Backstage

17 Capítulo XVII


Notas iniciais
"Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite... Sábado a noite tudo pode mudar!" No ritmo de sábado a noite, by Cidade Negra, mais um capítulo entregue! Tenham uma ótima leitura! Kisses❣

Quando sobrevoavam a capital americana e Diana pode avistar o famoso Monumento de Washington – o obelisco de quase 170 metros de altura – o Capitólio e a exuberante Casa Branca, seu estômago gelou gradativamente. Haviam finalmente chegado ao seu destino depois de aproximadamente uma hora e meia de voo.

Diana ficara durante todo o trajeto absolutamente calada, pensando em alternativas para se desvencilhar de qualquer tentativa de aproximação de Bruce. Até então, ela acreditava que ser arredia era melhor opção para se manter segura. Seu principal argumento seria ter detestado o local escolhido para passarem o fim de semana, porém, só de sobrevoar Washington, ela se lembrou o quanto a cidade era incrível, com seus inúmeros pontos turísticos, arquitetura e clima agradável. Como poderia detestar esse lugar?

Quando Bruce anunciou aterrisagem, em uma propriedade fora dos limites da cidade, cercada por um bosque de árvores e circundada por um majestoso lago, onde no centro se destacava uma charmosa casa em estrutura de concreto e as laterais de vidro, ela percebeu que seu trunfo seria irrelevante diante do deslumbramento que sentiu, ao apreciar superficialmente o local com a pouca luz que a iluminação artificial fornecia.

Ao aterrissarem, ela dispensou a ajuda de Bruce para descer do helicóptero, fechou o casaco para se proteger do vento gelado da madrugada e deixou Bruce para trás com as malas, seguindo por um charmoso caminho de pedras, cercado por grama e vegetação rasteira, com várias lâmpadas posicionadas no chão, que ao longe lhe fazia avistar a anunciada casa dos lagos.

O local calmo e afastado lembrava a propriedade dos Wayne em Gotham, em sua extensão. O jardim parecia bem cuidado, embora estivesse um pouco castigado pelo inverno, mas a casa parecia uma construção recente, de arquitetura contemporânea e muito arrojada. O interior estava escuro, mas as luminárias ao redor revelavam uma mansão elegante e atraente. A casa de dois pavimentos era cercada por uma varanda contínua no andar superior, permitindo vista ampla para o lago que ladeava o imóvel e para a majestosa colina que separava a casa do complexo urbano de Washington. Sem dúvida a casa era menor que a mansão Wayne, mas não deixava de ser de tamanho exagerado para uma família pequena habitar.

Em um dia normal, Diana teceria elogios ao local, mas como estava invocada e decidida a ser indiferente, reprimiu todo seu encantamento. Se tivesse 18 anos acharia o ato de Bruce o mais romântico possível, estaria flutuando de felicidade e se sentindo uma garota de sorte. Mas sendo uma mulher adulta, desiludida e receosa, tinha medo de encarar a situação como algo que merecia. Embora fosse emocionante, ela preferia acreditar que aquilo não passava de um jogo de sedução habitual, utilizado por Bruce com as mulheres pelas quais se interessava.

Ela caminhou até a porta principal da casa e aguardou que Bruce se posicionasse ao seu lado. Ela podia sentir o olhar dele estudando suas feições, mas se recusava a encara-lo diretamente ou transparecer um semblante amistoso. Para sua derrota, ele parecia não se importar ou, no mínimo, era muito bom em ocultar sua frustração.

Quando ele abriu a porta e acendeu as luzes do hall de entrada, ela ficou impressionada com o tamanho da enorme sala a frente deles. Sem qualquer divisória, o espaço integrava sala de jantar e de estar, com uma visão panorâmica de todo o jardim graças as paredes substituídas por estruturas em vidraçaria. O piso lustroso em mármore combinava perfeitamente com os móveis de design moderno que decoravam o ambiente. Bruce gesticulou para que ela avançasse, enquanto arrastava as malas pela sala.

Uma lareira com aparador de mármore se destacava em um dos cantos da sala, próximo a ela uma mesinha de centro, duas cadeiras acolchoadas e um tapete felpudo que Diana podia jurar ser tão macio quanto um travesseiro de plumas. Mais ao centro, próximo a escada, também revestida de mármore imperial, havia um piano lustroso, semelhante ao que ela vira na mansão Wayne. Alguém realmente gostava de música naquela família, ela pensou. Embora luxuoso, o ambiente era bastante simples se comparado a mansão Wayne. Algumas pinturas de Monet e um vaso da Dinastia Han davam um toque de extravagância para a sala.

― A cozinha fica na segunda porta a esquerda, caso esteja com fome. – Bruce apontou o corredor, enquanto prendia seu casaco ao cabideiro. ― Vou acender a lareira, em poucos minutos os aquecedores deixarão a casa toda aconchegante.

Diana limitou-se a um pequeno aceno de cabeça, dirigindo-se para cozinha. Estava, de fato, com fome e preparar algo para comer lhe dava uma boa escapatória, enquanto Bruce se preocupava com detalhes que competiam a um anfitrião.

Cozinhar definitivamente não era um talento da premiada apresentadora de TV. Ela era sempre a responsável pela louça em casa, já que ninguém era obrigado a viver de intoxicações gástricas ao ter que se alimentar de seus pratos crus, destemperados e indigestos. Ela tentou aprender a arte de cozinhar ao apresentar um programa de culinária, tentou fazer cursos, mas se convencera de que era melhor se contentar como boa degustadora após inúmeros insucessos. Pelo menos sabia fazer uma boa salada e sanduíches incríveis, o suficiente para não morrer de fome em uma emergência.

Para seu desespero, a cozinha da casa de Bruce era incrivelmente moderna. O forno, o fogão, a cafeteira, o liquidificador e todos os utensílios domésticos eram sofisticados demais para uma leiga. Nem que ousasse se arriscar, seria incapaz de fazer ovos mexidos ali. Sua sorte foi ter encontrado facilmente pão integral no armário, geleia e pasta de amendoim na geladeira. Cortando o pão em fatias triangulares e recheando-o, generosamente, se deu por satisfeita.

Ao provar o primeiro pedaço, pensou se deveria ser cortês e fazer um sanduíche para Bruce. Seria falta de educação deixar de oferecê-lo ou sugerir que lhe preparasse algo, especialmente estando em sua casa. Dando de ombros, ela voltou para a sala ignorando o fato de ser deselegante. Talvez fosse seu primeiro gesto eficaz para que ele a achasse insensível, pensou.

― Pode me mostrar onde será meu quarto? – Ela pediu, fazendo questão de mordiscar o sanduíche quando ele pousou os olhos nela.

― Vejo que não teve problemas na cozinha. – Ele ajeitava a lenha na lareira e o brilho das chamas refletido na pele morena do detetive, conferiam-lhe um charme extremamente sensual.

― Espero que não se incomode em não ter feito nada para dois. – Ela deu um sorriso cínico. ― Estou cansada, preciso de um banho e de uma boa noite de sono.

― Tudo bem. – Bruce pareceu de fato não se importar e Diana se sentiu frustrada. Na verdade, o moreno já estava precavido para múltiplas reações de sua hóspede. Hostilidade e rejeição encabeçavam a lista de posturas que ele esperava. ― Você pode subir e escolher o quarto que mais lhe agradar. Logo subirei com a sua bagagem.

― Escolher? – Ela pareceu confusa. ― Algum deles deve ser o seu quarto, não quero me instalar nele por engano.

― Se isso acontecer, não vejo problema. Durmo em outro quarto para deixa-la a vontade. – Bruce deu-lhe um olhar compreensivo e Diana desistiu de contra argumentar.

Droga! Ele é bom em ser tolerante. Diana pensou, subindo as escadas rumo ao segundo andar.

Pelo menos seis quartos enormes compunham o segundo pavimento da casa. Diana abriu a porta de cada um, examinando-os, e terminou no quarto de Bruce, o último no fim do corredor. Ela soube que se tratava do quarto dele assim que viu uma foto semelhante ao quadro pendurado sobre a lareira na mansão Wayne: Bruce criança e entre os pais. Mas, o que lhe chamou atenção mesmo foram alguns discos de vinil de artistas que ele já havia comentado que gostava, ao lado de uma vitrola de madeira. Clássico e nostálgico, ela pensou.

Outro detalhe no quarto era a decoração extremamente básica e neutra, diferente dos demais quartos de hóspedes. Havia também uma lareira e uma antessala conjugada com o dormitório, uma varanda delimitada por uma grande porta de vidro e cortinas de seda balançando com a brisa da madrugada. Ela passou a mão pela enorme cama de casal, sentindo a textura dos lençóis de fios egípcios, pensando em quão quente Bruce e ela poderiam deixa-los se passassem a noite juntos. Se recriminando pelo pensamento, ela saiu rápido dali, antes que Bruce subisse e lhe pegasse em flagrante.

Abrindo a primeira porta que viu, do quarto ao lado da suíte de Bruce, ela entrou e decidiu que ficaria ali. Contudo, ao pensar melhor, imaginando Bruce dormindo tão perto, mudou de ideia e foi para o segundo quarto, próximo à escada. Distância de segurança, ela garantiu a si mesma, mesmo sabendo que se estivesse realmente segura de que não o queria, poderia dormir no mesmo quarto em que o detetive estivesse.

Finalmente certa de que este seria seu quarto, Diana jogou seu casaco sobre a cama e seguiu para o banheiro. Superando a irritação de ter sido pega de surpresa com o plano de Bruce, pensou em quão ridícula estava sendo, se comportando como uma adolescente imatura e tentando se enganar quanto ao que sentia por Bruce. Encontrando toalhas e um roupão nos armários, encheu a banheira de hidromassagem, adicionou algumas essências aromáticas e sais de banho à agua, despiu-se e mergulhou ali dentro, tentando conter o calor que os pensamentos por Bruce lhe causavam.

A água quente relaxou seu corpo e clareou seus pensamentos. Com os olhos voltados para o céu límpido, avistado graças à claraboia no teto do banheiro, permitiu-se à honestidade consigo mesma. Desejava Bruce, tanto que poderia colocar aquela água em ebulição se deixasse suas fantasias por ele ganharem vida em sua mente. Mas tinha medo, medo de avançar, medo de compartilhar seu corpo e sua alma com ele e ter uma nova decepção.

Se fechasse os olhos, sonharia com ele lhe fazendo companhia no banho, podia imaginar as mãos dele incendiando cada centímetro de sua pele e ofegava só de imaginar como ele a tomaria para si. Se seria de forma avassaladora e selvagem, ou se ele a torturaria sem pressa, fazendo-a implorar para que ele cobrisse seu corpo com o dele.

De olhos abertos, a realidade era outra. Pensava em como ele poderia se decepcionar com ela, em como ela já fracassara em seus romances e o quanto isso lhe deixou feridas mal cicatrizadas. Ele poderia querê-la apenas por uma noite, mas ela estaria preparada para lidar com isso? Refletindo calmamente, ela concluiu que não deveria sofrer por antecipação, apenas precisava de cautela e bom senso. Estava decidida a não se impor nada, mas também não podia continuar bancando a ridícula, como se propusera há minutos atrás. Era uma mulher adulta afinal. Era mais sensato dizer um não, do que bancar a imatura.

Os quase vinte minutos no banho a encheram de coragem e convicção. Estava preparada para aproveitar o fim de semana, esquecer-se dos problemas que vinha enfrentando, conviver com Bruce e ser uma companhia agradável, embora não pudesse lhe corresponder como acreditava que ele esperava. Não seria tão difícil, ela disse a si mesma, até sair do banho e encontra-lo no quarto, sentado em uma poltrona à sua espera.

Ela quase recuou, não porque estivesse apenas vestindo um roupão e os cabelos molhados e despenteados, mas porque Bruce parecia uma miragem tentadora à sua espera. Como se fosse ele fosse um imã, seu coração disparou e a impulsionava a se jogar nos braços dele.

― Pensei que teria privacidade. – Ela cruzou os braços, se fazendo de ofendida.

― Eu vim trazer sua mala e, como tinha preparado chocolate quente, pensei que gostaria. – Ele apontou para uma xícara fumegante de chocolate, deixada na mesinha de cabeceira. ― Eu só esperei para saber se realmente não precisaria de mais nada por hoje.

Ele levantou-se e Diana sentiu as pernas bambearem quando aquele monumento de homem se aproximou dela. Ela pediu forças aos céus, mas queria na verdade que os anjos lhe trouxessem a loucura.

― É muito gentil de sua parte. – Ela se afastou dele, provando o chocolate. ― Delicioso!

― Receita de Alfred. – Bruce desviou os olhos quando a viu lamber os lábios, involuntariamente, para limpar a espuma de chocolate que ficara grudada neles. Já não estava sendo fácil observa-la recém-saída do banho, com um aroma maravilhoso e fresco. ― Não sou muito bom na cozinha, mas aprendi com ele o suficiente para não morrer de fome.

― Que bom! Se depender de mim, passaremos a sanduíche o fim de semana todo. – Ela confessou. ― A propósito, desculpe não ter preparado nada para você lá embaixo. – Ela sentiu as bochechas queimarem. ― Desculpe por ser desagradável também.

― Tudo bem, Diana. – Ele se aproximou dela mais uma vez. ― Quero que se sinta à vontade aqui. Vou entender se continuar furiosa pelo que fiz. – Ele pegou a mão dela e a levou aos lábios, beijando os nós de seus dedos.

Diana sentiu que precisaria de outro banho, desta vez gelado. E Bruce, ainda que centrado, não estava menos inquieto do que ela. Ele não ficara ali até agora simplesmente para saber se ela precisaria de mais alguma coisa, ficara porque não conseguiu sair após ouvir o som dela se banhando languidamente na banheira, atrás de uma simples porta de madeira que o separava de ir ao encontro dela e lhe fazer companhia.

Nunca havia precisado tanto de seu autocontrole como naquele momento. Não foi inconsequente a ponto de aborda-la no banho, no entanto não teve forças para sair do quarto, tendo ficado à sua espera, na expectativa de que ela compartilhasse minimamente dos mesmos desejos que ele.

― Ficarei bastante a vontade se puder dormir agora. – Ela puxou a mão de volta, calmamente, e sorriu, tentando não parecer rude e nem profundamente abalada com a proximidade entre eles.

Bruce soltou um suspiro exasperado. Sabia que Diana correspondia aos seus sentimentos, mas não poderia transpor as barreiras que ela lhe impusera sem que ela sinalizasse que queria isso. Não bancaria o sedutor fatal para que ao raiar do dia ela se arrependesse e o quisesse longe. Teria que esperar. Teria que suportar o ardor que ela despertava em seu corpo, sem poder toca-la.

― Boa noite, Diana! – Ele a beijou na testa, lutando para não tomar seus lábios nos seus e perder-se completamente ali. ― Se precisar, meu quarto é o último no corredor.

― Eu sei. – Diana sussurrou e se corrigiu quando Bruce a questionou pelo olhar. ― Eu sei que se precisar posso chama-lo.

Sem alternativas, Bruce deu-lhe as costas e saiu lentamente do quarto. Um ótimo olhar de Bruce antes de fechar a porta do quarto quase fez com que Diana o chamasse de volta, mas ela foi incapaz de pronunciar qualquer palavra.

Saboreando o amargor de sua decisão, de não compartilhar o mesmo quarto que Bruce, Diana resolveu distrair-se, mexendo em sua mala. Esperava pelo menos que Donna tivesse colocado seu amado pijama de moletom e não tivesse esquecido sua escova de dente.

Ao abrir a mala, a primeira coisa que lhe chamou a atenção foi um bilhete redigido pela irmã:

“Creio que esteja se sentindo traída e preparando um inesquecível sermão para me punir quando nos reencontrarmos. Honestamente, eu não me importo, Di. Aproveite esse fim de semana ao lado do homem que você ama. SIM, VOCÊ O AMA. Aceito seu sermão, especialmente porque você vai estar feliz. Divirta-se” Com amor, Donna.

Donna e seu idealismo juvenil, Diana suspirou, começando a observar as peças de roupa que ela escolhera. Um vestido de gala recém adquirido por Diana estava acomodado por cima das roupas. Diana pensou se aquilo era um exagero da irmã ou se mais surpresas lhe aguardavam. Para não se irritar, preferiu ficar com a primeira hipótese, sua irmã havia exagerado.

Donna não havia escolhido nenhuma peça de roupa confortável que Diana usasse no dia a dia. O mais perto disso era uma calça jeans e um suéter de lã. As demais peças eram em couro, renda, seda e linho, tudo muito sofisticado e elegante. Os sapatos também não ficavam para trás nesse aspecto, uma bota, uma sandália de tiras e um scarpin. O que havia acontecido com seu All Star favorito e seus chinelos?

Certamente a resposta era a mesma para suas lingeries de algodão que foram substituídas por lingeries de seda transparente, algumas pretas e completamente indecentes, outras ousadas e vermelhas como sangue. A única lingerie branca que encontrara era de renda e com um espartilho incrivelmente sexy.

― O que você tem na cabeça, Donna? – Diana murmurou ao pegar o hobby de seda vermelha entre as mãos, com a borda de babados e que não cobriria um terço de seu corpo.

Sem ter opção, ela vestiu o conjunto de lingerie e espartilho branco, enfiou-se no suéter que viera na mala e decidiu que dormiria assim. Quando voltasse para Gotham descobriria desde quando sua irmãzinha se tornara tão ousada.

(...)

― Está chegando a sua hora, Prince!

Os olhos refletidos na lâmina de uma adaga antiga eram completamente frios. Podia imaginar o sangue de Diana escorrendo por ali, depois que ela lhe implorasse para morrer.

A sua frente, um altar montado com as fotos da apresentadora e toda sua ascensão gloriosa no show business faziam o ódio crescer em seu coração. Diana estava feliz e, por puro egoísmo, mesquinhez e insensibilidade, tornara a sua vida triste. Sofria todos os dias sua perda, por culpa dela. E ela ainda dizia que era inocente, que não se lembrava do mal que lhe causou.

Maldita! Praguejava-a mentalmente.

Estava só. Não tinha mais ninguém. Mas em breve estaria em paz, assim que concretizasse sua vingança. Sabia que Diana sentia medo, se não fosse aqueles malditos detetives em sua cola talvez ela já tivesse enlouquecido. Mas, não importava, policial nenhum lhe impediria de atacar quando chegasse a hora e a oportunidade não lhe faltaria.

O calendário em sua frente estava marcado, os dias contados. Era difícil se controlar, mas não colocaria tudo a perder agora que estava tão perto.

(...)

Quando o sono veio, Diana sonhou que estava trabalhando, encerrando mais um programa, tendo alcançado a liderança da audiência mais uma vez.

As luzes do estúdio se apagaram assim que ela o deixou. O corredor estava frio e muito escuro. Olhando em volta, Bruce não estava a sua espera. Sentiu medo.

Procurou por Wally, por John ou por alguns dos roteiristas, mas ninguém estava por perto. Já deveriam estar na sala de reuniões, ela pensou. Talvez Bruce estivesse lá também. Sentiu mais frio ao caminhar pelo longo corredor e decidiu passar em seu camarim e vestir seu casaco.

Uma sensação estranha de estar sendo observada disparou seu coração. Sem saber exatamente como, estava correndo pelo corredor, olhando para trás, com medo de estar sendo seguida. Estava segura na emissora, não estava? Ela tentava raciocinar, mas a adrenalina percorria sua corrente sanguínea e lhe fazia suar as palmas das mãos.

Abriu a porta do camarim afoita, trancando-a por dentro quando conseguiu entrar. A respiração estava descontrolada. Ela buscou o interruptor, tateando a parede, mas não foi a sua mão que acendeu a luz.

“Bruce!” – Ela sussurrou.

“Seu detetive já era, maldita” – A lâmina gelada encostou em sua garganta e ela gritou, quando viu o corpo de Bruce ensanguentado, bem próximo de seus pés.

“Não!” – Ela chorou, sentindo um filete de sangue escorrer por sua garganta. O desespero tomando conta de sua mente.

“Vai morrer, Diana. Bem devagar! Antes, aprecie os últimos suspiros do policial.”

― Não! Bruce! Não! – Ela tentou afastar as mãos que a seguravam, lutando sem sucesso para escapar. ― Não! Não faça isso comigo. Não deixe Bruce morrer. – Ela soluçou.

― Acalme-se, Diana. – Bruce, alarmado pelos gritos, havia entrado no quarto e tentava despertá-la. Com carinho puxou Diana para seus braços, acariciando seus cabelos. ― É um pesadelo, princesa. Acorde. – Ele secou as lágrimas que percorriam sua bochecha.

Diana abriu os olhos, contemplando o peito nu de Bruce iluminado pela luz do abajur. Olhou em seus olhos preocupados, acariciou o rosto do detetive para saber se ele era mesmo real e desabou em seu peito quando se convenceu de que ele estava realmente ali.

― Ele vai conseguir, Bruce. Eu vi. – Ela abraçou forte a cintura de Bruce, como se quisesse protegê-lo e a si mesma, inalando o seu cheiro para se acalmar. ― Ele vai mata-lo. – Ela tremeu e lágrimas molharam o peitoral de Bruce.

― Isso não vai acontecer, Diana. – Ele beijou o topo de sua cabeça e a apertou mais forte contra seu corpo. O coração dela estava acelerado, espasmos percorriam seu corpo, deixando Bruce alarmado. ― O pesadelo é fruto do seu medo. Eu estou com você e ainda estarei quando encerrarmos esse caso.

― Eu não vi o rosto dele, mas senti suas mãos em mim. Senti uma lâmina fria em meu pescoço. – O corpo dela convulsionava. ― Não deixe que ele toque em mim, Bruce. Por favor, não deixe.

Abalado com a fragilidade de Diana, Bruce dispensou carícias suaves em seus cabelos e braços, ergueu lentamente o queixo dela e aqueceu os lábios trêmulos dela com os dele. Um beijo suave e terno, apenas para que ela se concentrasse nele e conseguisse retomar o controle de seus sentidos.

― Não deixarei ninguém tocar em você. – Ele murmurou contra os lábios dela. ― Está segura, princesa, absolutamente segura. – Ele a envolveu com mais carinho e sentiu-se aliviado quando ela se aconchegou contra seu corpo e retribuiu o beijo.

Abrindo os olhos, depois de encerrarem o beijo, Diana contemplou-se nos braços de Bruce, voltando completamente à realidade.

― Foi um pesadelo. Só um pesadelo. – Ela finalmente se convenceu, dizendo em voz alta. Sentiu o rosto ruborizar-se por ter reagido como uma criança medrosa e estar completamente vulnerável diante do olhar compassivo de Bruce. ― Desculpe-me por tê-lo acordado. Eu...

― Tem tido dias difíceis, princesa. Não tem porque se desculpar. – A mão forte de Bruce contornou o rosto pálido de Diana. ― Eu a compreendo, não se preocupe.

Os olhos de Diana marejaram mais uma vez, mas desta vez de comoção. O que seria dela se não tivesse Bruce ao seu lado? Ele a mantinha de pé, a suportava em seus piores momentos e não lhe fazia parecer fraca, mesmo quando suas forças pareciam deixa-la por completo. Respirando fundo, ela tentou conter a pressão insuportável em seu peito, não queria chorar de novo.

― Vou buscar um pouco de água. – Bruce a afastou gentilmente, mas ela o deteve, segurando-o firme contra seu corpo.

― Não! – Ela gritou, respirando fundo para normalizar o tom de voz quando ele a olhou preocupado. ― Não me deixe sozinha aqui, Bruce. Por favor! – Ela suplicou, tranquilizando-se quando ele se recostou sobre os travesseiros ao lado dela.

― Tudo bem. Eu não vou sair daqui. Mas tente relaxar ou extravasar de vez o que está sentindo. Não se segure, Diana.

Ela assentiu com a cabeça, deixando as lágrimas que pesavam suas pálpebras correrem livre pelo seu rosto. Bruce não disse uma só palavra, apenas apoiou o queixo em sua cabeça e a segurou forte, deixando-a livre para extravasar seus sentimentos.

Aos poucos o calor do peito de Bruce foi reconfortando-a e, sem perceber, Diana passeava os dedos aleatoriamente pelo abdômen forte e definido, mexendo com os sentidos do moreno. Com sutileza, Diana secou as lágrimas que caíram no peito de Bruce e teve tempo de examinar a beleza de seu corpo perfeitamente esculpido. Cicatrizes marcavam o tronco do detetive e Diana podia reconhecer que, entre elas, algumas foram de tiros e até mesmo cortes profundos. Marcas de seu heroísmo e de sua vulnerabilidade.

Lembrando-se da fragilidade da vida, do fim de Bruce em seu pesadelo, ela estremeceu de novo. Para não entrar em pânico, começou a beijar cada pedaço do tórax do moreno, e arrastar os lábios lentamente rumo ao seu pescoço.

― O que está fazendo, Diana? – Ele murmurou, sentindo seu corpo se incendiar quando os dentes dela rasparam em seu queixo e uma das mãos dela arrastava-se perigosamente pelo seu abdômen.

― Tentando relaxar. – Ela o beijou, sorvendo seus lábios com sede. Esse seria um ótimo momento para ficarem juntos, ela pensou. Não precisava pensar muito sobre as consequências de seus atos e tudo poderia ser justificado como um rompante se acabasse se arrependendo. ― Faça amor comigo, Bruce. – Ela pediu e Bruce quase enlouqueceu.

Girando o corpo dela, colocando-a de costas contra o colchão, Bruce se apoiou ao seu lado e analisou os olhos azuis desejosos e perdidos. No limite do bom senso, ele puxou o cobertor para cobrir as pernas nuas da princesa e respirou fundo antes de falar.

― Eu sonhei com o momento em que me pediria isso, princesa. – Ela sorriu. ― Mas não dessa forma. – Ela fechou o semblante. ― Não quero que pense que estou lhe rejeitando. Poderia explodir de desejo neste exato momento. – Ele inspirou e expirou, sentindo sua virilha queimar. ― Mas não quero ser um alívio momentâneo pra você e pra mim mesmo. Quando fizermos amor, será porque você estará completamente consciente do que quer. – Os olhos de Bruce brilhavam de desejo e permitiam que Diana visse o quanto ele estava se esforçando para não ceder.

Droga! Ele não poderia facilitar pelo menos uma vez? Diana bufou. Ela queria se sentir ofendida, mas seu coração estava suficientemente grato pela grandeza da atitude de Bruce para que ela fosse capaz de ser hostil.

― Pelo menos ficaria aqui, ao meu lado, até que eu consiga dormir de novo? – Ela engoliu o próprio orgulho e baixou a guarda.

Com um sorriso e separando os cobertores, afinal não era de ferro, Bruce se ajeitou ao lado dela, trazendo a cabeça dela para o seu peito.

― Ficarei até o dia amanhecer, princesa! – Ela o abraçou, tentando entender o que de tão bom fizera em sua vida para merecer este homem ao seu lado e pedindo aos céus que isso não fosse apenas um sonho.

Notas finais
Continua! Eu sei que estamos (eu também) louquinhos para que Diana e Bruce se peguem MUITO, mas eu tento manter a coerência da personalidade dos meus personagens. Diana está convencida dos seus sentimentos, mas esse não era o gancho ideal para uma noite de amor. Talvez o próximo, quem sabe. ;)