Notas iniciais
gora a estória vai começar pra valer... Espero que gostem.

P.O.V Nicholas Lancaster

Quando abri os olhos vi uma luz forte através da água. Não conseguia respirar, nadei para a superfície e emergi com um expiro. Fui para a margem e, a medida que ia me aproximando, a água ia ficando mais rasa.

Quando a água estava dando nos meus calcanhares me joguei, exausto, na areia. Respirando pesadamente olhei para o céu. Esquisito, essa foi a primeira coisa que veio em minha mente. O céu era azul claro, mas tinha uma lua vermelha onde deveria ter o sol. Dava para perceber que era a lua — era idêntico a lua, só que vermelha.

Então olhei a minha volta...

– Uau! — foi a unica coisa que consegui dizer.

O lugar era lindo. Eu havia emergido de um lago cujas águas eram verde-mar, mas no centro havia um buraco que a fazia adquirir uma coloração negra. Como um olho, pensei. Me levantei e observei as árvore, douradas, como se fossem de ouro. Tentei me lembrar de como tinha ido parar ali, mas nada. Tudo que eu sabia era o meu nome e só.

A margem era feita de areias brancas e macias, era tentador ficar ali, mas lá não possuía recursos naturais. Eu me aproximei de uma das arvores. Era como uma cerejeira só que bem maior e de ouro — definitivamente não dava frutos. Segui com cautela pela floresta que rodeava o local. Era estranho e ao mesmo tempo aconchegante.

Já estava ficando cansado quando percebi um movimento com o canto do olho. Virei apenas a cabeça na direção e vi uma mulher indo na direção contraria a minha. Ela tinha os cabelos castanhos e desgrenhados, uma pele bronzeada natural fazendo-a parecer latina. Vestia uma camisa e uma calça branca, de algodão, encardidas e sujas — assim como eu. Parecia cansada, desesperada e solitária, sua expressão corporal indicava esgotamento.

Finalmente ela me notou, virou a cabeça para fitar-me e depois sorriu, aliviada. Correu em minha direção, eu continuei parado, observando. Ela não parou e de repente me abraçou, o que me fez corar levemente e afastá-la. Assim que se afastou pude reparar melhor. Tinha olhos castanhos e esperançosos, era mais velha, uns 20 e poucos anos, imediatamente soube que ela estava só a muito tempo.

– Finalmente — murmurou ela se afastando — eu pensei que ficaria aqui sozinha para sempre.

– Que lugar é esse? — eu tentava manter a calma — Quem é você? E como vim parar aqui?

– Me desculpe por te abraçar desse jeito — ela dizia ajeitando o cabelo atrás da orelha — me chamo Elizabeth e para nem uma das suas perguntas tenho respostas.

Virei a cabeça um pouco de lado lado e mordi o lábio inferior. Dava para perceber que Elizabeth estava dizendo a verdade e parecia bastante cansada, como se estivesse acordada por umas três noites. Finalmente decidi confiar nela.

– Meu nome é Nicholas, mas pode me chamar de Nick — disse voltando a minha atenção para ela — você também saiu do lago, não foi?

– Sim — respondeu e fitou o chão — e sem nem uma lembrança.

– Tem mais pessoas aqui? — Perguntei mesmo sabendo que não, ela apenas balançou a cabeça — á quanto tempo está aqui?

– Á mais ou menos seis dias — respondeu se virando para o lago e apontando para aquela direção — assim que saí do lago fui para o que julguei ser o sul — ela virou em sentido contrário e apontou para direção que eu estava indo, foi então que eu reparei na marca de sol na mão dela — Ali tem um campo com flores de diamantes, mais para o sul tem aves de ferro e uma cachoeira com peixes, mas é difícil arranjar comida e anoite faz bastante frio.

– Entendo — quando ela falou comida meu estomago roncou, além de exausto estava faminto.

– O campo florido está perto — disse ela — você deve está exausto e faminto, eu estava assim quando vim parar aqui, eu tenho umas sobras de peixe, mas já vou avisando, tem um gosto metálico horrível.

***

Depois de mais ou menos 15 minutos de caminhada, a areia foi substituída bor capim dourado e as arvores foram se abrindo dando de frente para um campo constituídos por flores que brilhavam muito. Eu cheguei perto de uma e analisei, entendi porque Elizabeth as chamou de flores de diamantes. As pétala eram amarelas e no miolo havia um conjunto de diamantes pequenos que brilhavam como estrelas.

– É lindo — falou Elizabeth — mas impossível, não teria como diamantes serem polens de flores.

– Minhas memórias estão confusas, mas acho que você tem razão — respondi.

Prosseguimos calmamente pelo campo, brilhava tanto que tive que cerrar os olhos para me acostumar a claridade. No percurso Elizabeth me explicava algumas coisa, dizia que se colocássemos um galho de ouro na água da tal cachoeira, o galho, entraria em combustão. A lua não se movia, as estrelas sim. Quando amanhecia, as estrelas iam desaparecendo e uma o céu ia se iluminando a partir do ponto leste, ou pelo menos foi o que Elizabeth julgou. Ela sempre mantinha a conversa, eu apenas assentia uma ora ou outra para dizer que estava escutando.

Aquilo tudo era confuso, mas tentei acreditar. A medida que íamos caminhando reparei um barulho de correnteza, devido ao brilho das flores era difícil enxergar o horizonte, mas eu sabia que era a cachoeira.

Quando chegamos a cinco metros de distancia consegui ver um riacho estreito, cristalino, limpo, com pedras no fundo e algumas algas. Corri para a margem e percebi onde estava a cachoeira.

Vinte metro de distancia, no curso do riacho, estava um buraco por onde a água caia em forma de cascata. Cheguei perto da borda e percebi que não tinha fundo, era como se o cenário acabasse. Tudo a minha frente era um abismo.

– É assustador, não?! — Elizabeth se aproximava lentamente.

Olhei para ela, mesmo sendo mais velha era mais baixa, depois fitei o abismo novamente. Quando o fiz uma sensação estranha percorreu o meu corpo e de repente eu estava me vendo no reflexo dos olhos de outra pessoa.

Estava sendo segurado por uma garota com expressão desesperada, estava dentro de um carro e ela estava sendo segurada pelo sinto de segurança. Estávamos na parte do passageiro e no banco do motorista havia um garoto com a mesma expressão da garota.

– Não solta — dizia ele, tentando inutilmente levantar dali e ajudar a garota, mas estava preso.

– Ei, acorda — dizia Elizabeth estalando os dedos na frente dos meus olhos. Minha visão estava embaçada e minha cabeça doía, murmurei um "ai" e pude ouvir o suspiro dela, de alivio — você desmaiou e quase caiu no abismo, sorte que eu te puxei a tempo.

– Obrigado — eu fitava o chão a minha frente.

– O que houve? — Perguntou ela.

Olhei em seus olhos e vi no rosto dela o da garota, assustado esfreguei a têmpora e quando a fitei de novo era Elizabeth. Suspirando, eu falei — acho que tive uma lembrança.

Notas finais
Espero que eu tenha conseguido interpretado o personagem de forma correta... Espero que tenham gostado, não se esqueça de comentar :)