Awakening
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Os primeiros raios de sol emergiam preguiçosamente de trás da grande caveira encrustada, localizada acima da montanha central da cidade noxiana. O palácio principal, abriga trimestres de Grand Generais, que por sua vez, se encontra em seu pico, possuindo uma boa vista para a vasta cidade abaixo, demonstrando que um Império governado pela força, nem sempre é tão belo como previsto, mas, isso sempre depende do ponto de vista de quem observa. Sem constar, que o Palácio principal também é um dos edifícios mais antigos da cidade. Conhecido também como The Immortal Bastion, que havia sido uma vez fortaleza do senhor da guerra brutal, Mordekaiser. Ele havia elevado torres de maca para o horizonte de toda a cidade, deixando-a com mais adornos.
Muitas das casas nobres, estão localizadas na capital do Império, incluindo a casa mais prestigiada e aclamada de Noxus, os DuCouteau. Embora, nem de perto é limpa e intocada na aparência, como a capital de Demacia sua maior rival, a cidade é a representação visual de força e poder. Mas, mesmo não sendo assim tão bela, Noxus tem sua honra e orgulho elevados, pois existem diversos memoriais de guerra que honram os mortos corajosos, espalhados por toda cidade.
As águas do foço que circundam a cidade, estavam calmas aquela manhã, deixando poucas ondas transparecerem, o céu estava com poucas nuvens, dando para ver quase que claramente o seu brilho glamouroso e alaranjado do nascer do sol. O ar ainda estava um tanto frio, mas por sorte, havia pouco vento. As ruas estavam praticamente desertas e em total silêncio, sem falar que estava cedo demais para algum aldeão ficar circulando livremente por ai, entretanto, o som agudo de um grande objeto feito de ferro, surgiu no virar da esquina principal, sendo arrastado pelos chãos pedregosos.
Pequenas faíscas começavam a sair dele, causado pelo atrito do metal com as pedras, o objeto que estava sendo arrastado era um grande machado, em suas lâminas duplas, dava para perceber o quanto de sangue que havia sido derramado, deixando uma trilha avermelhada e pegajosa para trás. O homem que o carregava, parecia estar concentrado em seu caminho, seus passos eram largos e brutos, seus olhos demostravam orgulho e satisfação pelo abate, juntamente com um leve ar de cansaço. O machado sem dúvidas era um grande peso em sua mão, mas isso não era motivo para ele deixar o objeto para trás.
Seus passos foram diminuindo, conforme ele entrava na área comercial da cidade. A maioria das lojas e estabelecimentos estavam fechados, ainda era muito cedo e o sol acabara de nascer, demoraria mais alguns minutos para ter comerciantes circulando pelas ruas, em busca de abrir as lojas ou vender produtos exportados de outras regiões em pequenas barracas móveis. Um leve arfar foi ouvido de seus lábios, certamente ele estava mais do que cansado. A íris de seus olhos brilharam, ao encontrar de vista o bar que costumava frequentar, já estava aberto, ou quem sabe, nem mesmo havia fechado.
Alguns pensamentos surgiam em sua mente, não era muito típico dos estabelecimentos estar aberto aquela hora, quem sabe ele estava perdendo alguma coisa, quem sabe fosse algum feriado, onde os taverneiros mais gananciosos abriam em busca de aumentar sua riqueza. O dono era ou corajoso por deixar o estabelecimento aberto daquela forma, onde poderiam o saquear a qualquer momento ou esperto o bastante para conseguir recadar mais moedas de ouro dos bêbados de plantão, teria sorte se não ouve-se brigas, que por várias vezes acontecia, era até mesmo normais, mas ele não queria lutar mais, não agora que acabara de sair de um abate recente. Tudo o que queria era uma boa cerveja coalhada e descansar por alguns minutos.
Mas esperar o que de um lugar governado pela força afinal de contas? Pela hora da manhã, não haveria tantas pessoas nele, quem sabe a maioria dos bêbados estariam todos desmaiados nas mesas, ou foram expulsos por brigar, e essa era uma boa oportunidade que encontrou para descansar, e também molhar a garganta seca, e se por acaso ouve-se mesmo alguma briga, que seja, pois mesmo cansado, ele não iria recuar, essa era sua meta, já que ele não temia nada e sabia que as pessoas não eram burras ou loucas o bastante para o enfrentar, ainda mais em seu próprio território governa-mentista.
Darius, esse era seu nome, também conhecido como a Mão de Noxus. Um dos grandes guerreiros prestigiados da nação noxiana, e braço direito de Swain, o novo governante da Cidade-Estado, conhecido por ser o grande mestre da estratégia, já que o antigo Comandante Boram Darkwill caiu perante seus pés, em uma batalha sangrenta em busca do controle de toda a Nação.
Certamente, Noxus era uma cidade brutal e impiedosa, tanto com seus moradores quanto com seus visitantes. Pessoas que não demonstravam força ou alguma habilidade para combate, eram banidos antes mesmo de entrar pelos grandes portões da cidade. Se por ventura forasteiros de outras regiões de Valoran entrassem em Noxus, sem saber a arte da luta e da guerra, eram espancados e roubados sem a menor piedade, pelas gangues e ladinos espalhados pela região. Era essa a fama da intimidadora Cidade-Estado, amada por uns e odiada por outros.
Já com o machado acoplado firmemente em suas costas, Darius adentrou no local. Antes mesmo de entrar ele pode sentir o forte cheiro de cigarro, cerveja velha e suor preenchendo o estabelecimento. Havia mais pessoas ali do que ele esperava. Do lado de dentro, tudo estava coberto por sombras e murmúrios, o fedor apenas aumentou ao passar pelas mesas, mas isso não seria um problema. Caminhou em direção ao balcão principal, desviando o olhar discretamente para alguns homens ao canto que o olhavam de esguelha. Ele reconheceu alguns, já outros ainda não havia visto pela cidade, quem sabe seriam alguns viajantes de passagem apenas, buscando a mesma coisa que ele. Darius observou com cautela todos eles, pareciam não ligar para sua presença ali, ao menos a maioria, já que o conheciam, não que isso o incomodava, mas era sempre bom ficar em alerta, nunca se sabia a hora certa de entrar em ação, ainda mais em sua cidade natal, ao qual o poder era o meio de se chegar ao topo. E isso era conhecido por toda Valoran, até mesmo forasteiros poderiam levar isso em conta. Seus olhos foram desviados novamente até o balcão, e foi ai que ele percebeu, uma figura feminina, a única pelo visto, encolhida com as pernas cruzadas, ela estava sozinha e parecia não estar se divertindo muito, sem falar que aquele cheiro impregnante parecia não a afetar, ele deixou um curto sorriso em seus lábios, indo com passos calmos até a mulher.
Suas adagas gêmeas presas a suas costas, juntamente com a roupa negra de couro colada ao corpo, já davam um bom palpite de quem era, o longo cabelo escarlate ondulava conforme se mexia na cadeira, e isso a diferenciava das pessoas ao redor. Katarina, A Lâmina Sinistra. Darius pode ver o canto dos olhos verdes dela se dirigir até sua face, conforme ele sentava na cadeira ao seu lado, mas nada além de uma simples olhada entediante, que deixou Darius, ainda mais interessado. Sua cabeça estava abaixada, ela observava o copo a sua frente, o qual segurava com uma das mãos, balançando vez ou outra em pequenos círculos, apenas para ver o líquido dentro se mover, criando pequenas ondulações.
Darius ajeitou-se na cadeira, observando de relance. Percebeu, que Katarina havia bebido bastante, quem sabe quanto tempo ela havia passado dentro daquele bar? Será que havia virado a noite ali? Ao menos era o que parecia, pois haviam vários copos a sua frente, alguns pela metade e outros com um restinho ao fundo, sem falar que ela fedia a cerveja e vinho. Darius levou a destra sem se preocupar até um dos copos afrente dela, pegava um deles pela metade com firmeza, em seguida levava até os próprios lábios e bebericava calmamente, refrescando a garganta. Katarina parecia não estar interessada naquilo, ela nem sequer olhou para ele. Parecia não se importar com a presença do guerreiro, tanto quanto das outras pessoas naquele bar.
— Dificuldades para a nobreza. Até mesmo os filhos mais ricos de Noxus, estão na tentativa de cometer delitos. Um desperdício... – Começava Darius, desviando o olhar para a ruiva ao seu lado. – Estou errado? Lâmina Sinistra... Ou deveria dizer, Katarina?
Ele deu uma breve pausa apenas para ver se ela falaria alguma coisa, mas não conseguiu nem mesmo outra olhada entediada, então prosseguiu, voltando sua atenção para as garrafas expostas no balcão afrente, deixando claro o sorriso em seus lábios.
— A Liga hehe... Que piada. Não há sangue suficiente para nossa juventude exuberante. Esses Summoners estão apenas afundando Noxus em nome da PAZ... Manter leões enjaulados nunca foi bom para selvagens anormais como nós... E você esta sofrendo com esta situação também. A dinastia Du Couteau conheceu dias melhores... Desde a morte de Darkwill e o desaparecimento de seu pai, bem... até mesmo seus servos fugiram quando perceberam a desgraça sobre a sua família. – Desta vez Darius lançou um olhar mais ousado na direção da mulher, que ainda parecia não estar ligando para as palavras dele. Ele voltou seus olhos até seu copo, dando mais uma golada. – Cabe a você somente a você... Decidir... Talvez seja a hora de você parar de encher os bolsos dos taverneiros e pensar em aliados mais sábios...
— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Darius mal terminava a frase, quando escutou a risada estérica de Katarina, fazendo-o voltar a atenção para ela.
— Agora guerreiros estão filosofando? HAHAHAHAHAHHA... Isso é hilário. – Katarina empurrava seu corpo para trás, levantando-se da cadeira do balcão, enquanto se recostava sobre o mesmo, só que agora de costas a ele, apoiando seus cotovelos na madeira velha. Contudo prosseguiu, sorrindo para ele. Dava para perceber o quanto ela estava bêbada. — E o que tem a minha dinastia? Darkwill não foi o suficiente? Você iria querer dar o golpe de graça para meu clã desaparecer? Não me faça rir...
Darius suspirou, fechando os olhos.
— Garota... Você esta bêbada.
O sorriso da mulher apenas aumentou, ela arqueou levemente a sobrancelha direita ao olhá-lo.
— Faça o que quiser, mas... Fique atenta, nem mesmo Noxus poderá mantê-la segura... – Continuava Darius, encarando-a. — E algum dia, eu ainda irei quebrar esse seu rostinho lindo no chão.
A assassina emitiu um estalo com a língua, antes de se dirigir a frente do guerreiro. Deixando seu sorriso ainda mais largo, isso demostrava o quão cínica Katarina poderia ser, ela não deixava ser intimidada daquela forma, não por ele. Seus olhos verdes fitaram os dele, e ali, Darius pode perceber o fogo que queimava na alma atormentada da mulher.
— Ameaças, é? Estou ansiosa para isso.
Aquilo fora o bastante para ela, não tinha mais interesse nenhum em permanecer ali. Pegou duas moedas de ouro de dentro do bolso de sua calça e tocou acima da madeira velha do balcão, as moedas fizeram um leve tilintar perto do guerreiro.
— Eu terminei com você Darius. Mas... – Continuava ela, agora partindo em direção da porta. Suas botas ecoavam no chão de madeira, dando alguns estalos, as pessoas ao redor não estavam prestando atenção na briga entre eles, e ela nem sequer olhou para o restante dos clientes, isso não a interessava. Parou diante da porta e o olhou por cima dos ombros, agora com seu olhar mais sombrio do que antes. — Nunca se esqueça, ‘’ Mão de Noxus’’, que ninguém esta imunizado contra a gangrena.
Darius cerrou os punhos, observando a silhueta de Katarina se afastar porta afora, os passos foram ficando cada vez mais baixos pela rua pedregosa e foi assim, até ficarem inaudíveis.
A luz do lado de fora deixou Katarina um pouco desnorteada. Ela piscou algumas vezes para tentar se acostumar com a claridade. Ainda cambaleava, não deveria ter bebido tanto, mantéu-se próxima das construções, para evitar cair ou tropeçar. Não estava em seus planos ser ferida por si mesma.
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Demorou cerca de alguns segundos antes que Katarina consegui-se enxergar com clareza, estava tudo tranquilo nas ruas, as pessoas já começavam a sair de suas casas para passear ou irem em seus devidos trabalhos, o sol brilhava ao horizonte, e o céu estava começando a limpar. Percebendo que as nuvens estavam enfim, desaparecendo aos poucos, mas ela sabia, que o dia não terminaria ali, na verdade, estava apenas começando, assim como seus problemas.
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