Auradon Prep - Interativa
1 Diferente como eu.
Notas iniciais

O som do trânsito pela manhã já atordoava os ouvidos de todos antes mesmo do sol mostrar a que veio. As últimas semanas em Manhattan tinha sido extremamente quentes e fervorosas apesar de seu histórico de frio invernal. E isso era um sério problema para Ash.
Ash Hatter era mais um garoto comum em Manhattan que odiava o calor. Época em que se soa em qualquer lugar, qualquer parte do corpo, e tudo piora mais ainda: testa suada, suor e mal odor pelo corpo, chulé e etc. Normalmente, um dos piores pesadelos de qualquer adolescente que é um tanto caseiro.
Ash quase não sai de casa, e isso explica sua pele extremamente branca. De origem coreana, sofre zoações típicas, porém não se importa muito. É muito calado em meio á multidões, apesar de que seus amigos mais íntimos reclamam que ele não cala a boca um segundo sequer.
Tem cabelos ruivos naturais, algo que não é do feitio de sua origem, o tornando mais do que único e igualmente comum, o que entrava em contradição. Ninguém ligava pra isso.
Se o perguntarmos de onde vem, ele não dirá nada. Sua história é resumida á um "acordei nos braços de alguém que não era minha mãe, nem meu pai, e quem dirá que fosse um tio". Ash foi deixado em frente á uma casa simples e rústica, onde existiam um casal no qual não conseguiam ter filhos, e depois daquele dia, o adotaram como filho.
Seus pais são totalmente diferentes que Ash. São loiros, de origem russa, que tinham vindo para Manhattan a fim de fazer um recomeço em suas vidas. Não tinha menos de 2 meses que eles se mudaram quando Ash foi deixado em suas portas, sem cartas ou identificação, como um presente. O filho que eles sempre quiseram ter.
Sempre o mimaram, mas nunca deixaram de dar o castigo merecido por cada vaso quebrado. Ash teve seus momentos de molecadas, mas sempre foi um menino obediente, que gostava e gosta de agradar seus pais mais do que tudo. Talvez o rótulo "certinho" caberia nele são não fosse seu ideal de liberdade e o de não-rotular-nada que ele defendia com todo o orgulho.
Ash é um garoto bondoso e inocente, apesar de entender todas as segundas intenções que alguém despeja numa frase qualquer; é um palhaço de marca maior, apesar de ser muito tímido ao lhe cumprimentar pela primeira vez. Seus principais hobbies são assistir youtubers jogando e jogar os jogos que youtubers jogam. Sente vontade de criar um canal e jogar jogos que jogou que antes youtubers jogavam e criar vídeos gravando esses jogos e etc. Fazia Slackline aos 10 anos, mas está meio enferrujado após 5 anos sem prática.
É um pouco alto, por volta de 1.75. É magrelo de ruim, não engorda nem mesmo se comer á cada 5 minutos, que é o que faz. Seus olhos puxadinhos nos cantos sempre se esticam á cada vez que sorri, o deixando com um ar fofo, mesmo se ele estiver falando besteira ou coisas sem sentido.
Ash não conhece seus pais verdadeiros, mas tem uma obsessão estranha por chapéus e canecas. Geralmente usa roupas listradas e calças largas, senão as calças quase extintas cargo. Usa calças apertadas só se necessário, ou talvez -nunca fez isso- num encontro com alguma garota que teve como crush temporário. Seus olhos são castanhos, entitulados do famoso termo "cor de avelã", que é de fato sua fruta favorita.
Eram 6h da manhã. Ouvia-se o som dos pássaros abafado pelas buzinadas do trânsito lá fora. Os raios de luz queimavam-lhe os olhos. Sua única motivação ali era levantar-se e fechar a cortina, para que não atrapalhasse o sono tão bom e o calor das cobertas por todo seu corpo, porém a voz que o chamava incansavelmente através da porta rompeu as barreiras que o separava do chão.
–Ash meu filho, já são 6h! Hoje você tem escola! -Exclamava uma mãe com um coque frouxo e arrepiado, com um avental amarrado ás pressas em volta do seu corpo e mãos que aparavam o cobertor do chão.
O garoto abriu os olhos lentamente, se acostumando com o choque térmico do chão e fitou o relógio em cima do criado mudo. Realmente já era hora de se levantar e se arrumar rumo á mais um dia alegre e harmonioso da escola um tanto tranquila do período do Ens. Médio. Seu humor exalava ironia. Mas hoje iria ser um dia tanto decisivo em sua vida, em que mudaria de ares e recomeçaria sua vida do zero. Então porque seguir a mesma rotina de sempre?
–Preciso mesmo ir hoje mãe? Logo hoje? -Disse o garoto se levantando e indo em direção á janela que o incomodava já fazia tempo. -Nós vamos nos mudar mãe... Precisamos arrumar as coisas...
–Não se preocupe com isso filho, metade das suas coisas eu e seu pai já arrumamos pela noite, o resto quando você chegar da escola dá pra arrumar. -Disse a mãe ajeitando o coque e dando um beijo na testa do filho. -Você precisa se despedir dos seus amigos certo?
–Mas mãe... -Resistiu Ash, mirando a mãe com certa tristeza, que não abalou nem um pouco, pois virou-se sem dar atenção e foi fazer o café da manhã.
Bufando, Ash virou-se e foi se arrumar para seu último dia de aula. Ele e seus pais iriam se mudar para Londres, onde seu pai havia recebido uma grande proposta de emprego que iria alavancar sua carreira. Apesar de apoiar o pai, seu coração não deixava de doer ao deixar para trás seu velho amigo Hugo e sua recente amiga Taiga, que também era asiática. Eles já sabiam de sua mudança, mas não deixou de concordar com sua mãe que precisa revê-los antes de dar adeus á sua cidade natal.
Colocou seu novo chapéu xadrez que comprou para usar na viagem, única vez que comprara algo para tão pouco, e suas calças cargo pretas rotineiras. Usou uma camisa vermelha e um moletom do Flappy Bird azul escuro. Calçou seu All-Star preto, enfiou os cadernos dentro da mochila e tratou de escorregar pelo corrimão da escada, levando um sermão de seu pai que acabara de sair da frente da escada.
–Cuidado Ash! Será que sua época de moleque voltou? -Exclamou a primeira frase, sussurrando pra si mesmo a segunda.
–Desculpaê pai! Tentarei descer pelos degraus da próxima vez. -Disse em um tom brincalhão e se juntou á mesa para desfrutar do delicioso e caprichado café da manhã que a Sra. Hatter preparou com tanto esmero.
–Está uma delícia Amanda. -Com um brilho nos olhos, o esposo expressou a delícia que se passava por sua boca.
–Está mesmo mãe. A senhora caprichou hein? -Concordou Ash, limpando os cantos da boca depressa e levantando-se da mesa, atraindo os olhares dos pais.
–Já vai querido? Não quer carona? -Falou a mãe que pusera-se a levantar.
–Não precisa se preocupar. Vou me encontrar com Hugo para irmos conversando até lá. Sabe como é, últimas conversas. -Disse Ash voltando-se á um olhar triste.
Preocupada, a mãe levou os braços ao redor do filho e o acolheu em um abraço quente e cheio de ternura.
–Vocês vão se ver novamente, sempre vamos visitá-los. -A mãe disse em uma voz bondosa, que acalmou o coração do jovem que havia se dado conta da grande informação.
–Faremos o que puder. -Disse o pai ao lado dos dois, que completou um abraço em família, rendendo muitas lágrimas.
–Muito obrigado, vocês são os melhores pais que eu poderia querer. -Completou Ash enxugando as lágrimas.
A porta estava á sua frente, e quando a abriu, tinha a certeza que veria aquele mundo daquele ponto de vista rotineiro pela última vez, mesmo que não soubesse o que estaria pela frente em sua vida.
Não seria uma jornada até então tranquila, assistindo youtubers ou praticando slackline. Sua verdadeira história seria escrita a partir de agora.
E atrás daquela porta, daquele ar puro de verão, daquela paisagem urbana, estava o futuro, o destino. Lá estava o significado de sua vida.
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