpatizou com Arthur Curry, que, aos seus olhos, parecia um mendigo alinhado ou um surfista cafona. Já Arthur não tinha um motivo específico para não ter ido com a cara do detetive desde que começaram o interrogatório, mas algo em Bruce Wayne o incomodava, como uma rivalidade natural entre machos alfas.
― Posso procura-la? – Arthur ignorou a presença e a recomendação do detetive, concentrando-se unicamente em Diana, o que fez o sangue de Bruce ferver.
― Creio que não seja uma boa ideia. – Diana respondeu, pressentindo um clima tenso. ― Imagino que você já tenha contribuído o suficiente para a solução do caso. – Ela deu um sorriso ameno, não querendo parecer grosseira.
― Não se trata apenas do caso... – Arthur iria insistir, mas a chegada de Donna ao corredor serviu para dispersar um pouco a tensão no ar.
― Arthur! – A mais jovem interrompeu e cumprimentou o ex-cunhado, muito mais por educação do que por simpatia.
― Donna?! – Apesar da indiferença no olhar da jovem, Arthur não se intimidou. ― Nossa! Você se tornou uma mulher linda, como sua irmã. – Donna deu um sorriso amarelo para o elogio e Bruce um olhar nada amistoso. O detetive podia perceber as intenções de Arthur pela forma que ele encarava Diana.
― Diana e eu vamos depor separadamente, Bruce? – Donna ignorou o ex cunhado, que logo percebeu a intimidade que o detetive tinha com as irmãs Prince, ao ver Donna chama-lo pelo primeiro nome.
― Vão sim, mas não simultaneamente. – A detetive Lance se aproximou, para evitar qualquer possível rusga. Conhecia muito bem a versão ciumenta de seu parceiro. ― Você pode vir conosco, Diana, e quanto ao senhor... – Ela olhou para Arthur. ― Obrigada pela colaboração.
Cumprimentando Diana, Dinah a tomou pela mão, conduzindo-a até a sala de interrogatórios. Elas logo foram seguidas por Bruce, que não deixou de trocar um último olhar hostil com Arthur.
(...)
― Quer beber alguma coisa antes começarmos? Água, café morno...? Acho que tem refrigerante na sala de Bruce. – Dinah sugeriu, quando Diana sentou-se na cadeira de depoente.
Diana agradeceu a gentileza da detetive, tudo o que precisava era que o interrogatório fosse rápido. A inquietação cedeu lugar ao nervosismo quando se viu dentro da sala de interrogatórios. Talvez fosse impressão sua, mas a sala parecia mais escura vista de dentro do que do lado de fora. Além disso, o tom cinza das paredes lhe causava arrepios. Repentinamente sentiu frio, quando via claramente que a detetive transpirava, tendo em vista o ar condicionado defeituoso do ambiente.
Tentando relaxar, ela sorriu, sem jeito, para o escrevente que a encarava com admiração notória. Já estava habituada aos questionamentos de Dinah e Bruce, mas era estranho uma terceira pessoa ouvindo e registrando tudo em tempo real. De qualquer forma, atendendo a um pedido do rapaz, quebrou os protocolos e concedeu-lhe um autógrafo, antes do interrogatório começar, deixando-o exultante.
Bruce sentou-se de frente para ela, ao lado de Dinah. Diana percebeu que ele estava ligeiramente irritado e só então se deu conta que ele sentira ciúmes de seu ex-marido minutos atrás. A constatação lhe fez ter vontade de sorrir, sentindo uma vaidade tola se apossar de sua mente.
Havia cerca de três horas que Bruce deixara sua casa. Apesar do terror da madrugada, eles amanheceram o dia da melhor maneira possível, aconchegados um ao outro. Não dormiram mais que uma hora, mas a troca de amor que compartilharam foi o suficiente para mantê-los bem dispostos para enfrentarem o dia que tinham pela frente.
Diana percebeu que estava equivocada ao pensar que Bruce já havia lhe mostrado o paraíso quando se entregou a ele pela primeira vez. Aquilo havia sido apenas o começo. Esta manhã, ela soube o que era se doar por inteira, entendeu o significado de completude e de pertença a si mesmo, a ponto de escolher se entregar. Foi mágico, inesquecível. Intenso como se fosse a última vez que se amariam. Mas Bruce lhe prometeu que estavam longe do fim. E ela, temendo perder tudo que finalmente enxergara que Bruce lhe oferecia, estava disposta a lutar por justiça, por sua vida e para ficar com o detetive.
― Podemos começar? – Dinah trocou um olhar com o parceiro e voltou a pergunta para Diana.
― Claro. – Diana uniu as mãos sobre a mesa. ― Antes poderia saber como foi o depoimento de Arthur? – Ela encarou a detetive e Bruce, simultaneamente.
Dinah arqueou a sobrancelha e Bruce franziu o cenho.
― Por que o interesse no depoimento de seu ex-marido? – Bruce tentou não transparecer seu incômodo.
― Não é sobre o depoimento do meu ex-marido, é sobre a contribuição do que ele disse para a solução do caso. – Diana rebateu, divertindo-se com a pontada charmosa de ciúmes na voz do detetive.
― Arthur tem bons álibis que o livram de suspeitas, Diana. – Dinah interveio, percebendo que o clima seria propício para uma crise de ciúmes, se Bruce se deixasse levar pelas palavras de Arthur durante o depoimento. O loiro havia demonstrado claramente seu arrependimento em ter se separado e esperanças de reconquistar a ex esposa. ― Ainda temos que confirmar alguns detalhes. Mas ele está disposto a colaborar com as investigações. Inclusive, tentou pensar em pessoas que fizeram parte do passado de vocês e pudessem ser suspeitas.
Bruce deu um olhar nada amigável para a parceira, por destacar a boa vontade do ex marido da mulher que, segundo seus planos, seria sua futura esposa.
― Eu sabia que ele estava limpo nisso. – Diana suspirou, aliviada. Seria horrível descobrir que o ex marido era o perseguidor que vinha lhe atormentando. ― Vão convocar Mera para depor também?
― Sim. Mera Curry já foi intimada. O fato deles estarem em processo de separação faz com que ela seja uma suspeita em potencial. – Diana arregalou os olhos pela menção à separação e Bruce comprimiu os lábios, irritado. ― Arthur acha que a ex-mulher não lhe faria mal, mas não negou que ela sempre sentiu ciúmes da relação que vocês tiveram. – Dinah concluiu e Diana se deu por satisfeita.
― Podemos partir para o que realmente interessa? – Bruce pediu e as duas mulheres assentiram. ― Ótimo! – Ele franziu o cenho. ― Como nós já temos bastantes informações preliminares sobre sua mãe, preciso que comece falando sobre seu pai, Diana.
Bruce a encarou e Diana notou o policial assumindo sua persona integralmente.
― Meu padrasto, você quer dizer. – Diana o corrigiu, mas Bruce meneou a cabeça.
― Não, Diana. Precisamos falar sobre o seu pai biológico. – Dinah remexeu em alguns relatórios sobre a mesa. ― Sabemos que vocês nunca conviveram como pai e filha, mas sua mãe certamente lhe falou sobre ele e, em algum momento, ele pode ter tentado se aproximar, já que você é uma pessoa famosa.
Os olhos de Diana faiscaram imediatamente. Raiva era tudo o que sentia quando pensava no pai biológico. De certo modo, a mãe fora responsável por incitar isso nela, sempre contando como o pai a iludiu, usou e abandonou quando contou que estava grávida. Saber das lutas da mãe para cria-la, sozinha, também não servia de incentivo para que nutrisse afeições pelo pai.
Houve alguns momentos da adolescência em que Diana quis conhecer seu progenitor. Mais por curiosidade do que por um sentimento de filiação, já que fora muito amada pelo padrasto. Porém a mãe sempre a desestimulou, temendo que o pai lhe magoasse.
Mais tarde, quando começou a fazer sucesso, o pai enfim quis conhecê-la. Inicialmente alegando estar arrependido, querendo manter algum laço familiar, mas logo ele deixou claro que suas intenções eram apenas extorqui-la. Sempre com desculpas de dívidas, problemas de saúde e necessidades financeiras, ele apenas queria dinheiro, valendo-se de chantagens emocionais para persuadir Diana. Só mais tarde Diana descobriu que o pai era envolvido com vários esquemas inescrupulosos e viciado em jogos de azar. Ela lhe dava dinheiro e ele sumia por vários meses, só reaparecendo quando estava numa pior.
― O que precisam saber sobre ele, além do fato de ser desonesto, canalha e nem um pouco confiável? – Diana verbalizou sua mágoa.
― Todos os detalhes são importantes. O que sua mãe dizia sobre ele? Além dos defeitos, é claro? – Bruce formulou a pergunta.
― Minha mãe dizia que ele era um homem bonito e sedutor quando se conheceram. Quando se envolveram, ele disse que trabalhava como corretor, mas só mais tarde ela descobriu que ele estava envolvido com comércio ilegal de armas. – Diana respirou fundo. ― Hades, como ele era conhecido no submundo do crime, não era americano. Nasceu na Europa, pelo menos é o que contou à minha mãe, e veio para os Estados Unidos quando os pais morreram. Tinha quatro irmãos. Três deles morreram crianças, um deles veio para a América junto com ele.
― Você ou sua mãe conheceram esse suposto tio? – Diana meneou a cabeça, respondendo à pergunta de Dinah.
― Eu não. Mas minha mãe disse tê-lo visto uma vez. Ela nunca mencionou o nome dele, mas certa vez disse que meu pai o manipulava a seu bel prazer. Aliás, manipulação é uma especialidade dele.
― Seu pai, tentou se reaproximar de sua mãe enquanto você era criança? – Dinah prosseguiu com as perguntas.
― Se tentou, minha mãe nunca comentou. Apenas me lembro que ele a procurou, depois que meu padrasto faleceu. Eu já tinha dezessete anos. Ele estava metido com negociações escusas na Califórnia e minha mãe estava envolvida na investigação desse esquema. Ele descobriu nosso endereço e subestimou a inteligência da minha mãe, pensando que poderia seduzi-la novamente e se safar.
De fato o pai se safara, mas não fora graças a uma recaída de Hipólita. Fugiu do país com documentação falsa, só retornando anos mais tarde.
― E quanto a você? – Bruce assumiu o interrogatório. ― Nunca teve contato diretamente com ele?
― Depois que me tornei famosa, ele me procurou, bancando o pai arrependido. Não chegamos a ser íntimos. Nunca soube seu endereço ou sua comida favorita. Ele só me procurou interessado no meu dinheiro. – Diana deu um sorriso triste. Embora não tivessem vínculos, era doloroso saber que o homem que biologicamente era seu pai nunca se importou realmente com ela. ― No início eu cedi, umas duas vezes, até descobrir que ele estava envolvido com jogatinas, estelionato e outras práticas criminosas.
Diana sentiu vergonha ao revelar o caráter criminoso do pai, mas notou que as informações não eram novidades para os detetives. Eles pareciam apenas confirmar o que já sabiam.
― Isso faz muito tempo? – Bruce parecia ligar pontos, o que deixou Diana intrigada.
― A primeira vez, eu ainda morava em Chicago. – Ela parou um instante para pensar. ― Aproximadamente há dois anos atrás. Depois que vim para Gotham, ele me procurou uma vez, logo quando cheguei aqui, há um ano. – Com pesar, prosseguiu. ― Ele queria dinheiro de novo, mas, desta vez, eu neguei. Disse que lhe arrumaria um trabalho decente, lhe pagaria um tratamento para se livrar dos vícios, e então ele revelou sua verdadeira face. Disse que não lhe interessava uma filha mesquinha e honrada. Nunca mais me procurou desde então.
― Sua mãe mencionava alguém que lhe jurara vingança enquanto exercia a profissão?
― Os bandidos fazem isso o tempo todo. – Diana se retraiu, pensando na ameaça de seu algoz, destinada a Bruce. ― Mas ela nunca recebeu ameaças, nem o meu padrasto. Se houvesse algo realmente preocupante, eu teria notado, era eu quem vivia pilhada com a profissão que ela escolheu. Minha mãe encarava a carreira policial como um passeio no parque. Embora eu detestasse admitir, ela nasceu para ser policial. Era a melhor na sua época.
― É verdade. Os relatos sobre ela são impressionantes. – Dinah comentou, maravilhada, o que não deixava Diana necessariamente orgulhosa.
― Mas não entendo onde meu progenitor entra nisso? Acham que ele, meu próprio ‘pai’, está envolvido na morte da minha mãe e está me ameaçando? Acham que isso pode ser um plano para ele ficar com os meus bens? – Diana os questionou, horrorizada.
Dinah e Bruce trocaram um rápido olhar. O estudo dos últimos depoimentos e informações obtidas recentemente sobre o pai de Diana mudaram completamente o rumo das investigações. A loira abriu espaço para o parceiro explicar suas suspeitas.
― Não achamos que seu pai seja o responsável, Diana. – Ela arqueou uma sobrancelha, ainda intrigada. ― Mas alguém ligado a ele. – Tentando escolher as palavras, Bruce prosseguiu, sabendo que não tinha direito de poupa-la da verdade. ― Seu pai foi morto há um ano, Diana. Dívida de jogo.
O choque tomou conta do corpo de Diana. Não tivera tempo de amar seu pai, de conhecê-lo a fundo, de ter pelo menos uma boa lembrança da aproximação dele. Mas isso não a impedia de sentir um abafamento em seu peito e culpa ao receber a notícia.
Ela olhou para a detetive Lance, como se quisesse ter certeza e, ao ver o olhar firme da loira, se convenceu de que não havia possibilidade de ser um engano.
A loira estendeu um recorte de jornal em direção à Diana, que leu um título de uma matéria antiga, sobre um corpo encontrado nos arredores de Gotham, assassinado brutalmente e com sinais de tortura. Era ele.
― A culpa foi minha! – Diana balbuciou, atônita. ― Se eu não tivesse negado o dinheiro. – Ela passou a mão pelos cabelos, respirando fundo. ― Eu devia ter dado o dinheiro, não me faria falta. – Os olhos marejaram. ― Eu pensei que ele mudaria, que algum dia se reaproximaria de mim pelo que sou e não pelo que eu tenho. – Ela tentou se explicar, mais para si mesma do que para os detetives. ― Eu sou a responsável. Agora faz sentido o que voz disse ao telefone.
Enterrando o rosto entre as mãos, Diana sentiu o estômago revirar. As palmas de suas mãos começaram a transpirar e ela sentiu o peso da culpa sobre os ombros. Notando sua reação, a detetive Lance pegou rapidamente um copo com água, enquanto Bruce tentava fazê-la raciocinar corretamente.
― Não seja tola, Diana. A culpa não foi sua. – Ele queria toca-la, mas não podia despir-se do policial naquela situação. ― Seu pai foi vítima das próprias escolhas. Se tivesse dado dinheiro a ele, ele não teria usado para pagar dívidas de jogos, ele usaria para financiar sua associação ao trabalho infantil na África. – Bruce estendeu-lhe um relatório. ― Era esse o último investimento criminoso dele.
Diana olhou o relatório e sentiu náuseas. Fechou os olhos por um instante. A água gelada que levou à boca só serviu para revirar ainda mais seu estômago. Ainda que não fosse sua culpa, era horrível saber de tudo aquilo, saber quem era realmente seu pai e perceber que a morte de sua mãe, as ameaças que vinha sofrendo, podiam estar relacionadas com o homem que sua mãe amou, com o homem cujo sangue corria em suas veias.
― Acho que devemos fazer uma pausa. – Dinah sugeriu, mas Diana negou, tentando voltar a si.
― Não! Eu preciso encarar a situação. – Diana abriu os olhos, agradecida por enxergar o policial no olhar de Bruce, isso lhe dava forças. ― Acham mesmo que tudo está interligado? A morte da minha mãe, a morte de Hades e o psicopata que me persegue?
― É a teoria que mais se encaixa até agora. – Bruce pontuou. ― Sua mãe morreu quando estava envolvida na investigação em que seu pai tinha associação criminosa, mesmo que a morte tenha sido em meio a outra operação, é fato que a bala não veio de nenhuma das armas dos demais criminosos que foram detidos naquela época. Alguém aproveitou o momento.
― Acham que meu pai a matou? – Diana sentiu medo da resposta.
― Não podemos afirmar isso. – Dinah esclareceu. ― Seu pai está morto. Somente quando determos quem está atrás de você é que teremos essa resposta.
― Acreditamos que, alguém ligado ao seu pai, talvez esse irmão que você mencionou, um sócio, uma amante, ou até um outro filho ou filha possa ter ciência da sua existência e quer vingança. A voz ao telefone deu indícios que conheceu ou soube sobre a existência de sua mãe. Certamente sabe que você é filha de Hades e a culpa, equivocadamente, pela morte dele. Ou apenas pelo fim do investimento criminoso, já que a morte de seu pai fez um forte sistema ilícito decair com a falta de suas articulações.
― Vamos fazer algumas ligações ao longo da tarde. Pesquisar e interrogar comparsas de seu pai que estão presos e terminar de interrogar alguns de seus colegas de trabalho. Não quero alimentar falsas esperanças, Diana, mas a pista está começando a pegar fogo. Seu pesadelo vai terminar logo. – Dinah assegurou e Diana respirou fundo, tudo o que queria era se ver livre disso.
Bruce sentiu-se extremamente tentado a abraçar Diana e ampara-la, percebendo o esforço que ela fazia para processar as recentes descobertas. Mas não podia subestima-la. Ela era forte e detestaria demonstrar-se frágil diante de outras pessoas.
― Nós terminamos com você por enquanto. – Bruce estendeu a folha de depoimento para que Diana a assinasse. ― Pode aguardar Donna em minha sala, enquanto a interrogamos. Prometo que seremos breves com ela. – Diana deu-lhe um olhar grato.
Terminando de assinar os papéis, Diana deixou a sala. Sua cabeça latejava, mas ela aplumou o corpo, manteve o queixo erguido e se esforçou para não deixar que a irmã notasse seu abatimento quando se cruzaram no corredor.
(...)
Diana regurgitou todo o seu café da manhã assim que se viu sozinha no banheiro da sala de Bruce. O peso das informações recém-obtidas lhe subjugou e a reação natural foi o metabolismo fraquejar em meio a tantas emoções que lhe acometiam.
Ela lavou o rosto, prendeu os cabelos e tentou encontrar algum traço de cor nas bochechas pálidas, ao escovar os dentes. Por sorte, sempre carregava uma escova e creme dental consigo. Procurou por uma aspirina na bolsa, mas percebeu que não tinha nenhum analgésico em mãos. Precisava tomar algo, antes que sua cabeça explodisse.
Remexendo nas gavetas de Bruce, percebeu que ele certamente não tomava remédios ou não costumava ter enxaquecas – ou então se dopava de chocolates, porque foi a única coisa que encontrou, além de relatórios e processos em sua mesa. Encontrou também uma foto sua, um recorte de revista, guardada caprichosamente dentro de sua agenda. Detalhe que lhe fez abrir um sorriso fraco em meio a todo mal estar que sentia.
Ela pensou em pedir um analgésico para um dos oficiais que transitavam pelos corredores, mas a movimentação intensa na delegacia lhe fez desistir da ideia. Sem contar que sua abordagem chamaria muita atenção e geraria especulações, já que era uma pessoa pública. A alternativa que lhe pareceu mais viável foi sair e ir até uma loja de conveniências que ficava próxima dali.
Tentando ser o mais discreta possível, fechou o casaco e usou os óculos escuros como disfarce. O bairro onde ficava o departamento de polícia era pouco movimentado, com sorte conseguiria circular pela rua sem abordagens.
Ao sair, porém, se deparou novamente com Arthur, encostado displicentemente em um carro esportivo, do outro lado da rua. Bela, elegante e atraente, com seu um metro e oitenta centímetros de altura, ela poderia confundir muitos civis, mas não os olhos do ex-marido. Mais uma vez, ao avista-la, ele veio de imediato ao seu encontro.
― Que bom que já terminou. Estava à sua espera. – Diana entreabriu os lábios, surpresa. ― Precisamos conversar, Diana. – Ela cambaleou, fraca. ― Está tudo bem? – Ele notou a palidez em sua tez.
― Um pouco enjoada. – Ela se apoiou no carro, sentindo uma leve oscilação em sua pressão arterial. ― Acho que não é um bom momento para conversarmos.
Arthur tentou ampara-la, mas ela o deteve, estendendo uma das mãos para afasta-lo quando ele se aproximou mais.
― Você não está nada bem, Di. – Ele a chamou pelo apelido e isso a deixou ligeiramente desconfortável. ― Eu posso apenas lhe fazer companhia? Acredito que vai esperar Donna terminar de depor.
Diana semicerrou os olhos, tentando focalizar a figura do ex, enquanto a cabeça girava. O sensato seria voltar para a delegacia, mas precisava se alimentar e não via nada de mal em aceitar a companhia de Arthur, por alguns minutos, em um local público.
― Tudo bem. – Diana concordou, firmando os pés sobre o salto agulha e recuperando a postura. ― Vou à loja de conveniências aqui perto. Preciso de um café.
Arthur sorriu e a acompanhou. Talvez pudesse abrir caminho para uma futura reconciliação, ele pensou, disposto a consertar o erro do passado.
(...)
O café preto e sem açúcar surtiu efeito quase que imediato depois de Diana ingeri-lo. Ela podia sentir novamente o sangue fluir por sua face e o enjoo diminuir, à medida que a cafeína dispensava seus efeitos em seu corpo. Para evitar dores estomacais, ela pediu um sanduíche leve para se alimentar, enquanto Arthur pediu torradas e cappuccino.
Eles ficaram longos cinco minutos em silêncio. Arthur sabia que Diana precisava de um tempo para se recuperar. Contudo a maneira que ele lhe olhava, deixou Diana incomodada. Lembrava os olhares que ele lhe dirigia quando namoravam na juventude.
― Está se sentindo melhor? – Arthur rompeu o silêncio, tocando a mão de Diana sobre a mesa.
― Estou. – Ela afastou o contato, recolhendo sutilmente a mão. ― Acho melhor voltar para a delegacia. Donna vai ficar preocupada se sair e não me encontrar.
― Fique mais alguns minutos. – Ele pediu. ― Essas coisas demoram e você sempre odiou delegacias pelo que me lembro.
― Memória boa. – Ela comentou com uma pontada de sarcasmo. Quando casados, Arthur não parecia prestar mais atenção em pequenos detalhes sobre si.
― Ficaria espantada com tudo que me lembro a seu respeito.
― Arthur... – Ela tentou censurá-lo, percebendo o rumo que o assunto tomaria.
― Eu nunca esqueci você, Di. – Ele a encarou, tentando encontrar alguma abertura, mas Diana manteve-se séria. ― Quer dizer, não demos certo porque éramos jovens demais. Eu me apaixonei por Mera e tentei não repetir o mesmo erro com ela, mas depois de uma segunda separação a gente começa a perceber onde estão as falhas. Eu deveria ter tentado de verdade com você.
As palavras pegaram Diana de surpresa. Sempre pensou que o ex-marido fosse feliz e realizado no segundo casamento. Pelo menos, ele refez a vida rápido o bastante para ela se convencer de que não fora mais que um equívoco em sua vida. O suposto arrependimento de Arthur, porém, não lhe convencia de que ele tivesse lhe amado de verdade algum dia.
― Eu discordo. Éramos jovens, é verdade. Mas não nos amávamos o suficiente para levar um casamento adiante. – Ela pensou em tudo o que vinha experimentando com Bruce em tão pouco tempo. ― Não precisei de um segundo divórcio para enxergar isso.
― Por que não quis se casar de novo? – Arthur tentou encontrar um sinal de que ela estivesse ressentida e que, talvez, também não o tivesse esquecido. ― Imagino que nunca lhe faltaram pretendentes, não só pela beleza e pela fama que tem. – Ele flertou, na esperança de comovê-la.
― Cometer um erro pela segunda vez? – Ela o olhou por sobre a borda da xícara, antes de tomar mais um gole de café. ― Não.
― Eu não quero pensar que sou o motivo de sua desilusão com o casamento, Di. – Ele havia sido, mas Diana jamais admitiria. ― Aliás, lhe devo desculpas por não ter sido um bom marido, por não ter me esforçado.
― Não precisa se desculpar. Eu sempre preferi culpar a mim mesma. – Diana acomodou os óculos sobre a cabeça. A honestidade em seu olhar era gritante, contudo havia segurança em seu semblante, não auto piedade. ― Mas não se preocupe. Eu estou começando a ver as coisas sob outro viés.
― Acho que o tempo fez bem a nós dois. – Arthur alcançou novamente a mão de Diana, segurando-a sugestivamente. A Diana que se lembrava era insegura afetivamente, diferente da mulher confiante que tinha em sua frente. Havia um brilho nos olhos dela, que o deixava ainda mais maravilhado. ― Gostaria que continuássemos mantendo contato, agora que me separei. Talvez possamos nos surpreender um com o outro.
O olhar de Arthur era pura obstinação ao propor uma reaproximação. Dez anos era muito tempo para se identificar um erro, Diana pensou. É claro que talvez ele pudesse estar sendo honesto, afinal, ela levou os mesmos dez anos para se libertar da culpa. Porém, o arrependimento de Arthur não lhe comovia. Não depois de ter descoberto a verdadeira sensação de ser amada.
Ela sorriu ao encara-lo, notando expectativa em seus olhos. Se aquela abordagem fosse há dois meses atrás, talvez ficasse mexida, confusa, talvez repetisse um erro. Mas não agora.
― Se for para sermos amigos, talvez você tenha razão. – Diana apertou gentilmente a mão de Arthur.
― Amigos?! – Arthur rejeitou a opção, mas não teve tempo de contra argumentar.
― Atrapalho? – A voz de Bruce ecoou atrás de Diana, surpreendendo-os. Ao virar-se para olha-lo, Diana percebeu que o olhar do detetive fitava unicamente a mão de Arthur envolvendo a sua. ― O capitão viu você deixar a delegacia, aparentemente se sentindo mal, mas acho que ele se enganou.
Bruce finalmente olhou para Diana. Não havia traços de ciúmes em seu olhar, mas de decepção. Ele havia deixado o interrogatório de Donna por conta da parceira, porque não conseguiu se concentrar depois que o avisaram sobre o estado de Diana. Agora, não podia deixar de pensar que sua preocupação não passara de estupidez.
― Sente-se conosco. – Diana libertou a mão que Arthur lhe segurava e apontou uma cadeira ao seu lado. ― Eu tive um mal estar depois que deixei a sala de interrogatório, mas já estou melhor. – Ela explicou, mas Bruce recusou-se a juntar-se a eles. ― Encontrei Arthur na porta da delegacia, ele percebeu meu estado e se ofereceu para me fazer companhia.
― E está fazendo isso muito bem, pelo que notei. – Bruce deu um sorriso irônico.
― O que você tem a ver com isso? – Arthur reagiu, incomodado com a presença e a postura do detetive.
― O depoimento de sua irmã deve estar terminando. Digo a ela pra te encontrar aqui. – Bruce ignorou a reação de Arthur, lançando um olhar frio para Diana.
Ao fazer vez de dar-lhe as costas e sair, Diana o interrompeu, segurando-o pelo braço. Discretamente ela o puxou, forçando-o a sentar-se ao seu lado. Embora o detetive parecesse indiferente, ela podia sentir seus músculos tensos e sua respiração pesada.
― Vou terminar meu café e volto com você para a delegacia. – Diana o surpreendeu, beijando de leve os lábios do detetive. Virando-se para Arthur, ela notou o olhar em choque do ex-marido. ― Bem, vocês se conheceram numa situação muito formal, entre detetive e suspeito. Mas permitam-me corrigir isso. Arthur, esse é Bruce Wayne, meu namorado.
Bruce relaxou gradativamente os músculos, contendo a vontade de sorrir diante da reação estupefata de Arthur Curry. A verdade é que ele também estava surpreso com a atitude de Diana, mas obviamente era mais eficiente em camuflar suas emoções. Mais à vontade do que todos, Diana sorriu para ambos e terminou seu café.
― Se precisar de mim, estou no Gotham Palace Hotel. – Arthur levantou-se, deixando dinheiro suficiente para pagar sua conta e a de Diana sobre a mesa. ― Espero que tudo se resolva logo. – Ele aceitou sua derrota, ao notar o olhar vitorioso de Bruce, e saiu, lamentando-se por ter perdido tempo demais.
(...)
― Quer dizer que é oficial? – Bruce tomou a mão de Diana na sua e beijou os nós de seus dedos, quando voltavam para a delegacia.
― Vamos tentar. – Ela deu um meio sorriso, acariciando o rosto do detetive. ― Sabe de uma coisa? – Ela ampliou o sorriso. ― Você fica especialmente lindo quando está com ciúmes.
Exibindo uma carranca, Bruce discordou.
― Eu não estava com ciúmes do seu ex-marido.
― É claro que não. – Ela o beijou na bochecha. ― Estava com ciúmes de mim.
Segurando em sua mão, eles adentraram a delegacia. O olhar presunçoso e o sorriso divertido nos lábios de Diana o desarmaram de continuar negando. Não se importava em deixa-la ter certeza de seus ciúmes, se isso a mantivesse radiante como estava agora.
― Está realmente se sentindo bem? – Ele desconversou, ainda preocupado.
― O mal estar passou, foi só um enjoo. Creio que uma reação natural diante das últimas descobertas. – Bruce concordou e Diana notou os olhares dos oficiais sobre eles, enquanto ela atravessava os corredores da delegacia de mãos dadas com o detetive. ― Eu vou ficar bem, realmente bem, quando tudo isso acabar.
― Vai acabar logo. – Bruce garantiu, abrindo a porta de sua sala. ― Vou pedir a um agente para acompanhar você e Donna de volta para casa. Não espere por mim hoje. Só saio daqui quando tiver esmiuçado todos os depoimentos e evidências que envolvem seu caso.
― Não quero que se sacrifique. Você não dormiu nada a noite anterior.
― Não é sacrifício. É o meu dever. – Ele a olhou, contemplando a preocupação de Diana em seu olhar. ― Garanto a você que estou mais disposto do que se tivesse usufruído de uma noite inteira de sono. – Bruce abriu um meio sorriso, divertindo-se quando Diana ruborizou-se. ― Dinah e eu estamos com nossa intuição aguçada. Isso é um indicativo que estamos no caminho certo.
― Eu estou ansiosa... com medo... não sei. Promete que vai se cuidar?
Bruce apoiou o quadril na borda da mesa e trouxe Diana para junto de seu corpo, envolvendo-a protetoramente.
― Prometo. – Ele garantiu, segurando o queixo delicado da morena, antes de beija-la. A sensação de ter Diana rendida e correspondendo a seus sentimentos era incrível. ― Eu não devia fazer isso aqui, mas não encontro uma maneira melhor de passar o tempo ao seu lado, enquanto sua irmã não chega.
― Bruce! – Diana protestou contra seus lábios, olhando em volta se não eram observados.
― Tem outra sugestão melhor para nós dois? – Ela meneou a cabeça. ― Então, me beije de novo. Vai servir de estímulo para a produtividade do dia.
Ela sorriu, beijando-o mais uma vez.
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