Baby Avengers - Os Bebês Vingadores
15 Capítulo 15: Primeiros Sinais
Notas iniciais
15 dias para o soro ficar pronto (continuação)
Então, finalmente deixamos o luxo do apartamento da Torre Stark e saímos às ruas de Nova Iorque. Uma espairecida de vez em quando não mata ninguém, certo? Jane disse que era melhor eu cobrir minhas marcas com alguma coisa, pois, mesmo que achassem que eram apenas tatuagens maneiras ou adivinhassem minha obsessão por Instrumentos Mortais, era melhor não arriscar. Por baixo da minha regata preta vesti uma segunda pele de mesma cor — assim pensariam que os desenhos eram parte do tecido — e pus uma coleira de spikes no pescoço, para tirar a atenção da marca de Bloqueio em forma de Z.
– Ah! Finalmente, a liberdade! — disse espreguiçando-me, enquanto andávamos por uma rua a algumas quadras de distância da Torre.
– Não sei como eu não tive um treco enfornada lá dentro! Sei sou um pouco caseira demais, mas eu bem que merecia um descanso desses bebês.
– Cuidar de bebês não é tão interessante assim. Prefiro ler e ver filmes online.
– Isso é caseiro de qualquer jeito! — reclamou Jane.
– Mas o meu caseiro é mais legal do que o seu caseiro — rebati, e nós duas gargalhamos.
Era bom estar com Jane, não precisando me preocupar com as tarefas do apartamento e ter um tempo só para nós mesmas. Fazer coisas de garota sempre é bom para distrair quando se é uma.
Bom, nem tudo quanto é coisa de garota…
Jane parou de andar e pôs-se a observar uma vitrine de uma loja de roupas por onde passávamos. Isso era o tipo de coisa que eu odiava fazer.
– Ah, não me venha dizer que você vai mesmo olhar essas coisas? — reclamei, suspirando impacientemente.
– Deixa disso, Anne! Estamos aproveitando o tempo livre, então vamos fazer coisas juntas — ela olhou a vitrine por mais alguns instantes e apontou para um manequim no cato extremo esquerdo — Ei, o que acha daquele vestido?
Analisei bem a peça: um vestido social vermelho com nenhum outro detalhe a não ser duas linhas frontais que seguiam a silhueta quase reta do boneco. A situação com os demais da vitrine não era diferente — o esquema de cores sem graça da estação que são repostas todos os anos… Tudo para consumo massivo.
– Legalzinho... — disse, sem sal nem açúcar nas palavras. — Mas quem se importaria em admirar uma roupa tão comum que pode ser encontrada em tudo quanto é loja? Original ou sendo imitada, não chega a ser tão interessante assim.
Devo ter exagerado um pouco no tom de voz convicto, pois Jane pareceu ter ficado desanimada com a minha opiinião à respeito da roupa.
– Jane, eu… Não era minha intenção… — gaguejei, tentando me justificar e apaziguar a situação.
Ela, acabando com minhas expectativas de que estivesse magoada, deu um sorrisinho e disse:
– Foi só uma tentativa de fazer um programa de amigas… — e, dando as costas para a vitrine e olhando-me da cabeça aos pés, acrescentou: — Mas, pelo visto, não daria certo de qualquer jeito. Você tem cabeça pra coisas bem mais interessantes — e olhou de relance para o vestido, fingindo uma careta engraçada de nojo.
Me aliviei com aquilo. Jamais me perdoaria se qualquer pessoa próxima de mim se sentisse ofendida ou ficasse magoada com algo que eu disse. Às vezes as pessoas não gostam muito de ouvir minhas opiniões porque dizem que não são algo de se esperar de uma pessoa da minha idade hoje em dia, e por isso são poucos aqueles que me intendem de verdade — novamente, tio Stark e Mad.
– Ei, minha roupa não tem nada aver com isso, ela é inocente! — brinquei, defendendo-me do seu olhar — Tudo o que sou vem do meu sub jectum.
– E é desse seu sub jectum que eu gosto — riu ela. — Então, aonde quer ir?
Nem pensei duas vezes e peguei seu punho, levando-a junto comigo.
– Vamos dar uma volta e ver o que fazer.
***
Não demorou muito até nos divertirmos por aí. Passamos por uma loja de CD’s, uma livraria — onde Jane cronometrou meu tempo de estadia, garantindo que eu não resolvesse comprar a loja toda — , andamos à toa pelas ruas e agora, já ao fim de tarde, decidimos fazer um lanche no ponto mais conhecido e disputado pelos novaiorquinos: a Starbucks.
A casa não estava muito cheia, porém parecia que todas as mesas estavam ocupadas. Jane e eu aguardávamos nossa vez na fila não muito comprida do caixa, com algumas comprinhas que fizemos no meio do caminho.
– Já decidiu o que quer? — perguntou Jane, olhando para o painel com o menu que ficava na parede acima das cabeças dos atendentes.
– Pega um frappuccino e um muffin de parmesão pra mim — disse. Dei uma olhada pelo espaço todo do café até conseguir avistar uma mesa num cantinho afastado com sofá. — Achei um lugar ali no fundo! Tudo bem se você ficar aqui esperando?
– Não, não. Vai lá se não a gente perde!
Deixei-a na fila e fui em direção ao cantinho com sofá que havia avistado, levando comigo as duas sacolas de compras. Não compramos nada demais, mas, por um momento, senti que uma delas havia ficado ligeiramente mais pesada do que antes…
~POV de Loki
Finalmente consegui sair daquele apartamento! Com a réplica que deixei em meu lugar, ninguém desconfiou quando passei a seguir Anne e Jane por este lugar chamado Nova Iorque — afinal, eu não conhecia nada por aqui, portanto precisei de alguma orientação. Pude respirar um pouco de ar sem precisar compartilhá-lo com Thor e os outros.
Segui-as até um lugar aconchegante, cheio de Midgardianos e de onde exalava um cheiro agradável de alguma bebida quente deste planeta. Não parecia muito cheio à princípio, mas, ao avistar Anne com Jane numa fila que ali se formava, fui sorrateiramente para junto delas. Quando Anne começou a se afastar e vendo que ela carregava duas sacolas, apressei-me e me escondi dentro da maior delas.
Eu cabia perfeitamente dentro dela, a não ser pelo fato de que parte da minha cabeça ficava ainda para fora — o que não era muito, então não importava tanto. Uma espécie de retângulo não muito grosso embrulhado em papel brilhante obrigava-me a ficar numa posição um tanto desconfortável. O que seria aquilo, outro livro para ela?
Não muito depois, senti o balançar da sacola cessar e ela ser aterriçada numa superfície reta, porém um tanto macia. Com cuidado olhei por fora da sacola e identifiquei que estávamos agora num sofá ao lado de uma mesa baixa, num canto pouco iluminado do local. Havia algumas outras pessoas ao redor, então imediatamente voltei para dentro do meu esconderijo, fazendo um pouco de barulho ao roçar o braço no embrulho ao meu lado.
***
Pensei ter ouvido um barulho de embrulho ao meu lado direito, mas talvez fosse o menininho do casal da mesa ao lado brincando com uma sacola de papel.
Pouco depois de eu ter guardado nosso lugar na mesa que havia avistado, Jane já vinha ao meu encontro segurando dois frappucinos venti e duas sacolas de papel com pequenas manchas de gordura.
– Tinha uns três atendentes lá no balcão, foi muito rápido! — exclamou Jane, sentando-se ao meu lado esquerdo no sofá.
– Imagina se tivesse mais? — disse, pegando meu frappuccino e tirando o muffin quentinho de dentro da sacola de papel.
Seguimos tirando conversa à fora enquanto comíamos, embaladas pelo clima aconchegante da área pouco iluminada junto às músicas indie que tocavam ao fundo como som ambiente e o cheiro gostoso de café fresco. Depois de um certo tempo, notei que, por alguma razão, um menininho de uns cinco ou seis anos de idade que estava na mesa ao lado junto com os pais não parava de olhar a sacola ao meu lado — que não tinha nada mais do que uns DVD's que comprei para Darcy.
O que será que ele estaria cheretando nela?
~POV de Loki
Tinha a estranha sensação de estar sendo observado por alguém do lado de fora. Na rápida olhada que havia dado para saber onde Anne se sentara, percebi que numa mesa ao lado tinha um casal ocupados com xícaras fumegantes de alguma bebida quente servida neste local junto a uma criança — um tanto hiperativa, por sinal.
Será que aquele pirralho tinha notado a minha presença? Espero que esteja apenas olhando para as marcas da Anne…
O embrulho brilhante ao meu lado empedia-me de mudar para uma posição mais confortável do que a em que eu estava. De repente, senti como se algo tivesse esbarrado nas minhas costas — provavelmente o braço de Anne — , me empurrando com tudo para frente, e cai de broços no acolchoado do sofá.
– Mamãe, olha! — exclamou o pirralho.
Leves sons de espanto levantaram-se ao meu redor. O casal que estava junto ao garoto parecia não acreditar que um bebê acabara de sair de uma sacola — mas que ridículos eles pareciam.
– Loki?! O que está fazendo aqui? — ouvi a voz de Anne exclamar atrás de mim.
Virei-me de imediato e a vi, seu rosto uma mistura de espanto e confusão, e os olhos lilases brilhantes em meio a quase penumbra da iluminação fraca do local. Jane não estava muito diferente.
Um sentimento estranho começou a tomar conta de mim. Não sei se era aquela espécie de pressão sentida quando se faz algo errado ou então a impressão de que eu não deveria estar ali, mas o frio na minha barriga só queria dizer uma coisa:
Eu precisava sair dali.
Nem pensei duas vezes e pulei do sofá, partindo em direção à saída. Não me importava com as caras de espanto das pessoas por quem eu ziguezagueava entre as pernas, só pensava em alcançar a saída.
Cumprindo esse objetivo, saí para o ar quase noturno do fim de tarde. Podia ouvir Anne gritar o meu nome, provavelmente me perseguindo — não sei por que motivo — , mas continuei correndo. Disparei pela rua e, dessa vez, sua voz me fez parar.
– Loki, cuidado!
Ao olhar para o lado, luzes altas de um veículo enorme me cegavam. Ele estava a poucos metros de mim e aproximava-se com rapidez de onde eu estava.
Só senti um corpo se chocando contra mim vindo da direção de onde eu fugira, fazendo com que fossemos lançados para a outra calçada e rolássemos.
***
Meu cotovelo ainda doía depois de eu ter salvo o idiota do Loki de um quase atropelamento por um ônibus. O que diabos ele estava fazendo perseguindo a gente? E pra quê fugir daquele jeito? Meu coração quase saiu pela boca ao ver o veículo vindo na direção dele, o desespero que senti na hora eu nunca antes havia sentido… Mas por quê?
Assim que este episódio acabou, a primeira coisa que fiz ao chegar à Torre Stark foi me trancar no meu quarto, apagando todas as luzes, exceto as luzinhas de Natal que enfeitavam as paredes verde-limão. Joguei-me na cama de barriga para cima e pus-me a ponderar sobre o meu estado.
Por que eu me importara tanto em salvar a vida dele, sendo ele o vilão da história? Não valeria a pena eu tê-lo deixado à mercê daquele acidente e seguido minha vida cuidando dos demais Vingadores? Era difícil entender o motivo da minha atitude…
Sai de meus devaneios com batidas fracas na porta. Perguntei quem era — mesmo querendo me isolar de qualquer um que ousasse fazer contato comigo — e só aí notei que eu não havia fechado a porta ao entrar. E quem estava lá, timidamente etreabrindo-a?
– Ai, o que você quer? — perguntei, impaciente, sem me dar o trabalho de levantar da cama. — Se quer saber como estou, estou chateada. E com você!
Loki me olhava com uma expressão confusa.
– Eu fiquei imensamente preocupada com o que poderia ter acontecido com você, OK? Não pense que eu te tirei da frente daquele ônibus por querer bancar a super heroína, não. — Fiz uma pequena pausa, digerindo tudo o que acabara de expressar em voz alta. — Não pensei que sairia correndo daquele jeito…
– M-Me desculpe.
Tive um estalo com a voz de criança que acabara de ouvir. Levantando-me de supetão, encarei-o embasbacada.
– V-Você falou algo?
– Me desculpe por tê-la preocupado — disse ele, baixando os olhos e levemente enrubescendo. Notei uma luzinha piscando em seu peito.
Para um vilão, esse tipo de atitude nunca é esperada. Pensamos que eles são frios, perversos e coisa do tipo, mas… Loki foi realmente capaz de mostrar esse outro lado, quebrando o estereótipo?
E o quê o fez fazer isso?
~POV de Loki
– Tony, dá pra consertar isso? Estamos com voz de criança! — disse a pequena Viúva Negra, quando voltei para a sala.
– É apenas prorovisório, vamos jogá-los fora quando voltarmos ao normal — garantiu Stark, arrumando seu dispositivo na camiseta estranha que usava.
Acabamos de receber uma espécie de “microfone” que traduzia tudo o que dizíamos — ou melhor, balbuciávamos — para que os outros pudessem nos compreender. O único problema era essa voz infantil que adquiríamos ao falar, totalmente constrangedora…
Erik, Jane e Darcy estavam impressionados com a engenhosidade do aparelho e enchiam os seus criadores — Stark e Banner — de perguntas. Eu não prestava muita atenção, apenas sentei num canto qualquer e pus-me a absorver tudo o que ocorrera nas últimas duas horas, entender o que se passava dentro de mim.
– Está tudo bem, irmão? — ouvi Thor perguntar, com sua voz pueril.
– Não é da sua conta — respondi, curto e grosso.
– Vi como Lady Anne foi às pressas para seus aposentos e como você decidiu vê-la. Houve algo errado enquanto estavam fora?
Thor, assim como os demais, já havia descoberto minha réplica, e, como sempre, queria saber o que se passava comigo. Para ser sincero, nem eu mesmo sabia.
Dei um suspiro e amenizei os fatos para Thor:
– Creio que houve um mal entendido entre nós dois. Mas tudo está resolvido.
– Que bom, irmão — sorriu ele, dando tapinhas nas minhas costas.
Mas eu sabia que nada havia voltado a ser como antes, não por enquanto.
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