Aurora Goldwin and The Rise of Night

19 Quando Essa Missão Irá Acabar?


— Como vai me ajudar? — perguntei, girando meu anel no dedo. O anel que virava um arco e flechas.

Apolo tirou os óculos escuros e me olhou; seus olhos eram completamente azuis em fundo dourado como o sol. Quase era difícil olhar neles. Mas o formato de seus olhos eram iguais aos meus.

— Você se lembra do que Morfeu lhe disse sobre o Rio Dourado? — perguntou.

— Você pôde ver meu sonho? — perguntei, surpresa.

— Bem, basicamente eu posso fazer qualquer coisa. — ele sorriu, novamente com o sorriso levemente arrogante — Aliás, Morfeu me disse que você me mandou 'oi'. Mas esse não é o ponto. O que você sabe sobre o Rio Dourado?

— Eu sei que as pessoas ficam gananciosas e coisas ruins acontecem. — falei — Acho que só isso.

— Eu irei lhe contar mais. O Rio Dourado foi criado por mim, e não é ouro. São raios de sol em forma liquida. — disse meu pai.

— Ah! — exclamei em algo entre maravilhada e completamente surpresa.

Ele sorriu.

— Um pouco dos raios de sol aquece a alma e clareia a mente, mas, como Morfeu lhe disse, muitos que o encontram deixam a ganancia os dominar, e então o Rio literalmente os queima vivos.

Fiquei momentaneamente sem palavras.

— Rory, — ele acariciou meus cabelos, sua voz era tão aconchegante quanto o nascer do sol — eu estou aqui para lhe dizer como derrotar Nix.

— M-mas e se eu não conseguir? E seu morrer ou... — me sentia novamente prestes a chorar.

— Se você falhar nesta missão, eu perderei meus poderes e o mundo estará aprisionado em uma noite eterna. Eu irei sumir completamente no vazio, não haverá mais sol, e os homens irão perecer por isso. — disse ele, ainda acariciando meus cabelos — Mas eu sei que você não vai falhar, Aurora. Não tem noção de seus poderes ainda? Sei que usa mais os que foram para você devido a benção de Morfeu, mas... — ele suspirou — Você não consegue só induzir as criaturas ao sono. Seu nome, Aurora, fui eu que escolhi. Romper do dia, esse é o significado. Você irá compreender, meu raio de sol, cedo ou tarde.

— Me diga o que fazer. — minha voz saiu firme dessa vez.

Ele sorriu, gostando de meu tom.

— O Rio Dourado está na Califórnia, mas acha-lo não é fácil. Porém, se suas intenções são puras, o Rio a encontrará onde você menos imaginar. — ele disse — Quando encontrar o Rio, pegue o frasco que Morfeu lhe deu e encha o máximo que puder com os raios de sol e então vá rapidamente. E tome cuidado com os guardiões.

— Guardiões? — perguntei.

— Sim, — ele assentiu — mas temo que essa informação seja... confidencial.

— Entendo. — suspirei.

— Na manhã em que você estiver próxima de sua destinação para alcança-la ainda de dia, encharque suas armas — o arco e flechas, as facas e a espada, com o liquido; na luz do sol, as fará ficar duas vezes mais poderosas e em apenas um toque fará monstros se desintegrar. Mas tenha cuidado, porque é tão mortal para meios-sangues quanto para monstros.

— Então, use em todos os monstros, mas não encoste em meios-sangues. — falei.

— Correto. — ele me olhou com atenção — E esse será o único jeito de derrotar Nix. — meu pai continuava a me olhar — Você parece gostar mais da espada que o filho de Hades te deu do que o arco e flechas que eu te dei. — ele ergueu uma sobrancelha.

— Foi você que me deu? — perguntei — Ele estava perto dos alvos e...

— Era o único arco e flechas lá. — ele completou sorrindo.

Sorri para ele.

— Pai, — comecei — posso te perguntar uma coisa?

— Você pode perguntar, mas pode ser que eu não possa responder.

— Minha mãe sabia que você era Apolo? — perguntei. Eu queria muito que ele respondesse aquela pergunta.

— Sua mãe não conseguia ver através da Névoa, doçura. Mas eu contei a ela. — seus olhos estavam distantes, enquanto olhava o sol se pondo no sonho — Ela acreditou em mim. Sua mãe já era famosa quando nos conhecemos, éramos felizes juntos, mas precisei partir. Não é permitido muito contato entre deuses e seus filhos. Mas eu amo você, Rory. — ele me olhou com tanto carinho que senti meus olhos lagrimarem — Visitava você e sua mãe escondido sempre que podia... eu queria muito ter lhe visto crescer.

Eu podia sentir a sinceridade de suas palavras.

— Agora eu preciso ir. — ele disse, relutantemente se levantando.

Me levantei também.

— Gostaria de passar mais tempo com você. — falei, sem me importar de como soava como uma criança.

— Eu também, meu raio de sol. — ele segurou os dois lados de meu rosto e beijou o topo de minha cabeça — Eu te amo, Aurora.

***

Acordei e me sentei, esquecendo que Nico estava ao meu lado. Ele se sentou também, sonolento, mas me olhando com preocupação.

— Teve outro pesadelo? — perguntou.

— Não, só o frio. — falei uma meia verdade.

Ele tirou sua jaqueta e me deu para eu vestir.

— Vamos tentar dormir mais um pouco. Temos ainda uma longa viagem pela frente.

***

— Vamos chegar em Salt Lake City, pessoal. — disse Ariana, acelerando pela estrada.

Assim que ela pronunciou o nome da cidade, senti meu estômago revirar, meus instintos me dizendo que eu deveria ficar longe desse lugar. Mas eu ignorei a sensação e me concentrei em olhar a estrada.

Eu tentei ignorar, mas conforme Ariana avançava com o carro, eu ia me sentindo mais tensa.