Até Parecem Idiotas
17 Eles conseguiram
Notas iniciais
Escrevi esse capítulo a base de muita Taylor Swift na veia, então se quiserem escutar também, sabe, para entrarem no clima, recomendo as músicas enchanted, innocent, begin again e principalmente, white horse!
Espero que gostem... de verdade kk
Emmett passou as mãos pelas suas costas, e depois de depositar um beijo nos cabelos castanhos, saiu do quarto. Por mais preocupado que estivesse com ela, agora ele precisava fazer outra coisa: encarar o irmão.
Mas Bella não estava dormindo como ele julgou.
Ela queria implorar para ele não deixa-la sozinha, mas lutou contra sua vontade: precisava de um momento sozinha, um momento para se permitir entrar em desespero e chorar sem preocupar o melhor amigo...
Às vezes... Às vez afundamos em nós mesmo, sem olhar em volta, sem lembrar de nada porque todos os momentos bons escorreram para algum canto escuro. Então você tenta ver alguma coisa, talvez um pequeno pedaço de luz, mas não consegue... Eles conseguiram! Você se sente como uma perdedora.
Não há nada que possa fazer. Você é só a garotinha boba que ela disse que você seria. Você é só aquela que quase ninguém suporta. Que as pessoas desprezam e julgam sem ao menos conhecer, e elas estão certas, afinal só sendo muito desprezível para não darem a chance nem ao menos de você se defender.
Amanhã você vai olhar pela janela e tudo vai estar cinza como esta hoje, e como estava ontem. Até que um dia, você se agarra a isso como um bebê assustado, chegue o momento de arrumar suas coisas e você vai dar no pé dessa cidade minúscula e então, em uma cidade maior você torce para que alguém consiga gostar de você, nem que for ao menos um pouco, nem que for só para não doer tanto... Mesmo que for só para você não lembrar apenas da cor dos olhos dele – de quem te negaram amar.
Enquanto esse dia não vem você se afunda nas cobertas e chora como uma menininha. A menininha que nunca a deixaram ser, que nunca pode ser. E reza para que tudo dê certo no final. Mas por enquanto, você se sente apenas uma infeliz para quem não deram nem a opção de fugir.
Talvez...
Eles conseguiram, no fim.
POV ALICE
- Chega, eu vou entrar lá!
- Mãe, senta ai. Ele não quer ver ninguém. – Me lamuriei pela, sei lá, décima vez.
Mamãe seguiu meu conselho, mesmo não parecendo nada feliz. Ela cruzou os braços e não parava de bufar contrariada, mesmo eu sabendo que não era pelo programa de TV que fingíamos assistir.
Olhei pela janela de novo. Não via a hora de Emmett chegar. Queria saber como Bella estava e conversar com ele sobre o que aconteceu.
- Por que ele fez isso?
- Não tenho ideia. – Menti.
Eu não ia tomar nenhum partido até ouvir o que meu irmão tinha a dizer. Edward não era assim, eu tinha certeza. E aquilo estava me cheirando a armação das bravas daquela puta desalmada e daqueles imbecis.
Minha visão ficou vermelha e eu me via esfolando a cara da Tânia no asfalto.
Um carro chegou, mas era apenas o papai, que entrou assobiando sem suspeitar que algo estivesse errado... Até a mamãe levantar e correr até ele despejando as novidades:
-... E agora ele esta trancado no quarto e não quer falar com ninguém. Nem ao menos responde...
- Esme, querida, se acalme! – Meu pobre pai a chacoalhou, meio atordoado com a velocidade com que mamãe falou tudo. – Agora me conte de novo o que aconteceu.
Pediu, e ela recomeçou tentando soar mais calma. Por fim eles se voltaram para mim, que estava quietinha no sofá pensando em mil formas de acabar com uma barata em forma de vadia.
- O que foi? – perguntei sob os olhares inquisidores dos dois.
- Você sabe o que pode ter acontecido para seu irmão estar assim? – Papai perguntou.
E poxa, era uma grande sacanagem papai perguntar. Eu era a princesinha dele que nunca mentia. E agora?
- Talvez. – murmurei, tentando soar como se não fosse grande coisa.
- Talvez? O que você sabe, Alice? – Exigiu.
Eu gemi.
- Er... Hmm... Vejamos bem, primeiro, eu decreto que não sei de nada, e provavelmente... Na verdade, “certamente” isso é tudo invenção daquela galinha sem penas...
- Quem? – Mamãe me cortou, chocada com meu linguajar.
- Tânia Denali. – Respondi prontamente.
- Ah claro, a oferecida. – Dona Esme torceu a cara.
Eu sorri. Era por essas e outras que amava minha mãe.
- Continue. – Meu pai pediu revirando os olhos para nós duas.
- Bom, vocês devem ter percebido que Bella e Edward se aproximaram bastante não é? – perguntei.
- Sim. – Os olhos de ambos brilharam.
- O que foi isso? – Indaguei.
- O que? – se fizeram de bobos.
- Essas caras de, sei lá, essa cara!
Eles ficaram meio constrangidos, mas minha mãe acabou respondendo.
- É que por acaso, eu e Carl sempre achamos que Bella e seu irmão, Edward, formariam um belo par.
Meu queixo caiu. – Estão falando sério?
- Sim. – ela chegou perto de mim como se fosse contar um segredo. – Não sei se você reparou, filha, mas seu irmão há anos é louco por ela.
- Eu devo ter reparado. – balancei a cabeça sem acreditar.
Meus pais eram duas figuras. Definitivamente.
- Aquela marra dele para cima dela o tempo todo? Definimos como paixão reprimida. – Papai riu. – E acho que um pouco de dor de cotovelo por Emmett passar tanto tempo com ela e ele não.
Então em um rompante a porta da frente bateu e antes que nos recuperássemos do susto Emmett chegava até nós, totalmente furioso.
- ONDE ESTA EDWARD?!
Meu outro irmão já descia as escadas correndo.
- Bella, como Bella esta? – perguntou desesperado.
Ninguém na sala falou nada. Nem mesmo Emmett explodiu como parecia que iria fazer.
A verdade é que olhávamos assustados para a lástima que Edward estava. O rosto inchado e os olhos vermelhos indicavam que ele tinha chorado por muito tempo – e Edward nunca chorava. E se chorasse nunca deixaria alguém perceber. Mas pelo visto essa era a ultima das suas preocupações agora.
- Onde esta ela, Emmett? Como ela esta?
Emm, que parecia ter sido pego desprevenido, já havia baixado a guarda quando respondeu:
- Esta em casa, com Charlie. Eu a deixei porque precisava resolver as coisas aqui... Edward, eu só vou perguntar uma vez, e se a sua resposta for sim, eu juro que esqueço que alguma vez já tive irmão...
- Emmett! – mamãe ralhou, mas ele a ignorou e continuo a olhar Edward.
- É verdade o que aquela vadia falou? – exigiu, com os olhos ardendo de raiva ao citar Tânia.
Edward o encarou por alguns segundos, e então caiu no sofá afundando o rosto entre as mãos, tentando controlar a raiva.
Eu estremeci, era tão estranho ver ele assim. Papai e mamãe se sentaram ao seu lado e colocaram as mãos em seu ombro, claramente preocupados.
- Eu devo mesmo ser um imbecil, não é? Um grande filha da puta a ponto do meu irmão e melhor amigo duvidar que eu fosse tão cretino para fazer aquilo. Eu a amo, Emmett, eu a amo. Você precisa acreditar em mim!
E não havia como duvidar daquelas palavras. Ou da cólera com que ele pronunciava cada palavra.
Emmett se encolheu vendo nosso irmão nesse estado, mas pelo menos ele parecia ter se decidido.
– Desculpa. Eu só... Você precisa me entender. Bella não tem ninguém além de mim e o pai para protegê-la, e as pessoas são sempre tão, tão, tão monstruosas com ela. Você não sabe como aquela garota é forte, mas mesmo assim, você não sabe como é viver com todos a sua volta o desprezando sem motivo nenhum, eu não sei, Alice não sabe, mas ela sabe. E o que mais me enfurece é que nunca a deram a chance de ser feliz, primeiro a mãe e agora o povo estupido dessa cidade medíocre...
Ele se calou quando Edward abafou um soluço.
Um soco atravessou meu estomago, me recordando de todas as vezes que me calei quando alguém fazia algo para ela e eu simplesmente não fazia nada, sem querer me meter. Pelo menos eu e Rose estávamos tentando mudando isso agora.
- Será que vocês podem nos dizer o que esta acontecendo aqui? – Mamãe exigiu.
Nós calamos.
Por fim eu mesma resolvi contar:
- A Denali e sua corja resolveram gritar a plenos pulmões que Edward só estava com Bella, para... Para, sabe, conseguir algo dela. – parei, ficando vermelha.
- Algo? – Papai olhou de mim para Edward. – O que seria esse “algo”?
- A virgindade dela. – Emmett falou, soando como um trovão.
- OH! – Nossos pais soaram espantados. — Mas é claro que Edward jamais faria isso!
- É claro que não, meu filho não foi educado desse jeito... E se por acaso tivesse feito, nem consigo imaginar seu castigo...
- Eu preciso ir vê-la! – Ele levantou em um rompante e correu porta a fora.
Deixando para trás pais preocupados, uma irmã imaginando como faria para ajudar e um irmão gritando que não era o melhor a se fazer agora.
Mas ele não deu ouvido e se foi.
POV BELLA
Enrolei-me na coberta e cobri meu rosto.
Eu estava furiosa por ainda estar chorando.
Eu estava furiosa por ter acreditado que daria certo.
Eu estava furiosa por ter acreditado nela.
Eu estava furiosa porque sabia que ele era inocente.
Mas principalmente, eu estava furiosa porque eu acreditei em só momento que aquilo ia dar certo de alguma maneira.
Edward era demais para mim. Até quando ele aceitaria ficar com alguém tão pouco como eu?
Daqui um tempo iriamos para a faculdade, com certeza ele iria para alguma da Ivy League e então conheceria milhares de mulheres melhores do que eu... Seria justo faze-lo se sentir culpado quando o inevitável acontecesse e ele se sentisse terminasse comigo? O quanto ele sofreria por ter pena da amiga do irmão?
DROGA BELLA! PARE DE PENSAR!
Afundei minha cabeça no travesseiro. Até respirar parecia uma péssima ideia agora.
Três batidinhas na porta me fizeram quase gritar de desespero.
- Filha? – Charlie chamou temeroso. – Como você esta?
Eu resmunguei. Não queria que ele visse meu choro de novo. Sabia que meu pai se sentia mal toda vez que eu estava triste, como se a culpa fosse dele. Isso me fazia sentir uma péssima filha ingrata... Tudo o que eu precisava agora!
- Você tem visitas. – anunciou duvidoso.
Virei-me depressa.
Já imaginava quem era só pelo seu tom. E de qualquer forma, Emmett já teria subido sem precisar de permissão.
Passei a mão enxugando as lágrimas. – Avise que já vou descer, pai. — Seus olhos percorreram o meu rosto, preocupado com meu estado. – Por favor! – Implorei. Mesmo a contragosto ele acabou concordando e carrancudo saiu do meu quarto.
Levantei e fui para o banheiro tentar dar um jeito no meu rosto.
Vamos lá, Bella, você sabe o que tem que fazer...
Encarei meu reflexo no pequeno espelho em cima da pia – eu estava uma lástima. Mas havia algo nos meus olhos que me preocupava mais do que todo o resto: eles estavam opacos, como se eles não brilhassem mais.
Meu peito doía quase comprimido dentro de mim. Ignorei o bolo na garganta, mas deixei mais algumas lágrimas caírem. Eu havia tomado uma decisão, que me parecia ser a pior delas, mas agora, por ele, era a necessária.
Mas quando fechava os olhos eu me via daqui a muitos anos ainda chorando por não tê-lo.
...
Respirei fundo.
Lutei contra mim mesmo e minha decisões que pareciam ser tão estupidas agora, quando eu o via me esperando parecendo agoniado no fim da escada. Ele ergueu os olhos para mim e ofegou parecendo não acreditar no que via. Talvez tivesse certeza que eu me recusaria a recebê-lo. Tropeçou alguns passos na minha direção e estendeu a mão esperançoso.
Eu sabia que o fim era ali — O meu sonho de fadas, o único que tive em toda minha vida, estava ruindo a cada passo que eu dava em sua direção.
Suspirei. Tentei não chorar, mas foi impossível.
Recusei sua mão, e o encarei reunindo toda minha dignidade. Eu não podia me atirar em seus braços como tanto desejei vendo seu rosto desmoronar pela minha recusa.
Eu precisava ignorar seu rosto marcado, como se tivesse chorado por horas, precisava ignorar seu olhar de desespero e que mesmo assim parecia ter ternura quando me encarava. Precisei ficar forte quando a visão dele na minha frente me estapeava mostrando tudo o que eu estava abrindo mão.
Mas o que mais doeu, foi finalmente compreender, só agora, como se tivesse levado um murro, que a verdade era que Edward Cullen por todo esse tempo foi e é realmente apaixonado por mim.
E então as lagrimas ficaram mais grossas, e precisei respirar varias vezes para conseguir falar:
- O que esta fazendo aqui?
Ele piscou, triste com o meu tom de voz.
- Bella, mia Bella, você não pode acreditar naquilo! Não pode acreditar na mentira daqueles estúpidos, não é justo... – se desesperou em falar. E eu sentia que tudo começava a ficar mais difícil e doloroso.
- Justo? O que não é justo é isso daqui. – declarei. Sentindo meu peito afundar.
- O que? – perguntou confuso.
Fiz força para não cair no choro antes de falar.
- Nós.
Ele se afastou, e então ficou na defensiva.
- Acha que “nós” somos um erro, é isso? – Eu podia ouvir a magoa na sua voz.
Sem conseguir falar, apenas balancei a cabeça.
- Você não sabe de nada, Bella. Não sabe o quanto eu tive que passar anos apenas desejando ser meu irmão para poder ser eu a estar com você, não sabe como eu sofri por você, e então...
- Então o que, Edward? Então o que? – Desafiei, tentando me manter no plano sem cair na vontade de me atirar em seus braços.
Seus olhos estavam duros.
- Não. Isso não vai acontecer, não importa o que você fale.
- Como é?
- Eu vou lutar por você. Não me importa o que você fale, mas eu não vou desistir. Passei anos pensando em como seria nós dois juntos e finalmente eu tive a chance de saber como, e agora, agora eu sei que nunca mais vou deixa-la.
Abri a boca impressionada com a sua declaração.
Eu sabia que mais um pouco e eu não permitiria que ele fosse embora.
Eu precisava ser forte por ele. INFERNO!
- Edward, me escute. – engoli a bile e uma lagrima desceu. – Se ficarmos juntos vai ser pior, eles nunca irão nos deixar em paz... Acabou.
Ele me encarou profundamente magoado, mas por fim balançou a cabeça, negando.
- Teria acabado se você não gostasse de mim, mas quer saber, eu sei que você gosta. Então, não, não acabou.
- Chega, Edward. – Respirei fundo. Eu sabia que minhas próximas palavras iriam abrir uma ferida, e o quanto ela doeria, mas era necessário... – Foi só um sonho, mas acabou.
- Não, não acabou! – ele refutou alterado.
- Edward... – eu tentei de novo, e então não pude conter, caí em um choro devastador.
Antes que eu pudesse impedir ele se aproximou de mim e me envolveu em seus braços. – Esta tudo bem. Eu vou provar que você esta errada. Lutarei para ser o homem certo para você, mia Bella.
- Você... –tentei, mas eu apenas soluçava.
- Xiu, não precisa falar nada.
Seus lábios tocaram minha testa e eu me encolhi em seu corpo. Ele me apertou firme e depois me soltou indo embora sem falar nada. Eu fiquei o olhando sair pela porta.
Sentei na escada e chorei por as coisas parecerem tão injustas.
No fim, Charlie me levou até a cama.
Você diz que sente muito
Essa cara de anjo aparece
Bem quando você precisa
E eu andando para frente e para trás
Esse tempo todo
Porque eu honestamente acreditei em você
Esperando
Dias passando
Garota estúpida, eu devia saber, eu devia saber
Eu não sou uma princesa
Isso não é um conto de fadas
Eu não sou aquela que você quer agradar
E que você conduz pela escadaria
Aqui não é hollywood aqui é uma cidade pequena
Eu era uma sonhadora antes de você chegar e me desapontar
Agora é tarde demais para você e seu cavalo branco chegarem
Talvez eu fosse ingênua, tinha me perdido nos seus olhos
Nunca realmente tive chance
Foi um erro meu, eu não sabia que para estar apaixonada
Você tinha que batalhar para ter uma vantagem
Tantos sonhos sobre você e eu
Finais felizes, agora eu sei
POV EDWARD
Eu sabia que estava dirigindo como um louco.
Mas quer saber, foda-se! Não havia uma alma viva nessa porra de cidade nas ruas mesmo.
Apenas uma coisa passava pela minha cabeça: Ela vai acreditar em mim. Eu vou fazê-la acreditar!
Não quero perder a Isabella, não posso perdê-la.
Não sou um príncipe em um cavalo branco, sei disso, nem ao menos sou um fudido de um cara perfeito, sei que ela é muito para mim. Porra, qualquer um veria isso! Mas nada vai me fazer desistir dela agora.
Absolutamente nada!
Notas finais
Bom, o certo é que chegamos a reta final, provavelmente esse seja o penúltimo capítulo antes do prólogo - se eu conseguir colocar tudo que tenho para colocar no próximo!
Um GRANDE, ENORME, IMENSO, obrigada a MaryBrandon que recomendou a fic *---* Não é lindo quando ainda tem leitoras para vir e acompanhar a história. É como um presente!... Dos muitos que recebi escrevendo essa fic *-*
E depois, nem preciso dizer a todas vocês o quanto agradeço a cada comentário, né? É tipo, MUITO EMOCIONANTE!!!
Obrigada a Dé que se tornou uma beta da fic!
E bom, quero falar também que no próximo fim de semana não poderei postar MESMO, então lamento meninas, mas logo logo sai o provável último capítulo.
Beijos, minhas divas!
Fale com o autor