Awakening

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Pelo visto estou me empolgando cada vez mais nos capítulos (-w-) mas espero que estejam gostando.

O som dos trotes dos cavalos foi cessando aos poucos. A areia subia conforme ambos paravam, os cascos batiam com força ao chão árido. Pararam próximos de uma montanha.

— Chegamos.

Sibilou Xin.

— Não abaixe sua guarda. Afinal, não somos bem vindos aqui.

Retrucava Garen, seu olhar estava sério e concentrado. Não estavam ali para passeios afinal de contas. Enquanto isso, ali próximo, entre algumas pedras, dentro da montanha. Encontrava-se Twitch, farejando o ar, agora contaminado pelos soldados demacianos. Seu focinho fungava, como se cheirasse algo podre.

— Hm.... Eu cheiro um par de ratos vindo para cá. Portanto, o relatório noxiano não mentiu...

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— Ahhh! Que cheiro estranho de enxofre com esgoto. Só espero que não dure muito...

Falara Xin, tentando o máximo não fazer caretas conforme seguiam para dentro da caverna. Os sons de picaretas encheram o ar. Dava para perceber o tanto da força que usavam para fazer as paredes cederem. Assim que adentraram naquela caverna, já começaram a analisa-la. Haviam várias luminárias nas paredes, deixando o ambiente mais claro e agradável. Chapéus de plásticos e carrinhos estavam espalhados pelo chão, a poeira era tanta que mal dava para ver do lado de dentro, não mais do que uns cinco metros a frente. O som ali, era ensurdecedor, certamente haviam mais de cinquenta Yordles trabalhando, presumiu. Os olhos azuis do guerreiro demaciano se estreitaram ao ver eles naquele estado, pareciam cansados.

Todos trajavam roupas adequadas para o trabalho, mas Garen sabia que algo ali estava errado. Podia sentir isso. E concluiu quando ouviu uma voz familiar os chamando mais a frente.

— Olá Demacianos.

Dizia ela. Garen deu alguns passos a frente para ver de quem era aquela voz. E por sua sorte, deparou-se com Twitch, observando o guerreiro, e logo seus olhos ligeiros se dirigiam a Xin que se aproximava mais atrás.

— Então vocês vieram aprender os métodos e meios de escavações Zauinianos? Hehe.

Comentava o rato, com sua típica risada desaforada. Garen trincou os dentes, levando sua mão perto da grande espada a sua cintura.

— Não mexa conosco, maldito rato! Estamos aqui para trazer luz sobre os negócios ilícitos de Zaun. Agora vamos passar.

Vociferava ele, com sua voz poderosa e grossa.

— Ilícito? O que você quer dizer com isso senhor?

Sorria Twitch, pegando uma folha em seu bolso. E mostrando aos dois demacianos. E nela, havia uma marca oficial decretada pela ordem da Liga.

— Nossa presença foi endossada pelo próprio campeonato. Este é um certificado autêntico. Aqueles sujeitos de Piltover precisam verificar suas fontes antes de acusar Zaun sem provas.

Xin suspirou, pegando aquele pedaço de papel em mãos. Confiscando cada parte.

— Não é falso... droga. Viajamos tudo isso pra nada.

Twitch riu alto, fazendo um eco entre as paredes da caverna.

— Viram? Vocês parecem ridículos.

— Não tão rápido... Eu quero falar com os mineiros.

Protestava Garen. Twitch permanecia com o sorriso estampado em sua face, observando Garen se afastar, indo em direção ao interior da caverna.

— Sinta-se livre para tentar...

Garen avistou um Yordle trabalhando mais a frente, parecia distraído, então se aproximou com cuidado, o tocando no ombro.

— Desculpe meu pequeno amigo... Posso...

Foi ai que sua mão parou, e seu corpo simplesmente congelou. Seus olhos se azuis se arregalaram ao ver a pobre criatura a sua frente... sem boca ou olhos... mas que diabos estava acontecendo ali? Como poderia ser possível? Garen ficou completamente pasmo. Demorou longos segundos para se recuperar. Dirigiu-se até Twitch com a face em fúria.

— O que significa isso? O que os Zaunianos insanos estão fazendo com estes Yordles?

— Como eu poderia saber? Eles tinham olhos e bocas quando os contratamos...

— Você esta tentando nos fazer acreditar que os seus rostos ficaram vazios por si mesmos?

Comentava Xin, analisando a situação. Enquanto isso, algo chamou a atenção de Garen. E estava relacionado com aqueles carrinhos, ali mais adentro da caverna, eles estavam cheios com pedras em tons roxos brilhantes. Eram lindas, e ao mesmo tempo assustadoras. Garen pegou uma em sua mão, para sentir a textura.

— Vou levar isso... para análise.

Twitch pelo visto não estava aceitando esta ideia de bom grado. Sua cara não estava nada boa.

— Você esta brincando? Nem pensar, dê-me de volta. Essa pedra vale mais do que os dois jamais ganharão nessa vida de soldados pobres.

Garen suspirou, mas manteve sua face séria. Não estava ali para brincadeiras. Veio ali para fazer o seu trabalho e era isso que faria Twitch querendo ou não. Até mesmo imaginou que tipo de comércio ele estava fazendo...

— HEY! ESPERE...

Gritou Twitch aos dois conforme ambos saiam da caverna, carregando consigo a pedra. Mas eles não quiseram ouvir mais nada.

— Vamos relatar isto para Demacia?

Perguntava Xin.

— Não... – Respondia Garen. Ainda com várias perguntas em sua mente inquietante. – Ainda não temos informações suficientes... Além disso... Piltover não esta longe. Talvez devêssemos dar uma passada por la.

Xin concordou com a ideia. Os dois homens foram em direção aos seus cavalos, para assim partir para o segundo ponto de sua viajem. Enquanto isso, Twitch os observava a beira da caverna, sussurrando para si mesmo.

— Com um pouco de sorte, suas almas serão engolidas antes que cheguem a cidade...

Ria ele ao final.

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Enquanto isso...

— Está aqui... Vê? Não há nada... Nenhum ar respirável, nenhum sinal de vida... Nem mesmo o tempo parece afetar este lugar... Eu encontrei o relógio enquanto tentava escapar daquele lugar.

Comentava Riven. Katarina estava ao seu lado, observando de cima daquela colina, o terreno morto e obscuro a sua frente. A neblina era densa, esverdeada, o cheiro não era tão bom quanto a aparência. Não era atoa que nada vivia ali, estava tudo abandonado. Um vasto deserto, verde e preto.

Os olhos da albina foram de encontro com a ruiva, que estava descontraída observando detalhadamente aquele lugar. Ela não disse nada... Na verdade, ela estava calada demais aquela manhã. Algo parecia estar perturbando a ruiva, mais do que ela havia contado. Além disso, ela havia deixado o bar nas mãos de Graves... e isso não estava cheirando bem... na verdade ela até esperava pelo pior. Ainda mais que Twisted Fate andava pelas bandas.

— Meu pai desapareceu no coração de Noxus. E o relógio... estava a muito tempo quebrado. Neste momento, ele o estava carregando... por alguma razão. As pessoas diziam que ele estava nervoso e não conseguia parar de enfiar as mãos nos bolsos. Acho que a razão é...

Começava Katarina, mas Riven a interrompia em seguida, sabia que a amiga não conseguiria terminar a frase, ainda estava abalada com o caso.

— ... Ele sabia que algo aconteceria e se lembraria do que ele mais precisava e se importava...

Katarina suspirou, abaixando o olhar para o relógio em sua mão.

— Sim... e agora tudo termina aqui. Mas é estranho.... – Ela apertou o relógio com força e o guardou no bolso. Sentia algo de estranho. Uma energia mística que parecia puxar ela, sugar para dentro daquele local. Sua mente simplesmente não parava quieta ali. Precisava avançar. – Sinto que este lugar quer que eu prossiga...

— NÃO! NÃO VÁ. É PERIGOSO.

Gritava Riven, mas já era tarde. Katarina havia descido a colina, indo em direção a densa neblina, e ao meio dela, a ruiva pode sentir a presença de mais alguém. Ela não estava sozinha.

— Mas que alma saborosa nós temos aqui...

Sussurrava a voz, tenebrosa e horripilante. A sombra que Katarina observava na neblina era bem familiar, ela o conhecia de algum lugar. Lembrava-se daquela voz. Mas não tinha medo, pois sabia do que ele era capaz. Thresh, o guardião das correntes. Ela já deveria imaginar.

— Deixe-me liberta-la desse corpo doloroso.

Continuava ele, cantarolando.

— Vá sonhando. Mas me diga, o que sabe deste lugar?

Perguntava Katarina, colocando as mãos na cintura. Thresh riu, e ela fechou a cara para ele.

— Hehehehe... Você realmente não teme os espíritos pelo que vejo.

— Espíritos não são gananciosos o suficiente para tentar a minha alma. Agora responda, que lugar é este?

Ele sorriu ainda mais, deixando suas correntes tilintarem entre si.

— Uma porta para o abismo, um reino de sonhos desvanecendo... Onde o próprio chão condena a morte, respirando a vida... da criança ou do ancião. Eu gosto deste lugar. Os sussurros de almas atormentadas me falam desesperadamente... sinto-me em uma festa.

— Eu não quero ouvir sobre seus hábitos insalubres, seu monstro... Uma alma como a minha, já passou por aqui?

— E por que eu te responderia?

Perguntava ele, um tento desafiador.

— Vamos ver... – Ela pensou por um momento, mas sem desviar os olhos dele. – Se você fizer, eu lhe darei a minha. Aqui e agora.

Thresh sorriu, mas não foi um sorriso qualquer. Essa mulher, era mesmo interessante. Jamais pensou em tal prudência.

— Você me daria a sua alma? Soa interessante... Bem, eu me lembro claramente sobre esse assassino noxiano. Você não conhece uma alma forte como a dele duas vezes em uma vida.

Katarina congelou, mas não demonstrou transparecer nada em seu olhar.

— Então, ele morreu?

— Sim, e eu comi a sua alma.

Riu ele, jogando um olhar mortal para a garota a sua frente. Como se a desafiasse.

— Eu não poderia sonhar com um lanche mais delicioso.

Continuava ele. Katarina sorriu para a sua surpresa.

— Hum... esta mentindo... meu pai nunca seria pego por um filho da puta. Você não tem absolutamente nenhuma ideia do que aconteceu com ele... Então o negócio esta fora. Você não vai pegar a minha alma.

— Haha, tudo bem garotinha, você ganhou. Vou te dizer o que você precisa saber. Eu realmente senti sua presença aqui, mas não pude provar a sua essência suculenta antes que desaparecesse. Por que tudo some por aqui. Ás vezes, uma memória preciosa pode cair do passado e encontrar uma mão inocente... como o relógio do nevoeiro que você carrega. Sua fome não tem nenhum poder nisto... Além disso, eu posso cheirar o fedor de segredos vergonhosos.

Dizia ele, fazendo com que o relógio nas mãos da ruiva voasse até ele. Katarina se assustou, arregalando os olhos. O relógio de seu pai... o que diabos aquele espírito vagante iria fazer com ele? O relógio parou entre eles, e Thresh o fez cair, fazendo-o se estilhaçar no chão. Os caquinhos voaram pelos ares, e Katarina caiu de joelhos, seu olhar entristecido em direção dos pedaços.

Mas algo lhe chamou a atenção, bem no meio daqueles estilhaços, havia algo ali... um pedaço de pergaminho... mas que diabos? Ela levou a mão até ele com cuidado para não se cortar com os cacos e pegou o papel, levantando-se em seguida. O papel estava rasgado, mas Katarina conseguiu entender algumas palavras, e isso era tudo o que precisava para saber como prosseguir. ‘’ Fui convocado... e tomado do vazio. ‘’

— Eu não vou deixar essa chance escapar uma segunda vez... Sua alma será minha.

Riven assistia a tudo aquilo de cima da colina. Podia ouvir pouca coisa do que eles conversavam, mas estava ficando preocupada com Katarina. Assim que a ruiva retornou para perto, ela não disse nenhuma palavra sequer, nem ao menos olhou para sua face. Simplesmente passou reto. Riven fechou o punho e sussurrou.

— O que ele queria dizer com libertar de seu corpo doloroso?

Katarina parou, seus olhos estavam sem brilho. Nem sequer se virou para responder.

— Obrigada por tudo Riven... Mas eu irei encontrar aqueles que me procederão no inferno.