Avatar: A lenda de Tara — Livro 2 Fogo
3 Lembre-se de mim
É a maior e mais luxuosa festa que eu consigo me lembrar. Logo após o meu treino com Jun ela me convidou como acompanhante para festa de noivado de sua irmã mais velha, Greta. Todos eram de uma elevada classe social e elegantes sem duvida. Pintados, enfeitados com penas, os cabelos trançados ou em coques tão apertados que esticavam seus rostos. Apenas eu mantinha o cabelo solto, estou usando um vestido preto longo e simples. Jun não abriu mão de ser a mais elegante de toda a festa, com seu cabelo curto preso no alto em um coque frouxo e um vestido vermelho enfeitado com folhas de prata e o fogo rodeava seus saltos ritmado com os passos dela. De todos os lados eu vi chegar cada vez mais convidados trazendo presentes escandalosos e desnecessários, pareciam competir pelo titulo de melhor presente. Elaborei um presente a Greta de ultima hora, uma tiara feita de metal que ao meu ver era o mais bonito de todos os presentes.
Dançarinos e músicos enchiam Greta e o noivo de canções e elogios, desejando-lhes um casamento longo e feliz. Em um determinado momento me sinto pouco à vontade e desconfortável, fraca até. Me afasto do centro da festa e vou em direção ao jardim da frente. Me sento em um banco e respiro fundo tentando voltar ao normal mas logo reparo na confusão que é formada do lado de fora do portão. A única coisa que consigo destinguir é o enorme animal. Uma toupeira texugo que tenta abater os seguranças que estão prendendo-na com coleiras e amarras. Chego mais perto e vejo uma pequena batalha sendo travada entre os seguranças e três rapazes que parecem tentar invadir a festa. Ouço um grito de choro vindo da toupeira texugo e a lembrança dela retorna como mágica. A raiva toma conta de mim quando vejo que dominadores de fogo a queimaram. Deixo os saltos de lado e faço um corte lateral no vestido para que eu consiga correr. Escalo e salto o portão e em poucos segundos golpeio e deixo inconsciente todos os dez guardas. Sem pensar em mais nada abraço a toupeira texugo com um desespero enorme e ela retribui o abraço bem mais calma.
— Zena.
Eu estava profundamente feliz, inconsciente em relação ao que acontecia a minha volta. Mas durante todo o momento eu senti a pressão daqueles olhos sobre mim. Os três garotos que acompanhavam Zena usavam roupas que especificavam de que nação eram originados. Seus olhos tão fixos em mim estavam a ponto de derramar lagrimas.
— Tara? — o garoto com a pele escura e os cabelos caindo abaixo dos ombros falou, os outros dois estavam sem palavras, então ele me abraçou. Eu retribui o gesto, mas algo não se encaixava, era como se ele escapasse da minha memoria, flashes apareciam em minha cabeça mas não conseguia reconhece-lo, nenhum deles.
— Quem... — eu gaguejei. — quem são vocês?
Nos três rostos haviam iguais doses de felicidade e tristeza.
— Sou Kadda – o de cabelos longos se apresentou, com certo cuidado com as palavras. – E estes são Suna e Dao Li. Viemos te levar pra casa T.
— Hã? – Comecei a estranhar a conversa embora tivesse um bom pressentimento em relação a eles. O garoto de cabelos longos parecia ser uma ótima pessoa, então não tive o ímpeto de ataca-los. – Eu acho que não os conheço. Sinto muito.
— Como é bom vê-la amor. — o de cabelo curto diz, quase sem fôlego ignorando o que eu disse, me apertando mais no abraço e eu começo a me sentir sufocada. O empurro com força quando tenta me beijar.
— Isso não tem graça! — gritei com raiva.
— Amor, espere... Sou eu... Dao. — ele segura meu punho firme mas sem me machucar.
— Me largue! — me desvencilho dele farta de toda essa situação e caminho de volta para a mansão.
— Por que esta fazendo isso? Não percebe o quanto estávamos preocupados com você? — o de olhos dourados finalmente fala, se exaltando.
Não dou importância a ele e continuo meu caminho.
— Já chega! Você vem com a gente agora!
— Suna, não... — Kadda tenta segura-lo mas ele corre em minha direção, me assusto quando uma rajada de fogo o afasta de mim.
— Fique longe dela! — Jun grita e corre em minha defesa.
— Faísca? — Kadda diz emocionado.
— Você? O que diabos você esta fazendo aqui? — eles agarram um ao outro felizes e aliviados, o resto de nós esta surpreso.
Eles ficam abraçados por um longo tempo, mas então Jun para e seu sorriso some.
— Por que estão perseguindo a Tara? — ela diz, a postura firme e os olhos atentos. — Vocês não irão leva-la a força, eu não vou deixar.
— Sim… Ouça… nós chegamos aqui seguindo a energia espiritual e o cheiro dela — ele nos diz, tentando falar com calma, esperando acalmar nossas desconfianças. — Mas embora alguns de nós não saibam lidar com a situação... — ele lança um olhar de reprovação para Suna e Dao. — Não viemos aqui lutar, apenas queremos que ela volte pra casa, pra juntos de nós, a sua familia. — ele se aproxima lentamente tentando diminuir o espaço entre nós.
— Acho melhor se manterem distantes se não vamos bater em vocês. — eu digo em posição de combate pronta pra ascender os braços. — Estou pronta pra ouvir o que quiserem me contar sobre minha vida, mas sem ninguém tentar me sequestrar. — todos concordam, Jun não sai do meu lado em momento algum, os garotos começam a contar nossa historia.
Ao desenrolar da conversa acabamos todos nos sentando na calçada, os garotos tentavam me explicar do melhor jeito possível que tipo de pessoa e avatar eu era. Pararam de repente de falar quando chegaram a parte do deserto e então senti o mal estar de novo, meu coração batia acelerado querendo saltar do peito. Minha boca ficou seca e senti o chão contra meu rosto. O que aconteceu em seguida veio em flashes. Pessoas mortas diante de mim, minhas mãos no pescoço das que ainda estavam vivas, senti a dor, senti implorarem pela vida, mas senti com mais intensidade o prazer de mata-los um por um. Eu sentia a confusão, a luta entre o bem e o mal sendo travada dentro de mim. Era assustador demais. E eu gostava disso.
Vi o brilho de um olhar na escuridão e despertei.
Devia haver uma duzia de pessoas a minha volta, mas tentei não lhes dar importância. Olhei de relance para todos os rostos, estiquei as pernas no colchão, estralei a coluna e puxei o cobertor para me cobrir. Um senhor moreno de olhos verdes e com roupas vermelhas deu uma gargalhada para aliviar a tensão e no mesmo momento sua esposa fez com que ele se calasse apenas levando o indicador aos lábios.
— Filha, você se sente bem? — um senhor perguntou, os seus olhos tão negros quanto os cabelos. Me sentei na cama, cocei a parte de cima da cabeça confusa e olhei ao redor esperando encontrar algum sentido no que acontecia a minha volta.
— Acho que sim. — depois de um suspiro de alivio coletivo continuei. — Vocês podem me esclarecer toda essa situação?
— Claro que sim querida. Para começar, eu me chamo Jinora. — a mulher que fez o marido se calar se apresentou enquanto se aproximava de mim, os olhos cheios de ternura.
Fale com o autor