Azul & Violeta

8 Capitulo 7 - Angel


Notas iniciais
Preparem-se, porque o capitulo é tenso.

Estava de volta ao vilarejo. Igual àquela vez, a sensação de paz e felicidade estavam em meu coração. Tudo ocorria como da última vez. As crianças corriam e riam, as mulheres conversavam, os homens caminhavam. Até o céu continuava azulado e sem nuvens, e a brisa leve no ar roçava em minha pele, como um pano de fundo para este cenário pacato. Contudo, desta vez eu sei o que irá acontecer.

As crianças continuavam a brincar e as mulheres a conversar. Não havia nenhum sinal de perigo, parecia até insano acreditar que um monstro gigante iria aparecer de repente e atacar este lugar. Então pensei: será mesmo que o monstro vai vir? Será mesmo que ele existe?

Senti um arrepio na espinha quando a neblina chegou. Essa era minha confirmação. Comecei a gritar, mandando todos saírem, mas todos me ignoram e continuaram a fazer o que estavam fazendo. Nem chegaram a me olhar.

Assustada, corri até um menino e usei minhas mãos para empurrá-lo para frente. Só que quem foi impulsionada para frente fui eu, pois meus braços atravessaram o corpo do menino, como se eu fosse uma fantasma. Gritei mais, dizendo para correrem e ninguém sequer notou minha presença.

Um grito distante me fez gemer frustrada. O gigante já chegou. O que eu faço? As pessoas olharam ao redor, procurando. Eu apontei para lá, e percebi que só eu podia vê-lo. Só eu podia lidar com ele.

O monstro atravessou a neblina, em uma entrada majestosa e as minhas pernas tremeram. Tinha de ser corajosa, por essas pessoas. Um suor frio escorreu pela minha testa.

Tinha medo.

Vi um arco e flechas no chão a minha frente. A única arma que sabia usar. Peguei-as.

— Não tenho tempo de sentir medo.

Então corri na direção dele, mesmo que minhas mãos estivessem suadas, meu coração acelerado e meu corpo tremendo tanto que senti vontade de vomitar. Eu não podia ficar sem lutar.

Entrei na floresta, conseguia vê-lo em meio às folhas das arvores. Ele estava de costas, indo embora. Tinha de alcançá-lo. Senti que esse momento agora não fazia sentido.

— Mexa-se, Angelina – gritei.

Minhas pernas novamente ganhavam velocidade. Eu gargalhei e corri. Se eu conseguir matá-lo as pessoas vão me reconhecer como heroína, todos vão querer ficar perto de mim e me chamar com gosto para festas.

Pus mais força nas pernas. Tinha de conseguir. Então bati meu corpo com força em algo duro e caí no chão. Quando me levantei, percebi estar de frente a um muro de extensões infinitas tanto no comprimento, quanto na altura.


— Não, não, não, não,... – com lágrimas no rosto, bati com força no muro. Essa era minha chance de ser alguém importante, alguém que as pessoas sentissem orgulho de ter ao lado, alguém que não servia apenas de aparência.

Não importa o quanto tente, você será sempre a indesejada.

Deitei no chão e abracei meus joelhos.

Indesejada... Por quê?!

.....||.....

Acordei no chão, ao lado da porta. O que estou fazendo aqui? Levantei-me com o corpo dolorido e fui ao banheiro. Novamente outro sonho estranho e mais um ataque de sonambulismo. E agora ele reviveu a frase que eu me esforcei tanto para esquecer. Parecia que as lembranças invadiam a minha mente como uma enxurrada, reacendendo a dor que eu havia lacrado em meu coração.

As lágrimas escorriam enquanto eu tomava banho. Tentei me concentrar no banho, em esquecer esse maldito sonho, mas meu peito continuou a doer.

— Por que fez isso comigo? — perguntei para o nada, e ao mesmo tempo para aquele homem, meio que buscando respostas para o vazio desse cômodo e para que de alguma forma, a solução se materializasse em minha frente. Aquela noite — a última noite em que morei com minha mãe — se evocou sozinha, em minha mente e me fez ouvir e sentir cada palavra e gesto dele.

Ele estava prestes a se casar com minha irmã. Eu havia descoberto isso naquele mesmo dia, enquanto ela se arrumava para o dia. Eu esperei um momento para ficarmos a sós e assim pudesse olhar nos olhos dele e cobrar a verdade. Não tinha sentido. Ele dissera que eu era especial, que eu não fora qualquer uma para ele e me segurara e me beijara sussurrando o quanto eu era linda. Eu dissera que o amava.

Não me recordo do início da nossa conversa, pois isso não era importante. Esses tipos de detalhes eram redundantes e meu cérebro com certeza considerou irrelevante e jogou para onde as lembranças inúteis sempre iam. Entretanto, essas frases com que me lembrava – não totalmente, o tempo me fez editá-las – dominaram minha mente. Eu não havia esquecido da essência devastadoras delas, então apenas encostei na beira da banheira e chorei.

Eu exigi explicação. Contudo, ele fugia de minhas perguntas, dizendo que tinha alguma coisa para fazer. Eu insisti tanto que ele finalmente esbravejara.

— Para de ser tão ingênua Angelina! Achou mesmo que eu iria me casar com você, sabendo que eu poderia ter sua irmã, uma filha legitima comigo? Que benefícios eu teria com você, hein? Eu dei a você tudo que alguém como você poderia ter: apenas encontros escondidos, ilusões de uma vida amorosa que você jamais teria! Você deveria ser grata por tudo que eu te fiz! Vê se te enxerga! Eu jamais me casaria com você, e pare de tentar ter algo que você jamais terá! Pois por mais que você tente, sempre será a indesejada!

Chorei mais ainda, relembrando tudo isso. Ele não dissera exatamente todas essas palavras, meu subconsciente se encaixou no meio delas, entretanto, para mim, ele dissera cada uma dessas frases.

Passou-se algum tempo.

Então eu me levantei da banheira fria, saindo do poço sem fundo em que estava caindo. Eu sabia que se chegasse ao final, quando a mágoa e a tristeza me engolissem por inteira, eu não conseguiria voltar.

Suspirei, resignada. Eu já devia ter curado esta ferida.

.....||.....

Só na hora do almoço que eu desci, pois me sentia mais leve, a tristeza quase desaparecida. Eu estava melhor, e não podia ficar o dia inteiro no quarto. Encontrei Sarah na sala de jantar pondo os pratos na mesa e Rubens lendo jornal, sentado em uma cadeira.

— Boa tarde, dorminhoca – Sarah disse, com um sorriso alegre nos lábios.

Eu sorri também.

— Boa tarde. Quer ajuda para o almoço?

— Só agora vem oferecer – Rubens resmungou.

— Desculpe, fui dormir tarde ontem – me expliquei.

— Porque passou a noite sozinha com o senhor Borchacell – continuou a resmungar.

Isso me fez ficar estática.

— O que você está insinuando? – exigi, subitamente irritada. Agora ele estava passando dos limites. Como pode insinuar uma coisa dessas?

— Que moças direitas não passam a noite com homens solteiros! – respondeu aumentando o tom de voz. Agora ele abaixou o jornal e me encarou desafiadoramente.

— Para você saber, senhor Rubens, nós estávamos lendo – argumentei, mais irritada ainda.

— Você acha que eu sou idiota? – ele se levantou de repente, o que me fez pular – Acha que eu vou acreditar nisso?

Ele estava aproveitando sua grande altura para parecer ameaçador. Isso fez meu orgulho falar mais alto.

— Não me interesso se acredita ou não, porque o senhor deveria aprender a cuidar da sua vida – retruquei agora com meu orgulho inflado.

Observei seu semblante se fechar mais ainda e uma veia saltar em sua testa. Confesso que agora senti minhas pernas bambearem e minha coragem sumir.

— Menina, segura sua língua senão eu mesmo arranco! – vociferou bem alto, fazendo meus nervos virarem pó.

— Rubens! – Sarah esbravejou e empurrou-o – Saia já daqui!

— Cala a boca! – rugiu, a empurrando bem forte e fazendo ela cair.

Isso me fez ficar possessa e incapaz de calcular racionalmente minhas ações. Eu odiava covardia, por isso que com raiva peguei uma bandeja e joguei em sua cabeça.

— Seu covarde! Vê se acerta alguém do seu tamanho! – vociferei, sentindo a adrenalina esquentar totalmente meu corpo.

Ele pôs a mão na cabeça e depois olhou suas mãos, que tinham sangue. O ar ficou preso em minha garganta, emitindo um som engasgado quando percebi que fora um erro gravíssimo. Mas agora eu não tinha mais saída. Não havia mais como fugir.

— Eu vou te matar garota – rosnou.

Institivamente peguei uma faca na mesa, pois eu só tinha duas escolhas: encolher-me e esperar por ajuda, ou tomar a atitude ilógica e me defender. Eu escolhera a segunda. Rubens pôs a mão na mesa e a usou de impulso para atravessá-la. Entretanto a mesa não era tão longa, e eu só tinha meio segundo até ele chegar ao meu lado, então fiz algo extremamente perigoso. Finquei a faca em sua mão antes dele chegar. Dei graças a Deus por ter conseguido chegar perto dele, fincar a faca e ainda conseguir sair do seu campo de ataque antes mesmo que ele pensasse em reagir.

Ele gritou, já com as pernas do outro lado e eu corri, derrubando todas as cadeiras. Minha insensata ação me deu a vantagem da distância. Mas eu teria que bolar outro plano.

— Não adianta fugir! — rosnou.

Retirou com um berro a faca. Sarah vociferou do outro lado da mesa.

— Rubens Mascarenhas, toque nela e eu contarei para Edgar!

— Só vou arrancar suas mãos – murmurou, com um certo prazer em sua voz.

Correu furioso para minha direção. Olhei ao redor, procurando algo para me defender. Ele já estava a um metro de me alcançar e eu não tinha para aonde ir.

Então em menos de dois segundos, Edgar entrou na sala, chegou a minha frente e encostou uma espada na garganta de Rubens.

— O que você vai fazer? – o conde questionou seriamente.

Eu, junto com Rubens, paramos de repente, controlando nosso impulso com os pés.

Presenciei a expressão de Rubens mudar de furioso para medroso, como se alguém esticasse seu rosto antes franzido e assim desenrugasse toda a sua expressão. Ele deu um passo para trás e abaixou a cabeça.


— Desculpe.

Isso fez que por um segundo minha visão mudasse e eu visse um homem no lugar do conde, com longos cabelos negros, me protegendo de cinco garotos furiosos. Voltei a ver Edgar, sentindo-me subitamente fraca.

— Vá pra fora – Edgar ordenou lentamente.

— Sim, senhor.

Ele foi embora com os ombros caídos, como se estivesse de castigo. Edgar se virou pra mim e me analisou.

— Você está bem?

Foi quando eu percebi que meu corpo estava dormente e meu coração batia acelerado. Eu me sentia em alerta, capaz de prevenir qualquer ataque.

— Estou, ele não me feriu – murmurei, ainda confusa pelos acontecimentos.

Em seu olhar havia muita preocupação e raiva. Eu me senti mais tranquila com isso.

— Tem certeza? Ele está ferido – Edgar não tirava o olhar de mim, procurando qualquer ferimento. Eu me reconfortei com sua preocupação.

Sarah caminhou até nós e me abraçou.


— Edgar, ela não está ferida. Por incrível que pareça, foi Angel que acertou Rubens — ela estava estranhamente orgulhosa de uma barbaridade dessas. Fechei os olhos, constrangida, e virei o rosto para o lado.


Ele ergueu as sobrancelhas.

— Sério?

— Sim, ela é muito valente.

Eles me olharam. Abaixei a cabeça e murmurei.

— Foi para me defender — um motivo que eu nunca havia pensado ser digno de orgulho de alguém.

Edgar sem mais nem menos, se ajoelhou e segurou minha mão.

— Desculpe por isso. Meus empregados deveriam lhe dar carinhos em vez de facadas. Mil desculpas.

Abaixou o rosto e eu fiquei vermelha.

— Não, Edgar. Está tudo bem.

Ele se levantou com o seu sorriso charmoso. Sua ação me fez ficar extremamente constrangida.

— Vou dar um jeito em Rubens — anunciou determinado.

— Antes os seus ferimentos — repliquei, indiferente a suas ameaças.

— Ele não se preocupará se tivesse os dois braços quebrados em vez de morrer – disse com certo prazer na voz. Então percebi que ele iria realmente machucar Rubens. Edgar se virou com o ódio brilhando em seu olhar – Sarah, cuide de Angel.

— Não! – segurei o braço dele – Se machucar Rubens, não irei perdoá-lo.

Rubens poderia ser o homem mais cruel que eu já vira, mas eu não suportaria vê-lo machucado por minha causa. Ou Edgar machucado porque tentara dar uma de machão.

— Angel, ele quis te matar – disse lentamente e eu vi seu esforço para falar calmamente.

— A culpa foi minha. Eu que provoquei.

Edgar apertou os olhos, como se não quisesse ouvir mais nada.

— Isso não lhe dá o direito de tentar matá-la – sua voz estava controlada, mas sua expressão dizia que ele iria explodir de raiva a qualquer instante.

— Eu o perdoo! — exclamei, subitamente assustada por sua expressão.

— Mas eu não – rosnou.

Abri os braços, sentindo a revolta reinar em meu corpo. Não suporto injustiça ou ver alguém com raiva desse jeito.

— Se você quer castigar, castigue nós dois!

— Angel não! – Sarah disse assustada.

Continuei sem pensar.

— Vamos, desconte sua raiva em mim! Eu também aprontei!

Edgar me encarava perplexo.

— Você acha que eu vou te machucar?

— Se não quiser, eu mesmo faço. Se machucar Rubens.

Ele abriu a boca em um “O” e gemeu, passando a mão no cabelo, totalmente angustiado.

— Tudo bem! – exclamou — Sarah venha comigo no escritório.

— Sim.

Eles foram embora. Eu me sentei no chão e suspirei aliviada.

.....||.....

Bati na porta do escritório de Edgar. Já são sete da noite e como já é quinta-feira, logo ele irá visitar sua irmã. Desde ontem Edgar não conversava comigo, pois ficara o dia inteiro trancafiado nesse cômodo. Eu havia decidido vir até aqui, pois me preocupava com ele recluso desta forma.

— Entre – escutei-o dizer e percebi certa melancolia em sua voz.

Abri a porta. No escritório havia um tapete azul, as estantes em volta cheias de livros e, no final, uma mesa de madeira cheia de papéis. Edgar estava em pé, ao lado da estante da esquerda, segurando um livro. Seu terno estava amarrotado e seu cabelo bagunçado, mas não foi isso o que me causou um aperto no peito. Seu semblante estava meio que desolado.

— Vim lhe trazer o chá – coloquei a bandeja na mesa.

Ele abriu o livro e ficou de costas para mim.

— Obrigado – murmurou, sem me dar atenção.

Notei que suas mãos tremiam e ele franzira o rosto, como se tivesse acabado de se lembrar de algo ruim e por isso ficara nervoso.

— E também lhe agradecer – fui para sua frente – Por ter me protegido e não ter batido em Rubens.

Edgar me olhou e em sua fisionomia havia melancolia e muita angústia, isso estava muito claro pela forma como me encarou e eu entendi que ele estava sofrendo por causa deste dia. E isso partiu meu coração.

— Disponha — deu seu sorriso falso e guardou o livro na instante.

Eu quis ajudá-lo. Eu desejei poder ser capaz de mudar literalmente o mundo só para ajudá-lo. Ansiei para que de alguma forma eu pudesse amenizar sua dor. Essa vontade era como um impulso, uma força me movendo para frente em direção a ele. Não suportava esse seu olhar.

— Edgar, eu sei que parece bobo, que somos amigos muito recentemente, mas eu gostaria de falar isso – parei e respirei fundo, a atenção dele focada em mim – Eu sei que você sofre. Está claro em seu olhar. Então, por favor, conte-me o que te aflige para que eu possa te ajudar – ele franziu o cenho e olhou para o lado – Por favor, Edgar, desabafe comigo – pedi e ele balançou a cabeça – Pode confiar em mim.

— Sai daqui Angel, você não tem nada a ver com a minha vida – ordenou entre dentes, gesticulando com a mão para que eu partisse.

Olhei-o cética. Senti vontade de enfiar essa sua mãozinha esnobe dentro de seu ego. Eu estava querendo ajudá-lo, e ele me vem com esse tipo de resposta? E pior, meneando a mão dessa forma?

— Achei que tínhamos virado amigos – grunhi, a cara fechada – Ou que você fosse um homem menos patético. Parece que me enganei.

Fui até a porta e saí batendo com força. Edgar não respondeu a minha falta de educação.

.....||.....

Novamente me enganei. Novamente criei esperanças. Novamente achei que poderia criar laços de amizade com alguém.

Por que é tão difícil aceitar que eu sou uma indesejada? Que é impossível para alguém como eu ser próxima de outra pessoa?

Estava deitada na minha cama, já devia passar da meia-noite. Edgar não voltou e eu continuava a ser burra me preocupando com ele. O conde deixara bem claro: podemos falar sobre amenidades, entretanto, assuntos íntimos não são da minha conta. Porque eu me irrito tanto com isso?

— Tem mais alguém aqui, velha? – escutei alguém gritar, me tirando de meus devaneios. Não é a voz de alguém que eu conheça. É masculina e bem grossa.

Levantei-me com o som de vasos sendo quebrados. Coloquei um roupão – pois estava de camisola – e abri devagar a porta. Meu coração estava acelerado.

Consegui ver dois homens de preto andando impacientemente ao redor do andar debaixo.

Agachada, me encostei a um pilar e vi mais um homem de preto. Ele estava de frente a Sarah, que estava amarrada a uma cadeira.

Eram ladrões! Segurei um gemido de pânico e fiquei o mais imóvel possível, com medo de que eles pudessem me descobrir.

Sarah, pensei com aflição, ao vê-la amarrada a uma cadeira lá embaixo.

Onde estava Rubens?

— Tem mais alguém aqui? Um filho, esposa, irmã? – o homem na sua frente pergunta.

— Não – ela diz seriamente.

— Então vamos ter que te levar – ele sorri, prazeroso em dar essa notícia e eu quase engasgo.

Não vai não! Rapidamente peguei um vaso de porcelana e joguei mirando nele. Quase acertei. Todos olharam na minha direção e eu corri.

— Tem alguém lá, vamos!

Fechei a porta do meu quarto. A adrenalina voltara a me dar energia e a me fazer ter uma súbita noção de todo o ambiente. Ok, salvei a pele de Sarah, mas e agora, o que eu faço?

— Droga, devia ter trazido meu arco e flecha! – exclamei para o nada e então me dei conta do que eu disse – Ah, o que eu estou falando? Por que eu traria um arco e flecha?

Se bem que seria ótimo para agora. Peguei uma cadeira e joguei na janela. Não quebrou o bastante pra eupassar. Quando joguei novamente, a porta se abriu.

Lá embaixo estava Rubens e seus homens lutando com mais homens de preto. Não tinha como recorrer a ele e nem a esses homens que eu nem sabia que existiam.

— Se você fugir, vamos levar a velha! — O homem que estava ameaçando Sarah grita apontando uma faca para mim. Ele deveria ter uns quarenta anos e era magrelo, as rugas em seu rosto quase que tampando os seus olhos franzidos.

Vi-me sem escolha, não adiantava tentar contornar ele sabendo que havia vários lá embaixo, então saí de perto da janela.

— O que você quer? – perguntei com a voz meio firme, como se nesse momento eu pudesse negociar com ele.

— O dinheiro do conde em troca da velha – declarou erguendo o queixo.

Novamente, fiquei sem escolha.

— E se for pela sua noiva? – perguntei e ele riu, esperando isso.

— Melhor ainda.

— Então me leve. Mas por favor, não machuque ela.

— Isso vai depender de você.

Ele olhou para trás e chamou alguém. Eu gostaria muito de dizer que estava firme, que meu ato heroico me fez mais forte e capaz de enfrentar sem medo algum estes caras, mas essa não era a verdade. Meu interior parecia borracha derretida, e o medo corroía minha espinha, fazendo que minhas mãos tremessem e me impossibilitando de pensar em outra coisa a não ser esses sequestradores. Dois homens entraram e amarraram meus braços. Meu coração batia acelerado. Levaram-me para o salão da fogueira sem nem um pouquinho de gentileza. Eu quis desistir da farsa, mas quando vi Sarah amarrada na cadeira e pensei no que poderia acontecer a ela, a coragem voltou a me mover. Ela me olhou assustada e sussurrei.

— Vai ficar tudo bem — e sorri.

Fui puxada para fora da mansão. Olhei para a charrete velha e preta que me esperava e isso me fez quase ter um ataque de pânico. E agora, o que será de mim? Olhei pra direita e vi Rubens parado, me encarando, a poucos metros daqui. Fiz a expressão mais apavorada que podia e para o meu desespero, ele apenas se virou e saiu correndo.

Lágrimas agoniadas escorreram pela minha face. Meu Deus, e agora?

Passei pelo portão e vi mais de perto a carruagem. Lá dentro era escuro e macabro, como meu destino a partir de agora. O homem então parou, me olhando e sorriu:

— Boa noite.

Acertou-me com um pau na cabeça e eu apaguei.

Notas finais
Capitulo betado pela lady mikaelson. O que acharam? Comentem!