Autumn
1 Knockdown
Notas iniciais
Reita\'s POV
Mais uma vez era sábado, e eu ainda me encontrava dormindo. Estava cansado, havia chegado de manhã em casa, após mais uma noite me afundando em bebidas alcoólicas e drogas com os amigos.
Era sempre assim.
Eu tinha muitos problemas em casa, e para esquecer meu pai alcoólatra e minha desalmada, eu saía pelas noites badaladas da cidade a procura de alivio, um divertimento que fosse.
Me prostituía, me embriagava, e fazia uso de drogas como se as mesmas fossem água.
Era um milagre que eu ainda me encontrasse vivo, mas eu ainda não acreditava naquilo.
- Acorda, seu vagabundo! – minha mãe gritava feito louca, enquanto agarrava meu cobertor, o puxando.
- Ai, mãe... – um grunhido baixo abandonou meus lábios finos, enquanto, com a face afundada no travesseiro, eu lutava pela posse de meu cobertor. – Só mais um pouco... é sábado. – eu implorava por mais poucos minutos de sono.
- Não, Akira! Levanta e vai tomar um banho! Já são 13:00 horas, não se lembra que Takanori virá fazer trabalho com você?!
Droga, era verdade. Aquele babaca iria fazer trabalho escolar comigo hoje. Takanori era o CDF da sala, só iria fazer trabalho com ele porquê eu precisava de nota, e porquê minha mãe havia me obrigado.
Ela ligou para a mãe de Takanori e explicou a mulher minha situação, em seguida pediu para que ela liberasse seu filho para me ajudar.
- Mãe... – eu ainda tentava lutar pela posse de meu cobertor, e por mais alguns minutos, ou horas, de sono. – Eu não quero fazer trabalho com aquele idiota. Me deixa...
Não sei explicar como ela fizera aquilo, e de onde arranjara tanta força, mas ela fez. Chegou a empregar tanta força em seu último puxão, que acabou me derrubando de minha confortável, e macia, cama.
- Sua velha louca! Olha o que você fez. – resmunguei um tanto alto demais, me erguendo do chão frio com o qual meu corpo havia colidido. Levei ambas as mãos aos meus olhos, coçando os mesmos, tentava assim acordar melhor.
- Seu vagabundo! Como ousa falar assim com sua mãe?! – tudo que fiz fora agir indiferentemente. A ignorei, e então passei por ela, caminhando de encontro ao banheiro que ficava em meu quarto.
- Vou tomar banho. – apenas murmurei.
- Não me ignore, Akira Suzuki. – assim que escutei meu nome inteiro ser pronunciado, cessei meus passos, parando na porta do banheiro. Me virei, e a encarei por um momento.
- Você não é minha mãe. – após tais palavras, bati a porta do banheiro, sem empregar muita força, e a tranquei.
Ela podia até ser minha mãe de sangue, mas eu não a considerava minha mãe. Ela não agia como tal. Enquanto, eu, sempre, tentava me aproximar, ela recuava. Quando meu pai chegava bêbado em casa e me batia, ela nunca se atreveu a me defender. Apenas assistia parada. Ela só estava ali, me acordando e se preocupando, porquê meu pai havia brigado com ela pelo meu mal desempenho na escola.
Esse era outro. Só sabia cobrar das pessoas, enquanto ele mesmo se afundava cada vez mais em um poço sem fim. A bebida era seu maior amor, e a única coisa que realmente importava. Velho deprimente, e eu estava ficando igual a ele.
Não fora preciso muito tempo para que eu me livrasse das roupas pesadas que vestia. Já estava acostumado a me livrar delas, se é que pode me entender. As coloquei em um cesto, onde sempre colocava as roupas sujas para que depois minha mãe as recolhesse e lavasse.
Por poucos instantes parei frente ao grande espelho que havia próximo a extensa pia, e fitei meu corpo, cheio de cicatrizes, marcas e manchas roxas. Fora então que percebi que estava de faixa, e que havia dormido com a mesma.
Eu apenas tirava minha faixa para tomar banho ou dormir. Mas eu havia chegado tão esgotado em casa que nem havia me lembrado.
Tirei minha faixa e a coloquei sobre a pia, um pouco afastada da torneira, para que não a molhasse. Capturei minha escova e a pasta dental, que ficavam em um potinho ali do lado.
Assim que despejei uma pequena porção da pasta na escova, levei a mesma até o interior de minha boca, roçava as cerdas macias, que esta possuía, contra meus dentes, que possuíam diversos vestígios de minha agitada noite. Após alguns minutinhos eu já havia feito a higienização bucal completa, e guardado cada item em seu devido lugar.
Em passos curtos me guiei até o chuveiro, o ligando no morno. Precisei apenas de poucos instantes para que a água estivesse perfeitamente regulada. Meu corpo estremeceu, e então me coloquei debaixo daquela água morninha, me permitindo emitir um grunhido alto, assim que a ardência dominou minhas marcas mais recentes.
Capturei a esponja macia e o sabonete, passando a me ensaboar devagar e com suavez, mas nem mesmo assim pude deixar de sentir dor, e mais gemidos, porém mais baixos, voltaram a abandonar meus lábios finos.
A esponja fora colocada em seu devido lugar, junto ao sabonete, e após me enxaguar, capturei a toalha, enrolando a mesma em minha cintura, escondendo minhas partes intimas.
Assim que abri a porta do banheiro, voltei a caminhar para meu quarto, mas minha surpresa fora enorme. Takanori estava ali, sentado em minha cama, seus orbes, dotados por lentes azuis e por aquele óculos de grau, corriampelos livros que ele folheava.
- A-akira... –sua face fora erguida para que pudesse me fitar, seus orbes artificialmente azuis passeavam pelo meu corpo, cessando caminho em meu tórax. – S-sua mãe... disse q-que eu podia entrar... perdão. – ele gaguejou em alguns momentos, totalmente constrangido. Sua cabeça fora levemente pendida, sendo omitida pelos fios loiros de seus cabelos levemente desalinhos.
Eu pude deduzir que sua face estava rubra.
- Tudo bem. – dei de ombros, forjando em meus lábios um sorriso amigável.
- A-ah... eerr... – sua cabeça fora mantida daquela forma, eu ainda não conseguia enxergar sua face escondida por seus cabelos.
Podia parecer idiotice, mais por poucos instantes eu cheguei a achá-lo... fofo.
Meu Deus, aquilo era, de fato, idiotice. Eu devia estar ainda sob os efeitos da noite passada.
Oscilei minhas cabeça por meros segundos, enquanto tentava afastar de minha mente aquelas idiotices. Mas cheguei a ponderar sobre aquilo. Talvez eu pudesse usar da inocência, e constrangimento, do babaca para me divertir com a cara dele.
Não seria um dia perdido, afinal. Pelo menos me ‘divertiria com Takanori’.
Assim que senti que o constrangimento dele havia passado, e que sentia-se um pouco mais a vontade, desprendi a toalha de minha cintura, e deixei que o grosso tecido caísse no chão.
Quando os orbes do loiroencontraram minha imagem nua, em sua frente, sua face atingiu um rubor extremo, seus olhos foram levemente cerrados, e sua face voltou a se esconder em meio aos fios loiros de seu cabelo.
- Gomen. – murmurei, um sorriso maldoso curvando meus lábios. Me agachei e capturei a toalha, voltando a enrolá-la em minha cintura.
Aquilo me fizera rir internamente, brincar com a inocência de alguém era maravilhoso. E seria apenas o começo com Takanori.
- T-tudo bem, Akira... – ele ajeitava o oculos, tentava manter o olhar longe de mim, e a atenção também. Provavelmente ainda não havia se dado conta de que eu já havia voltado a enrolar a toalha em minha cintura.
Dei de ombros, indiferente, e caminhei até o guarda-roupa, e capturei apenas uma calça de moletom, iria o provocar ainda mais. Aproveitei que ele se quer olhava em minha direção, e vesti a larga calça.
Passos curtos, me guiaram até Takanori, o qual fitava o chão, não tinha coragem de me fitar, não depois daquilo.
Assim que me sentei ao seu lado, o menor ergueu minimamente sua face e me encarou por poucos instantes.
- A-akira, você está sem a faixa. – murmurou, os orbes artificialmente azuis, agora, fixos ao meu nariz, nunca antes visto por ele, e nem por outra pessoa, exceto meus pais.
Droga, eu havia me esquecido da porcaria da faixa.
- Eu nunca o havia visto sem a faixa, Akira. – o vi erguer sua delicada, e pequena, mão, a encaminhando até a parte do meu corpo antes nunca explorada por olhos alheios. Seus dígitos tocaram meu nariz com suavez, tanta que meus olhos chegaram a semicerrar com aquela carícia. Os orbes curiosos, e infantis, analisavam e admiravam. – Cheguei a pensar que não tinha nariz. – uma risada tão gostosa abandonou os lábios do loiro, que não me contive em rir também.
- Verdade. – pela primeira vez em minha vida senti uma leve ardência em minha face, eu estava rubro de constrangimento. Aquilo era inaceitável, eu nunca me permitia corar, ou me constranger, frente a alguém. Mas Takanori, aquele nerd babaca, havia conseguido arrancar isso de mim.
- Você fica tão lindo assim, sem a faixa e ... corado. – seus dígitos desceram até meus lábios, roçando-se contra estes. E eu sentia cada vez mais ardência em minha face.
Eu podia ver a inocência de Takanori cintilar em seus orbes, e aquilo me fez estremecer. Eu não sabia o quê estava acontecendo comigo naquele momento, mas tudo que fiz foi culparminha noite agitada, e os posteriores efeitos. Eu não podia se quer pensar em ficar afim daquele garoto. Não dele. Maldita bebida, ainda estava fazendo efeito sobre mim, confundindo minha cabeça. As drogas também deviam ter sua parcela de culpa.
Minha mão, acidentalmente, acabou colidindo contra a mão do pequeno, que se encontrava apoiada em meu colchão. E ele a apertou, aquilo foi tão... indescritível, e eu retribuí, o trazendo assim para meu colo. Ele se sentou sobre mim, sem hesitar, mas não havia malicia no ato, da parte dele e nem da minha, por incrível que pareça.
Sua mão soltou a minha, e então ambas rumaram para o meu peitoral exposto e se apoiaram no local.
- Akira... – sua voz soou em um murmúrio, suas unhas curtas arranhando parte do meu peito, machucado como o resto de meu corpo.
- Sim, Takanori? – risadas divertidas abandonaram seus lábios carnudos, e tão belos, eu nunca havia notado o quão belos eram os lábios do pequeno. Aquelas risadas me deixaram perdido, eu não conseguia entender o porquê delas. – O que houve? – arquei uma das sobrancelhas, curioso.
- Você... está sem cueca.- sua face tomou um leve tom de rubor, e dos seus lábios um sorriso doce nasceu. E eu... droga, eu estava mais constrangido que anteriormente.
Eu havia esquecido da maldita cueca. O que estava acontecendo comigo?! Estava esquecendo coisas importantes.
Aquele anão sem vergonha, estava me constrangendo demais. Aquilo não podia, não devia, acontecer. E acima do constrangimento... ele havia conseguido me excitar. E agora quem tirava com a cara de alguém, era ele, e era com a minha cara. Ele havia virado o jogo.
- Er... – tentei proferir algo mas nada saía, um som se quer. Maldito anão.
- Melhor... fazermos o trabalho, Akira. – ainda sentado em meu colo, seu quadril se movia contra o meu, de forma inocente, mas para mim aquilo era imensamente excitante.
Droga, como ele podia me excitar daquele jeito?!
- É, é... melhor mesmo. – naquele momento, eu estava me segurando. Me segurava para não agarrá-lo, e fode-lo. Sim, eu estava desejando Takanori, e eu só podia estar louco, só podia ser isso.
Um tanto hesitante, o menor desceu de meu colo e voltou a se sentar contra o macio colchão. Um grunhido baixo escapou de meus lábios, e então me levantei, correndo às pressas até o banheiro, eu precisava aliviar‘aquilo’.
xXx
Voltei vendo o mais novo sobre minha cama, mexendo em seus materiais. É, Takanori era mais novo, mas era um gênio, tanto que fora adiantado alguns anos na escola, e se encontrava em minha sala, agora. Tão patético.
Garoto patético, e eu havia acabado de me masturbar pensando nele, naquele nerd babaca. Que vergonha, que vergonha eu sentia de mim mesmo.
- Akira! – um sorriso enorme ornou seus lábios carnudos, ele parecia empolgado, ou feliz, em me ver novamente. – Vem logo, vem fazer o trabalho, Aki-kun! – havia usado até apelido, eu não gostava muito, mas não me atrevi a repreende-lo.
Me sentei ao lado do mais novo e peguei meu caderno, em minha mochila que estava próxima a cama.
Com as explicações que eu recebia de Takanori, passei a me empenhar em resolver as questões propostas em meu trabalho. Era incrívelo quão inteligente ele era,ele explicava melhor até que o professor.
Emmenos de meia hora eu já havia terminado o trabalho, e aparentemente estava tudo certo.
- Hwn... – o pequeno grunhiu, enquanto seus orbes corriam pelo trabalho, o avaliando e verificando se cada questão feita por mim, estava correta. – Muito bem, Aki-kun! Está tudo correto! Parabéns! – ele afirmou, em tamanha alegria. Parecia que algo novo havia sido descoberto por um famoso cientista. Patético.
- Obrigado. – agradeci. – Sem você eu não teria feito nem a metade.
Até agradecendo eu estava agora. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, só podia estar doente, é era isso. A aquelas alturas qualquer desculpa servia.
- Eu só dei uma pequena ajudinha, Aki-kun... –os lábios do menor foram ornados por um sorriso doce, e amplo, tanto que chegava a deixar a mostra seus dentinhos infantis. – Aki-kun?
- Sim... – meus orbes buscaram pelos dele, um tanto curiosos.
- Esses... roxos em sua pele, o que é isso? Quem fez isso em você, Aki-kun?- seu tom de vozhavia se tornado tão melancólico.
- É... – eu não fazia idéia de como explicar aquilo. Afinal, eu nem devia, não devia explicações a aquele anão. Mas eu não me atrevia a repreende-lo, não quando seus orbes infantis me fitavam daquela maneira tão intensa.
- Eu sei o que são... – antes que eu pudesse pensar em algo, ele me interrompeu, seus orbes infantis passeando pelos meus traços faciais.
- Sabe? – indaguei, forjando falsa surpresa. Era óbvio que sabia, todos sabiam comoera minha vida. Nunca havia feito questão de ser discreto. Mesmo que não comentassem comigo, todos sabiam.
- S-sei... – sua mão voltou a se erguer até minha face, seus dígitos passeavam por ela. – Não precisa ser assim, Aki-kun. Me deixe te mostrar...
Continua...
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