Aura Azulada

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Espero que gostem!

No alto de uma colina, um jovem com seus quinze anos olha ao longe; uma casinha de madeira, o extenso jardim cheio de margaridas e violetas, e ao longe um moinho desativado. Na varanda, perdida em pensamentos, uma mulher esfrega no tanque velho uma camisa impecavelmente branca. Sorri internamente, imaginando o quanto aquela mulher sofrera para cria-lo sozinha.

Seus olhos se desprenderam da mulher e se direcionaram para o horizonte âmbar e alaranjado. Ao longe, o sol ainda mostrava os seus últimos raios que, iam lenta e preguiçosamente adormecendo.

Que tempos dourados passavam pela mente do menino; a escola, os amigos, a mãe e seu velho e fiel cão. Um sorriso brincou nos lábios rosados quando sentiu umas gotículas de chuva arranhando suavemente sua alva tez.

Tempos dourados que não voltariam mais. Talvez ele caísse no esquecimento eterno, ou talvez, vez ou outra, alguém chamasse seu nome.

Ele não sabia dizer.

Sua curta estadia na terra fora o suficiente para ele aprender de tudo um pouco. Sentiu todas as emoções que lhe fora dada; e as guardou para sempre em seu íntimo.

Deu uma última olhadela na mulher, mas viu que ela não estava mais lá. Certamente entrara e agora colocava lenha no velho fogão, como era de costume.

Se perguntou se ela o esquecera.

Se perguntou se ele significara algo.

Mas a resposta veio em forma de grossas gotas de chuva.

Ele fora o tudo. Ele fora o nada.

Ele fora o começo. Ele fora o fim.

Ele fora o sorriso brilhante nos lábios da jovem que lhe encarava com os olhos lacrimejados. Mesmo sentindo dor, ela pensava no quanto aquele ser tão frágil pesava tanto em seus braços.

De fato, ele se dera conta de que sua curta estadia fora o suficiente para mudar o mundo daqueles que lhe encontraram.

Pronto para a partida, o jovem suspirou e fechou os olhos. Sem arrependimento, sem culpa e com uma enorme sensação de missão cumprida em seu peito.

Ao longe, pela pequena janela, a mulher olhava o horizonte. Com os olhos lacrimejados e um sorriso meigo via uma aura azulada indo em direção ao céu.

O seu pequeno passarinho que passara a vida toda preso em uma gaiola, finalmente pôde alçar o voo.

Agora ele era livre.

Livre da dor, livre das lágrimas e, livre da enfermidade tão cruel que, ainda assim, não era capaz de ofuscar o brilho em seus olhos.

Aquele menino foi o amor que ela, desde a tenra idade, sonhara.

Notas finais
Até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!