Backstage
18 Capítulo XVIII
Notas iniciais

Ao amanhecer, a primeira lembrança de Diana ao abrir os olhos foi a de não estar em sua casa e de não ter dormido em sua cama. A segunda, foi o fato de não ter dormido sozinha, embora a cama estivesse vazia quando sua mão percorreu o espaço que Bruce ocupara ao seu lado. Uma leve decepção se instalou em seu peito por ter acordado sem o detetive ao seu lado e um frio interno lhe fez estremecer. Inalando profundamente a fronha do travesseiro, sentiu o cheiro dele e se convenceu de que, pelo menos, não havia sonhado.
Enquanto espreguiçava-se, lembrava-se dos acontecimentos da madrugada, o pesadelo terrível que tivera e a forma como Bruce lhe amparou. Nunca havia se sentindo tão amada como naquele momento em que ele simplesmente a compreendeu. Ao lembrar-se que havia pedido que ele fizesse amor com ela e ele lhe disse não, ainda não, escondeu o rosto entre as palmas das mãos. Não estava envergonhada pela recusa, mas por sua precipitação. Se não fosse o bom senso de Bruce, ela não podia imaginar como o encararia nesta manhã.
Levantando-se, ainda sonolenta, penteou os cabelos com os dedos, enquanto imaginava quantos homens no lugar de Bruce teriam tido a mesma atitude. Se fosse tomar por referência os homens que havia conhecido, sabia que nenhum teria sido tão nobre. Nenhum deles jamais tinha lhe enxergado além da estrela Diana Prince. Nenhum deles, mesmo seu ex marido, havia lhe notado além da aparência.
Bruce era uma exceção. Ele não a queria apenas por um momento, se convencer disso era um alívio e, em certo ponto, assustador se vislumbrasse a amplitude de sentimentos que os envolvia. Não contava que o amor pudesse lhe sorrir, especialmente em um momento tão delicado de sua vida.
Atraída pela claridade que incidia no quarto e pelo som de batidas vindo da área externa, ela dirigiu-se para a varanda, deixando-se aquecer pelos tímidos raios de sol e os cabelos balançarem pela brisa suave da manhã. Olhando ao redor, ela apreciou melhor a propriedade, agora sob a luz do dia. A casa reluzia graças ao brilho do sol refletindo nas vidraças. Os pinheiros e cerejeiras, plantados aos montes pela propriedade, estavam começando a renovar suas folhagens, graças à proximidade da primavera, e a colina que separava a casa do perímetro urbano era ainda mais charmosa sob a luz do dia, com suas diversas árvores que a revestiam e o topo com uma fina camada de neve que derreteria em breve.
O lago que circundava a casa era lindo e extenso, pequenas placas de gelo deslocavam sobre a superfície e reluziam por entre as árvores que protegiam sua margem. Da mesma forma, os pequenos lagos, ao longo do jardim, perfeitamente ornamentados e parecidos com piscinas naturais, tinham seu encanto, fazendo Diana imaginar se existiria um lugar mais belo para estar agora.
Abaixo dela, no jardim, outra beleza da natureza ganhou sua atenção. Bruce, no melhor estilo detetive-playboy, rachava lenha com uma habilidade surpreendente. O que esse homem não é capaz de fazer? Ela pensou, enquanto mirava os braços fortes elevarem-se no ar e descerem com brutalidade sobre a madeira abaixo de seus pés, cortando pedaços de lenha proporcionais para serem usados na lareira. Mordendo o lábio inferior, Diana se viu pensando o quanto aquela visão era sexy e tentadora. E antes que os pensamentos saíssem de seu controle e fosse flagrada trajando suéter e uma calcinha de renda indecente, correu para dentro a fim de se trocar e tomar uma boa xícara de café.
(...)
Diana terminou seu desjejum, agradecida por ter encontrado a mesa posta na cozinha e ter tido apenas o trabalho de preparar um cappuccino. Bruce estava se resguardando de todas as possibilidades para que ela não se irritasse no fim de semana ou apenas deixando claro o quanto era maravilhoso, sendo um anfitrião excepcional. Diana sorriu, ao pensar nas hipóteses, deixando a cozinha para encontrá-lo na área externa da casa.
Quando o avistou, constatou que ele havia cortado lenha o suficiente para uma semana inteira e agora empilhava as toras de madeira na varanda casa, para em seguida armazena-las próximas à lareira. Um ar rústico em seu semblante lhe deixou extremamente atraente, se não fosse isso, devia ser seus pensamentos completamente inclinados e fascinados pelo detetive e por tudo que ele vinha fazendo. Diana fez uma nota mental de tentar se conter, enquanto se aproximava.
― Não pensei que homens como você fizessem atividades braçais. – O semblante de Diana era ameno e o olhar tranquilo, deixando Bruce bastante aliviado depois dos últimos acontecimentos. ― Aposto que foi escoteiro quando criança.
Bruce a examinou, deixando-a ligeiramente desconcertada com seu olhar intenso. Não era proposital, era uma avaliação necessária para saber se realmente ela estava bem. Embora ela tivesse dormido o restante da madrugada, depois que ele se juntou a ela no quarto, ele sabia o quanto esses desgastes emocionais podiam ser perigosos para alguém que vinha lidando com tanta pressão nos últimos tempos. Sem dúvida, Diana era uma mulher de fibra.
Ela continuava linda, ele admitiu, reparando na pele viçosa e os cabelos brilhosos presos em um rabo de cavalo. Havia um traço de cansaço em seus olhos, mas uma luminosidade que lhe deixou satisfeito, sem contar que ela parecia ter acordado de bom humor, já que o abordara de uma forma descontraída. E as coisas ainda podiam melhorar ao longo do dia, ele pensou, lembrando-se da surpresa que ainda tinha preparado.
― Você precisa parar de me comparar com as referências que têm em mente. – Bruce beijou o rosto de Diana e sussurrou um bom dia em seu ouvido, que lhe fez ter arrepios até a ponta dos pés. ― Nunca fui escoteiro, mas meu pai e eu costumávamos acampar juntos, todos os anos. Depois que ele se foi – o tom de voz de Bruce embargou um pouco. ― Alfred continuou essa tradição comigo. Aprendi muitas coisas úteis com eles, montando camping, dormindo ao relento e enfrentando adversidades climáticas.
Diana abriu um sorriso compassivo para Bruce, conhecia a dor de perder alguém que amava. Mas, mesmo com seu histórico de tragédia familiar, não era capaz de assimilar o quão forte Bruce precisou ser para superar a morte brutal de seu pai bem diante de seus olhos.
― Quer me levar para conhecer o lugar? – Ela mudou o rumo do assunto e enganchou seu braço no braço de Bruce. Definitivamente ela estava disposta a usufruir da estadia naquele paraíso particular. ― Adoraria caminhar um pouco. A propósito, sua casa é linda. Comprou ou mandou construí-la?
Bruce olhou para o braço dela envolto no seu e depois para a reação animada nos olhos da morena. Realmente as horas que tinha dormido havia feito muito bem para Diana, pelo menos para deixa-la acessível.
― Mandei construir recentemente. É a primeira vez que me hospedo aqui desde que a construção ficou pronta. – Diana sentiu-se lisonjeada por ter sido a primeira convidada e Bruce feliz de vê-la deslumbrada pelo lugar, podia imagina-los, velhinhos, passeando por ali. ― Projetei este lugar para ser meu refúgio quando me aposentar.
Eles começaram a caminhar pelo jardim, seguindo para uma estrada arborizada, que os levaria a uma das margens mais belas do lago.
― Detetives bilionários se preocupam com aposentadoria? – Ela riu, tentando não focar na sensação agradável que sentia ao caminhar de braços dados com Bruce.
― Claro! Todos chegamos a um momento da vida em que precisaremos de sossego. – Ele inalou profundamente o ar fresco da manhã. ― Ou aceitar as limitações. Não acho que conseguirei correr atrás de bandidos com 80 anos, embora adorasse a adrenalina, se fosse possível.
Diana trocou um rápido olhar com Bruce, lembrando-se de quem ele era por trás daquele homem apaixonante. Um policial! Ela desviou os olhos antes que ele notasse seu desconforto repentino. Seria tudo tão simples se ele fosse um jardineiro, um dentista, um professor... Ela enrijeceu-se ao lado dele, lembrando-se da mãe, da rotina, da ausência, do medo que sentia todas as noites quando ela demorava a voltar pra casa e da dor que pulsava desde o dia em que ela não voltou mais. Não queria trazer nada disso à tona agora, queria ser razoável, queria aproveitar a beleza daquele lugar, a paz que o som do vento na copa das árvores trazia e a esperança que o brilho do sol naquele céu de fim de inverno representava.
Lembrou-se de Martha Wayne e da conversa que tiveram, se enchendo de coragem. Na prática não era tão simples, mas tinha que tentar, prometeu a si mesma que tentaria e garantiu a Bruce que ele teria uma chance. Ele estava aproveitando as chances que tinha para agrada-la, para reiterar seu valor. Ela devia fazer o mesmo, permitir-se conhecê-lo, além do que lhe era oferecido, para não se arrepender de qualquer atitude que tomasse em relação aos dois.
Caminhando em silêncio, ela perdeu-se em apreciação pela natureza ao redor. Algumas cerejeiras já tinham brotos de flores, que certamente se abririam na primeira semana da primavera. O aroma era delicioso, trazia lembranças olfativas que transportavam Diana para a infância, por causa da suavidade.
Os olhos de Diana brilharam quando chegaram ao deck que ia até o meio do lago. Uma atraente passarela de madeira, que terminava em uma estrutura quadricular cercada em volta. No centro da estrutura, um pergolado, também de madeira e com cobertura de vidro, protegia alguns bancos para quem quisesse apreciar a vista e a calmaria do lugar com comodidade.
Bruce a conduziu pela passarela de madeira e a levou ao centro do deck, liberando seu braço quando chegaram ao cercado de contenção ao redor da estrutura. Diana apoiou-se ali e admirou as águas tranquilas e reluzentes, derretendo-se e refletindo as cores do céu e das árvores em sua margem.
Contemplação! O simples ato de deixar-se levar pela beleza e simplicidade da natureza fez Diana pensar a quanto tempo não diminuía sua rotina. Há quanto tempo não se permitia distrair e descontrair sem estar a serviço de sua profissão. Agora ela compreendia o porquê precisava daquele refúgio. Havia tantas preocupações e deveres ocupando sua mente, que só diante daquele cenário compreendeu a extensão de suas aflições. Não precisava ser forte ali, apenas mais uma obra da criação divina compondo o cenário.
Bruce a deixou a vontade, sentando-se em um dos bancos, permitindo-se também a um pouco de relaxamento. O aroma do perfume Diana, misturado ao ar fresco, parecia dotado de propriedades terapêuticas, tamanha a sensação de enlevo que lhe provocava.
― Se o lago estivesse completamente descongelado, te levaria para explora-lo em um barco a remo. – Ele lamentou, imaginando o quanto a cena seria adorável.
Graciosamente Diana se voltou para Bruce, admirando-o tão sereno quanto ela própria. Seria pedir muito que eles pudessem ficar ali, juntos, para sempre? Ela considerou o sonho por alguns instantes e se aproximou dele, sentando-se ao seu lado no banco.
― Eu acho que já quase posso perdoa-lo por ter me raptado pra este lugar, Bruce.
― Eu imagino que sim. – Os lábios se curvaram em um meio sorriso. ― De qualquer forma, para garantir minha absolvição, preparei uma surpresa para mais tarde. – Ele encarou a paisagem à frente, observando de soslaio Diana piscar algumas vezes, incrédula.
Gentilmente, Diana virou o rosto de Bruce em sua direção, temendo mais algum plano mirabolante quando encarou seus olhos repletos de divertimento.
― Não abuse da minha paciência, Bruce. Sua arrogância em ter planejado minha vida por um fim de semana ainda está sendo digerida.
― Digamos que a surpresa da noite é o meu pedido de desculpas.
Seria algo como jantar a luz de velas em clima de sedução? Não seria ruim, mas Diana tremeu ao imaginar o clima que se instalaria. Estava fazendo sua parte para que tivessem uma convivência harmoniosa durante o fim de semana, mas se Bruce pressionasse não sabia se poderia continuar tão amistosa.
― Não gosto de surpresas. – Ela cruzou os braços, emburrada e curiosa, lembrando-se do vestido de gala embalado por Donna junto a sua bagagem. De fato, estava claro que sua irmã não fora extravagante, apenas cúmplice de mais uma tramoia. ― Quer dizer logo o que foi que aprontou?
Percebendo a irritação tomando conta de Diana, Bruce remexeu no bolso interno do casaco que vestia e retirou dois convites em um envelope elegante, os passando para Diana. Desconfiada, ela abriu o que estava nominal a ela, sentindo o coração acelerar quando notou que além de um convite, havia uma credencial dentro do envelope.
― Espero que não se importe em trabalhar um pouco durante sua folga. – Bruce explicou, quando ela o questionou sobre o que aquilo significava.
A credencial lhe dava acesso aos bastidores de uma apresentação e a uma entrevista exclusiva, o que só acentuou sua curiosidade para saber do que se tratava o convite vip.
Quando conseguiu ler as informações do convite, tentou miseravelmente não demonstrar seu encantamento, mas mal conseguia fechar a boca, tamanha sua admiração. Ela lembrou-se do pedido de Bruce, na primeira vez em que ele a acompanhou na emissora, e não acreditava que ele tivesse conseguido aquele convite.
― Como? – Foi só o que saiu de seus lábios.
― Dona Martha Wayne foi convidada para essa apresentação. Como ela sabia que estaríamos aqui, nos deu de presente.
― A entrevista? – Os olhos brilhavam de excitação e Bruce sorriu.
― Temos que chegar uma hora mais cedo. Clark enviará uma equipe para gravação, não se preocupe.
Foi só o que Bruce conseguiu falar, perdendo o ar em seguida, quando Diana, sob efeito de uma reação eufórica, pendurou-se em seu pescoço, como uma criança que acorda na manhã de natal e recebe o presente dos sonhos.
(...)
Horas mais tarde...
Diana sabia que Bruce não era um homem de brincadeiras, mas só acreditou de fato no que estava acontecendo quando se viu no camarim de Andrea Bocceli e fazendo bom uso de seu italiano para entrevista-lo.
Os convites para a estreia do tenor italiano em solo americano já haviam se esgotado há seis meses e seu sonho de entrevista-lo havia se dissolvido completamente quando a emissora concorrente conseguiu fechar sua participação em um de seus programas. No entanto, agora ela estava no John F. Kennedy Center, o principal centro de artes de Washington, conhecendo um artista fabuloso, garantindo uma cobertura exclusiva dos bastidores do show e uma entrevista emocionante para exibir em seu programa. Nem se importava mais que Lois Lane estaria comandando a atração por alguns dias, a oportunidade que estava tendo era única e inesquecível.
Apenas cinco minutos de entrevista iriam ao ar, mas Diana soube aproveitar a receptividade do entrevistado para sair de perguntas rotineiras e falar sobre sua representatividade artística no cenário mundial, sobre a canção que ele cantava sem precisar soltar a voz, sua vida e essência encantadora, que fazia dele o tenor mais amado da atualidade. O resultado foi um papo revelador entre amigos, culminando em revelações muito íntimas de Andrea sobre sua relação com a música.
Enquanto Diana fazia seu trabalho, Bruce apenas a admirava, satisfeito em vê-la bem, experimentando emoções positivas e longe de qualquer ameaça. Sua missão estava sendo cumprida com louvor. Em menos de 24 horas longe de Gotham, Diana já parecia renovada, tão viva quanto o vermelho vibrante do vestido de gala que usava. E ela ficava profundamente encantadora falando italiano, ele observou.
― Sono immensamente onorato di conoscerti, Andrea. Grazie mille per l'intervista. (Fico imensamente honrada por conhecê-lo, Andrea. Muito obrigada pela entrevista.) – Diana agradeceu, após a última pergunta.
― Il piacere era mio. Spero ti piaccia la presentazione. (O prazer foi meu. Espero que aprecie a apresentação.)
Cordialmente eles se despediram e quando deixou o camarim de braços dados com Bruce, Diana tremia e lacrimejava, permitindo-se ser consumida por diversas sensações que a emoção daquele momento lhe causou. Não simplesmente pela realização como profissional, mas pelo cuidado de Bruce em lhe proporcionar aquela oportunidade.
Definitivamente não havia mais qualquer rusga por Bruce ter feito o que fez para tira-la de sua rotina. Havia simplesmente gratidão por sua petulância e por ter lhe presenteado com uma noite tão especial.
E se em algum momento Diana chegou a pensar que não choraria, durante a apresentação musical ela simplesmente desmoronou. Acomodados em um camarote privilegiado do Concert hall, o coração de Diana transbordou quando a voz poderosa de Andrea Bocceli inundou o ambiente. Era verdade que seu ritmo preferido era o rock, mas o crossover de ópera e pop italiano do tenor era arrebatador.
Arrebatador também era o homem ao seu lado, que lhe ofereceu gentilmente um lenço durante a apresentação e passou o braço ao redor de seu ombro, aconchegando-a junto dele, quando a canção “Con Te Partirò” foi interpretada. Não havia pretensão alguma em seu toque, apenas um gesto de carinho que um bom amigo ofereceria em uma situação semelhante, mas que tinha muito significado para Diana.
Apoiando-se no ombro de Bruce, fechou os olhos e se deixou levar pela letra da música, lembrando-se como ele preenchia sua vida, revelando um vazio existente há anos e que ela julgava ter suprido com sua profissão. Com ele, ela partiria, sentia que ele poderia leva-la a desbravar novos mares, horizontes, países e mundos que não conhecia.
Era preocupante, assustador, desafiador e egoísta, mas não podia mais imaginar-se sem ele ao seu lado. A sensação era de que faltaria sentido em sua vida, de que nada e nem ninguém supriria o espaço que ele conquistara, em tão pouco tempo, em seu coração.
Quando a canção terminou, a última da apresentação, seus olhos encontraram os olhos de Bruce e trocaram um olhar profundo. Ela esperava que ele lhe beijasse, mas ele não o fez, não como ela esperava. Apenas um beijo foi depositado em sua fronte, deixando-a sedenta e consciente. Bruce não forçaria nada entre eles, não teria qualquer iniciativa, a menos que ela estivesse completamente decidida sobre se envolver verdadeiramente com ele.
Ela admirava a postura e o domínio dele, podia ver em seus olhos a intensidade de seu querer por ela, semelhante ao clamor interno que rugia dentro de si. Precisava tomar uma decisão urgentemente, sentia que sua fuga começava a tornar-se dolorosa para si própria. Já não devia uma resposta para Bruce, devia uma resposta para o seu próprio coração.
(...)
Já de volta à casa dos lagos, Diana estava em seu quarto sem conseguir dormir. A princípio ela pensou que a insônia era fruto do frisson emocional da noite, mas quando se pegou pensando em Bruce todas as vezes que fechava os olhos e tentava dormir, precisou admitir que sua inquietação estava intimamente ligada à ausência dele no mesmo ambiente em que o seu.
Quando chegaram, ela recusou-se a fazer companhia a ele na sala, alegando estar cansada. Era mentira!
Ela estava sensível demais para ficar muito perto, sequer conseguia aprecia-lo, perfeitamente alinhado no smoking que usava, sem perder o controle de seus pensamentos. O que lhe assustava era o fato de que já não era a beleza externa que a atraía, era a personalidade, a essência, o coração de Bruce que lhe era oferecido.
Ele tinha defeitos que a irritava, mas tinha muito mais qualidades nobres que a envolvia. Ela estava ouvindo-o tocar piano neste exato momento, um clássico de The Platers, regravado por Elvis Presley, “Only You”. Ele não estava cantando, mas isso não lhe impedia de imaginar a voz dele interpretando a canção em seu ouvido. Nem no auge de sua juventude sonhadora se vira fantasiando tanto como fazia agora, ela lembrou-se.
Cansada de virar-se para um lado e para o outro na cama, decidiu levantar-se. Usava uma das provocantes lingeries de seda vermelha escolhida por Donna. Ainda estava perplexa com a ousadia da irmã, mas tinha de admitir que ela tinha bom gosto. A sensação da seda em seu corpo era gloriosa, sem contar que vermelho era a sua cor. Ela admitiu, olhando-se no espelho do quarto.
Fazia tanto tempo que não se observava de verdade. Que não sentia orgulho de suas curvas, de sua pele macia e bem cuidada, dos cabelos negros e longos, poderosos como o véu da noite. Ela sorriu para si mesma, não era vaidade, era satisfação por ser quem era. Bruce também lhe resgatou isso. Muitas vezes a beleza era um fardo, que lhe fazia se ressentir da aparência que herdara. Precisou se esforçar em dobro para provar seu valor em sua profissão e não ser taxada apenas como um rosto bonito.
Porém, ainda que tivesse uma aparência divinal, consciência do poder de seu corpo, Bruce sempre a desnudava pelos olhos, desbravando seu interior. Era fascinante. Ela suspirou, notando que estava pensando nele mais uma vez. A quem ela queria enganar? Ela já pertencia a ele e apenas não admitia. Sua fuga não passava de um labirinto interior e sem saída. Nunca fora tão covarde quanto agora.
Desejo, ela viu a névoa do desejo recobrindo seu olhar ao encarar-se. Queimava por dentro e se fosse apenas necessidade carnal, não estaria tão agoniada. Seja lá o que Bruce estava fazendo consigo, estava se saindo muito bem. Precisava reagir. Esperava, ao menos, saber como conduzir a situação.
Cobrindo-se com o hobby de seda vermelha, que na verdade não cobria-lhe nem o essencial, ela decidiu que deveria encontra-lo, antes que perdesse a coragem.
(...)
No andar inferior, Bruce permanecia ao piano. Fazia séculos que não tocava, todavia precisava encontrar uma forma de extravasar seus sentimentos, já que não podia tocar em Diana antes que ela realmente o quisesse na mesma intensidade em que ele a queria. E dormir não era algo que conseguiria fazer esta madrugada.
Havia aberto uma garrafa de uma safra especial de vinho francês, a adega dos Wayne era sempre fabulosa, e imaginava que teria o prazer de saboreá-lo juntamente com Diana. Entretanto, ela havia sido gentil durante o dia, mas indisposta a aproximar-se quando chegaram do show. Não esperava que tudo entre eles acontecesse de forma simples, mas não imaginava que poderia sentir o desejo o torturar com tanta habilidade estando tão próximos.
Sua taça, servida com vinho, repousava ao seu lado enquanto tocava, e outra taça reluzia, vazia, ao lado da garrafa de vinho. Talvez ela mudasse de ideia mais tarde, foi o que ele pensou, percebendo que se equivocara após transcorrer uma hora e se ver sozinho diante da lareira, comparando o fogo que crepitava ao tamanho do desejo que sentia por essa mulher.
O piano pelo menos o entreteve, relativamente, podia dizer o que sentia através das partituras e abstrair a frustração de não ser correspondido, ainda. Podia também imaginar a situação sob um viés diferente, podia sonhar com Diana vindo ao seu encontro e lhe dizendo sim, sem muitas explicações.
De olhos fechados, podia visualiza-la descendo as escadas, usando algo sexy e vibrante. Os cabelos caindo em cascatas sobre as costas e um sorriso sugestivo se abrindo em seu rosto quando seus olhares se cruzassem. Ela não lhe daria tempo para pensar. Lhe roubaria o fôlego em um beijo e sua consciência só funcionaria tempo o suficiente para carrega-la até seu quarto. Sobre sua cama, eles fariam amor, sem pressa, até se esvaírem completamente suas forças.
Isso aconteceria só nos seus sonhos, ele pensou, lembrando o quanto Diana se reprimia, o quanto parecia apavorada à medida que tomava consciência de seus sentimentos por ele. Se ela realmente confiasse nele... Ele suspirou, errando feio uma nota quando abriu os olhos e a viu, parada na metade da escada, e observando-o com certa restrição.
Ele olhou para sua taça de vinho e para a garrafa, para ter certeza de que não havia bebido demais e tendo alucinações, quando ela começou a se aproximar, receosa e pecaminosa, descalça e usando um conjunto de lingerie vermelha envolto por um hobby transparente. Ele esqueceu completamente a melodia da canção, perdeu até a fala quando a viu diante de si.
Diana havia perdido metade da coragem durante o percurso do corredor até a sala, especialmente quando avistou Bruce ao piano, sem camisa e usando apenas a calça social que compunha o smoking que vestira para irem ao show mais cedo. Podia ter voltado para o quarto ao perceber que ele não notara sua presença, mas ficou absolutamente paralisada ao observa-lo imerso na canção que tocava.
― Precisa de alguma coisa, princesa? – A voz de Bruce saiu fraca e rouca.
― Preciso. – Ela deu um sorriso tímido, sentindo uma corrente elétrica percorrer seu corpo quando Bruce a olhou, definitivamente, desta vez, ele não estava apenas desnudando-a interiormente. ― Um pouco desse vinho. – Ela serviu-se, notando a taça deixada à sua espera, e provou da bebida, esperando que o álcool lhe conservasse a coragem.
Bruce sentiu seu sangue formigar ao observar a cena. Diana o encarava intensamente e saboreava o vinho lentamente. Respirando fundo, ele bebeu o líquido em sua taça de uma só vez. Ou ele estava delirando ou Diana havia decidido enlouquecê-lo, vindo procura-lo vestida daquela forma. Era um homem sensato, não de ferro.
― Só precisava do vinho? – Ele passou a mão pelos cabelos, enquanto ela caminhava de um lado para o outro da sala, agitada, mas não mais que seu sangue fluindo em suas veias.
Ela bebeu um pouco mais de vinho e mordeu o lábio inferior ao pairar os olhos sobre o peitoral exposto de Bruce. Ela balançou graciosamente a cabeça, negando, e Bruce percebeu que seu plano era mata-lo. Era a única explicação para vir ao seu encontro como uma chama viva, exalando sensualidade.
Diana sentiu a garganta seca ao notar que os olhos de Bruce tinham um brilho primitivo de desejo. Sua luta para manter-se contido era quase palpável, a respiração pesada e os músculos tensionados. Ela sentiu a adrenalina lhe envolver, junto com a vaidade.
Estendendo a mão para que ele segurasse, ela o levantou. A proximidade entre eles era faiscante. Bruce esperava honestamente que Diana soubesse o que estava fazendo, do contrário passaria mal, caso ela estivesse testando seus limites. Seu sangue queimava mais que as chamas crepitando na lareira.
― Preciso de você, Bruce. – Ela confessou, fazendo Bruce sentir calor no cérebro e frio no estômago. Estava claro, Diana decidira enlouquecê-lo, ele pensou.
― Houve algum problema? – Ele usou a última reserva de seu autocontrole e Diana bufou, irritada.
Ela não podia culpa-lo por pensar que ela viria ao seu encontro, vestida daquela forma, para pedir algo banal já que sempre o evitava. Ele merecia sua paciência e sua eficiência. Não era mais uma adolescente. Era uma mulher adulta, consciente, isso tinha de valer alguma coisa agora.
― Quero que fique comigo esta noite. – Diana envolveu o pescoço de Bruce, puxando-o para si.
― Não quero apenas uma noite com você, Diana. Já lhe disse isso. – Ele tentou retirar os braços dela, já em agonia com tanta tentação.
― Eu te amo, Bruce! – Ela assumiu e viu os olhos dele se arregalarem com a confissão.
A boca de Bruce se entreabriu, emitindo um mísero ‘Ah’. Aquilo não estava igual aos seus sonhos, era muito melhor. A reação surpresa foi a oportunidade perfeita para Diana convencê-lo definitivamente do que queria. Explorando o peito nu de Bruce com as mãos e a curva de seu pescoço com a língua. Ao sentir as mãos dele possessivamente em sua cintura, o beijou, não precisava falar mais nada depois de ter admitido o que sentia e lutara tanto para conter. Disposta a ir até o fim, aprofundou o beijo com ardor e paixão.
Debilitado e sem ar, Bruce quase perdeu aos sentidos em meio aquele ataque intenso e inesperado. Não tivera tempo sequer de assimilar a declaração que ouviu, seus sentidos foram completamente dominados pelo gosto de Diana, pelo seu cheiro, pela textura sedosa de sua pele em contraste com a sua.
Ele a ergueu do chão, sentindo as pernas dela abraçarem sua cintura. Foi como em seus sonhos, quando se deu conta já havia subido com ela para o seu quarto e sequer sabia se havia lhe livrado do hobby na sala ou no meio do caminho. Desespero, uma explosão voluptuosa os dominou e queimavam um contra o outro.
Com delicadeza, ele a colocou no chão, ao lado da cama, e lutou para retomar o controle, enquanto a observava, encantado com tanta beleza. Ela tinha a fome de uma mulher madura no olhar e a apreensão de uma adolescente pura, enquanto ele a contemplava. Sabia o quanto devia ter custado a uma mulher tão orgulhosa e ressentida afetivamente ter tido a iniciativa de aborda-lo. Faria que o esforço dela valesse a pena.
Ele a beijou, com mais calma, e com o mesmo desejo. Fazendo-a relaxar e ofegar contra seus lábios. Pediu-lhe um minuto e substituiu as luzes do quarto por luz de velas. Escolheu um disco entre sua coletânea e preencheu o ambiente com música. Diana parecia uma deusa, resplandecente no ambiente, o corpo iluminado pelas velas e pelo prateado da lua cheia que invadia o quarto, graças a visão panorâmica das janelas de vidro.
Observando cada movimento
Em meu jogo tolo de amantes
Neste oceano sem fim
Onde finalmente os amantes não sabem o que é culpa
Ela riu de nervoso com a delicadeza de Bruce. Na verdade, não esperava. Nunca ninguém havia sido tão cuidadoso. Era sempre tudo tão rápido, tão selvagem, de fato Bruce não se enquadrava nas referências que tinha.
― Lembra-se que um dia lhe disse que falaríamos sobre os meus sonhos outra hora? – Ele perguntou, quando se aproximou dela, segurando o rosto delicado entre suas mãos. Diana anuiu com a cabeça, lembrava-se o quanto o comentário lhe irritara naquela oportunidade. ― Começarei a compartilha-los com você agora.
Ele a pegou no colo, acomodando-a sobre a cama. Os cabelos se espalharam como uma cortina de seda negra sobre o lençol. Ele a beijou, de forma tão suave e tentadora que Diana sentiu o coração parar na garganta. Os dedos se arrastaram pelo abdômen perfeito de Diana e foi como tomar um choque estando com o corpo molhado. Ela reagiu e Bruce aprofundou o beijo, provocando-a com a língua à vontade no interior de sua boca.
Virando-se e voltando
Para algum lugar secreto por dentro
Observando em câmera lenta
Enquanto você se vira e diz
Tire o meu fôlego
Tire o meu fôlego
Diana explorou as costas largas do detetive com as mãos, buscando apoio em seus ombros, seguindo o ritmo faminto do beijo. Seu pulmão queimava, mas ela não queria parar para respirar, apenas se fartar com o sabor maduro e suculento dos lábios de Bruce.
Bruce murmurou algumas palavras quentes em seu ouvido, mas o torpor que elas lhe causaram impediu que sua mente as gravasse. Seu corpo tremia e ele mal havia começado a toca-la. Sem pressa, ele lhe beijou os ombros, acariciou-lhe os cabelos e deslizou a língua por seu pescoço. Diana rugiu e o puxou pela nunca, permitindo-o ver fogo em seus olhos. Essa era a sua Diana, ele sempre soube.
Com os dentes, ele arrastou as alças do sutiã pelos ombros dela, deixando beijos pelo trajeto. Desabotoou o fecho que o prendia nas costas e libertou os seios perfeitos para seu deleite. Linda, absolutamente linda, ele murmurou, enquanto as mãos contornavam a curvatura dos seios. Ansioso, levou um deles à boca e o provocou com a língua, até sentir Diana estremecer. A mão cuidava de seu par, enquanto sugava-lhe o mamilo com força, quando Diana gritou seu nome.
Um ardor tão grande de prazer se apoderou de Diana que ela podia jurar que não iria suportar. Ela sequer sonhava que pudesse ter tanto desejo preso dentro de si.
Remexendo indocilmente sob as carícias de Bruce, ela começou a transpirar. As múltiplas sensações que lhe tomavam dispararam a loucura em seu interior e, quando se deu conta, ela estava suplicando para que ele não parasse.
Observando, continuo esperando
Ainda ansiando por amor
Nunca hesitando
Em tornar-nos predestinados a amar
― Céus, Bruce. Você é bom nisso! – Ela arqueou-se, pressionando seus corpos um contra o outro e sentindo toda imponência da excitação de seu parceiro. Ela cravou as unhas em suas costas e o beijou com desespero e reivindicação.
Foi a vez de Bruce gemer. Diana o envolveu como um tornado, não havia como conter de imediato, apenas seguir o seu ritmo. As mãos dela estavam por toda parte em seu corpo e sua boca distribuía promessas eróticas ao longo de seu tórax.
Ela sorriu, satisfeita em vê-lo perdido entre suas carícias, gemendo contra seus lábios. Sentiu-se orgulhosa e confiante, pela primeira vez, os relatos que ouvira sobre fazer amor não pareciam mentiras contadas em revistas e interpretadas na ficção.
Com uma urgência desnecessária, ela o ajudou a se livrar da calça, sentindo o corpo quente e úmido de Bruce sobre o seu. Queria sentir seu sabor por inteiro, deixa-lo da mesma forma que ela estava se sentindo. E ela o fez.
Bruce perdeu a voz quando a boxer preta voou para um canto qualquer do quarto e os lábios aveludados cumpriram as promessas eróticas que haviam lhe feito.
Virando-se e voltando
Para algum lugar secreto onde se esconder
Observando em câmera lenta
Enquanto você se vira para mim e diz
Meu amor
Tire o meu fôlego
Ele poderia deixar Diana comanda-lo, usa-lo e fazer o que quisesse dele, mas não queria que acabasse rápido. Interrompê-la foi como ser cortado por uma lâmina afiada, a dor do prazer contido era lancinante. Mas sabia que podia ficar melhor se continuassem no seu ritmo.
Ele acomodou novamente Diana sobre a cama e a beijou vigorosamente, sentindo seu próprio gosto nos lábios dela. Sentindo o corpo dela relaxar mais uma vez, segurou firme suas pernas e a torturou lentamente, arrastando os lábios por seu ventre. Ele a tocou, sentindo seu núcleo quente e úmido, sua pele escorregadia ao redor de seus dedos.
Os olhos azuis pediam clemência quando ele lhe livrou da pequena calcinha de seda e posicionou o rosto próximo ao sexo feminino. A visão de Bruce era absolutamente privilegiada e tentadora, sentia seu próprio sexo pulsar de excitação novamente.
Diana enterrou os dedos nos cabelos de Bruce quando ele provou seu sexo, numa exploração dolorosa e delirante. As papilas de sua língua pareciam ter sido feitas para saborea-la. Sem poder se conter, ela convulsionou, no ritmo da língua e dos dedos de Bruce. Os lençóis queimavam contra suas costas e ela se viu no paraíso quando uma poderosa onde de prazer lhe invadiu, levando-a ao clímax.
Através da ampulheta eu vi você
No momento em que você escapou
Quando o espelho quebrou, eu chamei por você
E me virei para ouvi-lo dizer
Se for só hoje
Não tenho medo
Estava sem fôlego, a pele brilhando contra a luz, e ainda sentia fome. Que homem era Bruce Wayne? Seu homem, ela decretou, quando ele se posicionou novamente sobre ela, retirando as mechas de cabelo coladas em sua testa. Bruce podia ver em seus olhos que ela era toda sua, sem qualquer reserva.
Ele inalou profundamente seu cheiro mesclado ao dela, beijou-a com avidez, misturando seus sabores, e quando o corpo dela estava incendiando de novo, ele a beijou por toda parte, estimulado pelas mãos dela ora em seus cabelos ora em seus ombros, pelo som da voz melodiosa sibilando seu nome em diversas sinfonias, de acordo com sua exploração.
As mãos fortes de Bruce pararam no interior das coxas torneadas de sua princesa e com sofreguidão ele a beijou, abafando um gemido quando seus dedos tocaram a carne sensível de seu sexo, prontos para a saciedade plena.
Tire o meu fôlego
Tire o meu fôlego
Os olhos azuis estavam como o céu da noite, escurecidos pelo desejo. Diana entrelaçou suas pernas em sua cintura, quando ele posicionou seu sexo contra o dela, lhe dando permissão para prosseguir. Bruce deslizou para dentro dela e a preencheu tão vagarosamente que ambos tremeram.
Os olhos de Diana inundaram-se de lágrimas e Bruce pensou por um instante se havia lhe machucado. Mas na verdade ela estava em êxtase, em completa descoberta de si mesma e das maravilhas de ser amada. Bruce lhe mostrara mais do que ela imaginara, lhe deu mais do que qualquer outro.
Observando cada movimento
Neste tolo jogo de amantes
Assombrada pela ideia
De que, em algum lugar, há um amor em chamas
Virando-se e voltando
Para algum lugar secreto por dentro
Observando em câmera lenta
Enquanto você se vira na minha direção e diz
― Ninguém... – Ela tentou falar, percebendo a preocupação nos olhos dele. ― nunca desse jeito, Bruce. – Ela tentou explicar, mas não tinha condições.
Não precisava explicar mais.
Bruce leu tudo em seu olhar. Enternecido, ele lhe beijou e moveram-se juntos, rumo ao prazer completo.
Tire o meu fôlego
Meu amor
Tire o meu fôlego
Meu amor, tire o meu fôlego
Meu amor
Seu amor
Tira o meu fôlego
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