Aurora
12 Maria
—Nem acredito que estou tomando um vinho com uma assassina. –Dizia Mel já um pouco embriagada, sentada no chão da sala de um hotel com Aurora.
—Pois é, foi assim que comecei com Maria.
—Nãaaao.-Disse Mel rindo. –Está confirmando minha morte?
—Maria teve a melhor morte da vida dela, acho que ela desejou a morte no fim.
—Me conte mais sobre.
—Você não é mais minha psicóloga, pode ser que me denuncie.
—Se eu estiver viva pode ser mesmo –Respondeu olhando Aurora com o ar malicioso.
Entre uma taça e outra as duas foram ficando a vontade.
—Maria para minha sorte tinha um namorado, e era gato, mas não passava de um drogado, ela também se envolvia com drogas, muitas vezes batia no Gael, eram uma família bem problemática...
—Então mereceram morrer esses....
—Shhhiiu.....-Disse Aurora colocando o dedo indicador na boca da psicóloga. –Você está me melhorando a cada dia, não quero te estragar.
Mel olhou pra baixo sem graça, e pediu para que Aurora continuasse a história.
—Mas se quiser ser estragada te ensino direitinho, sempre respeito as vontades das minhas vitimas...
—Então está confirmando que sou uma vitima ?
—Só se você desejar, madame. –Acendeu então um cigarro, e deitou no chão sob um lindo tapete branco de pelos. Olhando para o teto voltou no tempo de Maria. –Maria implorou pra que eu participasse de uma festinha entre ela e o namorado.
—Quanto tempo demorou pra conseguir isso?
Maio de 2005 *
Em uma cafeteria antiga da cidade uma mulher aparecia, usando uma saia colada vermelha e uma camisa social branca, parecia uma modelo de revista, um salto alto, e os cabelos na altura dos ombros pareciam nunca terem visto uma escova que não fosse de salão.
—Olá, que bom que veio. –Disse Aurora sentando-se de frente para Maria.
—Você está incrível, te conheci tão menina.
—E esse lindão aí? –Apontou para o menino sentado ao lado da mãe. Ela não podia acreditar no que seus olhos viam.
—Gael, é meu filho.
Aurora se sentou, colocou a bolsa na cadeira ao lado e fitou a criança fixamente, deixando Maria um pouco ressabiada.
—Gael, tem os olhos do pai. –Olhou incomodada para Maria.
—Não, você está enganada, não é o que você está pensando.
—Quantos aninhos você tem bebe? Uns três? –Disse olhando o menino se escondendo atrás da mãe. -Ele é a cara do meu tio Maria, por que escondeu isso da gente ?
—Mamãe, papai.....papai...-Disse o menino apontando para a porta quando um homem se aproximou e logo o pegou no colo.
—Por favor, não diga nada, por favor –Cochichou Maria.
Indiscretamente Aurora olhou o rapaz de baixo em cima, regata branca, tatuado, braços fortes, e jeito bruto. Levantou, e sem hesitar estendeu-lhe a mão.
—Prazer, sou Aurora.
O rapaz apertou forte sua mão.
—Já te vi nesses programas de tv. O que você quer com a minha mulher?
—Um, você é forte. -Sorriu- Eu a conheço de colégio, quero que trabalhe pra mim.
—Ela não está interessada.
Aurora olhou os olhos de Maria amedrontados, e tornou a olhar para o rapaz, moreno, com jeito de pedreiro. Colocou uma das mãos em seu obro e desceu-lhe o braço.
—Eu não estava falando dela. –Disse mordendo os lábios tirando um sorriso tímido do homem. –Caso se interesse não vai se arrepender, sei recompensar muito bem quem trabalha pra mim, me liga. -Disse entregando-lhe seu cartão, fazendo um carinho na cabeça do bebê e deixando o local.
Não precisava ser gênio para entender que Maria traia Alvaro com o rapaz, quase morreu de medo que Aurora revelasse quem era o pai do menino Gael.
****
—Aurora?
—Desculpa, por um instante eu pereço ter voltado no tempo.
—Você estava com uma cara assustadora mesmo.
—Mas o que você queria saber mesmo?
—Quanto tempo você demorou pra conseguir isso...
—Foi a mais demorada de minhas conquistas, dois meses.
—Nossa, quase uma vida.
—Querida, eu consigo quem eu quero em um dia.
—Duvido.
—Mais tarde vamos sair e eu te mostro.
—Como foi o sexo com ela?
— Eu contratei o marido dela como pintor no meu escritório, e que pintor meu Deus, se eu pudesse revivia aquele homem. Imagina ele em cima de uma escada e eu só olhando, nossa, não gosto de lembrar que fico de luto.
Mel nunca tinha rido tanto em uma noite só, por mais bizarro e terrível que aquilo era, Aurora tinha o dom de fazer tudo parecer simples e natural.
—Então você pegou o pintor?
—Não, eu fazia ele trabalhar cada dia mais e o pagava para ficar até mais tarde, ele não me olhava, ficava excitado, desconfortável, mas nunca se aproximou, era apaixonado na Maria, que aquela não me enganava, sempre foi uma vadia. Fui o mantendo cada vez mais no escritório, uma mulher ciumenta sempre vai marcar seu território, e assim foi. Ela chegou enfurecida, vi pelas câmeras quando ela parou seu carrinho de 97 na vaga preferencial. Sorri, já sabia que a guerra estava ganha. Liguei para um amigo muito querido pedindo que cortasse as luzes do prédio e depois os freios daquela lata velha as câmeras não pegariam nada sem as luzes, já havia desligado o sistema.
—Não- Mel boquiaberta sorriu –Você é louca.
—Era tarde da noite a ultima funcionária já estava indo embora, pedi que deixassem que ela entrasse na portaria, ela entrou e quando viu meu departamento vazio eu podia ver a fúria em seus olhos, ela realmente esperava nos pegar juntos no maior sexo. Mas não, ele estava em cima da escada pintando minha parede e eu tomando um café sentada no sofá da minha sala foleando uma revista. Quando as luzes se apagaram os dois se assustaram, eu ri e disse que aquilo era muito comum, deveria ser algum vândalo. E sugeri que Maria tomasse um café. Ela estava muito desconfiada comigo, não me lembro ao certo mas fomos ao banheiro juntas, ela queria agradecer por eu não ter contado nada ao marido dela. Então eu disse que ia contar naquela noite mesmo, que só estava esperando ela estar junto, ela implorou disse que fazia o que eu quisesse, que ele acabaria com a vida dela e com a do menino, que mataria a mãe dela entre outras coisas...
—Ele era tão barra pesada assim?
—Claro que não, quem é não sai falando.
—Mas você contou?
—Não, eu fui me aproximando dela, e a encostei na pia do banheiro, cheguei tão perto a ponto de sentir seus seios nos meus, e disse pra ela que eu a deixaria em paz, que eu não diria nada em troca de um orgasmo...
—Ela não se assustou?
—Ficou horrorizada e muito excitada, sua respiração ficou acelerada, o escuro deixava tudo muito mais interessante, ela me disse que não sabia o que fazer então eu disse que faria por ela, e já passei as mãos em suas pernas a erguendo e colocando sentada na pia, sem saber facilitou minha vida, ela estava de vestido, então eu fiz um carinho em seu cabelo, coloquei uma mecha atrás de sua orelha, e jurei que ela ia gostar, pedi para que gemesse baixinho para o marido não ficar bravo com a gente. -Pausou para rir e retomou. –Eu ajoelhei e fui de encontro com sua vagina, puxei sua calcinha pro lado a qual coloquei minha língua quente a explorando, senti Maria se contorcer e dar um gemido, então fui fazendo movimentos circulares com a língua envolvendo seu clitóris, as mãos dela deslizavam sobre o espelho e as paredes de piso, em quanto gemia baixo. Ela começou a se movimentar querendo mais, e mais foi então que coloquei dois dedos nela e ouvi uma voz masculina. Que dizia –que porra está acontecendo aqui- Era o marido.
—Meu Deus –Mel levou uma das mãos a boca, e era inevitável não se envolver tanto com a história. –O que ele fez?
—Maria era uma idiota, disse a ele que não era nada que ele estava pensando, desceu da pia.
—Ah, e você deixou acabar assim?
—Claro que não, eu cheguei nele antes e disse que era sim exatamente o que ele estava pensando e toquei sua calça podendo sentir sua excitação.
—Ele estava excitado?
—Muito, eu nunca tinha visto nada como aquilo, puxei a mão de Maria e coloquei no penes dele e dei um beijo em sua boca, logo me ajoelhei e o chupei como nunca havia chupado nenhum homem, em quanto isso Maria o beijada, e com as mãos ele massageava sua vagina, então quando seu membro já estava bem rígido eu chupei Maria em quanto ela o masturbava, pedi para que ela montasse nele e gozassem para eu ver, ou ouvir no caso, pois estávamos sem luz, e quando estávamos sem luz, sentimos mais. Em quanto os dois gemiam eu me masturbava, acredito que gozamos os três juntos naquela noite. Depois eu ofereci uma bebida aos dois em comemoração, bebemos, falamos varias besteiras até a luz voltar.
—Você não os matou?
—Enforcados como de costume não, mas quando foram embora não notaram o carro sem freio, se acidentaram, o carro capotou, foram lançados para fora, estavam alcoolizados , é comum tal acidente...
Mel sentia-se molhada de excitação e envergonhada por isso, Aurora não lhe parecia um monstro, e sim uma pessoa marcada por um passado.
—Note que a ex mulher do seu tio você matou diferente, e transou com o marido dela o que fazia com que você sentisse estar descontando, e isso aconteceu, você não precisa mais matar ninguém.
—Você não é capaz de me entender, é como se eu fosse uma vampira, não consigo parar, e isso é horrível, porque as vezes eu realmente quero.
Mel então pegou nas mãos da ex paciente e a olhou com ternura.
—Eu acredito e aposto que você consegue.
—Até que você experimente meu lugar, nunca vai saber o que é ser eu. –Respondeu se afastando. –Quando você tiver alguém que fez algum mal em suas mãos, dependendo exclusivamente de você para o prazer, não conseguindo esconder o quanto você excita essa pessoa, você vai sentir a melhor sensação da sua vida, e você vai entender o quão horrível é se sentir tão bem.
—Eu ainda acredito em você, acredito que você consiga, você é boa comigo.
Aurora sorriu, molhou os lábios com a língua e encheu ainda mais suas taças.
—Você sente muito prazer quando entra em meu mundo não é? Por isso abandonou meu caso, você gostaria de ser como eu sou, vejo em seus olhos.
—Talvez eu tenha passado por umas situações parecidas...
—Somos muito mais parecidas do que você pensa –Disse aproximando seus lábios do da moça, mas não a beijou, afastou em seguida sorrindo. –Não entendo por que você me deseja tanto mesmo sabendo de tudo.
—Talvez porque eu não acredite em nada do que disse. –Se levantou embriagada –Eu odeio esse calor. -Disse tirando a roupa ficando de calcinha e sutiã, deixando seu corpo magro bem contornado aos olhos de Aurora, que sorriu e negou com a cabeça olhando para baixo.
—Vou dormir amor.....
—Não acredito que vá...
—É, eu vou.
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