Backstage

8 Capítulo VIII


Notas iniciais
Ei, gente! Tô feliz de ter conseguido voltar rápido desta vez, espero que vocês também fiquem! Beijos no coração e tenham uma ótima leitura❣

— Me diga, Diana. Por que nunca mencionou que foi casada?

A pergunta pegou Diana de surpresa e o silêncio reinou no interior do carro por longos segundos. Não que ela já não previsse que um dos detetives fosse capaz de trazer à tona uma fase de sua vida que preferia esquecer, mas ela não pensou que as investigações precisariam ser tão aprofundadas.

Aliás, até dois dias atrás, sequer achava que uma investigação ganharia corpo, sua esperança era que o perseguidor desistisse, se revelasse um adolescente inconseqüente fazendo trotes e ela tivesse a nobreza de perdoa-lo, depois que ele confessasse seu arrependimento. Mas, ela tinha de admitir, não andava muito boa com teorias ultimamente.

A meia luz no interior do veículo dificultou que Bruce visse o tom das bochechas de Diana se mudarem do pálido, ante o choque do questionamento, para o vermelho, graças a irritação que o assunto lhe causava. O detetive pode senti-la o queimar com os olhos, mas isso só aguçou ainda mais sua curiosidade.

Notando que seu olhar repressor não o dissuadiria de tocar naquele assunto, Diana pôs-se a pensar no que responderia. Ela poderia simplesmente sair do carro e ignora-lo, mas isso só o estimularia a vasculhar sua vida ainda mais e talvez de modo que lhe trouxesse outros fatos que lhe machucavam.

Diana nunca falava da vida pessoal, fosse para a imprensa ou para um amigo. Às vezes mencionava alguns fatos de sua escalada árdua até o sucesso, contudo, falar de sua vida familiar e afetiva lhe abria feridas que demorara anos para cicatrizar. Agora, estava prestes a tocar em um assunto delicado com um estranho. Ao menos era assim que ela ainda qualificava o detetive Wayne, muito embora já admitisse certas afeições por ele.

― Não mencionei porque não costumo dar ênfase a fatos que não foram importantes. – Ela rompeu o silêncio perturbador e disfarçou o nó em sua garganta, por ter que ceder ao questionamento. ― E, além disso, minha vida pessoal não lhe diz respeito, detetive. Foi contratado para localizar um psicopata, meu ex-marido não era um.

A hostilidade da parte dela, por ele ter tocado no assunto, não foi nenhuma surpresa, mas algumas emoções sim. Bruce não precisou ter a experiência de um terapeuta de casal para concluir que aquela história devia ter acabado mal. Ele não via resquícios de mágoa no olhar de Diana, indicando que talvez ela ainda amasse o ex-marido, mas viu uma frustração mascarada com dificuldade. Ela não parecia o tipo de mulher que lidava bem com o fracasso e algo o fez intuir que ela devia se culpar pelo fim daquela relação.

― Tudo que envolve sua vida e que seja relevante para o caso me diz respeito, Diana. – O tom de voz soou profissional, ainda que houvesse notas de curiosidade pessoal quanto ao assunto. ― Me fale sobre ele.

― Está um pouco tarde para isso, detetive. – Ela apontou para o relógio no próprio pulso e pegou a bolsa no banco de trás do carro, fazendo menção de sair.

Bruce, porém, reconheceu a evasiva e foi mais rápido, travando as portas do carro e retirando a chave da ignição antes que ela conseguisse o seu intento.

― O que pensa que está fazendo? – Diana estava furiosa e a serenidade no olhar de Bruce ao confrontá-lo só serviu para irrita-la ainda mais.

― Lhe impedindo de fugir de um assunto importante.

― Detetive Wayne, eu não sou obrigada a lhe responder nada às três da madrugada.

― Não é. – Ele concordou e ela bufou ante o semblante sereno e o olhar compreensivo de Bruce. — Mas nós não dispomos de tempo suficiente para marcar um dia e horário propícios. Você só precisa me falar o básico sobre ele, por enquanto. Ele ainda mexe tanto assim com você? – A pergunta foi um tiro certeiro para Diana se desfazer da má vontade de falar sobre o assunto. A última coisa que queria era que Bruce pensasse que ela estava evitando o assunto por ainda nutrir alguma afeição pelo ex-marido.

― Ele não é um psicopata, se é o que precisa saber. – Ela abriu novamente uma brecha para que ele prosseguisse com o assunto.

― Quero alguns detalhes sobre ele. Nome, endereço, como terminou a relação. – Na verdade, Bruce esperava que ela não desse tantos detalhes assim. Era ridículo admitir, mas não queria pensar que outro homem um dia fora especial para ela.

― Ficamos casados apenas oito meses. – Ela desviou o olhar de Bruce, observando o vento carregar alguns tímidos flocos de neve através do para-brisa do carro. Doía lembrar daquela época, não exclusivamente pelo fim do casamento. — Eu tinha apenas dezenove anos, foi um ato impulsivo, de ambas as partes. – Diana pressionou as têmporas, falar sobre aquilo lhe renderia uma dor de cabeça mais tarde, detestava revirar o passado. — Não sei ao certo onde ele mora atualmente.

― O nome dele. – Bruce pediu, embora estivesse se detestando por estar molestando-a emocionalmente.

― Arthur. Arthur Curry. Desde que nos divorciamos não mantivemos mais contato. Eu o vi alguns meses atrás, por acaso, em Nova York, mas sequer nos aproximamos. – Ela viu Bruce lhe estender a mão, devolvendo-lhe a chave do carro e logo destravou as portas do veículo. ― Foi ele quem pediu o divórcio, não me amava mais. Se fiz algo para Arthur querer se vingar de mim, foi não tê-lo feito feliz. – Ela terminou de falar e saiu do carro o mais rápido que pode, já havia estendido o assunto mais do que gostaria.

Bruce imitou-a, também saindo do carro. Deu a volta ao redor do veículo, se colocando na frente dela antes que ela se afastasse ou fugisse dele. O vento da madrugada estava gélido. Os cabelos de Diana voaram, desgrenhando-se, enquanto ela ajeitava o casaco sobre o corpo para se proteger do frio.

— Precisamos entrar, detetive. Está frio demais aqui. – Ela tentou se desvencilhar dele, mas só o que conseguiu foi chocar-se contra o peitoral duro de Bruce quando ele a cercou.

Bruce tentou não se distrair com a beleza da pele clara e os cabelos negros esvoaçantes, em adequação com aquele cenário de inverno, quando ela ergueu o olhar de encontro ao dele. Foi sensato, focando no semblante cansado de Diana, que sabia não ser uma exaustão física e sim emocional. Pela primeira vez, após ter ouvido as impressões de Dinah sobre ela, estava sendo capaz de enxergar um pouco mais sobre a mulher em sua frente.

Como uma mulher como ela poderia se culpar por uma desventura amorosa daquela forma? Ele se questionou, não encontrando um fundamento lógico. Como Dinah já havia notado aquela fragilidade em Diana e ele não? Bruce não era nem de longe um afortunado no amor, fosse por amar a mulher errada fosse por ser ele o homem errado em alguns momentos, mas sentiu-se impelido a não deixar Diana carregar o fardo que via em seus olhos.

― Ninguém faz o outro feliz se não há reciprocidade na relação, Diana. Se o seu ex-marido não foi feliz, certamente teve sua parcela de contribuição. – Ele se sentiu ridículo dizendo aquilo, especialmente por ter uma consciência auto condenatória, entretanto não estava dizendo nenhuma mentira.

― Psicologia a esta hora não. – Ela deu um sorriso irônico, tentando acreditar que o que viu no olhar dele não era piedade.

Não era piedade, era Bruce enxergando uma outra faceta de Diana que a fama, a beleza e a personalidade forte escondiam. Ela era frágil, muito frágil, e isso se concentrou em uma área muito específica de sua vida, no amor.

― Não consigo imaginar como um homem não seria feliz ao seu lado. – Ele soltou e ela recostou-se na lataria do carro, meneando a cabeça.

Frase feita! Ela suspirou, decepcionada. Pensava que um homem tão controverso como Bruce fosse acima da média, que pudesse presumir que uma mulher como ela passava seus dias ouvindo frases do tipo, tão comuns e tão superficiais. Ouvir algo assim dele foi de certa forma frustrante.

― Eis a questão. Arthur pensava exatamente assim. – Quando ela ergueu a cabeça para olha-lo, ele viu um brilho triste nos olhos azuis bonitos. — Acabou criando uma ilusão e tudo ruiu quando ele descobriu que eu era um fracasso numa relação a dois. Não supri suas expectativas, talvez fosse a mulher adorável para a sociedade, mas não era flexível, submissa e até mesmo a amante quente o suficiente na cama.

― Sexo?! – Bruce não escondeu a perplexidade. — Seu casamento acabou por sexo?

― Meu casamento acabou, aliás, sequer começou, porque uma mulher bonita geralmente tem a obrigação de ser perfeita em tudo e eu não sou. Eu sou perfeccionista no meu trabalho, é o que faço de melhor, mas sou um fracasso no amor, detetive. Tenho a beleza para fazer um homem se arrastar aos meus pés, mas sou fria e incapaz de mantê-lo ao meu lado.

― Você faz um péssimo juízo de si mesma, Diana. Talvez uma garota de dezenove anos fosse bastante ingênua para se casar com um homem que a enxergava apenas como um pedaço de carne ou um enfeite. Mas a mulher que vejo em minha frente é inteligente o bastante para já ter descoberto que esse homem era um idiota.

— Acha que Arthur foi minha única decepção? – Ela desabafou, os olhos perdidos na escuridão da madrugada, fixos em nada. ― Diga-me, como você me vê, detetive?

Bruce se aproximou, tocou-lhe o queixo e a fez olhar em seus olhos antes de responder. Se seus dedos tivessem passado perto do pescoço de Diana, sentiriam seu descompasso cardíaco através da artéria carótida pulsando forte devido o seu toque.

— Uma mulher fascinante. – Ele a invadiu com o olhar, trazendo toda a concentração dela para si. — Determinada, inteligente, sensível e forte. Digna de tudo que conquistou e, claro, dona de uma beleza incomparável. – A voz de Bruce soou gentil e sexy, fazendo o estômago de Diana se contrair e seus olhos quase lacrimejarem. Não pareceu um gracejo aleatório para ela, mesmo ele mantendo um semblante impassível. Seu olhar era crível, suas palavras carregadas de verdade, despertando-lhe emoções há muito não sentidas.

Contudo a dúvida tomou voz, a lembrança de outras palavras gentis, de decepções passadas, a insegurança... Ela se recompôs, se revestindo de uma barreira de questionamentos, na tentativa de se manter livre de palavras que poderiam não passar de uma sedução momentânea.

— Não é o homem correto para me responder esta pergunta, dado o tipo de relação que temos, detetive. Mas, seja honesto, como me via antes de suas investigações lhe fazerem formar uma opinião completa ao meu respeito?

Bruce se afastou, aborrecido, colocando as mãos no bolso da jaqueta. Declarar-se daquela forma lhe custava muito esforço para que Diana simplesmente desdenhasse. Por um instante, ele quis encerrar aquele assunto, mas lembrou-se do que prometera a si mesmo, que mais do que resolver o caso criminal envolvendo Diana, estava disposto a desvendar os segredos do coração desta mulher. Agora que ele estava encontrando o caminho, reunindo pistas que justificavam sua retração e hostilidade, ele não podia recuar.

— Linda, atraente, interessante. – Ele a respondeu. ― Não precisaria de uma investigação para somar as demais qualidades. Bastaria um segundo de sua atenção. Você é a pessoa mais transparente que já conheci, Diana. Basta um sorriso ou um olhar para se dar conta do quanto você é incrível.

― Incrível?! – Ela riu, gargalhou, debochou e logo ficou séria de novo, ao perceber o quanto o olhar de Bruce era eloquente.

Estava sendo ridícula fazendo aquelas perguntas, ela admitiu. Admitiu também o quanto se expusera para o homem em sua frente. Embora odiasse que as pessoas sustentassem uma imagem de perfeição ao pensarem nela, não queria que Bruce guardasse a imagem de suas fraquezas, de seu desequilíbrio emocional em virtude das muitas decepções amorosas.

Era ruim conviver com um policial a seduzindo, mas seria pior ainda conviver com um policial que lhe tratasse com compaixão. Entretanto, ela estava prestes a descobrir que sabia muito pouco sobre Bruce, da mesma forma que ele acabara de se dar conta que quase nada sabia a respeito dela. Convicta que não restauraria as ilusões dele a seu respeito, achou por bem tratar de ruir com o restante de expectativas que talvez ele ainda pudesse nutrir. Entre a veneração e a piedade, ficaria com o desinteresse.

― Vamos lá, detetive. Tire essa máscara de profissionalismo. – Ela o provocou. ― Não sou muito mais que um rosto bonito e uma mulher honesta. Não sou incrível. O último homem com quem me envolvi me acusou de sequer ter sangue nas veias.

Bruce apenas arqueou uma sobrancelha, fazendo Diana pensar por algum segundo que suas últimas palavras surtiram algum efeito. Que não receberia dele um olhar piedoso e nem de exaltação. O que melhor para afastar um homem do que se revelar uma amante apática? Ela presumiu, equivocadamente, se surpreendendo quando ele voltou a se aproximar dela.

Seus corpos ficaram praticamente colados, os rostos a poucos centímetros um do outro, a onda de eletricidade foi tanta que até o vento soprando forte contra eles deixou de ser incômodo. Ela tentou encara-lo, tentou descobrir o que havia nos olhos escurecidos e ilegíveis, mas ao contrário do que sentiu há minutos atrás, quando ele a invadiu com o olhar e atraiu sua concentração, desta vez ele a desnorteou.

Alguém já a havia lhe olhado daquela forma? O detetive tinha habilidades hipnóticas? Foi o máximo de questionamentos conexos que ela conseguiu formar. Ela sentiu a ponta de seus dedos passearem pela maçã de seu rosto e descerem lentamente até a sua nuca. A precisão do toque dele era tanta, que ela quase poderia ter emitido um gemido.

― O que pensa que está fazendo? – Ela reagiu quando a mão livre a puxou pela cintura, colando seu corpo ao dele.

Bruce usou sua força, de maneira sedutora, para não deixa-la escapar. Roçou o nariz pela pouca pele exposta do pescoço envolto por um cachecol, sentindo o cheiro delicioso de rosas que ela exalava. Ele precisou ser forte para não beija-la imediatamente.

― Provando-lhe que corre muito sangue em suas veias, princesa. – Ele passeou a mão pelas costas dela e arrastou os dedos pelos cabelos. A apertou contra o seu corpo e colou seu rosto na bochecha dela, para sussurrar-lhe ao ouvido. ― Sinto seu coração bater forte. Sua bochecha queima, mesmo que nós estejamos numa temperatura baixíssima a céu aberto. Seu sangue está fluindo muito bem.

Aquela voz rouca, aquele abraço aconchegante, as mãos firmes a amparando. Diana estremeceu, ofegou, disparou. Por um instante não soube como agir, não quis reagir, mas quase suplicou que Bruce a beijasse. Quando ele a olhou de novo e parou seus lábios a centímetros dos dela, ela soube que ele não o faria. Ele estava provocando-a, torturando-a, mas, sobretudo, trazendo-a de volta a si, lembrando-lhe que ela tinha desejo e por que não atitude?

Ela esmurrou-lhe o ombro por ser tão bom em seduzir, mas não se fez de rogada. No mesmo instante o puxou para si e o beijou, rendeu-se ao que queria desde que pousou seus olhos nele em seu camarim e o fez com vontade.

Nos primeiros segundos quase se retraiu, por orgulho e repressão, mas ao notar que ele lhe era receptivo, relaxou, reclamando os lábios dele para si com sofreguidão. O desejo disparou por completo, sensações há muito esquecidas a dominaram e de repente ela acreditava estar sob uma tarde de sol numa ilha ao tropical, ao invés do rigoroso inverno da América.

Aquilo era paixão, ela lembrou-se. Era insensato, perigoso, mas muito bom. Ela se sentiu viva, se sentiu reivindicada, sentiu-se poderosa. Bruce a pressionou contra a lataria do carro e ela sentiu o quanto ele era forte, o quanto a excitava estar escondida em sua estrutura larga e alta. Ele tinha razão, ela tinha sangue nas veias, podia ouvi-lo trovejar ao percorrer seu corpo, enquanto seu coração bombeava em um ritmo alucinante.

Bruce estava surpreso com a avidez de Diana. As confissões dela não haviam baixado suas expectativas, mas a realidade estava muito acima do que ele sempre sonhara ao vê-la na TV ou em eventos sociais. Nada era comparável a sentir o corpo dela aconchegar-se no seu, a sentir seus suspiros, a saborear seus lábios.

Ela era avassaladora, crepitante. Ele sabia que brincara com fogo ao provoca-la, por ser um homem experiente julgara ser capaz de controlar aquelas chamas, mas agora se dava conta que fora amarrado no centro de uma fogueira inflamada. Ele queria tomar o domínio, mas o ataque dela era tão doce e intenso que ele se permitiu ser consumido primeiro.

Diana despejou toda sua fome ao entrelaçar sua língua a de Bruce, vibrou de satisfação ao senti-lo ofegar junto com ela e estremeceu quando ele gemeu entre seus lábios. Quando o frisson diminuiu, ela foi voltando a si, tentando afastar-se dos braços dele, mas ele a impediu.

Os dedos de Bruce se emaranharam nos cabelos negros dela e puxaram gentilmente sua cabeça para trás, obrigando-a a fita-lo nos olhos. Ele estudou as feições dela, sorrindo ao constatar que ela, de fato, sentira o mesmo que ele, ao ver os olhos azuis escurecidos de desejo e os lábios trêmulos.

― Agora é a minha vez. – Bruce a avisou, puxando-a de volta para si e assumindo ele o controle ao beija-la.

Diana tentou se agarrar a algum fio racional, mas o turbilhão de emoções a sufocou. Tempo, motivos, prós, contras, causas e consequências, tudo isso foi estilhaçado pela sensação de bem estar, pelo prazer e o querer, enquanto o beijo de Bruce a entorpecia. Sua reação foi abrir-se para ele, agarrar-se com força no seu corpo e exigir mais, muito mais.

E Bruce podia oferecer mais. Ele sabia que jamais cansaria de beija-la, de conduzir aquela valsa de línguas sincronizadas e de alimenta-la com seu sabor delicioso e viciante. Os lábios de Diana eram macios e quentes, sua boca um território convidativo e saboroso. O corpo dela vibrava contra o seu, explodia em reações assim como o dele.

Ele desabotoou o casaco dela, abrindo caminho para sua mão senti-la melhor ao invadir por debaixo da blusa que ela usa sob o agasalho. Sentir aquela pele acetinada e fervilhando o enlouqueceu. Ele mapeou o abdômen, a cintura, as costas, voltando até quase a altura dos seios, sentindo o desejo começar a tortura-lo.

Ele baixou os lábios para o queixo e seguiu uma trilha até o pescoço de Diana, em parte escondido pelo cachecol de seda. Ele a beijou, a fez gemer, mas respirou fundo, por ambos. Recriminou-se por estar indo rápido demais, não queria um momento com ela, no mínimo uma vida.

Baixando as duas mãos para a lateral do corpo de Diana, ele a segurou com firmeza e a olhou, enquanto ela abria os olhos e voltava a si.

Diana o encarou sem jeito e Bruce conteve a admiração por ver uma mulher experiente corar as bochechas após ser beijada apaixonadamente. Diana memorizou o gosto de Bruce que ainda sentia em sua boca e tirou as mãos dele de seu corpo, se apoiando no carro. Fazia tempo que não tinha rompantes, que não se permitia corromper, não sabia ao certo como se portar neste momento.

Bruce a poupou de ter que permanecer o confrontando e se apoiou no carro ao lado dela, ambos encarando a rua vazia, enquanto assimilavam tudo que sentiam. Ele queria prever quando experimentaria tudo aquilo de novo, já Diana tentava se convencer de que o acontecido não mudaria sua vida, que deveria voltar a manter sua postura hostil para que Bruce não ousasse se aproximar tanto dela outra vez.

― Isso foi uma estupidez. – Ela falou sem convicção.

― Isso foi maravilhoso. – Ele rebateu.

― Passamos dos limites. – Ela virou-se para olha-lo.

― Talvez, mas não estou nenhum pouco arrependido. – Ele foi honesto e ela se irritou quando ele abriu seu sorriso de lado. ― Se acha que isso será um entrave para os meus serviços, saiba que manterei a compostura – ele fez uma pausa ― por enquanto.

Diana bufou e desistiu de replicar, estava vulnerável demais para discutir. Apanhou a bolsa que estava caída no chão, fechou o casaco e virou-se em direção a entrada da casa. Depois de uma boa noite de sono pensaria em como lidar com seu detetive.

Ela deu três passos e Bruce a segurou pelo braço, fazendo-a se virar para ele.

― Nunca mais pense que um homem a vê apenas pela aparência e status, nem duvide do sangue que corre em suas veias. – Bruce sorriu e ela se esqueceu do que acabara de pensar sobre distância. ― Posso provar o contrário.

Ela desviou o olhar do dele, para não cair de novo em tentação e olhou rapidamente por sobre o ombro do detetive. A atitude era apenas uma evasiva, mas algo do outro lado da rua prendeu sua atenção.

Bruce viu Diana arregalar os olhos repentinamente e apertou-lhe o braço, trazendo a atenção dela para si.

― O que houve?

Ela tentou falar, mas sentiu as palavras sumirem por um instante, o pânico a dominou subitamente e ela precisou de um esforço hercúleo para conseguir se pronunciar.

― Há um homem, do outro lado da rua, olhando para cá.

Bruce seguiu discretamente o olhar dela e viu uma figura entre as sombras, atrás de um poste, os observando. Notando seu olhar, o homem saiu sorrateiramente em meio a névoa da madrugada.

― Afaste-se. – Ele ordenou, levando a mão no interior da jaqueta de couro e sacando sua arma. Diana tremeu. ― Entre e avise a Lance o que você viu, se eu não voltar em dez minutos, diga a ela que chame reforços.

― Pelo amor de Deus, Bruce. Você não pode. – Ela suplicou com o olhar, mas só viu o detetive em sua frente, o dever, a honra, a missão. ― Tenha cuidado. – Ela conseguiu sussurrar, quando o viu sair e sumir pela rua, perseguindo o homem que os espiava.

Notas finais
*Sei que estamos acostumados com uma Diana perfeita e um Bruce cheio de questões, mas resolvi arriscar, já que estamos num universo alternativo, e trazer questões para ambas as partes que não são comumente abordadas nas fanfics da categoria. Espero que me deem um voto de confiança. Aos poucos saberemos mais sobre o passado de Diana, seus traumas e frustrações, e também que Bruce não é tão perfeito. O que posso garantir é que essa mistura ainda dará bons resultados. Kisses❣