Awakening: O Regressor Escolhido pelo Sistema
13 CAPÍTULO 12 — DUELO

A Arena Sul estava cheia muito antes do horário marcado. O rumor sobre o duelo havia se espalhado pelos corredores da academia como fogo em campo seco, e o que começou como um simples desafio no refeitório acabou se tornando um evento público. Alunos de diferentes turmas ocupavam as arquibancadas semicirculares, alguns comentando apostas discretas, outros discutindo estatísticas e vídeos gravados do confronto verbal. Professores permaneciam nas laterais, atentos, mantendo a postura neutra que a instituição exigia. No alto, entre os assentos mais privilegiados, o AXION VI observava em silêncio, avaliando cada detalhe como se aquilo fosse mais do que entretenimento.
O jovem entrou pela lateral da arena sob dezenas de olhares curiosos. O uniforme de treino estava impecável, mas o que realmente capturava atenção era a arma presa às suas costas por um suporte firme de couro reforçado. Não se tratava da espada leve que costumava utilizar nos treinos básicos, mas de uma espada larga de duas mãos, longa e robusta, feita de madeira reforçada com runas de impacto. A empunhadura extensa exigia controle real, e a lâmina possuía proporções que lembravam armas lendárias descritas nos livros antigos. Não havia como ignorá-la, e muitos perceberam imediatamente que ele não atravessara aquele campo apenas para sobreviver.
O adversário já aguardava no centro do círculo rúnico, segurando uma lança de treino longa, de haste rígida e ponta amortecida por runas. O sorriso no rosto misturava arrogância e impaciência. Para o rapaz da lança, aquele duelo representava uma oportunidade de reafirmar posição diante da escola inteira. Para quem carregava a espada nas costas, tratava-se da ocasião perfeita para demonstrar o peso de quem aprende a se levantar depois de conhecer o chão.
O professor ergueu a mão. Um domo de mana, fino e transparente como um véu, brilhou em azul quase invisível ao redor da arena, selando o perímetro com segurança.
— A luta termina quando um desistir ou um dos dois cair inconsciente. Comecem!
O garoto da lança avançou primeiro, explorando o alcance superior da arma. A primeira estocada veio direta ao peito, rápida e precisa. O espadachim deslocou o corpo com um movimento mínimo de quadril, permitindo que a ponta cortasse o ar por centímetros. A segunda investida veio da lateral, buscando forçar recuo. Ele girou novamente, ajustando o eixo sem perder o equilíbrio. A sequência seguinte foi agressiva, alternando entre estocadas e varreduras horizontais. Para quem assistia de longe, parecia que o lanceiro dominava o ritmo.
Mas quem observava com atenção percebia outra coisa. O jovem da espada não recuava em desordem. Marcava o chão, ajustava a postura e respirava no tempo exato. Cada passo era calculado. O inimigo aumentou a intensidade, canalizando mana pelos braços. O golpe seguinte veio pesado, tentando quebrar defesa. A resposta foi um desvio por centímetros, executado com economia de movimento quase provocativa.
— Para de fugir! — o oponente rosnou.
— Fugir? — veio a resposta tranquila. — Você chama isso de pressão?
A frase atravessou a arena com naturalidade. O lanceiro investiu novamente, agora com agressividade descontrolada. Foi então que a mão do espadachim deslizou para trás e puxou a arma larga do suporte. O som da lâmina deixando o encaixe ecoou seco pelo campo.
A postura se ajustou instantaneamente. A arma não parecia pesada. Não havia tensão excessiva. Quando a lança veio novamente, a lâmina larga desviou a haste com precisão sólida. O impacto reverberou pelas runas no chão.
A diferença tornava-se evidente. O lanceiro atacava com intensidade crescente; o espadachim respondia com controle absoluto. O braço dominante do oponente começou a tremer. A respiração ficou irregular. O desgaste era visível.
O jovem avançou meio passo.
— Sabe qual é o problema de quem pisa nos outros?
O outro não respondeu.
— Um dia alguém pisa de volta.
A aura começou a se manifestar.
Primeiro azul. Densa, comprimida, pulsando ao redor do corpo como energia viva sob pressão. Em seguida, traços dourados começaram a percorrer aquela camada azul, como relâmpagos contidos sob a superfície. O ar tornou-se mais pesado. As runas no chão vibraram ao registrar o pico incomum.
O lanceiro sentiu antes de entender. O corpo pareceu pesar o dobro. O coração disparou. A lança escorregou por um instante. Os olhos do espadachim não demonstravam raiva... monstravam experiência.
O oponente tentou avançar, mas os joelhos falharam. A pressão que emanava daquela aura azul e dourada não era apenas mana bruta. Era presença esmagadora, disciplinada.
Um novo passo à frente. A pressão aumentou. O garoto da lança caiu de joelhos. A imagem do jovem envolto em energia se projetava em sua mente como algo impossível de superar. A respiração falhou. A visão escureceu... desmaiou indo de encontro ao solo.
Silêncio absoluto tomou conta da Arena Sul.
O AXION VI sentiu o impacto. Alya estreitou o olhar. Blaze analisava o fluxo com interesse real. Sakura não desviava a atenção. Aquilo não era descontrole. Era técnica. Lapidação. Disciplina. Perigo.
— Vitória por incapacitação! — declarou o professor.
A janela do sistema surgiu diante de seus olhos.
[Sistema — Missão Concluída]
Título: Lâmina da Postura
Condição Extra Atendida:
• Domínio Absoluto Nível Básico em Aura
• Incapacitação do oponente sem contato físico direto
Recompensa Aplicada:
Força +5
Agilidade +5
Defesa +5
Poder Mágico +5
Mental +5
Classificação Atualizada:
Rank B — Pico Superior
Limiar de Rank A Detectado
Técnica Desbloqueada:
Mestre das Espadas — Estágio Inicial
O núcleo de mana expandiu-se com estabilidade. O corpo suportou. Apoiou a espada larga sobre o ombro e olhou para Darius.
— Esse é o seu lugar — disse, ainda encarando o derrotado. Depois ergueu os olhos para o alvo verdadeiro. — Agora começa o show.
A aura voltou a pulsar, mas desta vez controlada. O jovem flexionou levemente os joelhos e girou a espada longa com uma precisão quase calculada demais para parecer impulso. No instante seguinte, arremessou a arma em direção ao setor onde Darius estava sentado.
A lâmina girou no ar, carregada com resquícios da aura azul e dourada. O impacto contra o escudo do domo foi brutal. A barreira não quebrou, mas rachaduras luminosas percorreram sua superfície por um segundo inteiro antes de se regenerar. Contornando a espada que ficou cravada na sua superfície.
A arena inteira silenciou. Nenhum aluno havia feito aquilo antes. Os professores reagiram imediatamente, reforçando o campo.
— DARIUS! — a voz ecoou firme, não descontrolada. — Você é o próximo. Tô chegando.
As arquibancadas explodiram. O jovem caminhou para fora da arena sob uma tempestade de gritos. No alto, o grupo de despertados AXION VI, sorriam de forma diferente. Não por desprezo.
Reconhecimento. Algo havia despertado, não era mais invisível. E não estava pedindo passagem. Estava avançando para tomá-la.
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