– Cuidado por onde anda! – A voz resmungou e a abraçou antes que ela caísse no chão.

– Me desculpe, eu não… – Ela levantou o olhar e as palavras lhe faltaram. Conhecia ele. Os óculos no cabelo bagunçado e loiro. Os olhos tão verdes quando esmeraldas. – E-Ezreal ?

– Por acaso nos conhecemos ? – Ele ria internamente da cara da arqueira. Ela estava totalmente cor de rosa.

– Ashe… a das ruínas do gigante. – Ela respondeu, ou tentou, já que gaguejava e falava tudo errado.

– Ashe… de Rakelstake ? – Ele sorriu.

– Rainha de Rakelstake… – Ela deu de ombros. As mãos estavam no peito do loiro.

– Olha só, que título interessante. Você… está diferente. Está linda. – Ele sorriu.

– Obrigada…

– Oh! – Ele suspirou, largando a arqueira. – Me desculpe.

– Tudo bem. Obrigada. – Ela abaixou e pegou a mala.

– Onde está indo ?

– Estou perdida… quero achar Caitlyn.

– Ah, eu te ajudo com isso. – Ele riu e segurou a mala da albina, guiando-a por um caminho que Ashe realmente não reconheceu. – Então… está aqui desde quando ?

– Desde ontem. Era pra eu estar indo embora agora, mas houve imprevistos, então acho que partirei amanhã de manhã.

– Amanhã de manhã ? – Ele pareceu decepcionado. – Entendo… Onde está indo ?

– Demacia.

– Se vir uma garota chamada Lux, diga que mandei saudações.

– Por que… ? Digo, o que tem feito desde os sete anos pra cá ? – Ela pareceu desapontada. Será que Lux era alguma namorada do loiro ?

Ele contou a ela que abandonou a escola, pois gostava muito de matar as aulas para explorar ruínas dos lugares antigos de Piltover. Contou que já tinha ido a todas as cidade-estados menos Freljord e Bilgewater. Disse também que se infiltrou em Noxus e que lá não é lugar para o pior dos criminosos.

– Noxianos.. eu odeio esses caras. Pois bem, e você ?

Ashe contou que sua mãe morreu quando ela completou quinze anos, e que ela era a rainha de Freljord desde então. Que perdeu aliados, porque estes achavam que ela era muito nova para governar. Perdeu seu único e grande amor na maior batalha de toda a Freljord. E que Freljord foi reconhecida como cidade-estado, por isso ela estava viajando para Demacia.

– Uau… que vida conturbada. – Ele deu uma risadinha sem graça.

– Com o tempo a gente acostuma.

– Bem, esse é o escritório da xerife. Esperarei aqui fora.

– Obrigada.

A arqueira entrou no escritório e falou com a xerife. “Jinx… porcaria. Vi!” Não entendeu o que se sucedeu, mas teve um alvoroço e Caitlyn pediu que a arqueira acompanhasse Ezreal, em todo caso.

– Bem… Acho que você será meu cão de guarda. – Ela disse para o loiro, e eles riram.

– É aqui que está ? – Eles pararam na frente de um luxuoso HOTEL.

– É, é sim. Muito obrigada, Ezreal. – Ela sorriu.

– Não há de que, Ashe de Rakelstake. – Ele fez uma reverência. Ela riu.

Subiram até o quarto da albina. Ele entrou e deixou as malas dela próximas a cama.

– Está com fome ? – Ela perguntou.

– Estou… o que tem aí ?

– Bem, eu tenho… macarrão com atum, refrigerante e sorvete. – Ela riu e deu de ombros.

– Que surpreendente. – Ele zombou.

A arqueira tirou tudo da geladeira e colocou em uma bancada. Pegou os pratos e deixou que o loiro se servisse.

– Bem. – Ela começou, comendo o macarrão. – Você já sabe porque eu estou aqui e a onde pretendo ir. E você ?

– Eu não sei. Talvez a Shadow Isles.

– Shadow Isles ? – Ela repetiu preocupada, beliscando o refrigerante.

– É, Shadow Isles. Não sabe onde é ?

– Sei, sei, mas é que… – Ela levantou-se da bancada, ficando em pé ao lado dele. Ele ficou em pé também. – Shadow Isles não…

– Ashe, eu sou o prodígio explorador. Eu consigo ir para lá e voltar com os pés amarrados.

– Não diga isso! – Ela bateu no peito dele e ele segurou a mão dela, fazendo-a corar. Os dois estavam bem próximos. – Eu ouvi dizer que dos últimos exploradores que foram lá, apenas uma sobreviveu. Ficou louca, matou seus companheiros e foi condenada a viver entre aranhas e baratas. Ezreal, não, por favor…

– Ashe, eu vou ficar bem, eu prometo… – Ele aproximou ambos os rostos. – Eu voltarei para você…

E, em uma sincronia perfeita, os dois encostaram seus lábios. Se abraçaram como queriam fazer há um tempo. Ele era delicado. Ela tinha a simplicidade que nenhuma rainha tinha, nem mesmo Lux, de sangue azul, era assim. Quando eles deitaram na cama, o loiro correu a mão da cintura para o busto dela. E aquele toque a deixava quente. Ela ficou por cima, passando as unhas pelo peito dele. Nenhum pescoço fora perdoado ali, e o que se seguiu foi a melhor combinação de branco e amarelo, azul e verde que qualquer amante no mundo já presenciou.