Até As Nerds Sabem Lutar!

20 Capítulo 20 - As verdades vem a tona.


Notas iniciais
Gente essas provas estão me matando! Eu só estudo, escrevo e estudo o dia inteiro! Somente uma coisa me deixou feliz hoje. E foi o fato de hoje ser o aniversário da Lana. Ops, spoiller :x

Ao chegarmos ao Olimpo, Nico cambaleou e teria caído no chão se a Alice não o tivesse segurado.

— Nico, o que foi? O que aconteceu? – Alice perguntou preocupada

Nico apoiou-se no encosto de uma cadeira que estava logo atrás dele e Alice o ajudou a sentar-se. Ele pôs as mãos na cabeça e Alice as segurou, ajoelhando-se no chão em frente a ele.

— Por favor! Conte-me o que aconteceu, eu só quero ajudar! – Alice pediu com uma voz suave

Nico ainda de cabeça baixa, murmurou algo como: “Poder demais... Energia de menos”. Depois disso, ele levantou a cabeça e fitou Alice com os seus olhos negros como a noite. Alice deu um sorriso tímido e sentou-se ao lado dele. Ela o abraçou e deu um beijinho na bochecha dele, o que o fez corar.

— Obrigada por nos ajudar! Você é o garoto mais legal que eu já conheci em toda a minha vida! – Alice disse com um sorriso

Nico estava fitando o chão, envergonhado, quando Gwen me chamou.

— Lana! Vem cá! Olha aqueles dois! – ela disse

Eu fui até ela e percebi que ela via. Ben estava sentado em uma fonte, enquanto Kevin andava de um lado para o outro, nervoso.

— Calma Kevin! Você está assim desde que a Gwen saiu! – Ben disse

— Eu estou preocupado com ela, Ben! Se fosse a Julie, você estaria do mesmo jeito! – Kevin disse sentando-se ao lado do Ben

Gwen virou-se para mim, deu uma piscadinha e foi até eles.

— É bom ouvir isso de você, Kevin! Achei que só eu me importava com os dois! – Gwen disse

Kevin tomou um susto tão grande com o aparecimento repentino da Gwen, que acabou se desequilibrando e caindo dentro da fonte. Todos nós caímos na gargalhada e Kevin nos olhou de cara feia, quando Gwen o ajudou a levantar.

— E onde estão os outros dois? Annabeth e Percy? – Alice perguntou

— Estamos aqui! – Percy disse saindo detrás de uma porta de mãos dadas com a Annabeth

— Onde vocês estavam? – eu perguntei

— Meu pai nos chamou para conversar. Estávamos escondidos da Atena. Sabe como é. Ela me odeia! – Percy disse

— E aí? Como foi a aventura no Mundo Inferior? – Annabeth perguntou

— Foi ótima. Revi minha mãe e minha tia. – eu disse – E voltamos ilesas. Essa é a melhor parte.

— E como está o Cérbero? Eu prometi levar uma bola para ele da próxima vez que eu voltasse lá. – Annabeth disse

— Está bem! É o meu cachorrão grandão que só sabe fazer bagunça e latir para as almas. – Nico disse meio rouco

— Você está bem, Nico? – Gwen perguntou

— Ele só está cansado! – Alice disse

— Ah! A propósito, temos que voltar para o salão principal. Os deuses resolveram fazer uma festa e nós somos convidados. – Percy disse

Nico não fez menção de levantar, e por isso Alice o apoiou em seu ombro e o fez vir conosco. Quando íamos entrar no salão principal, uma deusa loira com um vestido longo e roxo materializou-se na nossa frente.

— Afrodite? O que você quer? – Annabeth disse entre dentes

— Vocês não podem entrar nesta festa vestidos assim! Suas roupas estão em pedaços! É vergonhoso! – Afrodite disse – Eu vou dar um jeito em vocês. Venham comigo meninas!

— E nós? – Nico disse

— Vocês esperam aqui! Daqui a pouco eu dou um jeito em vocês! – Afrodite disse empurrando-nos para dentro de uma sala

Se tratando da Afrodite (a deusa mais fresca do Olimpo), eu imaginei que todas nós sairíamos daquela sala parecendo um bando de patricinhas do colegial, mas acabei me enganando.

— Nada de rosa, ok? – Gwen pediu – Não é uma das minhas cores preferidas.

— Pode deixar! Eu sei do tipo de roupa que vocês gostam. Eu sou a deusa da beleza, esqueceu? – Afrodite disse piscando para ela

Afrodite nos olhou de cima a baixo, pensativa, deu um sorriso e estalou os dedos. Do nada, um vestido tomara que caia azul até os joelhos com gliter dourado, apareceu no lugar da minha camiseta e da minha calça detonada. Meu tênis all star havia sido trocado por um par de sapatos de salto alto dourados e meu cabelo loiro e cacheado estava solto sobre os meus ombros. Ao meu lado, Annabeth com seu vestido branco simples e sua sapatilha branca, observava Alice com seu vestido todo preto e suas meias, listradas de preto e rosa combinando com o all star de cano baixo preto de cadarços cor de rosa e Gwen com um vestido tomara que caia branco com um pequeno laço preto na cintura e seu sapato de salto também branco. Todas nós estávamos devidamente maquiadas e com os cabelos arrumados.

— Vocês estão tão bonitas! – Afrodite disse

— Obrigada pelo vestido! Eu nunca tive um vestido tão bonito. – Gwen disse

— Bom... Agora vocês têm que ir! É a vez dos meninos! – Afrodite disse nos empurrando para fora da sala

Assim que saímos da sala e os meninos nos viram, o queixo deles quase foi ao chão.

— V-vocês... Estão... UAU! – Ben disse boquiaberto

— É a vez de vocês! – Afrodite disse – Com vocês será bem mais fácil!

Os meninos entraram na sala e um minuto depois voltaram todos de calças jeans, camisas e sapatos sociais. Tenho que admitir que eles estavam até bonitinhos. Annabeth e Gwen agarram o braço dos seus namorados e entraram no salão principal seguidos de Alice, Nico e Ben. Eu demorei um pouco a entrar. Apesar de estar morrendo de fome, eu não tinha vontade de entrar na festa. Fiquei fitando o chão por um momento, até que uma garota ruiva de olhos prateados surgiu ao meu lado.

— Não vai entrar? – ela perguntou

— Festas não são a minha praia. Prefiro ficar em casa ouvindo música. – eu disse

— Então por que está vestida assim? – a garota perguntou

— Afrodite. Ela só inventa.

— Se não fosse a semelhança, eu nunca diria que você é seguidora do meu irmão. Aquele garoto só nasceu para me irritar!

Fiquei olhando fixamente para a garota tentando descobrir quem era ela. Eu não me lembrava de nenhuma deusa ruiva de olhos prateados! E foi então que eu percebi que nas suas costas havia uma aljava e na cabeça havia um diadema prateado como o que eu havia visto na cabeça da Thalia.

— Você é a Ártemis, não é? – eu perguntei – Sempre a imaginei mais velha!

— Prefiro ter essa idade. Assim os homens não me perturbam. – Ártemis disse – Tenho que entrar no salão. Eu vou indo, você não vem?

— Daqui a pouco eu vou. Vou ficar mais um tempinho aqui. Na paz e na tranqüilidade. – eu disse

Ártemis entrou e Apolo surgiu do nada gritando:

— Oi maninha! Achei que você não vinha mais! Você viu a Lana? Ela já devia ter voltado.

Eu entrei no salão e com o rosto corado eu disse:

— Eu estou aqui. Você estava me procurando?

Apolo me olhou boquiaberto e eu senti meu rosto quente de vergonha. A minha vontade era voltar para trás das portas do salão principal e só sair de lá quando a festa acabasse.

— Você está... Uau! – Apolo disse – Eu preciso falar com você e a Alice. A sós!

— Posso comer alguma coisa antes? Estou cheia de fome! – eu disse

— É claro! Venha comigo. Vou arrumar alguma coisa para você comer. – Apolo disse

Ele me levou até uma mesa enorme e disse:

— Peça qualquer coisa e aparecerá no seu prato.

— Qualquer coisa? – eu perguntei abismada

Apolo assentiu e eu pedi uma banana split, uma fatia de pizza de mussarela e um copo de coca-cola. Quando as três coisas apareceram de mim, meus olhos brilharam. Eu não achei que Apolo estava falando sério. Achei que ele só estava brincando comigo! Adivinha o que eu fiz a seguir. A) eu comi; B) eu comi e C) eu comi. Se você marcou qualquer uma dessas opções, você acertou! Essa foi a única vez que alguma comida superou a do meu pai. Depois de comer, eu fui chamar a Alice. Ela estava sentada ao lado do Nico vendo o Ben perturbando o Kevin com as suas piadinhas sem graça. Eu não conseguia entender porque o Kevin não havia brigado com ele. Mas, amizade é amizade, não é mesmo? Eu não queria atrapalhar o namorico da Alice, mas se Apolo queria falar conosco a sério, é porque era importante.

— Desculpa atrapalhar a conversa de vocês, mas... Eu posso te roubar a Alice um pouquinho, Nico? – eu pedi meio sem graça

Nico deu um sorrisinho torto e assentiu olhando para Apolo que estava logo atrás de mim. Alice se juntou a mim e a Apolo e ele nos levou para a enfermaria dele.

— O que exatamente viemos fazer na enfermaria? – Alice perguntou

— Há uma pessoa que quer vê-las. – Apolo disse

— Gueia sou cope! Gueia Lana! (quer dizer “oi filha! Oi Lana!” em grego) – um homem disse saindo de trás de uma coluna de mármore.

O homem tinha cabelos e olhos castanhos e usava uma coroa de louros na cabeça. Eu conhecia muito bem aquele homem. O nome dele era Robert Shane, meu tio e pai da Alice. Assassino da minha mãe e da minha tia! A raiva tomou conta de mim e eu avancei para cima dele com os punhos cerrados. Mas Apolo pôs-se na minha frente e o soco que era para acertar o meu tio, acabou acertando a boca de Apolo. Quando me dei conta do que eu tinha feito, eu me desesperei.

— Ai Meus Deuses! Apolo! M-me desculpa! E-eu não queria te machucar! – eu gaguejei

Um filetinho de um líquido dourado escorria da boca dele. Eu tentei ajudá-lo, mas ele segurou a minha mão.

— Você está ficando maluca? – ele gritou

— E-eu juro que eu não queria te machucar! Foi um acidente! M-me desculpa! Eu... – eu disse quase chorando

— Não! Eu não estou brigando com você por ter me acertado. Eu só não quero que você tente ajudar. Isso é icor! – ele disse mostrando a mão molhada com aquele líquido dourado – Uma gota disso pode matar um mortal em questão de segundos!

Havia tanta serenidade na voz dele que toda a raiva que eu tinha se esvaiu completamente.

— Por que nos trouxe aqui? – Alice disse franzindo o cenho

— Seu pai quer falar com vocês duas. – Apolo disse limpando a boca com um lenço de pano

Eu e Alice olhamos para o tio Robert e engolindo a raiva, fomos até ele.

— Olá tio. – eu disse com desprezo

(N/A: a parte em que personagens vindos de Hélade aparecem, são falados em grego ou latim dependendo do personagem)

Meu tio fez sinal para que sentássemos e nós sentamos.

— Ah minha Alicezinha! Você cresceu tanto! Está tão bonita! – ele disse a olhando de cima a baixo

— Obrigada, pai. – Alice disse meio desconfortável

— Vá direto ao ponto. O que o senhor quer conosco? – eu disse sendo objetiva

— Tudo bem. Eu preciso da ajuda de vocês. – meu tio disse

— E por que razão nós o ajudaríamos? – eu explodi – Você matou a minha mãe e a minha tia! Você destruiu as nossas vidas!

— Escute Lana. – meu tio disse olhando para baixo e tirando algo de uma bolsa – Você se lembra disso?

Nas mãos do meu tio havia uma flecha de madeira com a ponta de prata e a rabeira feita de penas de canário. Eu peguei a flecha, a observei minuciosamente e peguei a minha aljava. Tirei dela a minha flecha com a ponta de prata e comparei com a que estava nas mãos do meu tio. Elas eram exatamente iguais! Aquela flecha havia sumido há 13 anos antes, no mesmo dia em que a minha mãe morreu.

— Essa flecha... Foi a que eu perdi no dia em que você matou a minha mãe. – eu disse pensativa

— Mas você lembra o que aconteceu antes disso? – meu tio perguntou

De repente, um flashback começou na minha mente. Eu me lembrei daquele dia. Eu e meus pais fomos treinar tiro ao alvo na floresta próxima a minha casa e em uma distração, eu errei uma flecha e ela foi parar no meio da floresta. Eu disparei na frente da minha mãe dizendo que iria pegar a flecha. No caminho, tropecei em uma raiz e um homem de cabelos e olhos castanhos me segurou para que eu não caísse. Ele olhou para mim com um olhar terno e carinhoso e perguntou se eu estava bem. Eu assenti e perguntei a ele se ele havia visto uma flecha perdida em algum canto do bosque. Ele dissera que não e perguntara o meu nome. Eu disse-lhe meu nome e meu pai apareceu do nada gritando o meu nome, desesperado. O homem passou seu braço em volta do meu pescoço e me fez como refém dele, mandando que meu pai se afastasse. Meu pai tentou me salvar, mas o homem lhe deu uma coronhada na cabeça e ele gritou antes de cair inconsciente no chão. Segundos depois, minha mãe apareceu e o pesadelo começou. Os dois se enfrentaram e minha mãe se sacrificou por mim. Eu ainda me lembrava daqueles terríveis olhos vermelhos a encarando furiosamente. Aquele homem era o meu tio Robert.

— Porque não me devolveu a flecha naquela hora? Fazia parte do seu plano? – eu perguntei entre dentes

— Eu não queria matar a Rose, Lana! – meu tio gritou – Eu vim a Terra para pedir a ajuda dela! Hélade estava um caos! Não havia mais paz, amor, felicidade ou qualquer outra coisa além de medo e raiva no planeta! Eu não sabia o que estava acontecendo! Eu nem lembro direito como foi tudo! Eu só lembro-me de ver seu pai saindo da floresta e depois de olhar para as minhas mãos molhadas de sangue e a flecha da Rose na minha mão. Foi Éris quem a matou! Eu só era o fantoche dela!

Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Agora tudo aquilo fazia sentindo! Os olhos vermelhos, a morte da minha mãe e da minha tia... Agora tudo se encaixava!

— E quanto a minha mãe? Sua esposa? – Alice perguntou furiosa – Você a matou por quê?

— Durante anos, eu procurei a sua mãe em todos os lugares do planeta. Eu sentia a falta de vocês duas. Eu as amava e ainda lhe amo, Alice. Naquele dia, eu fui à casa de vocês para implorar que vocês duas voltassem a Hélade comigo. Mas sua mãe recusou. Ela tinha medo de que eu matasse você. Ou melhor, que Éris te matasse. A maior parte do tempo que passei com sua mãe, eu não era eu. Eu era o fantoche, o bonequinho da Éris. Quando ouvi sua voz no topo da escada naquele dia, a minha vontade era te dar um abraço apertado e lhe dar os Parabéns pelo seu aniversário. Mas ao invés disso, Éris assumiu o meu corpo e tentou matar você, Alice. Foi quando sua mãe entrou na frente. E depois, eu só lembro-me de Kate em meus braços e de você aos prantos dizendo coisas que não consegui entender. Eu não queria que nada disso acontecesse. – meu tio disse aos prantos

Alice ficou tão chocada quanto eu, e para o meu espanto, ela abraçou o meu tio tentando consolá-lo. Depois de tudo o que ele havia falado, eu só conseguia pensar em uma coisa: Da próxima vez que eu encontrasse Éris, eu ia socar tanto aquela cara de deusa dela que ela se arrependeria do dia em que havia nascido. Ela havia manchado o nome da família Shane de tal forma, que nunca conseguiríamos limpá-lo novamente.

Notas finais
E aí? O que acharam?