Notas iniciais
A história passa 10 anos depois do último episódio de A Lenda de Korra.

NOTA: O Templo do Leste era ocupado por mulheres, mas devido a política de ocupação, passou a ser um templo livre para todos. O lugar ainda conserva as características antigas, e o conselho de decisão é composto por mulheres, no entanto, Hava se tornou um porta voz para outros templos e com Tenzin, que é o responsável por todos os novos acólitos.

—- Mestra, com sua licença, não podemos deixá — la atrapalhar a meditação do senhor Hava — dizia uma voz masculina, seu tom era de preocupação.

Ser chamado de senhor incomodava Hava, que odiava títulos, nomeações ou coisas do tipo. Nem tinha as setas que caracterizavam um mestre do ar, segundo a cultura nativa. Então, mais uma vez se concentrou para continuar o processo de meditação. Estava de joelhos, com os punhos fechados, um contra o outro. Costumava fazer isso ao meio dia, de frente para estátua reformada da Avatar Yang Cheng.

—- Por favor, não entre no salão espiritual… — a voz não escondia o medo.

Ao ouvir mestra, o monge concluiu que poderia ser alguém do conselho, ou de algum outro Templo. Descartou logo as possibilidades, porque uma visita assim seria agendada e não havia porquê tal urgência, já que ele é somente um porta voz. “Esse papo de líder do Templo fez todo mundo achar que eu tenho que resolver problemas diplomáticos enquanto as senhoras do conselho ficam lá, lendo e meditando” pensava.

—- Hava, nós precisamos conversar! — A voz era conhecida, determinada.

—- Era necessário tanta pressa? — disse sem abrir os olhos, ou mover — se.

O monge que entrou junto, estava assustado, não sabia o que falar. Atrapalhar um momento de espiritualidade, em casos frívolos, era de extremo mal gosto, ainda se tratando de uma mestra do Ar, aqueles modos deveriam ser justificados por uma necessidade relevante.

—- Yuko, nos deixe — a voz de Hava era seca. Os monges costumam pedir e não ordenar, mas a fala soou no imperativo.

As pesadas portas de carvalho se fecharam e então Hava Andhi levantou-se visivelmente contrariado.

—- Eu espero que seja um problema muito sério, minha querida Jinora — disse irônico.

—- Você esperava esconder esses problemas até quando? — Jinora não era mais aquela criança que se tornou uma mestra antes mesmo de dar o primeiro beijo.

As sobrancelhas de Hava arquearam em surpresa. No entanto, o dominador já imaginava que uma hora ou outra, aqueles acontecimentos recentes iriam chamar atenção da Ilha do Templo Ar, em Cidade República. Hava sentiu-se frustrado por não ter conseguido amenizar, só que se sentiu agradecido dos monges responsáveis não terem demorado para agir.



A filha mais velha de Tenzin tinha se tornado uma mulher extremamente bonita. Usava os cabelos amarrados num coque, tinha o olhar mais sério e as túnicas escondiam um corpo em forma, era delineado, sem nenhum exagero, não menos feminino.”A simplicidade da beleza natural é encantadora, tudo nela é gracioso” pensava Hava. Jinora havia se tornado uma das mais belas Mestras do Ar do mundo moderno. Ela vinha caminhando na direção de Hava, cada passo parecia tocar nuvens ao invés do rígido piso daquele santuário.

—- Você entrou assim nos outros Templos, ou só aqui para me impressionar? — Hava olhava nos olhos castanhos dela, herdados da mãe.

Jinora cerrou os olhos, numa expressão de irritação. Manteve o respeito por estar dentro de um solo sagrado. Nos tempos recentes, ela passou a cuidar dos assuntos diplomáticos no lugar de seu pai, fazendo as viagens e acompanhando o desenvolvimento da nova cultura, a personalidade tranquila, e avidez por livros continuou, porém a pressão de exercer o trabalho político de seu pai tinha lhe causado estresse. O velho Tenzin era mais uma figura lendária e respeitada que aparecia em eventos e feriados importantes. Mesmo com a idade avançada, seguia como mentor da Avatar Korra.

—- Nós vamos até Cidade República, temos uma reunião marcada com meu pai e Korra — Jinora queria ser mais objetiva, mas lidar com o cinismo de Hava era como lutar contra um dominador de Terra, bruto e cansativo.

Hava fechou os olhos um instante para se lembrar dos acontecimentos e tentar passa — los sem erros. “Os monges que mandamos para as cidades voltaram, eles alegaram que foram impedidos de entrar. Um grupo de homens encapuzados, uma saída forçada e a acusação: Aos poucos vocês estão transformando o mundo em um modelo que vai tirar a liberdade das pessoas, estão recrutando membros para mudar governos e as pessoas. Nem o Avatar, e nem vocês, Novos Monges, irão espalhar a sua crença forçada pelo mundo.” As palavras que Yuko, parafraseadas do homem que havia lhe dito, ressoaram na cabeça de Hava. Aquilo não fazia sentido, e os monges sabiam que a intolêrancia iniciaria com medidas assim, proibições e depois grupos organizados. Mas, quem espalhou essa aversão? No momento, Hava só queria entender porque Jinora estava ali, de modo incisivo. “Será que Cidade República está sofrendo com isso?”, pensou.

—- Nós voaremos juntos então? — falou em tom provocativo.

—- Infelizmente — exclamou Jinora virando os olhos.

Hava deixou-a parada de frente para estátua de Yang Cheng e saiu. Os passos largos faziam sua túnica esvoaçar, o monge era adepto da moda antiga, então ainda usava vestes largas e de gola alta. Por não ter as setas, deixava o cabelo bem curtinho, mas não careca como os outros acólitos. Possuía uma barba por fazer e sua expressão natural era séria, fechada, todavia podia utilizar do ar debochado e irônico para expressar suas ideias.

Jinora o seguiu, irritada.

O Templo do Ar do Leste era o mais belo dos templos, foi construído sobre três montanhas e possuía jardins suspensos que davam cor as paredes de quem via as longas torres de longe. Hava caminhava entre os corredores cumprimentando as irmãs e irmãos que ali passavam. O rugido dos bisões era a música natural daquele ambiente. Fazia jus ao título de templo mais espiritual de todos, o clima era leve, como se tudo ali tivesse o peso de uma pena. Parte do progresso recente das reformas, que fora iniciado por Tenzin anos atrás, foram planejadas pelo porta voz eleito. Porém, Hava tinha um apreço por símbolos e para um deles estava caminhando, seguido por Jinora.

—- Veja essas pinturas — Hava apontou para uma grande parede, um afresco de metros que retrava três montanhas sendo consumidas pelo fogo. A imagem tinha uma riqueza assustadora de detalhes.

—- Isso é assustador! — Jinora sentiu aversão aos traços.

Jinora desviou o olhar da parede. Em seus estudos, sempre tinha a leitura pesarosa sobre os ataques da Nação do Fogo, que dizimaram os antigos monges. O que Hava dizia era que por pior que tenha sido os efeitos da guerra, os Nômades do Ar estavam de volta, para uma nova história.

Notas finais
Bom, essa é uma ideia que eu tive a bastante tempo. Maturei ela por um bom tempo e agora resolvi colocá-la em prática. A quem se interessar pela fic, fico feliz de contar com sua leitura e seu review.