Aventuras Descontroladas De Percabeth
22 Qual é o problema do garçom?
Notas iniciais
Uma sirene nos tirou do beijo, avisando-nos que o navio atracara. “Droga, eu não quero sair daqui e ir para terra, onde uma fúria me esperava só por causa de meu amigo morto” Pensei.
-Droga. – falou Percy, como se estivesse lendo meus pensamentos.
Me senti triste por deixar o lugar onde tudo aflorou de verdade, mas eu tinha que ir e salvar a minha vida e a de Percy. Tudo por causa de uma Fúria louca que achava que eu gostava de Luke. Tá, tudo bem, ele era como um irmão para mim, mas isso passou. Ainda mais quando ele morreu. E eu ainda não entendia o porque a Fúria insistia. E só por causa disso.
Suspirei e peguei na mão de Percy. Saímos do navio, com pessoas ainda aparando o navio com máquinas. O sol estava quase a pico e machucava meus olhos. Pessoas de mentira e de verdade andavam para lá e para cá.
-Para o norte? – perguntei.
Ele sorriu, apertou minha mão e apontou para supostamente o norte:
-Para o norte e avante!
Eu ri e juntei nossos lábios em um beijo rápido.
-Hm... Para onde é o norte? – ele ficou vermelho.
Soltei uma gargalhada que estava presa fazia tempo. Depois de uns 30 segundos rindo sem parar, eu suspirei em um “Ai, ai”.
-Cadê sua bússola?
Ele me olhava, meio com medo, meio tentando segurar a risada.
-Tá aqui no meu bolso. – ele passou a mão livre no bolso.
Respirei fundo mais uma vez e assenti. Percy pegou a bússola e colocou na frente de nossos olhos. O ponteiro estava virado um pouco para a direita, em direção a uma montanha.
-Hã... Para lá mesmo? – ele arqueou a sobrancelha.
-É. – bufei.
-Vamos então...
Assenti e fomos de mãos dadas para a montanha que não parecia tão medonha. Andamos em avenidas cheias de nada e carros em tempos irregulares, nos deparamos com uma rua sem saída, demos meia volta e nos colocamos de novo no caminho. Norte, norte, norte, desse jeito iríamos chegar ao Polo. Quando era mais ou menos uma hora, eu precisava comer.
-Tem dinheiro ai? – perguntei, finalmente.
-Hmm... Trouxe 100 dólares. – ele disse, debochado.
Abri a boca em um pequeno “o” e arregalei os olhos. 100 dólares? Eu tinha mais 30. Tentei ignorar a pequena fortuna que eu tinha em mãos, quero dizer... Eu nunca tive 100 dólares no bolso, no máximo 30 como agora. Balancei a cabeça e me fiz de irreverente.
-Ao todo 130 dólares. – falei, colocando no fundo do cérebro o pensamento de comprar um livro caro que eu queria a meses.
Percy sorriu, passando a mão pela minha cintura e me puxando, me forçando a andar mais rápido.
-Ei, ei, ei. Espera ai... Eu estou com fome, poxa! – disse eu, fazendo cara de abandonada, testando uma nova forma de o persuadir.
Ele fez um bico pequeno, olhando para meus olhos com cara de dó.
-Onde quer comer? – disse ele.
Pensei. Fast food não. Comida da costa não. Comida japonesa, talvez. Indiana também. Fast food? Não! Italiana, pode ser. Mexicana, não! Desisti da minha batalha mental.
-Onde você comer?
Ele demorou um pouco mas respondeu:
-Tailandesa? Como no The Big Bang Theory! – lembrei do tempo em que fico na casa do meu pai, de noite, quando eu acordava meio chorosa por causa de alguém que eu nunca me lembro depois de acordar. Eu sempre assistia esse seriado, e o depois dele, Friends, e o próximo também, The Walking Dead. Em The Big Bang Theory, eles comiam quase todo episódio comida ou tailandesa, ou indiana (a quem eu sempre liguei ao personagem indiano da série, mas nunca tive certeza se era uma ligação correta), ou japonesa ou qualquer outro tipo de comida terminada com “esa”.
-Claro, mas eu nunca comi... – confessei.
-Então... Vamos de italiana mesmo, sei lá, para não te confundir.
Sorri, e voltamos a andar, saindo totalmente do curso, indo a oeste, onde ficava um shopping pequeno com 45 lojas e 2 restaurantes. Um fast food, óbvio, e um de comida da Itália. Chegamos lá e pedimos o menu. Tinha entre pizzas incrementadas a macarronadas tradicionais.
-Fico com uma macarronada simples, com queijo extra. – Percy falou, antes de eu poder processar tudo que estava escrito no menu.
-Hmm, e você, senhorita? – o garçom perguntou com um sotaque ridículo e forçado. Ri que nem condenada, mentalmente, claro. Mas só sorri mesmo, querendo demonstrar simpatia.
-A mesma coisa que ele, só que sem o queijo extra, por favor. – ele assentiu, enquanto escrevia em um caderno minúsculo.
-E para beber? – o garçom não tinha desistido de parecer um italiano com avós maternos alemães e pai francês.
-Cherry Coce. – eu e Percy falamos juntos. Sorrimos um para o outro.
-Ok. – e o garçom saiu de perto, ainda escrevendo em seu bloquinho.
-Que ridículo... – Percy – como se tivesse lido minha mente – bufou.
-Não é!? – eu perguntei retoricamente.
Rimos um pouco alto, mas não me importei, nunca tinha visto os outros clientes e jamais os veria de novo, a não ser que um deles fosse minha Fúria simpática, vestida como a senhora gorda e rica da mesa ali do canto. Refleti, mas joguei fora o pensamento quase na mesma hora. 2 minutos em silêncio, só os barulhos dos pratos batendo na cozinha e os murmúrios dos clientes à nossa volta. Assunto, assunto, cadê você, querido?
-Tem coragem de fazer tatuagens? – Percy me perguntou.
-Não! Não... Não. – respondi rapidamente.
Ele de um risinho baixo.
-Nossa, então ok.
-Por quê? –perguntei, curiosa.
-Não sei, ah... Sério, é só porque eu acho que eu tenho... – ele refletiu.
-Cara... Sério mesmo? Tipo... Sério?! – eu perguntei, não querendo deixar o assunto morrer e passar por mais 2 ou mais minutos de um silêncio nada legal.
-Ah, sim... Sei lá, dependendo do lugar, dizem que não dói. Em compensação... Há lugares onde dói, muito, demais. – ele pigarreou – Quero dizer... Não que eu saiba, porque nunca fiz uma, só escutei falar.
-Ah... — Que pergunta? Que pergunta? – O que e onde você tem coragem de fazer?
Ele pensou um pouco.
-Eu não sei... Ah... Eu... Admito que já sonhei que tatuei um rato no braço. – e riu.
O acompanhei, imaginando-o chegando ao Acampamento Meio-Sangue com um rato tatuado no braço. Quanta masculinidade, até dá para sentir o cheiro.
-Meus deuses. – eu disse, depois de conseguir voltar a respirar.
-Mas acho que tenho vontade de tatuar um olho grego nas costas, contra mal olhado.
Peguei a ironia contida mas não intencional e refleti sobre ela.
-Olho grego? — falei, entonando um sotaque ruim de algum lugar do mundo na palavra “grego”.
Percy pensou e quando entendeu a piada, soltou-se em um riso baixinho mais gostoso. Dois segundos depois o garçom italiãcês (italiano+alemão+fracês) chegou com nossa comida. Nessa hora meu estômago se revirou, ansioso. Olhei o macarrão me chamando “Me coma, sou gostoso” E depois tirei do pensamento uma imagem que não quero falar aqui. Peguei o garfo com vontade e ataquei. Só ouvi o barulho de lata sendo aberta e o “sssssssss” de refrigerante. Depois, ainda absorta em meu prato, ouvi Percy atacando do mesmo jeito seu prato com queijo extra.
-Cara, como isso é bom. – ele falou e eu o olhei. – Hã... Mas acho que o seu é melhor, é. – Eu tinha dado um olhar tão mal assim?
Sorri e abri minha Cherry Coke. Bebi quase metade do liquido que tinha colocado no copo.
-Não sei, mas acho bom pedirmos mais um prato e levarmos para – ele fez aspas no ar – “viagem” e pouparmos o que trouxemos. – e pontou para as nossas mochilas na cadeira sobressalente.
Assenti, colocando um pouco mais de macarrão na boca.
-O mesmo prato?
-Pode ser.
Percy pediu os pratos e falou que eles eram para viagem. O garçom assentiu e saiu. Continuei a comer, pensando no que nos esperava naquela montanha acima. Não que estivesse frio e não que a montanha fosse tão alta para nevar, mas tentei me preparar psicologicamente para um pouco de frio. E também os monstros.
-Era só porque estávamos no barco do seu pai que não tivemos nenhum monstro nos atacando? – perguntei, pegando a última garfada de macarrão.
-Acho que sim. – ele bebericava o segundo copo da segunda lata de refrigerante.
-Ah... Mas agora estamos por nós mesmo, certo?
-Isso. Mas ok, eu luto bem.
-Ah é?! – eu dei um risinho debochado – E a minha inteligência? Como é que você fica sem os meus planos?
-Calma. E-eu só brin... Brinquei – ele estava com medo mesmo.
-Ótimo. Tá. Quero sobremesa. – falei, arqueando uma sobrancelha.
Percy olhou para os lados, abaixou um pouco sobre a mesa e falou:
-Eu não sei se aguento mais alguma coisa.
O olhei incrédula.
-Que? Só um prato e já está cheio? – ri baixo com dificuldade – E eu pensando que você iria pedir mais um. Agora sim dá para ver quem tem o melhor estômago nessa relação.
Ele sorriu e piscou. O garçom chegou com duas sacolas com nossa comida para viagem e eu pedi quase na hora que ele virava as costas para nós.
-Hmm... O que temos de sobremesa?
-Vou pegar um cardápio para vocês. – o gerente deve ter falado que o sotaque não estava lá estas coisas, porque entendi perfeitamente sem ter que traduzir muito mentalmente.
-Obrigada. – sorri.
-Cara... O que se tem mesmo de sobremesa em um restaurante italiano? – Percy falou, enquanto eu fitava o garçom voltar com dois cardápios nas mãos.
-Sei lá, mas tomara que tenha coisas boas. – levantei os ombros.
Ele sorriu e o garçom colocou os cardápios nas nossas caras. Ele nos esperou escolher. Pedi o que qualquer restaurante de qualquer culinária tinha. Sorvete de limão. Já Percy foi mais sofisticado e pediu uma coisa que eu não soube dizer o que era. Se era um pouco de sorvete com mais leite que o normal, ou se era sorvete com bolo de cenoura. Eu sei lá! O garçom saiu mal-humorado anotando em seu bloco.
-Ele deve odiar seu trabalho. – eu pensei alto.
-Sim, ou então somos tão chatos que até os garçons se sentem chatos, contagiados com nossa chatice.
-Nossa, merece um abraço da Meryl Streep depois desse momento de filósofo.
-Oh, sim! Eu quero! Acho ela muito legal. – Percy falou.
-Tá, tá, tá.
Ele sorriu torto.
-Ciúmes?
Emburrei com a palavra.
-Não.
-Aham. Ah, olha ele ai.
O garçom colocou o sorvete de limão na minha frente e a sobremesa sofisticada ao ponto de eu não conhecer na frente de Percy. Saboreei o gosto como se fosse o último. Quando eu acabei, Percy também tinha acabado.
-Meu... Quanto será que deu tudo isso? – perguntei, enquanto Percy filosofava se ia ou não passar a língua no prato de sobremesa.
-Muito. – ele arqueou a sobremesa.
Eu sorri e ele me acompanhou. O garçom deve ter nos ouvido ou então já estava cheio de nós e estava nos mandando embora indiretamente.
-Ham... A conta? – Percy perguntou.
-Claro. – ele tirou um papel do bolso e eu estranhei por ele não perguntar se era cartão de crédito ou dinheiro vivo. O papel era a soma dos pratos e tudo. Sem recibo? Ok... 50 dólares... 50 dólares!
-Nossa... – cochichei, me inclinando em direção ao papel.
-Não é? – ele parecia perplexo. – Hã... Eu pago.
-Não... Eu só tenho 30, mesmo assim vou te dever 20.
-Não, cara! Eu pago, e pronto. – ele não metia medo como eu.
Bufei. Ele pagou com uma das suas duas notas de 50. O garçom deu o troca ali mesmo, o que eu achei um absurdo, porque ele trabalhava com comida, nem pelo menos um luva para pegar o dinheiro. Balancei a cabeça, nunca mais vou comer aqui.
-Obrigada por comer aqui. – ele disse de má vontade.
-Nós que agradecemos. – eu disse por mim e por Percy.
Saímos de mãos dadas, e eu com medo do garçom me atacar por trás, por algum motivo.
-Vamos logo. – cochichei perto do ouvido de Percy.
-É... Eu sei. – e nós apertamos o passo.
Saímos do restaurante para o sol quente e ofuscante demais.
-Já vamos agora ou esperamos um pouco, sei lá. – ele perguntou.
Eu pensei.
-Vamos andar devagar, só para esperar a comida abaixar.
-Ok.
Ele apertou mais a minha mão, o que me deu um frio na barriga. Nos afastamos um pouco do restaurante, com medo de alguma coisa. Fomos para o oeste, em direção a uma avenida de mão dupla bem aberta, com alguns carros aqui e ali. A avenida era beira mar, com uma faixa pequena de areia. Tinha algumas entradas para a praia em alguns pontos, com uma escada que terminava na areia. Ele me puxou sem pedir em direção a uma escada.
Notas finais
Fiquei sem internet, enquanto estava sem internet, fiquei escrevendo, de repente Word ficou emputecido com tudo e todos e não quer abrir, internet voltou mas Word não, como sabem, quero equilíbrio entre o que posto e o que escrevo, Word voltou faz pouco tempo então postei só hoje. FIM.
Mentira tem mais coisa.
Quinta agora começam minhas provas trimestrais (fodeu mesmo, literalmente), então... Se eu não responder reviews ou demorar para postar de novo, vocês já sabem o porque.
E RECOMENDO QUE LEIAM AS RESPOSTAS AOS REVIEWS, por favor, sei lá, é mais fácil em alguns casos.
OOOK, tchau, vejo vocês daqui um bom tempo, mas vejo, e não desistam da minha fic.
Ah, ahhaah quero contar que estou sendo má ao nosso casal fofo. MUHAHHAHAHA Desilusões sempre nos fazem ficar com personalidades más e diferentes.
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