Notas iniciais
Primeiro contato...
O espaço é um lugar super bacana para se fazer um piquenique, voar entre asteróides, ir aos jogos de Vuducan espacial, tomar uns drinques coloridões, enfim, é um ótimo lugar e pronto. Ocupando um pequeno espaço desse todo, esta a LIFE - Liga Intergaláctica dos Farofeiros Espaciais. A LIFE é composta por seres de todo o universo que, sem ter muito o que fazer em seus lares, e já de saco(s) cheio(s) (temos a possibilidade de plural devido a algumas civilizações possuírem mais de um saco, chegando até a existir seres que são um "sacão" gigante, como são os Skrotus Rugadin de Rugadin, povo que quando os "sacões" enchem, eles estouram.). Mas deixemos o(s) saco(s) de lado e voltemos a falar da LIFE. Como dizíamos, essa incrível liga de desocupados sedentos por diversão e aventura, esta em constante crescimento devido ao fato de que todos os planetas estão cheios deles.
O fato da LIFE ser composta por desocupados, não significa que todo desocupado é farofeiro, porém todo farofeiro é desocupado, o que gera um enorme incomodo junto ao elevado número de seres desocupados de todos os cantos do universo, que procuram a LIFE almejando ingressar à sua equipe, e desapontam-se ao saber que só os seres convidados e merecedores ganham essa honra. Essa, inclusive, é o principal argumento utilizado na teoria do por que os políticos fazem o que fazem pelos quatro cantos do espaço, já que nunca um político foi aceito na LIFE, e por esse motivo procuram ocupar-se em não fazer nada por ninguém, salvo raras exceções. Raríssimas, eu diria.
Algumas informações são pertinentes para que possamos entender melhor como vivem os farofeiros, tal como a de que todo farofeiro possui uma câmera fotográfica, recebem da administração da LIFE, uma ajuda de custo mensal de 500,00 trunfus, que é a moeda oficial em todo o tudo, desfrutam também de um massageador portátil de mão, dois limões, um isqueiro, uma mochila bonitinha e, é claro, um livro de receitas com mais de 500 maneiras de preparar um suculento frango assado, mais conhecido no universo a fora por Có-có Queimado. (vale lembrar que algumas palavras são iguais as encontradas na Terra, porém nem sempre possuem o mesmo significado, ao exemplo da expressão com "bom dia!" combinado com um aceno de mão direita espalmada, que na fenda galáctica de Promogon, soaria como "Você parece um monte de côcô com milhos", por tanto, evitem dizer "bom dia!" combinado com um aceno de mão direita espalmada em Promogon. Podemos então dar início a nossa aventura espacial.

Capítulo 1: O Início.

No início de tudo, quando só havia o nada, o nada era muito chato, tão chato que foi preciso criar tudo. E no início de tudo, o tudo ainda era bem vazio, sem muita vida, sem muitas canções, nem mulheres e nem religiões, só havia o tudo, e o grande criador de tudo, o Deus, ou como quer que o chame, mas esse já tem o mérito de criar e cuidar de todo o tudo, e também já tem muita gente falando dele, então vamos continuar falando de tudo do todo, ou quase tudo...

Com o passar dos tempos, alguns planetas começaram a apresentar suas formas de vidas, inteligentes ou não, cada qual com seus tipos de habitantes, costumes, comidas, canções, mulheres e alguns, menos evoluídos, desenvolveram até religiões e a política. Quanto mais os seres evoluem, mais precisam de espaço, aliás, no espaço tem muito espaço para se ocupar, e foi pensando nisso que os primeiros seres começaram a querer explorar espaços dentro do tudo.


Consta nos altos, que os primeiros seres a fazerem uma viajem espacial, foi da já extinta civilização de Frugobei, que situava-se na galáxia de Atros Sisver, esta, ainda perdura até hoje, sendo alimentada por dois de seus antigos seis sóis. É sabido também que após a primeira mensagem enviada pelos frugobeienses:
“ – Estamos ocupando o espaço, e vemos daqui que no todo tem de tudo, vamos agora na direção do nosso planeta vizinho.”
Nunca mais nem nave, nem frugobeienses, nem o patinho roxo intergaláctico de borracha que na verdade era uma ave típica de Frugobei que chamava-se Quento, que era o símbolo da frota estrelar de Frugobei, foram encontrados. Supõe-se que pelo fato de seu planeta vizinho, ter sido o Sufruiva 3º, onde todo o seu território tinha em média 1.204Km, e era habitado pelos sufrus, seres tão burros, mas tão burros que devorarem tudo que se movia perto deles, e por esse motivo, viviam parados a vida toda, por pensar que até uma pedra poderia devorá-los caso se movessem, e por isso também, foram morrendo de fome ou comidos, até a total extinção dessa espécie.


Depois dos frugobeienses foram os haspantos que tomaram pela segunda vez o espaço. Estes mais inteligentes e cuidadosos, também inventaram máquinas , tipo nossos satélites, para fotografar e analisar os incógnitos planetas , asteróides, e outros corpos celestes antes de irem explorá-los com tripulantes.
Assim foi feito o segundo primeiro contato no universo, desta vez entre seres gentis e interesseiros, que logo depois criaram o primeiro mercado espacial, o segundo mercado espacial, o trunfus, que foi a primeira moeda espacial, e ainda é até hoje a moeda oficial do todo o tudo, criaram também, a primeira delegacia, mais um mercado, e nesse momento você deve estar se perguntando para que tantos mercados, e a resposta é simples, se você estivesse com um problema em um dos propulsores a jato, movido a energia nuclear, onde você iria comprar uma barrinha de urânio enriquecido “Brilhônico Espacial”, líder no mercado de baterias de urânio enriquecido, desde muito antes de você nascer? Ou ainda se estiver com fome ou vontade de fazer suas necessidades naturais, aonde mais você poderia fazer uma “paradinha”? Por esses e mais ou menos três mil e quatorze bons motivos, criaram-se e criam-se muitos mercados pelo espaço. E assim foi-se criando todo o tudo que existe hoje no espaço, obvio que o primeiro estádio de vuducan espacial já não existe mais, após ter sido sugado por um buraco negro espacial do tipo 4, e cuspido de novo pro espaço como poeira espacial, que foi aspirada pelo serviço de limpeza espacial, cinco minutos após isso tudo.
Como não existe tempo no universo, fica bem difícil, diria até impossível, precisar quando teve início a LIFE, mas podemos relatar como ocorreu.

A um montão de tempo terrestre atrás, uma nave vinda do planeta Tropo, caiu na Terra com um tripulante, o Sr. Krunf, que foi acudido por um terráqueo, o Sr. Victorino. Mesmo sem entender nada, Sr Victorino levou o ser extraterrestre para sua casa, sabendo apenas o seu suposto nome, uma vez que vinha bordado em seu uniforme exótico, “Sr. Krunf”, e socorreu-lhe, dando-lhe remédios, abrigo, comida e descanso.

No dia seguinte, o Sr. Krunf já com a consciência recuperada, resolve explicar àquele bom homem o que acontecera, e logo pela manhã, na hora do café ele deslancha:

- Caro amigo, meu nome é Krunf, de Tropo, e gostaria de lhe agradecer pelo zelo – e prosseguiu – e gostaria tembém de lhe contar o que houve.

- Sim. – respondeu Sr. Victorino, com perplexidade e um ar de indagação– Pode falar.

- Eu sou de um planeta muito distante do seu, ele até se parece com esse, e meu povo, como pode perceber, também é constituído por humanóides, como vocês chamam aqui em seu planeta.

Sem entender patavina nenhuma do que estava acontecendo, Sr. Victorino fez cara de sabido das coisas e pediu para que o Sr. Krunf prosseguisse.

- Minha vida era um saco, o planeta estava virando um saco de lixo, daí resolvi pegar minha nave e sair por ai. – explicara ele – Eu já tinha visitado três planetas da sua galáxia, mas não encontrei nenhuma oficina de naves, e acabei caindo aqui.

- Qual o problema com sua nave?

- Além do fato de não ter a mínima idéia de onde ela esteja agora, um dos propulsores a jato havia parado. Acho que por problema na fagulha.

- Fagulha?

- Sim, a fagulha. Sabe onde posso encontrar uma?

- O que seria essa bendita fagulha?

- É um dispositivo bem simples, onde o atrito de duas pedras metálicas cria uma fagulha logo acima de uma saída de um gás inflamável, saída esta constante e controlável, que faz a turbina ser acionada, e ela...

Antes que o Sr. Krunf terminasse de explicar, Sr. Victorino corre até a cozinha de sua casa e volta gritando:

- ISQUEIRO!

- Que?

- Isqueiro. Esse blá-blá-blá todo seu aí, aqui na Terra se chama isqueiro. – explica mostrando o isqueiro em sua mão direita.

Os olhos do Sr. Krunf brilhavam como de uma criança nascida em Luzineon, onde todos os seus habitantes enxergam por fibras ópticas situadas nas pontas de seus oito dedos.

- É exatamente disso que eu falava. Agora precisamos encontrar a minha nave. – Comemora Sr. Krunf.

Nesse momento, Sr. Victorino foi preparar sua bolsa para saírem em busca da nave, algo que não era nada de anormal naquela época. No início, antes das religiões e da política dominarem a humanidade, relata-se que era constante visualizar objetos voadores pelos céus, e alguns afirmam até que o contato com as civilizações mais evoluídas era, também, uma constante, e não uma particularidade do Sr. Victorino.

Saem então em busca da nave do Sr. Krunf, munidos de dois isqueiros, algumas roupas e uma bolsa de couro fedida e feia, porém a única que o Sr. Victorino dispunha. Chegam ao centro da cidade, e Sr. Victorino tratou logo de se informar, a fim de saber se alguém viu ou soube de alguma nave que teria caido, mas não obteve sucesso. Lembrou-se então de que encontrará o Sr. Krunf perto do lago e chegando lá foi batata, a ponta da turbina central da rabeta da nave, estava fora d`água. O difícil foi tirar a nave de lá, precisaram de muitos metros de um bom cipó, quatro bois, na verdade cinco, pois o segundo que eles arrumaram na verdade era uma vaca “monoteta”, que mesmo sendo “monoteta”, deixou todos os bois de verdade alvoroçados, então trataram de achar um boi de verdade e fizeram um belo churrasco com a vaquinha monoteta, enquanto os bois frustados trabalhavam cabisbaixos tirando a nave do lago.

Após uma bela limpeza, e com o propulsor já consertado, Sr. Krunf e Victorino retornam para a casa para passar o que seria a ultima noite deles em nosso planeta, e foi após o cair da noite, mas precisamente na hora do jantar que o Sr Krunf resolve convidar o Sr. Victorino para viajar com ele pelo espaço a fora, conhecer tudo do todo, ou quase tudo...

Decepcionado como o Sr. Victorino estava com o rumo que a Terra estava tomando, onde cada vez mais a política e a religião dominavam a vida das pessoas, se pôs então a indagar-se por que não valeria à pena “montar no porco”, e sair rápido daqui, antes do seu fim, e foi dormir sem dar uma resposta final ao Sr. Krunf, mas este, já sentia no ar que estava prestes a conseguir um amigo para juntar-se a ele nessa farofada espacial. Foi o que aconteceu, pela manhã, Sr. Victorino acordou seu mais novo amigo espacial, dizendo-lhe que estava pronto para partir. Em sua bolsa contavam apenas o isqueiro que sobrara, dois limões ainda meio verdes, não sabia por que levava os limões, mas não custava nada né? Eram tão pequenos e leves e algumas roupas, todos mal guardados em sua bolsa fedida e feia, não faziam peso algum.

Já na nave, após o Sr. Krunf apresentar todo o interior do veiculo espacial, Sr. Victorino encontra algo que mudaria sua vida para sempre, era um massageador portátil que pertencia ao Sr. Krunf, era algo que tempos depois ele veria os terráqueos inventarem e usarem para massagear seus corpos, mas no espaço, é algo de sumo importância, em determinados planetóides como o Favalin.


Consta nos altos que certa vez em Favalin, um massageador desses foi capaz de causar um terremoto de proporções homéricas, que quase dizimou o planeta. Uma nave cheia de “madames socialites espaciais”passava na órbita do pequenino Favalin quando começou um rebuliço doido, e puxa daqui, bate de lá e uma das dondocas esbarrou no botão da cápsula onde estavam guardados os massageadores e vibradores espaciais das moças. A cápsula foi ejetada e antes de cair no oceano de lá, bateu e uma pedra, abriu, no bate-bate alguns dos massageadores e tudo mais que ainda existiam, vibravam!

Tsunames gigantes por todo lado, terremotos, vulcões, foram dois dias de caos até as baterias acabarem, hoje por lá, acredita-se que houve a queda de um grande meteoro, e foi isso que causou todo o “balacobaco” já narrado.


E levantam então vôo, sem rumo nem destino, apenas voavam, por asteróides, luas, planetas, mercados espaciais e paravam aonde queriam e lhes era permitido, e foi assim que um belo dia chegaram a Chafrada, um planeta pitoresco, com uma civilização ignorante e delicada, porém com um ego gigantesco e assassino. Sua superfície era esverdeada durante o dia, e mais esverdeada ainda durante a noite, o que dificultou muito na hora de pousarem a nave, pois com medo dos gazes super inflamáveis que poderiam gerar aquela coloração, Sr. Krunf preferiu entrar na atmosfera planando, com os motores desligados, o que fez o Sr. Krunf quebrar um dos trens de pouso da nave, conclusão? Mais uma vez nossos pioneiros precisarão sair por ai em busca de soluções, mas fazer o que, sempre a vida foi assim em todo o tudo.

Antes que Sr. Victorino desembarcasse da nave, Sr. Krunf foi logo lhe advertindo de que existem diversas atmosferas, compostas pelos mais diversos e, para o Sr. Victorino, até então, inimagináveis tipos de gazes, solos, líquidos, céus e tudo mais que é preciso para formarmos um planeta e sua atmosfera. E antes que Sr. Victorino ficasse desmotivado e sem vontade de sair da nave, Sr. Krunf lhe deu uma pílula vermelha, bem pequena, que seria a solução para esse problema, após o uso da pílula, toda e qualquer forma de vida pode sobreviver por 12 horas terrestres em qualquer planeta, por mais pitoresco e insondável que seja.

Foi o que fizeram, tomaram suas pílulas e cada um levou consigo mais duas daquelas maravilhas modernas, vendidas nos mercados espaciais e nas melhores drogarias espaciais pelo nome de “Metamorfrougin”, ou seus genéricos, fabricados pelo laboratório interestrelar Pharmapharfar.

Era um planeta com a superfície bastante arenosa, e o ar além de verde era rico em sulfeto de hidrogênio, metano, indol, mecatol, mercaptano e sulfeto, ou seja, fedia como se 300 dos mais bêbados humanos, após uma bela feijoada, soltassem de uma só vez, cinco bufas cada... Que cheiro horrível! Porém a adversidade faz o homem, e nossos percussores prosseguiram amarrando um lenço junto ao nariz e boca, e tentando esquecer aquele problema mal cheiroso, seguiram por 1Km a noroeste de onde haviam parado. A noite naquele planeta parecia estar caindo, e já era possível ver que suas sete luas proporcionariam o mais belo espetáculo que Sr. Victorino já presenciara. Com o cair da noite, o ar esverdeado assumiu um tom de verde escuro, quase cor de musgo, o que dificultava e muito a visão dos dois desbravadores, que seguiram pela trilha falhada em meio a muita areia e pedras.

Avistaram então bem ao longe, algumas luzes, algo que lhes motivou a prosseguir sem parar, coisa que já estavam a comentar, se não seria a medida mais cabível a tomar até o amanhecer. Rumaram mirando as luzes ao longe, que iam se aproximando com a mesma velocidade que seus cansaços e ansiedades cresciam.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!