Aurora

25 Visita inesperada


—Bom dia meu amor. Marcelo acordou com a visão desejada por qualquer homem. Sua esposa de camisola aveludada preta, com uma bandeja de café da manhã em mãos . Algo que era muito incomum sendo que ha anos não conseguiam se entender. Mas Mel parecia estar diferente, talvez ele pela primeira vez tento a deixado tenha mudado seus pensamentos. Ou seu ciúmes de Aurora tenha feito com que ela enxergasse ele com o merecimento de bom homem que ele sempre via em si mesmo.

—Bom dia, você esta linda. Nem acredito na noite que tivemos ontem .

—Nem eu. Mas me diga . -Aproximou-se do ex marido e deu-lhe uma uva na boca. -Estamos bem de novo não é? Você vai me acompanhar na festa do escritório não vai ?

—Você tem certeza do que esta dizendo.?

—Claro que eu tenho. Eu quero você . -Disse beijando-lhe carinhosamente. -Amor, você foi passar um tempo la na cidade da sua família não é?

—Sim. Por que ?

—Por nada não . -Disse experimentando o suco. -E como eles estão ?

—Estão bem, Tia Joana tá muito fraca. Mas todos perguntaram de você .

—Não foi la que um padre foi encontrado morto enforcado no sino ? Ronda essa historia não é? Contam ate lendas que o espírito dele ainda esta la .

—Sim. Foi la sim, mas por que interesse nisso agora Mel ?

—Atos, tenho medo dessas coisas.-Disfarçou. -Amor, vamos tomar um banho ?

—O que esta acontecendo com você ?

—Xiiiuuu- Disse descobrindo-o e o levando para o chuveiro .

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—Dona Aurora ? Prazer eu sou o doutor Mike Vanccel! -Aproximou de Aurora que encontrava-se fumando um cigarro pela janela do hospital, se era proibido ou não ela nem procurou saber. Segundo ela pagava muito bem por qualquer serviço e não gostava de ser questionada. Mas costumava ser muito simpática e generosa com o lugar.

—Olá doutor Mike. -Disse apertando as mãos do medico . -Tem noticias da minha irmã. -Tudo não passou de um susto, fizemos uma desintoxicação nela e dentro de duas horas em observação ela já vai poder ir pra casa. Agora converse com ela, leve ela para algum tratamento. Vejo inúmeros casos de jovens tentarem suicídio por estarem em depressão . -Vou ver o que posso fazer. Mas muito obrigada doutor !

Aurora aguardou as duas horas, e mesmo tendo o controle da imprensa local não demorou muito para espalhar a notícia por todos os cantos. Na saída do hospital haviam inúmeros fotógrafos e curiosos , e jornalistas fazendo matérias a respeito do acontecimento, e claro que não podiam deixar de ligar com o fato do garoto ser um namoradinho da menina .

—Esta contente ? Se quando eles já não tem história inventam, imagina quando tem ! Chegando em casa vamos conversar.

E assim Aurora fez, foi direto para casa e trancou-se na biblioteca para conversar com a irmã. Caminhava de um lado para o outro, fumava um cigarro atrás do outro e virava as doses de wiscky.

—Onde você estava com a cabeça ? Ate para se matar tem que ser inteligente minha querida. -Eu não queria causar tudo isso, eu juro, eu só trouxe problemas pra você . -Não queria,mas causou. Isso que você tem que colocar na sua cabeça . Qual o seu problema ? Queria morrer era só avisar que eu te matava. -Eu só queria que tudo parece. Queria que o Gustavo não me amasse, queria nunca ter empurrado ele, eu queria ser normal, eu não queria ser fotografada o tempo todo, eu era criança não podia sair com o papai que todo mundo queria tirar foto. Eu só queria ir pra uma festa beber, fumar , passar mal sem ser exposta para o mundo no dia seguinte. Ninguém nunca me disse a verdade, ninguém nunca gostou de mim pelo que eu sou . E agora eu não consigo gostar do Gustavo pelo que ele é. Ele me disse que eu sou incapaz de aceitar ele como ele esta agora e que eu sou preconceituosa. -Ele disse isso ? -Disse . E o pior é que ele tem razão e eu nem se quer consigo dizer isso pra ele. Ele disse que sou tão paralítica quanto ele só que minha cadeira de rodas é o meu dinheiro a minha preferência por outras coisas que eu nunca daria valor nele porque sou mesquinha. E ele tá certo.-Disse engolindo um choro. -Querida, ouça bem o que eu vou te dizer. Certa vez eu disse isso ao nosso pai, que queria ser normal, que queria ir para a escola e der tratada como alguém normal, sem pessoas me bajulando o tempo todo. Queria sair na rua sem ser reconhecida, eu achava ate divertida a vida dos pobres, sempre via na TV. Papai no outro dia me pegou pelo braço e me colocou pra fora. Quatro caras passaram me insultando, outros jogaram água em mim, quando os xinguei como estava acostumada a fazer com todos que iam contra minhas vontades, os caras me bateram ate eu não ter forças para andar. Então me levaram ate o escritório do papai, eu disse que era pra gente denunciar eles, papai disse que não , que vida de pobre era divertida e perguntou se eu queria der tratada como alguém normal ou como rainha do império que ele estava construindo pra gente. Ele contratou aqueles homens para me mostrar a realidade. Esse garoto quer viver com você um conto de fadas , talvez ele nem gostasse tanto de você assim , mas pra ele agora, aparecer com você seria uma prova que ele não esta tão invalido assim. Acha mesmo que ele tem cabeça para amar agora ? Se apaixonar ? -Não acredito que nosso pai fez isso com você Aurora. -Fez. E eu sou muito grata. Pensa direitinho,se você não gosta dele ele tem que saber, imagine ficar com ele por pena, é humilhante . -Eu quero acabar com tudo isso .-Disse abraçando a irmã . -Eu te prometo que vai acabar. -Retribuiu o abraço .

A mãe do garoto não aceitava o acontecido e culpava Aurora de todas as formas, nem se quer acreditava no álibi da empresaria . Então Aurora esperou a mulher deixar a casa para ir no culto que era a única coisa que segundo ela em entrevistas difamando a irmã de Aurora e o acontecido com seu filho ainda a mantinha de pé . Assim que a mulher deixou o lugar, pelo retrovisor do carro retomou seu batom vermelho, colocou seus óculos escuros e bateu na porta para fazer uma visitinha surpresa.