Aura: O reino fantasma.
1 O reino do Norte.
O canto de pássaros era presente na floresta, insetos rastejavam-se pelas plantas, esquilos trabalhavam em sua velocidade costumeira, a natureza estava em paz. A grama era amassada por uma pequena caixa de madeira, claramente feita a mão com uma adaga e outros instrumentos. O som de madeira sendo raspada por uma lâmina então se iniciou, a brisa empurrando folhas em uma bota velha de couro.
Os olhos cor de mel então encararam o calçado desgastado, precisava de novos, mas não queria trabalhar ou fazer qualquer esforço para ter que ganhar um novo ou comprar. Era um preguiçoso, devoto à tranquilidade de se deitar na grama e dormir por horas, sem se preucupar, mas seu pai, um homem honesto, o fazia trabalhar. Sempre usará os mesmos motivos.
"És um jovem de 15 anos, Isaac, na sua idade eu já trabalhava!" Como o rapaz estava farto de ouvir aquilo. Mas oque poderia fazer? Ceder ao seu pai era mais fácil do que discutir com ele. Mas naquele momente não queria pensar naquilo, da ultima fez que se distraiu enquanto raspava madeira, acabará perdendo parte de um dedo, vulgo o anelar. Ele então encarou a flauta em sua mão, quase preparada, e em sua cabeça, seria a melhor que qualquer mestre artesão já havia feito, um rapaz iludido.
Isaac era um rapaz de aparência comum, talvez era a melhor representação dos estereótipos que o reino do Norte tem. Sendo um garoto pardo, magro de 1,68 de altura, os cabelos escuros, com cachos e mechas rebeldes, indicando que é raramente penteado. Os olhos com uma tonalidade suave e clara como mel, e um sinal de nascença logo abaixo dos olhos. Suas roupas também são simples, uma camisa branca levemente suja e uma bermuda bege, com um suspensório improvisado por uma corda cheia de fiapos. Um cordão de prata dado por sua avó, com um pingente estranho, nunca parou para pesquisar em um livro, era preguiçoso demais para isso.
Ouviu um miado preguiçoso ao seu lado, e logo encarou a gata que se espreguiçou após ter acordado de um longo sono, os olhos amarelos brilhando em meio daquela pelagem preta, poucos ferimentos, e um pequeno pedaço de sua orelha faltando, era de rua. Ele ria com o felino, se lembrava como havia a encontrado, e como a havia domado, ou como achou que a domou. Ao encarar os olhos amarelados pode rever novamente o filhote de gato sentado em meio a feira, procurando por um pouco de leite. Isaac não sabia e não podia criar aquela gata de rua, mas ainda assim tentou, mesmo que não vivam juntos, eles ainda tinham uma conexão, Isaac sentia isso.
— Dormiu bem, Lena? — Sua voz era baixa e calma, esboçando um pequeno sorriso após perguntar.
Não obteve resposta como o esperado. Ao longe ouviu o sino da carroça de seu pai, esse era o sinal de que seu horário de descanso — ou preparo psicológico — havia acabado, mais cedo do que esperava. Guardou a adaga e a flauta, fechando assim sua caixa. Colocara as botas de cano baixo, amarrando os cadarços velhos. Levantou carregando consigo a caixa, caminhando a caminhar. Lena ia logo atrás, movendo sua cauda lentamente para os lados.
Isaac morava no reino do Norte, tendo "Terra" como seu elemento. Para ele, separar os reinos por elementos era uma besteira. Os habitantes do reino do Norte eram domadores da terra, tudo que envolvesse a terra a qual viviam era de seu domínio. Poucas pessoas tinham a proeza de ter o 100% de seu poder, e muitos chegavam a nem ao menos controlar direito, e esse era Isaac, o garoto que nunca havia controlado um grão de poeira. O reino em que vivia era famoso por suas plantações e pela força e resistência de todos os habitantes, uma das poucas coisas que o rapaz herdou de seu reino.
Ele pouco sabia dos reinos vizinhos, nunca se interessará por ler um livro, era um fracassado, não prestava para nada.
Água, o elemento da cura. O reino do Oeste, conhecido por sua medicina invejável, e por sua beleza exótica e diversidade. Dono de grandes rios, e domina parte do litoral. Isaac já ouviu falar de pessoas que podiam andar sobre as ondas, como se fosse madeira, já foi lá com seu pai uma vez, nada o interessou, e ninguém se interessou por seu atersanato, isso o ofendeu.
Ar, o elemento instável. O reino do Sul, conhecido por seus habitantes fortes, e por sua literatura. Pouco sabia sobre aquele lugar, e só havia visitado uma vez, vendeu poucas coisas, e recebeu indicações de livros que ele nunca letia na vida.
Fogo, o elemento da intensidade. O reino do Leste, conhecido por seus guerreiros selvagens e por sua inimizade não recíproca pelo reino da água. Iria o visitar hoje, mas sinceramente, ele não queria ir. Tinha medo, mas também tinha curiosidade, porém, o medo era maior. Ele nunca ouviu alguém elogiar o local, e também ouvia os estereótipos: Pessoas agressivas, explosivas, não gostam de visitantes, só se dão bem se você se mostrar pulso firme. Seu pai ou sua mãe iriam se virar bem em um lugar como aquele, mas Isaac, na primeira chance de se jogar no chão e chorar, ele vai fazer tal ato.
Perdido em seus pensamentos esbarrou em algo grande, não se preucupou em verificar, podia ser seus irmãos: Michael e Vanessa. Colocará a caixa sobre a bancada de sua casa e então arregaçou as mangas. Encarou a diversidade de frutas e vegetais, e somente resmungou um palavrão e começou a trabalhar.
— Eu não sei por que eu tenho que fazer isso, sou um artesão, não um mercador. — Reclamou o garoto.
— É o trabalho do irmão mais novo, quando eu tinha sua idade fazia o mesmo. — Vanessa respondia, o dando um tapa em seu pescoço.
Vanessa era sua irma mais velha, uma mulher de 25 anos, não muito diferente de Isaac. No momento era uma professora, e ajudava os familiares à empacotarem as frutas para assim vender. Michael era o do meio, 20 anos, e perdido no amor. Era um homem apaixonado, mas sua amada era uma interesseira, e ele era o único que não via isso.
— Para de graça, Isaac, o papai já faz um favor para você em deixar você vender suas tralhas. — Disse Michael, distraído em limpar o cavalo.
— Tralhas essas que você da para a sua amada, da proxima vez que me pedir para eu fazer algo assim vai ver o formato que eu vou deixar. — Isaac jogava um pedra nas costas do irmão.
Olhou para a carroça, e sorriu aliviado. Já estava cheia, e só faltava uma caixa. Essa foi sua deixa, saltou da carroça e foi até o estábulo, segurando um baú velho, o trouxe consigo e o ajeitou em um espaço reservado para si na carroça. Se espreguiçou, pensando seriamente em sair correndo, mas seria um desperdício, já que ele havia pegado o baú. Viu seu pai chegar, em seu silêncio de sempre, observou ele fazer oque sempre fazia quando ia para outro reino.
Ele beijava sua esposa, abraçava Vanessa e Michael, e então dava um peteleco em Isaac. Tocava sua testa levemente, e então subia na carruagem. Olhando a sua casa, e logo encarando Lena que já dormia na sombra de uma árvore. Olhava a cidade, acenando para os habitantes, e então se virou para o enorme portão, que abriu-se lentamente, e expôs a floresta.
Engolindo seco, e criando expectativas ele saiu do reino do Norte com seu pai, e agora ia para o Reino do Leste, sem nem ao menos se preparar ou perguntar sobre o reino.
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