Aurora - A Princesa Encantada
5 Capítulo 4
Em um belo e bem-cuidado palacete no Reino de Antuérpia, um jovem e ruivo nobre sentava-se à mesa da sala de jantar para tomar seu desejum. Os talheres e a louça estavam impecavelmente organizados, assim como a comida, esperando apenas o fildalgo.
Pablo, duque de Abrantes, era o dono de várias terras espalhadas pelo continente. Seu pai havia falecido há alguns poucos anos, deixando-o um jovem rico, solitário e infeliz. Seu único amigo era o príncipe Carlos, sendo o restante um monte de contatos.
Ele sentou-se à mesa, dobrando o guardanapo no colo quando um dos criados entrou no aposento para dar-lhe uma notícia:
– Meu amo, trago uma notícia diretamente do castelo.
– O rei morreu?
– Não. O príncipe herdeiro fugiu.
– Fugiu? Para onde? Como?
– Ninguém ainda sabe seu paradeiro. O rei acabou de enviar tropas para irem atrás dele.
– Por onde ele fugiu?
– Pela trilha oeste do castelo.
– Carlos e eu brincávamos naquela trilha quando éramos crianças. Ela leva ao coração da floresta. Criado, prepare meu melhor cavalo. Vou eu mesmo atrás de meu amigo.
– O senhor quer que Oscar o acompanhe?
Pablo pensou um pouco. Oscar era seu valet há anos. O velhinho era baixinho, gordinho e um tanto desengonçado, mas era uma de suas melhores companhias.
– Sim, prepare as coisas para ele também. Partiremos imediatamente.
Em poucas horas, o duque de Abrantes e seu valet se encontravam muito distantes da propriedade no reino de Antuérpia.
– Senhor, tens alguma ideia de nosso destino?
– Conhecendo Carlos, ele irá para a aldeia mais distante que puder e também a mais bonita que encontrar. É claro que numa situação como essa, é realmente difícil prever seus passos.
Eles viajaram durante o dia todo, passaram por algumas vilas e não viram nenhum sinal do príncipe desaparecido. Ao anoitecer, entraram numa pequena aldeia para acomodarem-se em alguma hospedaria.
Após deixarem os cavalos num pequeno estábulo, caminharam até o estabelecimento. Abriram a pesada porta e depararam-se com um local simples, porém aconchegante. Uma mocinha de má aparência atendeu-lhes e indicou um quarto no penúltimo andar.
Pablo foi na frente, apressado como sempre e acabou por esbarrar em um rapaz que descia as escadas. O encontro foi inevitável.
– Carlos? Até que enfim te encontrei, meu amigo! Nossa, sou muito sortudo de ter te achado logo de cara!
– Vossa alteza. — Oscar fez uma reverência.
O príncipe logo tentou silenciar o amigo e seu valet fazendo sinais.
– Carlos, o que está fazendo aqui em baixo? Eu disse para você ter repouso absoluto. E por que este senhor está te reverenciando? — perguntou Aurora
O rapaz sentiu-se encurralado e absurdamente confuso a respeito de qual resposta seria a melhor a ser dada.
– E-este ruivo aqui é um primo meu, muito próximo... Agora, quanto a este senhor, deve estar me confundindo com alguém... Eu nunca o vi, e certamente ele não deveria reverenciar um plebeu como eu.
– Mas vossa alteza... — começou Oscar, mas acabou por ser silenciado por Pablo com um pisão no pé.
Aurora não pode deixar de olhar para os hóspedes com um olhar confuso. Cada vez aparecem mais doidos por aqui, pensou ela.
Pablo subiu as escadas rapidamente, indicando com a cabeça que Carlos e Oscar deviam segui-lo. Ao chegarem no penúltimo andar, o ruivo tratou de colocar o amigo contra a parede:
– O que você está aprontando?
– Fugi por uma razão.
O duque revirou os olhos:
– Carlos, o que foi desta vez? Cansou de ser nobre?
– Cansei de toda aquela pompa, responsabilidade e de todas as regras, também.
– Você realmente acha que será mais feliz fingindo ser um plebeu?
– Estou realmente confuso e resolvi me afastar de tudo para pensar. Ainda não sei de nada.
– Certo. Vim até aqui e te encontrei. E agora?
– Você pode tirar umas férias e conhecer outros lugares comigo. Devo partir na manhã seguinte para a próxima aldeia.
Pablo pensou um pouco. Resolveu ficar e ajudar seu amigo. O pobre coitado parecia estar completamente perdido e confuso. Ele precisaria de um amigo de confiança ao seu lado.
– Vou ficar, então. Oscar, aja como se fosse um tio meu. Não nos reverencie mais, por favor.
– Certo, senhor.
Cada um deles dirigiu-se para seu quarto, planejando acordar cedo na manhã seguinte e por o pé na estrada novamente. Mal sabiam eles que o destino estava pronto para agir.
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