Babel Online

3 Capítulo 2 - As surpresas da Vila de Miosol!


Saí da minha guilda enquanto Enma conduzia a reunião pra decidir o que cada um iria fazer agora, como decidi por mim mesma meu destino e irei sozinha, não preciso ficar para ouvir nada.

Eu até me dei o trabalho de fazer uma certa cena legal na hora de ir embora, mas...

(... Eu esqueci de verificar meu baú no meu quarto... Voltar agora seria muito vergonhoso!)

Sim, uma grande falha da minha parte.

Mas tudo bem, não é como se fosse precisar de algo, por enquanto.

Em todo caso... Miosol, huh? Ir para lá a pé daqui será complicado, talvez seja melhor eu usar a [Capsula de Teletransporte] em uma das grandes cidades.

A [Capsula de Teletransporte] é um objeto especial que existe em todas as 5 grandes cidades do Continente de Auffallend: Dimel, Florya, Maezhu, Jieru e Kabari. Sua funcionalidade é simples, ao usá-la, você pode se teletransportar para qualquer cidade ou vila de Auffallend, ou seja, chegando em uma dessas cidades eu posso me teletransportar diretamente para Miosol.

É óbvio que, como só existe nas 5 grandes cidades, se você se teletransportar para algum outro lugar, não poderá voltar usando teletransporte.

Ir a pé, até onde me lembro, precisaria ir daqui até Dimel, o que são uns 3 mapas, de Dimel eu precisaria ir até Maezhu, passando por mais uns 4 mapas, e de Maezhu eu iria para Miosol, que fica próximo dali. Maezhu é a primeira grande cidade que você tem contato no jogo.

Quer saber, vou aproveitar esse mundo e ir a pé, usando o [Passo de Vento] provavelmente conseguirei cruzar grandes distâncias em pouco tempo.

“[Passo de Vento]!”

Ativando minha técnica, comecei a deslizar pelo chão como se estivesse esquiando no gelo, meus pés estavam poucos centímetros acima do chão, carregados pelo vento, nessa velocidade eu provavelmente conseguiria acompanhar até a moto mais rápida do mundo!

Rasgando a neve no caminho, passei em alta velocidade pela área, pulando por pedras, desviando de árvores mortas e deixando monstros confusos, talvez por não conseguir me acompanhar direito.

(Hahaha, isso é divertido, muito divertido! Porque diabos alguém iria querer voltar para aquele mundo de merda?! Viver aqui é muito mais incrível!)

Não consegui conter o sorriso no meu rosto, embora ache que tem boas chances de eu estar parecendo mais uma psicopata do que uma criança feliz. Mesmo assim, abri meus braços e aceitei o vento atingindo meu corpo enquanto via o cenário mudar para um campo aberto, ou mais precisamente, um grande lago congelado.

Se continuar nesse ritmo, chegarei em Miosol ainda hoje!

Continuei minha jornada com toda a vontade do mundo.

“Aaaah~ Estou morta.”

Mas a jornada foi forçada a parar.

Estou atualmente na [Floresta das Bestas Tronco], é um lugar próximo a Maezhu onde todos os monstros são animais feitos de tronco de árvore. Por estarem em uma floresta, eles se misturam e fazem ataques surpresas.

Eu não esperava por isso, após algum tempo usando meu [Passo de Vento] comecei a me sentir cansada, e quando cheguei aqui já não conseguia me mover direito. Agora estou deitada na grama debaixo da sombra de uma árvore.

Porque isso aconteceu? Minha mana está ligada a minha energia física? Seria a explicação mais lógica... Mas ainda um pé no saco. Terei que tomar cuidado com o consumo de mana daqui pra frente, embora nas regiões próximas a Maezhu não exista monstros capazes sequer de me ferir, então estarei em segurança enquanto estiver por aqui ou em Miosol, que é de um nível mais baixo ainda.

(Uh... Acho que dormirei um pouco...)

“[Escudo de Absorção].”

Ativando um buff especial para evitar complicações, senti meus olhos ficando bem pesados, provavelmente por ter gastado mais mana usando outro buff, minha consciência rapidamente foi se apagando, sem eu conseguir controla-la.

Ao menos poderei dormir em paz, o [Escudo de Absorção] absorve qualquer dano contra mim e é virtualmente indestrutível até certo ponto... Para explicar melhor, se o dano sofrido não for maior que um certo valor, o [Escudo de Absorção] negará qualquer ataque, não é um buff muito bom para se usar contra monstros chefes ou em duelos contra outros players, mas é bem útil para evitar danos de monstros de mapa, ainda mais de monstros do nível das criaturas que aparecem por aqui.

Eu já não via mais nada, apenas a escuridão, logo minha linha de raciocínio se perdeu também.

“Hahahaha, olhem para ela, essa garota é ridícula hahaha!”

“Não é? Não sei porque ela aparece por aqui ainda hahaha.”

Realmente. Porque eu ainda venho para essa escola? Tudo que eu consigo aqui é humilhação.

Essas pessoas repugnantes que acham que não estão fazendo nada de errado, se bobear acham que eu mereço passar por isso.

E tudo que eu posso fazer é aceitar, afinal, não só garotos são mais fortes que eu, como eles estão em maior número...

... Me pergunto se eu mereço passar por isso por pensar assim?

Vergonhoso.

Uma sensação muito desagradável, porém muito familiar, atingiu meu peito enquanto eu acordava e abria os olhos. Felizmente, o que me recebeu foi um mundo de fantasia... E um tigre feito de madeira tentando quebrar meu [Escudo de Absorção].

(... Esse sonho de novo, normalmente o certo seria ter sonhos diferentes, e não flashbacks...)

O sol estava bem mais fraco agora, quanto tempo será que eu dormi? Levantei a parte superior do meu corpo e fiquei sentada olhando o horizonte.

Enquanto olhava para o nada, apontei uma das mãos para o [Tigre Tronco] e usei minha [Espada de Fogo], uma magia que cria uma espada de um elemento específico e atira no inimigo, apesar do dano não ser tão alto, ela tem efeito perfurante, ignorando parcialmente a defesa. O [Tigre Tronco] explodiu ao ser atravessado.

(Já gastei tempo demais... É melhor eu ir para Miosol de uma vez.)

Me levantando, ativei novamente meu [Passo de Vento] e me dirigi para Maezhu.

Não levou muito tempo para eu chegar lá, e ainda estou me sentindo muito bem, então não fazia muito sentido usar a [Capsula de Teletransporte] já que Miosol é tão próxima daqui.

Minha viagem ‘a pé’ continuou por mais alguns minutos até que eu avistei a Vila de Miosol e cancelei meu [Passo de Vento]. A partir daqui eu posso ir andando normalmente.

Conforme fui me aproximando, um senso de nostalgia atingiu meu corpo, aquela ideia de “Está exatamente como era antigamente” veio a minha cabeça por alguma razão.

Bem, eu realmente não vim mais aqui desde que comecei a jogar dois meses e meio atrás.

A Vila de Miosol é uma vila relativamente pequena, talvez até mediana... Hmm, ela parece maior do que era no jogo, mas ainda assim se usássemos o mundo real como base, seria uma vila relativamente pequena sim.

Em todo caso, parece que finalmente cheguei a minha terra natal.

Consigo ver alguns aldeões pelo vilarejo, algo que não existia no jogo. Acho que faz sentido, seria estranho não ter outros moradores aqui e só NPCs relevantes existirem.

“A-Aika?”

“Oh, Aika-chan, há quanto tempo!”

Alguns aldeões me viram e vieram falar comigo... O que diabos?

Confusa e sem saber o que fazer, acenei para eles meio sem jeito, não esperava por isso.

Uma pequena rodinha de aldeões se formou ao meu redor. Eles me tratam realmente como alguém importante, embora eu não conheça nenhum deles. Mas tentei levar a conversa da maneira que pude—

“Aika-san! Aika-san!!”

Quando menos esperava, alguém atravessou a barreira de aldeões e se jogou em cima de mim, me abraçando. Seu corpo leve não foi o bastante para tirar meu equilíbrio, então eu apenas a segurei. Essa é...

“Lisa!”

Sim, Lisa, a elfa que aparece logo de início no jogo.

Eu tinha me esquecido dela por um momento.

“Estou feliz em te ver! Não sabia que você estava voltando.”

Após uma ‘reunião tocante’... Ou algo do tipo, ela se separou de mim.

“Bem, é. Surgiu algumas coisas.”

“Eh? Você já sabe?!”

“Huh? Sei do que?”

A conversa tomou um rumo estranho, parece que algo estava acontecendo por aqui também, o que é mais estranho ainda.

“Aika.”

“Chefe Gustav!”

Chefe Gustav é o chefe da vila, pai adotivo da Lisa, é ele que dá a maioria das missões importantes da primeira parte da história do jogo.

“É bom vê-la por aqui novamente.”

O Chefe Gustav colocou uma mão na minha cabeça, ele parecia realmente feliz em me ver. Esses NPCs... Não, essas pessoas... Elas são reais, tão reais quanto eu. Eu preciso tomar cuidado em como agirei em relação as pessoas desse mundo.

“Sim.”

“Infelizmente não podemos fazer uma festa de boas vindas por enquanto... Venha comigo.”

Algo definitivamente está acontecendo, preciso saber o que é, talvez esteja relacionado aos jogadores presos nesse mundo.

O Chefe Gustav levou Lisa e eu para sua casa, eu estava no seu escritório, sentada em um sofá, Lisa estava sentada do meu lado. O Chefe Gustav estava sentado na mesa dele, seu olhar era de preocupação.

“Aika... Nós precisamos da sua ajuda... Do seu poder. Me dói ter que te colocar em perigo, mas não temos mais escolhas...”

“O que aconteceu, Chefe Gustav?”

“Pouco tempo atrás, um oráculo andarilho passou por essa vila, afirmando que uma horda de monstros passaria por aqui e consequentemente destruiriam nossa vila.”

Ei ei. Isso é exatamente igual a como a história começa!

“Eu comecei a treinar os aldeões para podermos nos proteger, mas definitivamente não conseguiremos sem você, Aika.”

Eu nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer, é como se a história estivesse se repetindo, ou melhor, como se ela só estivesse acontecendo agora, já que do jeito que ele fala não parece que isso aconteceu antes... Mas.

“Eu entendo, Chefe Gustav, deixe comigo.”

Com a expressão mais séria que eu poderia fazer, respondi o pedido dele.

“Aika-san! Você tem certeza?”

“Uhm. Essa é minha terra natal, afinal de contas. Não vou deixar alguns monstros quaisquer destruírem minha terra natal.”

Lisa parecia bem feliz com minha resposta, Chefe Gustav também estava satisfeito.

Não é grandes coisas. Se bem me lembro dessa missão, diversos orcs e um ogro atacam a vila, mesmo no início do jogo, com a ajuda dos aldeões e da Lisa, eu consegui passar da missão, no meu nível atual uma [Chuva de Meteoros] terminará a invasão.

“Então, sabe quando a invasão acontecerá?”

“Provavelmente daqui há poucos dias. Usaremos esse tempo para aperfeiçoar nossas técnicas o máximo possível, não deixaremos você lutar sozinha, Aika.”

“Não se preocupe Chefe Gustav, eu fiquei muito mais poderosa, conseguirei dar conta disso sem problemas.”

Ambos o Chefe Gustav e a Lisa ficaram perplexos com minha afirmação ousada, não os culpo, eles não tem a noção da diferença de nível de poder.

“Não diga bobagens, Aika—“

“Chefe Gustav.”

Levantei uma das mãos para impedi-lo de continuar.

“Observem de longe enquanto eu luto, se algo der errado, vocês me ajudam, ok?”

Usei a opção mais sensata nessa situação, pois assim posso deixa-lo mais tranquilo sem ter que envolve-los na luta. Não sei como esse mundo funciona ainda, mas não quero ver pessoas morrendo.

“Entendido.”

“Aika-san, você vai ficar bem?”

Apesar da aceitação do Chefe Gustav, Lisa ainda parecia um pouco preocupada comigo.

“Mas é claro, quem você acha que eu sou?”

“Haha...”

Ela deu uma risada forçada, tche, é porque você não sabe do que sou capaz ainda, garota.

“Vocês sempre se deram muito bem, não e mesmo?”

“Ah...”

O comentário do Chefe Gustav era algo curioso, mas me pergunto o porque da Lisa estar com o rosto vermelho de orelha a orelha?

Em todo caso, eles parecem ter memórias de mim que eu desconheço.

“Bem, você pode ir agora, Aika, aproveite o seu retorno enquanto é possível. E obrigado por tudo.”

“Sim.”

Me levantei e me dirigi até a porta, quando abri ela, me virei e dei um leve tchau com a mão para os dois, que responderam de volta, e me retirei.

Muito bem, o que fazer agora?

Acho que irei dar uma volta na vila.

Após sair da casa do líder da vila, vaguei por aí sem rumo, os aldeões sempre me cumprimentavam, e eu cumprimentava de volta por educação. Até que eu cheguei em frente a uma casa que me passava uma forte sensação de nostalgia, não é como se fosse algo que existisse nas minhas memórias—

Huh?

Subitamente, alguns flashes passaram pela minha mente, imagens... Imagens do que?

(Hmm... Minha cabeça...)

Coloquei a mão na minha cabeça por ter ficado um pouco tonta.

Sem pensar muito, decidi entrar na casa. Para minha surpresa, a porta estava aberta... Não é como se tivesse fechadura nela de qualquer forma.

(Ooh... Parece ser uma casa abandonada.)

Ondas de poeira subiram no meu rosto ao abrir a porta, estava bem escuro dentro.

Perto da entrada tinha uma mesinha com um lampião, usando magia de fogo, acendi o lampião sem problemas.

(Essa casa... Essa casa é minha...)

O porquê desses pensamentos terem passado pela minha cabeça eu não sei explicar, mas foi definitivamente essa sensação que eu senti, a sensação de ter entrado na minha casa após muitos anos.

A casa era bem pequena, uma sala e uma cozinha que ficavam juntas, um quarto e um pequeno banheiro, era do tamanho de um quarto de hotel comum. De móveis tinha uma mesa com algumas cadeiras na sala, um fogão a lenha na cozinha, uma cama e uma mesinha com uma cadeira no quarto, e no banheiro um vaso sanitário e um... barril? Era onde supostamente eu tomaria banho?

Considerando a casa, só seria possível morar uma única pessoa aqui.

(Essas sensações estranhas não param... Talvez seja melhor descansar um pouco.)

Pensando comigo mesma, decidi me deitar por um tempo.

Foram apenas 2 horas depois que acordei e saí de casa... Saí daquela casa. Embora ainda estivesse de tarde, a vila parecia menos movimentada...

(Hm? Esses sons...)

Seguindo alguns barulhos que ouvia próximo dali, em uma área mais aberta, encontrei vários dos aldeões no mesmo lugar.

(Isso é...!)

Eles estavam treinando.

Sendo guiados pelo Chefe Gustav, vários aldeões praticavam suas técnicas com suas respectivas armas. Hah... Ver essa cena me faz sentir que o Chefe Gustav não confia em nada na minha vitória...

Eu não os culpo por isso, já que minha perspectiva é totalmente diferente da deles.

Oh, aquela é a Lisa.

Lisa estava praticando com uma espada de madeira.

(Apesar das expectativas, ela sempre preferiu lutar com espada ao invés de arco e flecha.)

Mas é uma visão curiosa, uma elfa espadachim.

(Espere... Eu disse ‘sempre’?...)

Mais flashes passaram pela minha cabeça... É como se memórias que eu desconheço entrassem na minha cabeça forçadamente.

“...ka-san.”

Definitivamente não é a primeira vez que vejo a Lisa praticando com espada, é o que minha mente me diz.

“Aika-san!”

“Ueh?!”

Quando me dei conta, notei que o rosto da Lisa estava bem próximo ao meu, ela estava fazendo uma expressão descontente.

“Mou, não me ignore!”

“Haha... Desculpe, acabei me distraindo.”

Forçando uma risada, dei a primeira desculpa que me veio à mente.

“Então, o que acha?”

“Hmm?”

“Da espada!”

Ao ouvir o comentário dela e olhar para a sua mão, percebi que além da espada de madeira, ela estava segurando outra espada na outra mão. A espada estava embainhada.

“Heh... Deixa eu ver.”

“É uma espada que meu pai me deu!”

Peguei a espada dela e a desembainhei. Oh.

(Essa não é uma espada de nível 30?)

A propósito, o sistema do jogo permite os jogadores usarem armas ou equipamentos de qualquer nível, independente do seu nível. Um jogador nível 50 poderia usar uma arma de nível 80 sem problemas, por exemplo. Isso alavancava muito o comércio no jogo, já que vários jogadores de alto nível vendiam armas relativamente comuns pro nível deles para jogadores mais fracos, ao mesmo tempo em que também facilitava a dificuldade do jogo, também era por isso que os itens que você podia comprar com dinheiro real não eram tão poderosos quanto alguns itens que você podia conseguir no próprio jogo.

A ideia original era criar uma importância extra para o nível do jogador, e tornar menos relevante os itens que ela usava, por isso existem diversas coisas que você consegue subindo de nível, alguém com equipamentos raros poderia não ter nenhuma chance contra alguém de nível alto.

(Bem, apesar de ser uma espada de nível baixo, ela ainda é bem acima do nível dos orcs, ou mesmo do chefe dessa missão.)

“É uma bela espada, você devia preservá-la, já que é um presente do seu pai.”

Devolvi a espada enquanto comentava.

“Está tudo bem, ele disse para eu usá-la sem medo, e trocá-la quando conseguir uma melhor. Se eu quiser me tornar alguém forte como você, Aika-san, terei que abandoná-la assim que possível. Mas ainda é um presente muito importante que representa minha independência.”

“Independência?”

Cruzei os braços e virei um pouco o rosto, confusa com o que essa garota quis dizer.

“Sim, eu pretendo ir em uma jornada para ficar mais forte e procurar saber mais sobre meus pais... E minhas origens.”

Entendo... Lisa é uma garota órfã que foi encontrada pelo Chefe Gustav e adotada. Ela não sabia de onde veio, nem quem são seus pais, ela não tem memórias de nenhum momento antes de encontrar o Chefe Gustav. Segundo ela, tudo que ela se lembra é de estar andando sem rumo, com fome e com sede, sem forças para continuar, mas ainda andando, até que alguém (Chefe Gustav) a encontrou.

“Faça isso, tenho certeza que se for você, Lisa, tudo ficará bem.”

Fiz um comentário descompromissado, sem demonstrar muita emoção. Uh, desde quando eu desenvolvi esse tipo de personalidade para fazer esse tipo de comentário?

“Obrigada, Aika-san! Então, voltarei para o treino agora, até mais!”

Após agradecer, a Lisa acenou para mim e voltou a treinar.

Uhm. Tanto faz.

Minha estadia na Vila de Miosol continua pacífica como sempre.

Hoje era o segundo dia desde que cheguei aqui. No momento eu estava deitada no gramado na saída da vila com as mãos atrás da cabeça servindo como travesseiro.

Fechei os olhos e passei apenas a aproveitar a brisa.

(Uma vida como essa é perfeita. Se eu pudesse, viveria assim para sempre.)

Minha mente refletiu sobre como minha vida era antes, e como eu nunca conseguiria esse tempo de relaxamento que eu tenho agora.

(Mas... Já passou um dia, huh? Parece que realmente estou presa no mundo de Babel.)

Enquanto eu pensava sobre as coisas—

“Ei, Aika-san! Você não deveria ficar dormindo em uma hora dessas!”

Um choque passou pela minha mente. Eu abri os olhos rapidamente ao ouvir aquela voz, e aquela frase.

(Essas palavras... Igual ao jogo...)

Lisa estava em pé próxima de mim, fazendo sombra no meu corpo.

Em todo caso... Me levantei parcialmente, ficando sentada na grama.

“Eu não estava dormindo, apenas relaxando.”

“Mhmm, você vai começar a mentir para mim agora, Aika-san?”

“Como eu disse, eu não—?!!”

Antes que eu pudesse terminar de falar, uma sensação ameaçadora atravessou meu corpo inteiro.

Essa presença sinistra...

“Aika-san?”

Me levantei rapidamente.

“Lisa, volte pra vila e avise a todos... Eles estão vindo.”

“!”

Não era necessária mais nenhuma palavra, Lisa entendeu o que eu quis dizer. Sim, a invasão está para acontecer.

De alguma forma eu consigo sentir essa força hostil de longe, talvez seja por ser um grande grupo de monstros.

“Aika-san, o que você...”

“Não é óbvio? Eu irei até eles. Esperar eles chegarem só colocará a vila em risco.”

“Não é perigoso demais?! Se você ir até eles você... Vai estar sozinha...”

Uma leve ventania nos atingiu, balançando meus cabelos contra minha vontade enquanto ofuscava um pouco a voz da Lisa. Ela estava olhando para baixo com um olhar triste.

“Se é só esse tanto de confiança que você tem em mim, então não tenho mais nada a dizer.”

Deixando essas palavras, me virei e comecei a caminhar em direção à sensação hostil.

Para ser bem sincera, eu poderia ativar meu [Passo de Vento] e partir em alta velocidade, mas—

“Aika-san!”

Eu senti que precisava fazer algo por essa garota, seja lá por qual motivo.

“Nós vamos estar protegendo suas costas, então dê o seu melhor!”

Sem olhar para trás, finalmente ativei o [Passo de Vento] e avancei em direção a hostilidade.

(Hah... O que diabos eu estou fazendo? Isso não é minha cara...)

Em alguns segundos já devo conseguir ver os monstros se mobilizando.

(Muito bem, vejamos... Terminarei isso em um instante.)

Ou ao menos era o que eu queria acreditar, até finalmente avistar meus alvos.

Centenas e centenas de monstros marchavam na direção da vila, com um monstro gigantesco atrás deles caminhando como o grande líder deles.

Essa região era estranhamente seca, sem mato nem árvores, apenas terra para todos os lados, o tempo fechado deixava a atmosfera perfeita para um momento mais sombrio. Mas...

(Isso está errado...!)

Na minha frente, centenas de lobos robóticos caminhavam sem pressa. E atrás deles, um gigantesco lobo robótico imperava sobre tudo. Seus olhos eram completamente negros, todo seu corpo era coberto por grandes riscos negros, enquanto o resto do seu corpo era metálico, azul escuro. Seu tamanho era tão grande que não seria exagero compará-lo com uma grande mansão.

(Por quê? Porque um [Lobo de Guerra] está aqui?!)

O choque que eu levei vendo aquilo não foi baixo. O que estava na minha frente era um [Lobo de Guerra], um chefe de nível 140 de um mapa que fica em outro continente.

(Isso é ruim, muito ruim...)

Parece que as coisas não serão bem como eu esperava que fossem.