Até As Nerds Sabem Lutar!

13 Capítulo 13 - Reencontro um velho amigo.


Notas iniciais
Espero que vocês me perdoem novamente. Voltei para casa hoje. Prometo que a partir de hoje eu postarei normalmente, afinal, agora eu tenho internet a vontade!



— Di immortales! – disseram Percy e Annabeth juntos

Percy puxou sua caneta de dentro do bolso e a transformou em contracorrente. Ele olhou para a fúria desafiadoramente e disse entre dentes:

— Alécto! O que faz aqui?

— Você conhece uma fúria? – eu perguntei abismada

— Ela já foi minha professora de iniciação a álgebra. Isso antes de ela tentar me matar. – Percy disse sem tirar os olhos da fúria

— O que está fazendo aqui, meu amor? Veio proteger a amiguinha? Típico! – a fúria disse estalando o seu chicote no chão.

Um cala frio sinistro percorreu todo o meu corpo e Ben mexeu no relógio, transformando-se no Fogo Fátuo. Kevin absorveu um pedaço da lataria do seu carro, deixou a Gwen, desmaiada, no chão e ia pular em cima de Alécto, se o Percy não o tivesse puxado para trás e dito:

— Deixa comigo! O invencível aqui na turma sou eu!

Percy correu em direção a Alécto, enquanto eu dava um jeito de subir no telhado de uma casa e o Ben fazia crescerem plantas em volta de Alécto, de modo que a atrasasse. Kevin carregava Gwen para longe, enquanto Annabeth arrastava as nossas mochilas. Transformei meus anéis e a minha bolsinha no meu arco, flechas e aljava. Puxei uma flecha de bronze celestial da aljava, armei o arco e mirei na Alécto. Disparei a flecha e ela urrou de dor antes de se transformar em uma chuva de pó dourado. Percy e Ben olharam para onde eu estava, abismados. Pulei do telhado da casa direto para o chão, não sem antes dar uma pirueta no ar para humilhar os meninos, é claro! Ambos me olhavam boquiabertos.

— Como você... Onde você... Wow! – Percy e Ben disseram juntos

— Autógrafos só mais tarde! Precisamos achar a minha prima Alice agora.

— Háháhá! Engraçadinha! O único carro que sobreviveu foi o meu! Não cabe todo mundo em um carro só! – Ben disse

Voltamos para perto da Annabeth, do Kevin e da Gwen (que ainda estava inconsciente). Kevin olhava para o seu carro em chamas totalmente decepcionado. Percy fez com que a mangueira de um dos quintais das casas funcionasse e apagasse o fogo do carro.

— Quer que eu a acorde, Kevin? – eu perguntei apontando para a Gwen

— Seria uma boa! Ela já está pesando aqui! – Kevin disse meio mal humorado

Eu toquei a testa da Gwen de leve e de repente vi tudo girando. Cambaleei para trás e Annabeth me segurou para que eu não caísse.

— Está tudo bem? – ela perguntou preocupada

— Eu só me senti meio zonza, mas eu estou bem. Acho que Apolo não é o único que depende do sol para estar bem. Desculpe Kevin, mas acho que se eu acordar a Gwen, quem vai apagar vai ser eu. – eu disse encostada em um poste com a mão na cabeça

— E agora? Como iremos encontrar a sua prima? A Gwen apagou e o meu carro... Bom... Ele já era! – Kevin perguntou

Annabeth olhou para o céu e depois para o Percy, eles trocaram olhares e Annabeth disse:

— Percy, você está pensando no mesmo que eu?

— Acho que sim! Se você está pensando em cavalos... – Percy começou

— Cavalos? Onde arrumaremos cavalos aqui? – Ben perguntou abismado

Percy olhou para o céu e deu um grande e alto assovio. O tipo de assovio que se dá quando você quer pegar um táxi em Nova York.

— Ahn, era para acontecer alguma coisa em especial, ou você quer chamar um táxi? – Ben perguntou

Tem horas que eu acho que o Ben tem algum problema mental. Se o Percy queria chamar um táxi, por que ele teria olhado para o céu? Três formas escuras apareceram do meio das nuvens. Eram pégasus! Havia um todo preto, o que era estranho por que pégasus nunca são pretos, o único pégaso preto que eu já ouvi falar, pertencia ao Perseu, e ele era filho de Zeus e não de Poseidon. Havia um todo branco e um cor de caramelo com a crina loira que me lembrava muito o Bluesky. Bluesky era o meu pégaso. Quando eu era pequena, eu e a minha mãe encontramos uma égua alada perdida no meio da floresta. A égua era mansa e nos deixou montá-la e domesticá-la. Depois de alguns meses, ela gerou um potrinho ao qual eu dei o nome de Bluesky, pois os seus olhos eram azuis como o céu. Bluesky desapareceu depois que a minha mãe morreu. Procurei-o pelos arredores da floresta, mas nunca o vi novamente.

Os três pégasus pousaram no asfalto e Percy disse:

— Oi para você também Blackjack! Obrigado por trazer mais dois amigos com você!

Eu me aproximei mais um pouco dos pégasus e fiquei olhando para o cor de caramelo por um bom tempo. Não podia ser ele! Já fazia muito tempo! Percy se aproximou desse pégaso e ele empinou-se ameaçadoramente.

— Hey! Calma garoto! Não vou machucá-lo! – Percy disse dando um passo para o lado para não ser pisoteado pelo pégaso

— Esse não era o pégaso indomável? – Annabeth disse

— Pégaso indomável? – eu perguntei

— Exatamente. Esse pégaso chegou recentemente ao acampamento. Ninguém conseguiu montá-lo, muito menos domá-lo. Ninguém sabe o nome dele e nem como amansá-lo. – Annabeth explicou

— E pelo visto ele não gosta de mim. Ele acabou de dizer que ele só deixa a dona dele montá-lo, ninguém mais. – Percy disse

— Mas... Quem seria a dona dele? – Annabeth perguntou

Percy deu de ombros e foi para perto do Blackjack. Ben olhou para nós todos como se fossemos loucos.

— Vocês falam com cavalos? Cavalos têm asas? É muita informação para uma dia só! Já não bastavam os alienígenas? – Ben disse

Aproximei-me do pégaso cor de caramelo e o Percy me puxou pelo braço.

— Você esta ficando doida? Quer ser pisoteada? – Percy perguntou

— Me solta! Eu sei o que eu estou fazendo! – eu falei puxando o meu braço

Por incrível que pareça, o pégaso ficou calmo conforme eu me aproximava, só relinchou quando eu sem querer esbarrei na sua asa. Eu me desculpei e acariciei seu focinho acalmando-o. Ele me olhou torto e eu caminhei em volta dele. Quando enxerguei uma pequena cicatriz no seu lombo direito, eu arregalei os olhos e disse:

— Bluesky? É você?

— Ahn? – todos disseram sem entender nada

— Esse é o meu pégaso! O nome dele é Bluesky! – eu disse alegre

— Como você tem tanta certeza de que é ele? – Annabeth perguntou – Existem milhares de pégasus iguais a ele!

— Por causa dessa cicatriz aqui! – eu disse apontando para o lombo direito do pégaso – Quando eu era pequena, eu estava cavalgando com ele, minha mãe e a Gwen. Ele se assustou com alguma coisa e me derrubou de cima dele. Eu me ralei um pouco no chão e ele disparou cortando-se em um espinheiro. Eu e minha mãe cuidamos dele, mas a cicatriz ficou. Eu tinha três anos quando isso aconteceu.

— Espera! Você disse Gwen? Eu não sabia que a Gwen sabia cavalgar! – Kevin disse

— Sim. – eu disse rindo – Gwen era o nome
da égua alada da minha mãe!

— Como é que é? – Kevin disse irritado

Kevin fez uma cara tão engraçada quando eu disse isso, que todos nós acabamos rindo dele. Ele não gostou nada de termos rido da cara dele e ficou emburrado.

— Calma Kevin! – eu disse pondo a mão em seu ombro – Foi apenas uma infeliz coincidência. Eu não conhecia a Gwen na época. Como eu iria adivinhar?

Bluesky aproximou-se de mim e Percy disse:

— Sim, Bluesky! Essa é a sua Lana! Ela cresceu bastante não foi?

— Fico feliz que você lembre-se de mim! Senti saudades suas garanhão! – eu disse

Em resposta, Bluesky esfregou o seu focinho no meu braço e fez sinal para que eu montasse nele.

— Kevin e Ben, carro. Annabeth e Percy, Blackjack e Porkpie. Eu irei no Bluesky. Temos que encontrar a minha prima Alice! – eu disse montando no Bluesky

Ben entrou no carro com Kevin e Gwen no banco de trás. Percy subiu no Blackjack, Annabeth no Porkpie e nós partimos. Apolo tinha dito para não voarmos, mas em um pégaso, Zeus não poderia nos acertar, a menos que ele quisesse briga com Poseidon. Havia anos que eu não me sentia assim! Feliz verdadeiramente! Eu sobrevoava a cidade de San Francisco, atenta a tudo. Meu cabelo voava com o vento junto com a crina loira de Bluesky. Percy parecia tão feliz quanto eu. Ele gritava coisas do tipo “Uhu!” ou “Yeah!” enquanto Blackjack mergulhava e girava no ar feliz. Annabeth nos olhava como se nós fossemos criancinhas de três anos que acabaram de ganhar um brinquedo novo. Kevin e Ben deviam estar morrendo de inveja lá embaixo. Gwen acordou e deve ter perguntado por mim, pois eu vi o Kevin apontando para nós e a Gwen instantaneamente pondo a cabeça para fora do carro.

— Lana! Onde você arrumou esses pégasus? – ela gritou para ser ouvida por mim

Bluesky mergulhou e diminuiu a velocidade, voando lado a lado com o carro.

— Percy que conseguiu. Ele fala com cavalos e pégasus. Ah! Esse é o Bluesky, o meu pégaso! Eu o tenho desde os meus três anos! Diga oi para a Gwen, Bluesky! – eu disse

Em resposta, Bluesky relinchou feliz. Ele subiu e voltou para o lado de Blackjack e Porkpie. Logo, avistamos a floresta que ficava perto da minha antiga casa. Bluesky acelerou mais um pouco e eu pedi para que todos me seguissem. Segundos depois, avistei a minha prima em frente ao portão da minha antiga casa. Bluesky pousou a poucos metros dela e Blackjack e Porkpie fizeram o mesmo. Ben, Kevin e Gwen chegaram logo atrás. Desci do Bluesky e acariciei o seu focinho.

— Lana! – disse Alice feliz

Alice ainda estava mais diferente do que antes. Seus olhos estavam
negros de tanto lápis de olho, delineador e sombra preta. Ela usava botas
pretas de couro, uma jaqueta de motoqueiro (também de couro), uma calça jeans bem escura e surrada e uma camisa com o desenho de uma guitarra com asas. Além dessas roupas sombrias, ela usava uma gargantilha daquelas que parecem com coleiras de cachorro e brinco de caveira prateados. Sua mochila preta de caveiras rosa estava pendurada em apenas um de seus ombros e foi jogada ao chão quando ela veio correndo para me abraçar.

— Por que será que a Alice me lembra tanto a Thalia? – Percy perguntou a Annabeth

— Quem é Thalia? Ela estava no acampamento quando eu fui lá? – eu perguntei

— Thalia é a minha “prima” punk. Ela é uma caçadora de Ártemis. Quase nunca ela está lá. – Percy respondeu

— Ok! Mas eu não sou punk! Sou emo roqueira! – Alice disse ofendida

— E qual é a diferença? – Ben perguntou e nós lançamos-lhe um olhar de “fica na sua”

Explicamos para Alice o que estava acontecendo ela topou nos ajudar. Estávamos demorando muito. Precisávamos ser mais rápidos se quiséssemos salvar Apolo e o mundo inteiro. Já estava anoitecendo quando encontramos a Alice. Quando terminamos o momento “estava morrendo de saudades de você” e explicamos a Alice o que estava acontecendo, já eram 9 da noite. Estávamos todos cansados, começando pelo Percy que com a sua invencibilidade se cansava mais do que todos. Resolvemos acampar na floresta mesmo. Naquela floresta, pelo que eu me lembrava, não havia animais selvagens, mas depois que ouvimos o uivado de um lobo, ficamos com medo. Percy mandou que os pégasus voltassem para o acampamento, mas o Bluesky teimou em ficar. Ele disse que só iria embora quando a missão acabasse (pelo menos foi isso que o Percy traduziu). Procurei a velha macieira que havia na floresta, enquanto os meninos montavam o acampamento e as meninas brigavam quando eles faziam algo errado. Quando voltei, trouxe um monte de maçãs para o Bluesky e ele as comeu vorazmente.

— Nossa! O que te dão para comer no acampamento? Parece que nunca viu maçã na vida! – eu disse

— Damos feno e deixamos que pastem. Ás vezes, eu dou torrões de açúcar a eles. Sempre os deixa felizes. – Percy disse

Bluesky bufou entre uma mordida e outra, e Percy disse:

— Então você é o único que não gosta. Acho que você é o pégaso mais saudável que eu já vi na vida.

Acariciei o focinho do Bluesky e lhe dei a última maçã. Annabeth me
chamou e disse:

— Temos apenas uma barraca. E nela só cabem quatro.

Olhamos travessamente para os meninos e gritamos:

— A barraca é só das meninas!

— O quê? E onde iremos ficar? – Kevin perguntou

— Três palavras. Saco de dormir. – Alice disse

Ben pegou a primeira guarda, enquanto Kevin e Percy dormiam. Antes de dormir, eu fiz Alice chorar e borrar a maquiagem. Perguntei a ela sobre sua mãe e se ela havia deixado que ela viesse com a gente. Alice me contou que no ano anterior, seu pai havia aparecido no dia do seu aniversário e tentado matá-la, porém sua mãe pulou na frente e recebeu o golpe por ela. O mesmo que havia acontecido com a minha mãe, havia acontecido com a dela. Meu tio Robert tinha matado as duas! Minha raiva dele só aumentou depois dessa notícia. Ele não tinha esse direito! Isso não iria ficar assim! Ele iria pagar pelo que havia feito as duas! Nem que fosse com a própria vida! Alice depois me explicou, que depois do que havia acontecido, ela foi despejada do apartamento onde ela e sua mãe morava. Por sorte, seu melhor amigo, Jake (que era gay), lhe ajudou. Os pais dele lhe deram casa e comida e com uma falsificaçãozinha, ela conseguira estudar no mesmo colégio que ele, alegando ser sua irmã. Os pais de Jake haviam viajado, e deixaram os dois em casa. Alice aproveitou e veio nos ajudar. Ela me disse, que nem Jake nem os pais dele, sabiam de sua verdadeira origem. Todos achavam que ela era apenas mais uma humana órfã que havia perdido os pais tragicamente. Os humanos são tão bobos! Contei a ela o que havia acontecido e ela disse que eu tive sorte. Pelo menos eu ainda tinha o meu pai para cuidar de mim. Eu tinha uma verdadeira família, enquanto ela só tinha um melhor amigo e um casal que cuidava dela por pena.

Notas finais
E aí? O que acharam? Mais dois capítulos só hoje!