Awakening

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Bem, não morri, estou de volta trazendo para vocês a continuação da fic. Demorou mais saiu, desculpe pela demora, passei por diversos contratempos (*w*) Procurarei postar com mais frequência.

— PROFESSOR!

Chamava Caitlyn gritando para a sala barulhenta cheia de bugigangas espalhadas por todo canto, que ela nem fazia ideia do que poderiam ser ou para que serviam, aquilo quase escondia a sala completamente, de tanto que estava entulhada. Seus pés desviavam das diversas coisas jogadas pelo chão.

— Professor...

Insistia ela, adentrando mais afundo na sala, onde o som ficara cada vez mais alto. O som era agudo, misturada com o que parecia ser sondas elétricas e batidas. Arqueou a sombrancelha ao ver o pequeno yordle debruçado sobre uma máquina esquisita que soltava faíscas, estava com uma chave de fenda em uma das mãos, enquanto murmurava algo inaudível. Ela se aproximou ainda mais, e olhou de esguela para trás, percebendo que os outros a seguiam, tomando o devido cuidado com as coisas espalhadas ao passar. Voltou o olhar para o professor e colocou suavemente a mão sobre o pequeno ombro dele.

— Professor.

Disse ela mais uma vez, fazendo-o levar um pequeno susto, quase derrubando a máquina ao qual trabalhava, mas ao virar-se e ver o rosto de Caitlyn e os demais surgirem atrás de si, o fez sorrir, estendendo a chave de fenda para cima em um cumprimento.

— Saudações Oficiais! Estão a procura de ciência? É claro que estão.

Falava alegremente. Garen sorriu sem jeito, levando a mão aos cabelos castanhos, Xin ao seu lado, coçou a bochecha desviando o olhar, aproximou-se um pouco de Garen para sussurrar.

— Barulhento...

— Sim...

Concordava o guerreiro, observando o yordle em sua frente, que no momento caminhava desajeitadamente até Vi.

— Hmm... – Começava ele, encarando as grandes manoplas. – Deixe-me adivinhar... Vi, você destruiu o sistema hidráulico das suas luvas novamente?

Vi o olhou confusamente, sentindo suas bochechas esquentarem ao perceber a atenção que racaía sobre si, respondem do lhe um pouco alto demais.

— HÃ? CLARO QUE NÃO, DÊ O FORA...

Desviou o olhar do pequeno, que a analisava com um sorriso curioso nos lábios finos. Cruzou os braços indo para um canto qualquer da sala, fingindo estar interessada por aquelas tralhas espalhadas pela mesa extensa. Heimerdinger largou a ferramenta sobre a pequena mesa ao qual trabalhava, antes de agitar as pequenas mãozinhas enquanto se dirigia até os demais.

— Uma pena comportamento tão imaturo... – Resmungava, mas logo ergueu o olhar e sorriu novamente para os guerreiros. – Então, o que lhes trás aqui senhores? E claro, vocês também oficiais. – Ele olhou sorrateiramente para Vi, que ainda parecia ocupada com as bugigangas do outro lado da sala. Por isso ele aumentou um pouco o tom da voz ao proclamar. – Uma vergonha... eu acabei de construir uma atualização de aumento de vapor que você tanto tinha me incomodado a fazer.

Vi ao escutar tais palavras voltou em um piscar de olhos a frente do pequeno yordle. Seus olhos brilhavam e seu sorriso ia de orelha a orelha.

— Mesmo? Te amo Heime!

Heimerdinger fez uma pose orgulhosa, enquanto Vi o admirava, contente demais com aquela notícia, que estava esperando a vários dias. Caitlyn franziu o cenho, mas abriu um leve sorriso. Gostava de ver sua companheira alegre. Mas agora, eles precisavam tratar daquele outro problema, do qual levaram eles até ali. Aproximou-se do professor, retirando a pequena pedra do bolso. A luz que a sala proporcionava refletiu sobre a pedra, fazendo ela se destacar em meio aquelas bugigangas, chamando a atenção do yordle.

— É um assunto muito sério professor, olha o que temos aqui.

Dizia a Xerife, agora com a face séria. Heimer encarou a pedra em silêncio por um tempo sem dizer uma palavra, o que deixou Caitlyn e os demais um pouco tensos. Estava silencioso até demais. Xin estranhou e parecia ser o único a perceber que o sons das máquinas pararam.

— Err... os motores não estavam funcionando a um minuto atrás?

Comentara, mas ninguém parecia ouvir, estavam ocupados demais com aquele pedra. Heimer se aproximou um pouco mais e Caitlyn estendeu a mão para deixar a pedra mais visível.

— Intrigante... – Dizia Heimer, quebrando o silêncio. – Eu nunca vi uma jóia intacta antes...

— Ela veio das minas de Zaunite.

Continuava ela.

— Estou vendo, por isso este é um puro extrato desta droga devastadora espalhada por todas as nossas paredes. Felizmente, eu tenho uma caixa hermética na minha posse que é capaz de por em quarentena qualquer forma de radiação.

Dizia ele calmamente, enquanto se dirigia até um canto da sala, vasculhando entre aquela imensa bagunça, retirando várias ferramentas, quanto peças de metal para os lados. E no fundo de uma das caixas ao qual vasculhava, ele encontrou a caixa. Era pequna com o formato retangular, as bordas eram adornadas com desenhos antigos e a tampa era de vidro, por dentro forrado com uma espécie de veludo, ao menos era o que parecia.

Ele levou a caixa até Caitlyn, e ela colocou a pedra dentro com cuidado. E assim que ela fechou a tampa da caixa, as máquinas voltaram a funcionar novamente, produzindo aquele som desagradável. Desta vez, Garen e o restante repararam nisso. Heimer se prontificou a falar, tenta o olhar deles para si em total atenção.

— Veja. – Falava ele, olhando e apontando para as máquinas agora religadas. – É um dos mistérios bizarros que cercam este estranho pó. E por alguma razão, cativou o interesse de Zaun. As pessoas expostas a ele são afetadas em um processo lento pela radiação que produz. Mas não apenas os humanóides são afetados... parece que tudo, máquinas tecnológicas e até mesmo os sinais exteriores da natureza, todas as atividades...! Está destinado a murchar quando exposto a ele. Os extratos pequenos tem consequências menores, mas é inimaginável o que uma gema intacta é capaz de fazer...

Garen suspirou baixo, trincando os dentes. Estava suando um pouco mais do que o normal. Ergueu o olhar para ver se era apenas com ele aquela coisa toda, mas todos pareciam bem, nem ao menos suavam. Ele engoliu em seco antes de falar.

— Os yordles daquela mina... – Seu estômago se embrulhou ao lembrar daquela cena. De seus rostos incrédulos e completamente sem vida. – Seus rostos... estavam completamente vazios...

Heimer o encarou, enquanto ajeitava seus óculos na face.

— Hmm... yordles são realmente bem sensíveis a magia... – Ele deu uma pausa, percorrendo os pequenos olhos no corpo de Garen, que suava cada vez mais, fora que parecia tremer. – Você deveria ter sentido os efeitos em você mesmo. Sente algum sintoma de tontura? Náusea?

Garen empalideceu, ainda com o estômago revirado, mas respondeu.

— Sim...

— Visão turva? Dor de cabeça? Dores no corpo?

Garen o encarou preocupado, certamente era tudo o que ele sentia e havia sentido desde que saiu daquela maldita mina. Heimer então prosseguiu.

— Não precisa entrar em pânico, a radiação que a pedra produz não pode mais corromper nossas mentes. Não se preocupe, você vai ficar bem... E você ainda não enlouqueceu não é?

Garen fez uma careta para ele.

— Vou estudar isso. Nesse meio tempo, por que vocês dois não descansam em Piltover? Vocês realmente seriam bem vindos. Não estou certo oficiais?

Caitlyn sorriu, dando uma ajeitada em seu chapéu.

— Mas é claro. Afinal, eu até tenho um pequeno quarto esperando por vocês.

Xin sorriu sem jeito antes de falar.

— Hm... obrigado, mas vamos conseguir nossos próprios quartos... – Ele se voltou para Garen contente por finalmente ter uma pausa merecida naquela missão. – Parece que vamos finalmente descansar um pouco, não é Garen?

Garen estava completamente parado, encarando o nada, seus olhos estavam vazios e sua alma parecia não estar ali...

— Garen...?

Insistiu Xin, encarando o amigo. Mas Garen ainda parecia distante, levou alguns segundos silenciosos para o guerreiro o notar. Garen por fim se deu conta de que chamavam por ele, seus olhos azulados fitaram Xin. Ficou sem jeito por ser pego daquela forma. Mas sorriu para ele.

— D-Desculpe... – Dizia Garen, levando a mão aos cabelos bagunçados.

Xin não sabia o que esperar depois de ouvir aquela história toda, estava preocupado com Garen, ele era seu amigo acima de tudo além de serem companheiros de longa data. Haviam passado por diversas coisas juntos, mas não algo como aquilo. Mas sabia que tudo iria dar certo no final... ao menos era o que ele esperava e queria acreditar. Xin se aproximou de Garen, colocando sua mão no ombro largo dele, dando uma leve apertada, Xin pode sentir os músculos de Garen ficarem tensos.

— Que história cara... espero que se recupere logo. Eu ainda preciso de você vivo.

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A luz do final do dia iluminava as madeixas vermelhas conforme se movia entre as árvores, como um fantasma vagando na mais densa escuridão. Seus pés eram ágeis, e sua mente estava mais afiada do que nunca. Tudo em que pensava eram naquelas palavras entre cortadas do papel que achara dentro do relógio de seu pai. Não sabia o que aquilo poderia significar, mas já tinha visto em algum lugar. Aquele pedaço de pergaminho não era comum. Era parte de algo maior. Suspirou ao parar a frente do imenso corredor do Instituto de Guerra, levara quase um dia e meio para chegar, mas finalmente estava ali. O local onde estavam suas respostas, seus segredos e o segredo do povo de Valoran.

Bom, o Instituto era enorme, e não possuía apenas pergaminhos antigos contando toda a história daquelas terras antigas, havia muito mais do que aquilo. O Instituto era uma vasta biblioteca, contendo segredos dos quais pessoas matavam para conseguir. Segredos ocultos e obscuros, de magias poderosas e devastadoras que foram proibidas a séculos atrás. Katarina sabia disso e também sabia que era contra as regras invadir um local como aquele. Mas ela não tinha escolha, iria invadir se precisasse. Queria respostas, queria saber o que havia acontecido ao seu pai. Sentia falta dele, sentia falta dos seus ensinamentos... da sua companhia, afinal, ela se tornara assassina por causa dele, para impressioná-lo, para mostrar que ela era capaz tanto quanto ele, que não era egocêntrica como as irmãs, ela tinha o fogo de seus ancestrais e as habilidades necessárias. Ela não era como suas irmãs que eram apegadas em vestidos caros e jóais exbeltas recobertas de diamantes, ela sempre fora apaixonada pelo calor da guerra, o tilintar de espadas e a proeza de ver a vida dos inimigos se esvaindo aos poucos conforme morria em seus pés. Queria ser mortal, queria ser uma arma poderosa e perigosa. E se tornou o que sempre quis. Mas claro, com muito esforço e suor. E jamais iria decepcionar a linhagem de seu clã. Não mais...

Seus olhos esverdeados fitaram as estátuas perante o caminho. Elas simplesmente pareciam crescer conforme se aproximava do imenso portão mais a frente. Ambas despojadas dos dois lados da trilha rochosa em qual caminhava, fazendo os pequenos saltos de sua bota ecoarem ao passar. Ninguém a vista, nenhuma alma viva, desde que chegara ali. A montanha ao fundo parecia engolir o Instituto, jamais parara para admirar o quão belo e assustador era aquele lugar. Mesmo estando ali diversas vezes em missões e a trabalho. Mas agora, parecia notar cada detalhe a mais, cada movimento das folhas das árvores ao redor, cada estalar dos galhos e o zumbido do vento. Prestava atenção em tudo. Em cada detalhe. Seu coração estava inquieto, mas sua mente limpa e calma. Absurdamente calma. Parou enfrente ao portão, franzindo o cenho. Bem, era tudo ao nada. Deu uma última olhada para as estátuas atrás de si antes de saltar para cima do muro.

Seus pés aterrisaram suamenvente sobre a grama do outro lado. Por pouco não pisara em uma camada de espinhos que cresciam calmamente na borda do muro. Se agachou por um momento atrás de um punhado de espinhos, ao perceber movimento ao fundo, alguém estava caminhando pela passarela entre os prédios. Finalmente uma alma viva a vista. A distância em que se encontrava até a passarela não era muito longe. Dava para ver bem o sujeito, não era muito alto, estatura mediana, ombros largos, pele azulada, vestia apenas uma calça nada elegante, não tinha nenhum cabelo, mas para compensar a barba mal feita lhe dava até que um charme único. Ryze, o mago rúnico. Katarina teria que tomar cuidado com ele. Sabia o quanto ele era sábio e que conhecia bem o local, melhor do que ela sem dúvidas, já que ele passava a maior parte do tempo no Instituto, não sabia exatamente o que ele fazia, mas para estar sempre perambulando para la e para cá deveria ser algo importante. Ele certamente seria de extrema utilidade naquele momento. Katarina se esgueirou silenciosamente até a borda do prédio, passou pelas pilastras tomando cuidado para não ser vista, antes de saltar para as costas do mago. Ryze parou, imóvel, sentindo a gelada lâmina contra a garganta e o robusto corpo da assassina contra si, podia até mesmo ouvir a respiração irregular da mulher quando disse.

— Nem um único movimento.

Ameaçava ela, tentando se manter o mais calma possível. Estava um pouco desgastada de tanta correria, fora o veneno em seu corpo que ainda crepitava. Ryze permaneceu calmo, tentando entender a situação, ousou virar um pouco o rosto para observá-la, mas ela fez pressão na adaga, impedindo ele de se virar.

— O que significa esse absurdo?

Proclamava ele, Katarina fez um pequeno corte na garganta azulada do homem, mostrando que não estava ali para brincadeiras.

— PARE COM ISSO. Agora, me conduza ao lugar onde você guarda os pergaminhos... a sala dos arquivos... ou seja la como chamam por aqui...

A voz saia friamente séria, com nenhum pingo de piedade. Ryze congelou por um momento, sabia que não poderia fazer aquilo, ia contra todos os seus princípios, mas aquela adaga... era um problema.

— Você tem ideia do que esta me pedindo?

Respondia ele rispidamente, Katarina esboçou um sorriso cruel nos lábios finos, pressionando ainda mais a adaga.

— Não faça perguntas enquanto estiver com a minha adaga em sua garganta, sabe, eu poderia muito bem cortar esse seu cavanhaque ridículo.

Ryze suspirou baixo.

— De qualquer forma, eu não tenho o direito de acessar esses documentos.

Katarina simplesmente sorriu ainda mais, dando uma leve risada debochada. Antes de prosseguir ironicamente.

— Se você fizer um pequeno esforço, eu tenho certeza que você vai encontrar a força em seu coração para quebrar as regras.

Ryze não tinha muitas escolhas a não ser fazer o que ela estava pedindo, ou poderia ser morto ali mesmo. Não sabia o que houve com ela para ficar daquela forma, ou se ela estava mostrando enfim sua verdadeira face para o mundo. Mas jamais a vira tão descontrolada antes. Os dois seguiram pelos corredores vazios, evitando ao máximo se encontrar com outros residentes do Instituto. Certamente Ryze estava sendo devidas útil pensara Katarina ao chegarem a frente da porta que dava para os documentos e pergaminhos arquivados. Ryze parou diante da porta, olhando de esguela para Katarina logo atrás, ainda com a adaga apontada para si.

— Este é o lugar onde os Summoners armazenam suas pesquisas sobre a maestria das artes.

Katarina arqueou a sobrancelha, não entendo muita coisa do que ele dizia.

— Artes...? Seja como for, abra a porta.

Respondia ela por fim depois de um breve silêncio. Se perguntando o que teria ali dentro. Ryze abriu a porta usando magia, nada difícil para ele, mas sem seu livro podia apenas fazer magias simples, as quais não usavam de dificuldades ou poder de ataque. Ele deu espaço para ela passar ao destrancar a porta, mas antes que ela conseguisse por a mão na fechadura ele prosseguiu.

— Você não é estúpida Lâmina Sinistra, você provavelmente sabe o risco de suas ações, mas eu não consigo entender o por que você esta fazendo isso...

Katarina trincou os dentes, ficando um tanto nervosa com aquilo.

— Eu disse, sem perguntas.

Respondera rudamente antes de entrar, arrastando-o na frente enquanto ainda o ameaçava com a adaga. A sala era enorme por dentro, com diversas prateleiras de livros e pergaminhos para todos os lados, mesas e mais mesas de pesquisas com folhas reviradas e livros entre abertos. O ar tinha aquele agradável cheiro de mofo. Nas paredes havíam vários quadros de paisagens ou magos conhecidos pelo mundo de Valoran. Katarina deixou seus olhos vagarem por aquele belo local, tinha muitas estantes, se procurasse sozinha iria levar uma eternidade. Por sorte tinha Ryze para ajuda-la com isso. Eles andaram até uma estante contando diversos pergaminhos na parte de baixo, e Katarina pegou o pedaço de seu bolso para checar.

— Onde eu posso encontrar o rolo de onde essa parte foi arrancada?

Perguntava, mostrando o pedaço para Ryze a distância com a mão livre. Ryze franziu o cenho.

— Você está falando sério? Existem centenas destes aqui. É muito mais fácil procurar uma agulha em um palheiro...

— E... sobre a invocação de Void?

— Você não sabe o que esta pedindo...

Katarina irritou-se com a resposta, quase gritando com ele. Estava farta de perder tempo.

— SILÊNCIO, APENAS ENCONTRE, AGORA!

Ordenava ela, colocando a adaga na garganta dele novamente e o empurrando para a primeira estante que vira. Ryze suspirou e começou a procurar. Levou mais tempo do que ela esperava, não tinha ideia de quantas horas haviam se passado, desde que começaram a procurar, mas naquele momento o chão estava repleto de pergaminhos e mais pergaminhos, Katarina havia lido todos eles, mas não encontrou nada relevante, nada sobre o que estava escrito naquele pedaço, nenhum pergaminho rasgado, até que... ao longe, no chão, ela pode ver um pergaminho com um pedaço faltando, arregalou os olhos se perguntando como ela havia deixado aquilo passar despercebido. Levantou-se do chão largando os pergaminhos de suas mãos e foi até ele. Ajoelhou-se, pegando-o do chão com cuidado. Seus olhos verdes vagavam atentamente em cada palavra escrita ali. Seu tempo era crucial e ela não queria desperdiça-lo. Mas seu maior erro foi ignorar o mago atrás de si, estava tão contente por ter encontrado aquele pergaminho, que ela não notou quando ele havia pego seu livro de magia, não notou quando ele em silêncio o enfeitiçou preparando um feitiço apenas para ela. Seus olhos verdes focavam a parte a qual dizia ‘’ Pesquisas sobre ( O? ) Void. Introdução: O conhecimento acumulado de assegurar o estado de segurança de Valoran...’’ Foi tudo o que conseguiu ler, antes de sentir o cheiro de magia no ar, o som dos raios fluir e a bola de magia vir em sua direção. Seus movimentos foram ágeis e quase não conseguiu desviar da sobrecarga de energia acumulada a tempo.

Aquele mago era mesmo ousado, ela agarrou o pergaminho ao saltar para o lado, mas antes que ele pudesse perceber, ela soltou o pergaminho no chão, desaparecendo em seguida, tudo o que Ryze conseguiu ver, foi a sombra do desaparecer. Ryze agitou-se não sabendo aonde ela iria aparecer, tinha apenas um segundo para reagir, e em um movimento de desespero, ele fez uma armadilha as suas costas, mas foi um lance errado, pois ouviu o riso dela vindo do seu lado direito e antes que pudesse se virar, a adaga dela já estava o atravessando na lateral do corpo, fazendo um belo corte. Dor erradiou de seu corpo, e sangue jorrou ao chão. Ryze caiu de joelhos colocando a mão em seu ferimento para evitar o sangramento. Inútil. Katarina o encarou por alguns segundos, chutando o livro dele para longe, antes de andar em direção ao seu pergaminho novamente.

— Só sei que não tenho nada contra você... – Começava ela calmamente. – Até mesmo te darei uma pequena dica... Comece a buscar respostas sobre você mesmo, antes de seguir cegamente o que lhe foi dito.

Ela recolheu o pergaminho do chão, rasgando-o em duas partes, enquanto Ryze a observava ainda de joelhos, a dor ainda o consumindo.

— É algo que aprendi, não a muito tempo...

Dissera com a voz tão serena quanto o vento que entrava pela janela entre aberta. Ryze estava paralisado sem conseguir se mover, por conta do fluxo de magia que corria nas lâminas da mulher. Katarina saiu pela porta sem se importar de olhar para trás. Deixando para trás, um Ryze revoltado e cheio de perguntas. Ele não fazia ideia se ela estava agindo assim por que Noxus a mandou, ou se fosse por algum outro motivo desconhecido... Mas se Noxus havia a mandado, certamente ela não agiria tão abertamente...

Katarina subiu pela base da construção até o telhado do Instituto, não sabia se fora vista por alguém ou se estava sendo seguida, e aquele local era ótimo para observação avançada. Dali de cima dava para ter uma boa visão de toda a extensão da área. Fechou levemente os olhos por alguns segundos, apenas para sentir aquela brisa em sua face, mas ao ouvir um bater de asas próximo de si, ela os abriu, sentiu um aperto no peito ao ver Kayle flutuando mais acima, encarando a assassina com uma cara nada boa. Katarina a encarou de volta, sem expressão alguma no olhar. Sem dizer uma palavra, ela desceu do prédio com um pulo simples e fluído, aterrizando na grama graciosamente, antes de andar para fora dali. Kayle pousou no chão, mas não a seguiu, apenas andou na direção contrária da assassina, entrando no Instituto.

Após uma caminhada demorada passando na floresta e seguindo para uma pequena colina, ela parou. Pegando em seu bolso, o extenso pedaço de pergaminho que havia roubado. Analisou cada palavra escrita nele, relendo diversas vezes. Quase não acreditou no que estava lendo, no que havia descoberto. Sintiu um aperto no coração, tentando compreender.

— Meu pai encontrou este pergaminho antes... e seus segredos...- Começava ela, falando consigo mesma, enquanto encarava aquele pergaminho, aquelas letras. — É por isso que ele desapareceu... Mas por que ele nos escondeu? Foi... para nos proteger? De alguma forma, eu agradeço a Cassie. Graças a sua mordida mortal, eu tenho ido mais longe do que qualquer coisa que já tenha tentado antes. Confie em mim, eles vão pagar... – Amassava o pergaminho em suas mãos ainda cobertas de sangue. Um sorriso cruel e antigo surgiu em sua face ao dizer. – Apenas deixe o derramamento de sangue começar...