Avatar: A Lenda de Rong
3 Livro I. Capítulo 3: O Primeiro Descanso
Naquela manhã, acordava cedo. O nascer do sol na cabeceira da cama clareava meu quarto. Um cheiro delicioso me atacava. Uma bandeja com frutas, alguns cereais, um suco e uma massa suspeita estava no criado-mudo, junto de um bilhete: "Coma, coloque o uniforme de treinamento e desça para a varanda". Assim o fiz. A massa suspeita era recheada com algo saborosamente doce , talvez seja, VarrickCakes.
O uniforme era um macacão bege com peitoral, tornozeleiras, cotoveleiras, joelheiras, capacete e botas verdes. Logo os vestia e descia para o térreo, onde os mestres e Jin me aguardavam, junto de alguns guardas.
—Bom dia, Avatar! — Disse Igaluk, sorridente como sempre — Hoje nós vamos ao campo de treinamento para ver como está suas habilidades de combate. Não temos tempo a perder. Vamos lá! — E logo saíamos caminhando em direção ao local.
Disponíveis para a primeira parte do treinamento, estavam alguns blocos de terra, tijolos, discos e vigas de ferro, mas eu podia tirar o que precisar do solo.
—Quando quiser, Avatar! — Anunciou Ikki, que estava afastada com os outros mestres.
Eu tinha que derrubar quatro guardas o mais rápido possível, assenti para que começassem.
O Guarda 1 lançou uma rajada de chamas contra mim. Em um movimento de braços, fiz com que dois discos de terra me protegessem e fossem contra o inimigo, tirando-o do jogo.
O Guarda 2 e 3 lançaram quatro blocos de terra de uns três metros contra mim, em cada direção tinha uma pedra gigante vindo para amassar. Fiz o chão me empurrar para cima, elevando-me a cinco metros no ar. Os blocos se chocaram, mas debaixo deles estava vindo um chicote de água feito pelo Guarda 4.
Aquilo acertou em cheio em meu rosto, jogando-me no chão com mais velocidade. Bati a cabeça no solo e minha visão ficou turva.
—Eu falei que esse pastel era um fracote! — Ouvi o mestre de terra falar. — Vamos trabalhar igual condenados pra fazer disso o humano mais poderoso dos dois mundos!
—Ele é novo, Ya Tai, tem muito o que aprender ainda! Se ele é o Avatar, nossa função é treiná-lo, custe o que custar — Rebateu Ikki.
—Ela tem razão. — Concluiu meu mestre de dobra de água, que já saía de perto do grupo para o meu lado. Ele estava equipado com uma bolha de água que cabia na mão dele. A água brilhou e ele a colocou em minha boca e manipulou o líquido até meu estômago. Logo, eu voltava ao ritmo de antes.
—O que foi isso? — Questionei.
—Aperfeiçoamento da dobra de cura. — Ele disse e sorriu.
—Preciso aprender!
Jin veio correndo.
—Você é muito ruim! — Ela ria. — Eu derroto esses caras sem armadura.
—Tente, então, garota... — Hirohito falou secamente.
—Podem vir quente que eu estou fervendo. — Ela gritou insanamente, enquanto Igaluk e eu saíamos do campo de treinamento e fomos até os outros. — Já!
Agora, cinco guardas foram para cima dela, um de cada lado. Dois guardas foram abatidos quando ela abaixou e abriu os braços, e seus punhos bateram na bexiga dos coitados e logo em seguida, bateram as cabeças e desmaiaram.
—Que demoniazinha! — Exclamou o mestre de fogo.
Palavras não são suficientes para descrever o que ela é. Duas pedras de diamantes que estavam em seus anéis eram suas armas letais. Ela os moldou e formou duas garras rígidas.
O Guarda 3 lançou um disco e pedra contra ela e em pleno ar ele foi cortado pelo diamante nas mãos de Jin. Logo em seguida, as joias foram contra o adversário e prenderam em suas roupas, levando-o para longe.
—Como ela consegue? — Syaoran estava perplexo, não piscava — É uma adversária digna para mim.
Os dois últimos guardas foram surpreendidos pela dobra de metal de minha amiga. Seu coque estava preso por uma serpente de metal, que se desenrolou e voou, em seguida estrangulou os dois guardas, só estavam inconscientes, eu esperava isso pelo menos...
—Ela manipulou o animal elementar! Tão jovem já aprendeu a Dobra do Animal Elementar! — Igaluk disse, espantado. Os outros mestres também não piscavam.
—Dobra de diamante, metal e Animal Elementar... Vocês tem certeza que ela não é o Avatar? — Disse Ya Tai, tentando entender o que havia visto.
—Ei! Eu sei dobrar terra também! — Tentei chamar atenção, sem sucesso. — Eu sou o Avatar, vocês devem ser meus mestres! — Mas eles estavam bestificados.
—O Avatar tem razão, vocês devem ser mestres dele! — Disse Jin.
—Ah, sim! O Avatar! — Ikki voltou para a Terra. — Então... Infelizmente, seu treinamento vai ser maior que o esperado, precisamos te conectar espiritualmente com a terra e...
—Que espiritualmente o quê! — Ya Tai interviu — A Dobra de Terra não tem essas coisas de espiritualidade e blá blá blá! — Ikki parecia realmente ofendida — Aqui é trabalho braçal!
—Ikki tem razão! — Igaluk, Meelo e Jin falavam em uníssono.
—A Dobra do Animal Elementar é 95% baseado no espírito. — Afirmava meu mestre de dobra de água — Deve ser por isso que você nunca conquistou essa dobra!
Ikki e Meelo soltaram risadinhas abafadas.
—Realmente, eu precisei meditar muito para alcançar esse poder. — Concluía Jin.
—Falando em meditar, depois do almoço começaremos a traçar seu caminho espiritual, Rong. — Disse Meelo, e fiz um sinal do "OK".
Os mestres voltavam para o que eles chamavam de Casa-Grande. Conversa vai, conversa vem, nem percebemos que Jin e Syaoran haviam desaparecido.
—Ótimo, dois pirralhos soltos por aí! O da espadinha tem fama de conquistador, Rong, infelizmente você acabou de perder sua amiga para um cara que ela conhece há um dia. — Ya Tai ria, junto com Hirohito.
—Éh... Muito engraçado... Vou procurá-los... — Disse sem graça e me afastei do grupo, indo andar pelo terreno. Os mestres continuavam indo para a Casa-Grande.
A propriedade era realmente grande. As várias plantações distribuídas tinham hortas e pomares, junto com pastos de vacas-hipopótamo. Espíritos eram comuns, de todas as cores e formas, iam desde bolinhas que quicavam até pássaros com duas cabeças. Chegou um momento que parei para recuperar o fôlego e senti uma brisa crescente cada vez mais intensa, uma sombra cobriu a luz do Sol e um mugido mais alto que o dos animais pastando pôde ser ouvido. Olhei para cima e puff! Uma barriga rechonchuda pousou sobre meu corpo. Parecia que todos meus ossos estavam sendo quebrados lentamente. Umas risadas puderam ser ouvidas e um guarda veio correndo.
—Syaoran!O que você tem na cabeça? Colocou o Birita no Avatar! Tire o Birita d'aí agora! — O guarda exclamou e meu fardo levantou-se alguns metros e pousou do meu lado.
—Desculpe, Rong! Não pudemos perder a oportunidade! — Me levantava, quem falava era Jin, que descia do... Bisão Voador, seguida de Syaoran — Ele que me convidou!
"Maldita" pensei. "E atirada também"
—Sério, Rong, não foi por maldade! — Explicou meu mestre de armas.
—Você amassa o Avatar, não é maldade, né? — Reclamei. — Eu procurei vocês igual louco e vocês estão brincando de bisão voador! — Eles não sabiam se riam ou se se sentiam culpados, mas o primeiro sentimento era mais forte.
—Meu direito acaba onde o seu começa, não vai mais acontecer... — Syaoran falava de cabeça baixa, mas eu percebi o sorriso de canto que ele escondia.
—O almoço já deve estar sendo servido, vamos lá. — Disse Jin, que me puxava pelo pulso e fomos andando na frente, mas ela sempre olhava para trás, onde vinha meu mestre, em um passo mais lento, mas ele também olhava para ela. — Só eu que o achei um gatinho? — Ela parecia prestes a surtar.
—Ya Tai disse que ele tem fama de conquistador, e você só o conhece há um dia! O que você está sentindo é algo momentâneo!
—Você está louco, querido. — Eu nunca havia visto-a daquele jeito. Era estranho, muito estranho. Geralmente garotos não se sentem atraídos por Jin por ela ser... Durona e... Peculiar, por assim dizer.
Estávamos indo para a Casa-Grande e cada vez que minha colega olhava para trás e trocava olhares com Syaoran eu sentia mais vontade de dar um soco na cara dos dois, mas provavelmente eu levaria uma surra e talvez muitas cicatrizes. Chegamos à grande varanda, onde eu havia uma cena digna de fotografia: Todos os mestres sentados em espreguiçadeiras com os pés descalços pra cima, com chapéus de palha e óculos escuros. Ao lado de cada um havia um copo com uma bebida bem gelada, pelo que aparentava. Eles roncavam.
Jin, Syao e eu não aguentamos e passamos correndo pela porta, de modo que nos afastamos para rir dos velhos.
—Nós... Nós demoramos... — Eu não conseguia falar, os risos precisavam sair.
—Eles pareciam uns velhos ricos aposentados com casa de campo que ficam na varanda o dia inteiro! — Jin conseguiu falar entre risos. Seguimos para a sala de jantar.
Lá, os oito pratos estavam distribuídos na mesa, mas vazios e limpos, a comida já estava disposta. Syaoran sentou-se no lugar de honra, na extrema lateral, enquanto Jin e eu sentamos em lados opostos, mas ao lado do jovem mestre. Aqueles dois ainda trocavam olhares e eu vi, sim, eu vi, eles tocaram as mãos um do outro quando Jin foi passar uma bandeja com alguma ave assada ao seu "amante". De repente ela parecia tão interessada que parece que esqueceu do que ela me dissera na noite passada.
—Então, Syao... Há quanto tempo você luta? — Ela perguntava toda serelepe.
—Eu luto desde meus quatro anos, sempre manipulando qualquer arma que tinha em mãos... — Ele respondia carinhosamente. — Meu pai sempre estava em negócios, então não tinha muitos momentos com ele, mas um mestre foi deixado comigo para que eu aprendesse tudo o que ele pudesse me ensinar na ausência do papai.
—E quem é seu pai? — Me intrometia na conversa.
—Em breve vocês o conhecerão... — E o mistério pairou sobre a sala, mas logo foi cortado pelo locutor. — Estão afim de ir nadar?
A ideia de ver Syaoran com roupas de banho parecia ter interessado Jin, e rapidamente a proposta foi aceita. Eu não pude recusar. Deixamos a mesa e subimos para o quarto, de relance vi Syao fazer um toque de mãos com uma das funcionárias da cozinha, mas ignorei o fato. Em meu quarto, tinha roupa de banho no armário, uma bermuda vermelha e preta me chamou atenção e a vesti. No corredor, meus amigos já me esperavam e fui surpreendido com a imagem de meu mestre espadachim passando protetor nas costas de Jin. Ele vestia uma bermuda idêntica a minha, enquanto ela usava um top e um short-saia de piscina das mesmas cores que eu e Syaoran vestíamos, junto com óculos de sol escuros e perfeitamente redondos.
—Éh... Estão prontos? — Tentei cortar o clima. Ambos ficaram sem jeito e partiram escadaria a baixo calados.
Saímos pela porta dos fundos do casarão, onde seguimos por uns metros até chegar numa piscina enorme, talvez uns 250x250 metros e também havia uma cascata. Ao aproximar-me, pequenas ondulações vinham em minha direção. Agachei-me para tocar na água e um tentáculo líquido me puxou para baixo.
—A água gostou de você. -Syao disse e rimos — Você já está interagindo com elementos, isso é bom!
Passamos o resto da tarde na piscina, e a água frequentemente reagia com meus movimentos, mesmo que eu não pudesse controlá-la. Quando eu mergulhava, podia ver por baixo da água que Syaoran e Jin estavam coladinhos. Passado um tempo, o anfitrião precisava falar algo e eu me aproximei.
—Fui eu — Ele falou sussurrando — Fui eu quem apagou os mestres, uma pílula de sonífero em cada copo foi o suficiente para eles dormirem por umas sete horas.
—Eles não vão ficar irados? — Comecei a ficar temeroso.
—Não precisam se preocupar, meu pai é o dono do terreno, por mais que em parte pertença a Lótus Branco...
—Seu pai é o homem no quadro? — Jin estava curiosa.
—Sim, ele é... — Com essa resposta, o assunto morreu.
O Sol já estava se pondo, sumindo por baixo dos altos muros que cercavam o terreno e decidimos que era hora de sairmos. Por coincidência ou não, Jin havia esquecido sua toalha. Syaoran entrou em cena e abrigou os dois embaixo da toalha dele e ambos entraram na Casa-Grande. Eu estava com uma cara entre "Que coisa mais absurda" e "Mas o que é isso aqui?" mas não falei nada e entrei. Eu já havia os perdido de vista.
"Se eles colocarem alguma coisa com mais de uma tonelada em cima de mim de novo, eu faço churrasco com a carne deles e como com farofa e pimenta" pensava eu, meio irritado.
Eu estava dirigindo-me para o quarto, pronto para tomar um banho quando de relance vi algo que me surpreendeu: Meu estimado casal de amigos estava atrás de uma coluna, se beijando loucamente. Eu me escondi nas sombras que a escadaria me fornecia e fiquei observando por alguns segundos.
"Que horror! Que-horror" eu dava ênfase aos meus pensamentos para mim mesmo "Daqui a pouco eles vão estar se engolindo" eu fazia uma cara de quem está a assistir um filme de terror. Eu subia as escadas balançando a cabeça para afastar a imagem. Eu sempre achei que Jin era uma garota difícil, pois sempre que alguém dava em cima dela, a pessoa ganhava um soco ou uma resposta bem mal-educada. Mas parece que Syaoran conseguiu conquistá-la, e ele merecia um prêmio por isso. No entanto, algo ficou na minha cabeça por muito tempo: Como raios ele conseguiu conquistá-la em dois dias? Isso não é possível, urucubaca forte.
Quando parei de pensar no assunto, eu já estava na porta do quarto. Entrei e fui tomar um banho aromatizado. Um grito foi ecoado quando eu já estava me secando. Coloquei o roupão e desci correndo as escadas. Um tropeço. Desci as escadarias rolando e soltando algumas exclamações de dor. Foi um método mais rápido para chegar no térreo, onde estavam reunidos os mestres para ver o que estava acontecendo.
—Syaoran! Onde já se viu? Leve suas namoradas para o quarto, já falamos! — Ya Tai dava uma bronca no meu colega — E Jin, eu esperava mais de você! Parecia uma menina séria, mas caiu nas tramoias dele! — E ambos subiram as escadas rapidamente, repreendidos e de cabeça baixa.
Quando questionei a Igaluk o que havia acontecido, ele explicou que Ikki havia visto os dois trocando ósculos e levou um susto.
—Ikki, por mais esperta que seja, é muito assustada — Ele riu — Mas Ya Tai não gosta que o sr. Syaron fique beijando garotas por aí. — Eu ria também até voltar para o quarto e me trocar para o jantar.
Jin não havia aparecido para jantar, nem seu amante. O clima estava calmo entre os mestres, parecia que não sabiam a fonte do apago que eles tiveram e resolvi brincar com a situação.
—Vocês dormiram mesmo, não é? — Os mestres riram, menos Ya Tai e Hirohito.
—Deve ser a idade, querido... — Disse Ikki, com seu tom sereno.
Ao fim da refeição, voltei para o quarto e deitava na cama ligando a SatoVision e colocando em um canal onde passava um torneio de dobras. Logo, adormecia.
No sonho, pude ver a balança que apareceu no sonho de outra noite, mas estava desequilibrada e Raava não estava lá.
Fale com o autor