#BABYBATWINGS
8 08.
Notas iniciais
Eu estou desejando você aqui
Mas eu estou querendo que vá embora
Eu não posso te ter
Vou fazer tudo errado
– Shots — Imagine Dragons (Broiler Remix)
xx
– Ah, isso é deprimente. — Leo falou para a esfera de Arquimedes, questionando se deveria chamá-la de Wilson ou algo mais original. — Eu provavelmente estou perdido para sempre e nem cheguei a beijar o Nico. Tipo, no momento que eu pensei “Eu gosto dele”; eu fui arremessado para fora do barco. Mas também, não é como se ele me correspondesse ou coisa parecida. Deve ser outra queda impossível que eu…
– Ei! O que você está fazendo?!
Quando Leo olhou para Calypso, entendeu que aquilo ia ser complicado.
xx
– Isso só pode ser uma piada! Alguma pegadinha do Olimpo! — Calypso ainda praguejava e Leo coçava a nuca, nervoso. — Esse é o pior insulto que eu ainda iria receber.
Ok, aquilo não deveria ser legal para alguém presa numa ilha, obrigada a amar homens que nunca a amariam de volta. Mas Quíone não tinha certeza ao manda-lo ali, ela simplesmente presumiu que Calypso nunca ia se apaixonar por ele. E pelo jeito que Calypso reagia, era verdade.
Aquilo meio que doía. Mas não, Leo não era rápido o bastante para arranjar uma queda por ela. Ela era mesmo muito bonita, mas a sua primeira impressão não era nada boa e Leo apenas queria achar um meio de sair dali sem fazer algo que o condenasse na sua não-relação com Nico.
Queria voltar, vencer a guerra e encher o saco de Nico, Piper e Jason. Queria ver os filmes que Nico havia perdido, na verdade iria dar aulas inteiras sobre a nova cultura pop. Nico realmente precisava de um update. De todos os jeitos queria estar lá e não ali.
– Me desculpe. — Leo acabou dizendo sincero. — Mesmo se eu pudesse me apaixonar, isso não me libertaria, não é?
– “Pudesse”? — o olho de Calypso torceu. — Você está dizendo que…
– Que eu sou basicamente igual a todos os outros, só que pequeno e magrelo.
– Ótimo! — Calypso começou a jogar coisas em Leo. — Ótimo! Sua coisinha compromissada, saía daqui e não volte nunca mais.
Leo não queria e queria ser alguém compromissado também, mas até agora só tinha seus sentimentos. De qualquer forma ele deixou Calypso em paz, a imagem dela furiosa o deixava enjoado, por que ela parecia uma bruxa e era triste ver uma garota tão linda perturbada dessa forma.
Porém, Calypso não deveria ser linda só por fora. Mesmo que ela se negasse veemente em vê-lo, ela nunca deixava comida e roupas faltarem para ele. Leo passava todo o tempo próximo do jardim dela — apenas para facilitar para os seus servos que o traziam o que ele precisava — quando não explorava a ilha procurando por coisas que o ajudasse a escapar. Não tinha como fazer mensagens de íris. Ele ficava mais ansioso a cada momento, com o tempo sendo diferente em Ogígia, Leo sentia um medo mortal de que um dia fosse um ano no mundo mortal.
Então Calypso começou a visitá-lo. Primeiro só para dizer que ele era barulhento, mas na segunda vez eles acabaram por conversar. Ela viu o espelho que ele estava criando e acabou cantando, fazendo-o pegar.
Depois que Reyna apareceu, o espelho não funcionou mais. Leo bateu na mesa, toda a ansiedade crescendo dentro de si naqueles dias finalmente entrando em combustão, explodindo-se dentro de si.
– Não! Me mostre… Eu preciso ver mais…
Calypso bufou descontente.
– Então essa é sua Elizabeth? Sua Penélope? Ou sua Annabeth?
– O quê? Não! Essa é a Reyna, não a minha namorada. Eu preciso…
Preciso, uma voz ressoou no chão abaixo dos seus pés. Leo cambaleou. Preciso é uma palavra utilizada em excesso. Uma figura humana rodopiante irrompeu da areia, sendo a deusa menos favorita de Leo: A Dama da Lama, a Princesa da Fossa Sanitária, Gaia.
O latino atirou um alicate em sua direção. Infelizmente a figura não era sólida.
Você quer viver, disse Gaia. Eu não precisaria te observar como observo para saber disso. Quer voltar aos seus amigos, àquele… Filho de Hades. Mas não fará a mínima diferença, todos vão morrer.
Leo sentiu uma faca de gelo na garganta enquanto as engrenagens do seu cérebro trabalhavam para entender o que estava realmente acontecendo. Gaia tinha um controle enorme sobre ele, fazendo-o se sentir com oito anos novamente enquanto sua mãe queimava.
– Não! Eu não quero mais as suas mentiras e manipulações! Não ouse meter o Nico nisso!
O riso de Gaia era um farfalhar suave, fazendo o pânico e o horror crescerem em Leo por que ele estava sendo ingênuo. Aquilo não era um plano estúpido para afasta-lo dos amigos.
Tentei ajudá-lo a fazer escolhas melhores. Você podia ter se salvado, salvado Nico Di Angelo. Porém arrastou-se em direção da batalha, mesmo sabendo que não ia vencer.
As mãos de Leo irromperam em chamas, mas ele estava paralisado. Provavelmente o que o impediu de pegar fogo completamente foi a mão firme de Calypso no seu ombro, mandando Gaia ir embora. Leo notou que elas continuaram discutindo, e Gaia pediu para que Calypso matasse Leo, mas ele não teve reação nenhuma.
Ele não estava mais ali, como se tivesse quebrado. Gaia sabia que ele estava ajudando Nico, se apaixonando por ele, provavelmente tornando-se alguém importante para Nico. Ela já tinha tentado matá-lo antes, na jarra, por que ele era muito forte para um semideus. Ele poderia estragar seus planos. Agora ela o enfraquecia, afastando Leo dele.
Por que outro motivo ela apareceria para atormentá-lo?
– Leo? — Calypso perguntou preocupada, mas sua voz soou distante como se os ouvidos de Leo estivessem fechados. Ele piscou para enxergar entre as lagrimas. Gaia não estava mais ali, porém Leo continuava pequeno e incapaz. Primeiro Esperanza depois Nico. Leo seria a morte de todos que amava. — Leo, eles precisam de você. Você precisa voltar para o seu navio.
– É, — Leo fungou, tentando limpar o rosto. — precisamos. — quanto mais ele tentava parar de chorar, mais o ataque aumentava. Como se Leo estivesse chorando por todos os anos a seco. Provavelmente, se Calypso não tivesse demonstrado uma grande calma com ele naquele momento, Leo não teria se mexido.
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