Chicago, Illinois.

Sentei-me à mesa preparada para aquele circo. Olhei nossos pais sorrindo animadamente para nós duas, eles tinham, ainda, a ilusão de uma família unida e feliz. Uma família utópica que de tempos em tempos fingíamos ser para agradá-los. Ian finalmente adentrou na sala de jantar. O moreno demorara mais que eu para participar de bom grado do show de horrores que Nina armara. Sentou-se ao meu lado e sorriu de forma convincente para nossos pais. A castanha correu até a cozinha trazendo consigo um grande refratário fumegante. Ao que parece frango à parmegiana ao molho rosé. O prato preferido de Ian. Depois de algumas idas e vindas à cozinha, sorrisos forçados e gargalhadas sem vontade, pudemos iniciar a refeição. Mais uma vez Katharina tomou a frente pôs-se a servir os genitores dos Marshall.

- Eu me esforcei hoje. Juro. Aposto que vão adorar, que nem o Blue. – Disse colocando os pratos na frente deles. Eles aspiraram o cheiro que emanava da comida e pareciam satisfeitos. Lancei um olhar enciumado a Nina, com que direito ela roubava o apelido que eu havia dado a Ian? – Ele sempre adora tudo que eu faço, não é mesmo? – Completou com um sorriso e olhar malicioso para Ian. Balancei a cabeça negativamente, como ela podia ser tão hipócrita e idiota a ponto de usar um almoço em família para impressionar o moreno? Como ela podia dar em cima dele descaradamente na frente dos nossos pais?

- Pra mim já deu! – Exclamou Blue de forma irritadiça. Levantou-se da mesa abruptamente e rumou para o próprio quarto. Pudemos ouvir a porta bater. Katharina parecia desapontada e perdida. Ethan e Leslie nos olharam confusos. Mandei um olhar contido de reprovação para Nina e também me levantei.

- Com licença. – Ainda murmurei antes de correr para o quarto de Ian. Bati na porta, mas não obtive resposta alguma. – Sou eu, Ian. – Anunciei. Só esperei um segundo até a porta ser destrancada. O moreno nada disse apenas se jogou na cama sem me olhar. – Eu sei que foi bem estúpido, mas acho que deveria relevar, pelo menos agora. Nossos pais estão aqui, como vamos explicar essa situação estranha sem contar sobre vocês dois?

- Que se dane. Não estou ligando para o que eles estão pensando agora! Se quisessem respostas sobre nós ou o que acontece por aqui eles teriam nos criado, nossos pais nunca agiram como pais. Por que temos que dar explicações baratas para eles? Por que eu tenho de aguentar aquilo? E eu não falo só da vagabunda da Katharina. – Vociferou levantando-se. – Estou cansado dessa merda toda. Eu tenho vinte e sete anos e um trabalho que me dá um bom dinheiro e de longe não foi com a ajuda deles. Se eles estivessem aqui como deveriam metade dessas coisas nojentas não teriam acontecido.

- Não pode culpar nossos pais por você amar Nina. Isso é culpa nossa. Nós três fomos irresponsáveis. Vocês em terem um caso e eu em ter deixado isso acontecer. – Sussurrei mordendo o lábio inferior, era difícil estar naquela situação, era doloroso e injusto porque eu amava Ian. Genuinamente. Entre Nina e eu apenas, eu poderia ter um relacionamento amoroso aceitável com ele. Todavia meu irmão adotivo a preferira. Nina. A maldita irmã biológica. – Eu sei o que está tentando fazer, mas não pode transferir a culpa que sente de si mesmo pra Ethan e Leslie, eles não merecem.

- Eu nem sei mais o que sinto por Nina. Ela se tornou tão fútil e estúpida. Talvez seja a culpa, entretanto não sinto mais o mesmo quando olho pra ela. – Confidenciou em um suspiro. Puxou levemente os próprios cabelos. Sempre o fazia quando estava nervoso ou em uma situação difícil, uma das poucas manias infantis que o moreno ainda tinha. Deitou-se direito olhando o teto por um segundo, depois me fitou. – Vem, deita comigo. – Pediu um pouco desconcertado. Assenti caminhando em sua direção, me apertei junto dele na cama de solteiro, visivelmente pequena para nós dois, e o abracei. Ian passou o braço por baixo de meus ombros, me dando um meio-abraço reconfortante. Ficamos ali, em silêncio por algum tempo. Não precisávamos mais de palavras, não precisávamos de desculpas ou o que fosse, um confortando o outro era tudo que precisávamos no momento.

Passado alguns minutos, o moreno se remexeu um pouco, imaginei que estivesse desconfortável pelo evidente aperto por dividir a cama, seria melhor deixá-lo um pouco sozinho e ir tentar concertar as coisas com nossos pais. Antes que pudesse concretizar meu pensamento, Blue segurou-me pela cintura e me pôs em cima dele. Prendi a respiração com a surpresa. Ficávamos apenas nos olhando. Eu estava sem reação e o moreno também parecia não saber ao certo o que fazer. Ele finalmente deu ares de ter decidido de algo, me pediu para que cantasse para ele e o fiz um pouco desconcertada. Cantarolei Attention da banda Tokio Hotel. “Não é o que você diz, é o jeito que você diz. Não é o que você faz, é o jeito que você faz. Doente e cansada de precisar da sua afeição, eu escolho ficar sozinha a viver sem sua atenção”. Era tão sugestivo que me senti corar.

Ian sorriu talvez por não ter percebido o duplo sentindo que era eu cantar aquela canção para ele ou só fingiu não perceber. Senti suas mãos passearem por minha cintura. Oh não, eu nunca te deixarei ir. Me curvei involuntariamente para mais perto, nossos rostos estavam a centímetros um do outro. Sua respiração fazia cócegas em minha pele. Eu sentia meu estimado autocontrole me deixar. Escondi o rosto na curva de seu pescoço ou o beijaria. Oh não, eu odeio precisar tanto de você. Ian respirou fundo quando sussurrei o verso em seu ouvido, enlaçou a mão em meu cabelo me forçando a encará-lo de novo.

Naquele momento o meu bom-senso me deixou. Cortei o espaço que ainda havia entre nós. Afundei as mãos em seus cabelos lisos e negros enquanto seus lábios macios exploravam os meus urgentemente. Suas mãos másculas escorregaram para minha cintura novamente, alisavam e apertavam o local com ânsia. Contornou a base de minha coluna sob o pano, acarretando um arrepio. Separei-me dele tirando minha camiseta em seguida. Seu olhar malicioso parecia me devorar. Acariciou minhas pernas descobertas pelo short curto.

Jogou-me para o lado voltando a me beijar, bati as costas na parede fria, entretanto logo me ajeitei abaixo dele. Ian começou uma trilha de beijos, primeiro no pescoço, passando pelo vale de meus seios até minha barriga. Rapidamente tirou a camisa e tomou meus lábios novamente. Cravei as unhas em seu ombro quando o moreno sensualmente mordeu minha orelha. Abracei seu quadril com as pernas beijando-o ardentemente. Empurrei-o para o lado, esquecendo momentaneamente que estávamos em uma cama de solteiro. Soltei um gritinho estridente ao cairmos. Ian arfou de dor e eu corei violentamente.

- Ai meu Deus, você está bem? – Indaguei aturdida, afinal o moreno caíra com tudo e ainda amortecera minha queda. Ele gargalhou gostosamente e me abraçou.

- Nós caímos mesmo da cama? – Riu ainda mais. – Não me olhe assim, estou bem. – Garantiu com seu típico sorriso torto. Não sabia ao certo o que responder, estava absurdamente desconcertada com toda a situação. – Calma Lys, não foi nada demais. – Completou beijando meus cabelos.

- Dá próxima a gente quebra a cama. – Brinquei para tentar ameninar meu constrangimento. Blue gargalhou ainda mais alto, mas nada disse sobre haver uma próxima vez, então tomei aquilo como um informativo de que o ato não aconteceria de novo. O calor do momento causara aquilo e nunca mais se repetiria. Aceitei silenciosamente a sentença que minha mente dera.

Milwaukee, Wisconsin, quinze dias depois.

Aquilo era um terremoto 10,0 na Escala Richter. Nem Ian conseguira suportar outro showzinho de Nina e assim aquela discussão nascera. Ele era extremamente responsável com seu trabalho, os horários e a agenda de desfiles. Meu orgulhoso irmão mais velho fora considerado um dos melhores estilistas contemporâneos e não era à toa. Dezenas de famosas queriam vestidos assinados pelo homem que fizera das Kardashians as mulheres mais bem vestidas dos Estados Unidos. Todas queriam Ian Boyle Marshall.

Katharina, nossa irmã do meio, era sua modelo oficial, no entanto desde que a fama batera na porta da castanha ela se tornara insuportável. Vivia atrasada, cheia de vontades, seu lado Patricinha de Beverly Hills aflorara de uma forma catastrófica. Naquele dia principalmente, estava quase uma hora atrasada e levemente bêbada e Ian não pudera mais fazer vista grossa, por mais que gostasse dela (de uma maneira pouco fraternal devo acrescentar) sua paciência chegara ao fim.

- Você vai pra casa. Agora! – Vociferou chamando uma atenção moderada para si. Massageie-lhe o ombro tensionado, não seria fácil acalmá-lo agora, entretanto não era impossível.

- Não pode me obrigar! Esse é meu desfile, eu sou sua modelo mais importante, quem vai desfilar pra você se não eu? – Contrapôs colocando a mão na cintura.

- Claro que posso te vetar! Aquela porra de vestido é meu! Se você fosse menos irresponsável não estaríamos tento essa discussão ridícula!

- Ian, calma. – Pedi me pondo entre os dois. Ele bufou audivelmente, mas nada replicou. – Katharina, por favor, ou você fica quieta ou vai pra casa. – Mandei, se minha relação com Nina já não era das melhores naquela situação estava ainda pior.

- Querido, você pode dizer pra sua cadelinha adotada que ela não é ninguém para me tratar dessa forma? – Retrucou felina. Respirei fundo. Eu tinha de contornar a situação e não transformar aquilo em uma confusão ainda maior.

- Chega! Faça o que você quiser, mas para aquela passarela você não vai. – Sentenciou Ian ainda mais irritado. Ele detestava quando Katharina constantemente me lembrava de que, na verdade, eu era adotada pela família. – E você. Toma. – Chamou jogando o cabide com o vestido da discussão na minha direção. – Vai desfilar no lugar da Nina. Sem argumentos. – Completou. Não sei se a atitude era por desespero ou vingança, contudo assenti conformada. Não seria a primeira vez que substituiria alguma modelo, mas dessa vez era ela, eu estava entrando no lugar de Nina e eu não sabia ao certo o que isso me fazia sentir. A castanha gritou estridentemente, como uma criança mimada que não tem seu sorvete ou a boneca desejada. Saiu batendo a porta do camarim.

Já me admirava no espelho, completamente produzida, estava tão bonita que mal me reconhecia. Era mais confortável ficar na minha posição habitual, no backstage, sendo apenas a coprodutora dos looks. Em geral, Ian fazia os desenhos e eu jogava a cor, começou como um passatempo para me ajudar com a faculdade de moda e virou um trabalho em família. Apesar do moreno ainda está em ascensão já colhíamos os frutos. E no meu caso não era o dinheiro, mas sim estar em outro ponto da vida de Ian. O Marshall pôs-se ao meu lado, segurou-me pelos ombros e também fitou meu reflexo. Comentou que eu ficara muito bem no modelito, então me soltou. A frase que ansiava e temia ouvir finalmente fora proferida pela apresentadora. Por motivos pessoais no look principal teremos Alyssa Marshall substituindo a irmã, Nina Boyle. Era minha deixa.

- Sua vez. – Ian sorriu genuinamente. Respirei fundo, meu medo estava se dissipando e pude caminhar sem empecilhos, primeiro para trás das cortinas e esperar pelo anúncio final e depois pela passarela mostrando o quão lindo poderia ser um vestido assinado por meu irmão.

Depois do desfile veio uma rodada de entrevistas onde tive de sorrir e fingir o quanto Katharina era uma irmã maravilhosa, que nos dávamos bem e como ela estava triste por ter adoecido e consequentemente faltado ao evento ou explicar, pela milésima vez, que ser modelo não era o que eu realmente queria e que meu dom era estar por trás de toda a obra junto de Ian. Conversava um pouco mais aliviada com Blue (apelido infantil que eu dera a Ian referente a seus olhos claros) enquanto ele dirigia para nossa casa em Chicago. Morávamos todos juntos, Nina, Ian e eu. Nossos pais eventualmente apareciam, eles viajam bastante para diversas partes do mundo, tudo culpa do trabalho, eram da coprodução da famosa série de Bear Grylls, Man VS Wild. Sendo assim dividíamos a casa da família apesar de não sermos mais crianças ou menores.

- Sinceramente? Não aguento mais essas criancices de Nina. Por Deus, a cada ano invés de mais madura ela se torna ainda mais infantil. – Reclamou extremamente chateado.

- Você já parou pra pensar que ela está fazendo isso pra chamar sua atenção? Digo, ela quer ter o relacionamento de vocês de volta, eu acho. Nina gosta de você. – Murmurei minha opinião. Em parte Katharina estava deslumbrada pelo assédio repentino, mas também tinha a parte dela que queira Ian de volta. O curto e tórrido romance de meus irmãos só durou o tempo em que a consciência do mais velho foi recuperada e a avalanche de culpa o sufocou.

- Eu ainda gosto dela. Eu acho. – Segredou angustiado. Era a primeira vez em dias que Ian admitia aquilo. Mordi o lábio inferior para mascarar meu desconforto para com a afirmação. – Entretanto tudo isso é loucura e sujeira demais para mim. Não posso mais. Nem sei onde estava com a cabeça para ter tido algum envolvimento amoroso com ela.

- Eu sei. Não precisa se martirizar pelo que aconteceu, Blue. Foi um erro, apenas isso. Não foi o primeiro e nem será o último, acostume-se com isso. – Aconselhei da melhor forma que poderia, apesar de meus sentimentos por Ian eu conseguia me manter a margem, quando se tratava dos relacionamentos do moreno, mais conturbados que fossem, tentava ser o mais impessoal e objetiva possível.

- E depois eu que sou o mais velho? – Caçoou apertando minha bochecha. – Obrigado, Lys. E sobre nós? Algo a declarar.

- Não existe “nós”, Ian, foi só um deslize. Coisa de momento. – Menti descaradamente. Nunca deveria ter me deixado levar pelo calor do momento e beijá-lo. Mesmo ele tendo provocado o ato. Por sorte consegui me controlar outras vezes, contudo o moreno parecia ainda mexido pelo ocorrido.

- Agora me senti um pouco ofendido. – Brincou. Sorri torto para ele.

- Desculpe. Não pode sair de uma irmã para outra, Blue. – Entrei na brincadeira da forma mais genuína que pude. Minha vontade era de beijá-lo de novo, calorosamente como da primeira vez, pedi, suplicar para o moreno escolher a mim. Mais do que nunca estava grata ao meu autocontrole. Ele estacionou na garagem e pude saltar para fora da Lamborghini Aventador.

- Tem razão. – Riu gostosamente abraçando meus ombros. – Venha dormir comigo hoje, temos muito trabalho a fazer. – Sugeriu quando entramos.

- Ir não dormir com você hoje, você quer dizer. – Retruquei gargalhando enquanto tirava o scarpin meia-pata. – Você sabe que eu e você não cabemos naquela caminha de solteiro, não é? Estou bem grandinha e você também, mas não se preocupe, não vou te deixar na mão. O sono já me abandonou mesmo.

Não havia sinal algum de Nina pela casa. Para mim, um alívio, para Ian, uma nova preocupação. Ignorei a situação estressante que sempre estava metida quando se tratava de meus irmãos. Estava cansada de sempre está no olho do furacão. Fosse por ser confidente de um namoro incestuoso, fosse pelas inconstantes brigas e discussões de relação. Tomei um banho quente e reconfortante para então rumar ao quarto de Ian. Ao entrar no quarto em frente ao meu pude admirar o mais velho vestindo apenas uma calça de moletom. Seus cabelos negros e desgrenhados ainda pingavam, evidenciando o banho merecido e desestressante.

Caímos de cabeça no trabalho. Ian fez alguns rascunhos e me deu para que os finalizassem. Depois íamos discutindo sobre os desenhos até termos a versão final. Passamos horas nisso. Tempo suficiente para podermos presenciar a entrada barulhenta de Nina em casa. Não sabia se ela estava completamente bêbada ou totalmente chapada. Uma de suas amigas e também modelo de Ian, Brooke, a rebocava escada acima. O mais velho ajudou a loirinha a levar Katharina até o quarto que pertencia a castanha, depois disso trancou-se na própria alcova.

Queria consolá-lo. Se bem conhecia Ian ele agora se sentia chateado, desapontado e inteiramente culpado, principalmente pelo caminho que Nina estava seguindo. Era um bom momento para conversar com ele. Em geral, nesse tipo de situação o moreno se fechava em uma esfera de murmúrios e lamentações. Não poderia deixá-lo assim, éramos melhores amigos. Sempre fomos. Esperei Brooke se despedir para abordar Ian. Bati levemente na madeira cor de mogno e logo Blue me atendeu.

- Precisava afirmar que isso não é sua culpa, de verdade. Cada um tem seu caminho e suas próprias escolhas, Nina não é problema seu. Ela tem vinte e seis anos de bagagem para ter sua própria consciência do que é certo e errado. Assim como você e eu. – Discursei em um jato. Suspirei mais aliviada depois de externar meu pensamento. Ele me observava atentamente, levou o cantil Jack Daniels aos lábios, jogando o uísque goela a abaixo. – Por favor, não. Já me basta uma irmã alcoólatra. – Reclamei em um murmúrio.

- Podemos não falar dela? Estou comemorando. Acabei de ver em meu e-mail: estamos convidados para o The Late Show. – Replicou estendendo a garrafinha metálica para mim. Peguei-a, levei a boca bebericando um pouco. Minha língua e garganta queimaram ao entrar em contato com o destilado. – Apesar de outra rodada de mentiras sobre como somos três irmãos e melhores amigos que enfrentamos tudo de bem e essa baboseira que já estamos acostumados, creio que vai ser bom. Sem contar que teremos ainda mais visibilidade.

Concordei com um sorriso de falsa satisfação. Não importava que desculpa Ian me desse ou se ele tentava se convencer com as próprias palavras, o moreno não me enganava e Blue tinha consciência disso, eu o conhecia bem demais para cair em qualquer desculpa ou verdade mal contada que ele me desse. Por essa razão eu sabia que tudo aquilo era por ela.

Tudo de errado que Nina fazia sempre acabava refletindo também nas ações de Ian. Por mais que soubesse, no fundo, que ele nada tinha a ver com o comportamento irresponsável da castanha, o moreno jogava toda a culpa sobre seus ombros, por ser o irmão mais velho, por ser o chefe e o amante dela. Ex-amante. Gritou meu subconsciente quando o pensamento doloroso me veio à mente. Beberiquei novamente e devolvi o cantil para ele. Se ele queria continuar fingindo eu não ficaria me martirizando com a novela mexicana que era o relacionamento de Ian e Nina.

- Eu vou dormi, boa noite Blue. – Anunciei com um sorriso convincente, dei-lhe um abraço. O moreno não me soltou de imediato, me apertou mais contra seu corpo contra o meu. Cheirou meus cabelos. Seu toque não era fraternal e aquilo me deixava ansiosa. Puxou-me para dentro do quarto e me prensou contra a porta. Arfei. Ian segurou meus pulsos, prendendo-os acima da minha cabeça, e beijou sensualmente meu pescoço colando ainda mais nossos corpos.

Enlacei as mãos em sua nuca e passei a brincar com os cabelos da região. Tomou meus lábios, exigente, mordi seu lábio inferior e aquilo pareceu provocá-lo ainda mais. Ou no mínimo acender seu lado mais malicioso. Afundou as mãos em meu cabelo puxando com força, gemi contra seus lábios. Ian afrouxou a pressão contra a porta e me abraçou com força me beijando ainda mais urgente. Levantou-me do chão e eu abracei-lhe a cintura com as pernas. Jogou-me contra a porta de novo e arfei. Massageou minhas pernas enquanto me caminhava até a cama. Deitou em cima de mim já desabotoando minha blusa, arranhei-lhe as costas já sabendo o que viria a seguir.

Suas mãos passavam urgentemente sobre meu corpo enquanto sua respiração ficava cada vez mais ofegante. Voltou a me beijar e rapidamente se desfez de minha blusa, empurrei-o a fim de ficar em cima dele. Com cuidado de não derrubá-lo como da primeira vez. Segurei firme suas mãos e comecei a beijar sua boca e fui descendo lentamente para seu pescoço, dei pequenas mordidas no local e pude apreciar a forma com que o moreno se mostrava mais envolvido, seduzido.

Desci o toque passando por seu peitoral másculo, trilhei o caminho de volta até seus lábios finos e entre pequenos beijos sensuais o fiz me desejar mais. Soltei suas mãos e de imediato ele me abraçou forte colando mais ainda seu corpo no meu, suas mãos passearam por minhas costas desabotoando meu sutiã. Encarei-o maliciosamente mordendo o lábio inferior quando ele me jogou para baixou e ficou em cima de mim.

Sua boca percorria com urgência todo meu corpo parando entre meus seios, beijou meu pescoço fazendo-me arrepiar. Beijamos-nos com intensidade, sentia um calor subir de baixo para cima, consumindo todo meu ser. Ian voltou a beijar meu corpo e dessa vez parou embaixo de meu umbigo. Lentamente foi puxando meu short com a boca, no entanto a pressa fez com que ele terminasse de tirar a peça com as mãos.

Voltamos a nos beijar enquanto suas mãos percorriam livremente por meu corpo. Levou o toque másculo aos meus seios, apertou-os e massageou-os enquanto involuntariamente forçava sua ereção em mim. Suas ações me deixavam com mais ânsia por ele, eu o desejava desde que me entendia por mulher, nos beijamos com mais intensidade, desejos à flor da pele. Livre-me da calça de moletom e só aí constatei que Ian não usava nada por baixo. Virei novamente para cima dele e comecei a lhe provocar novamente, rebolei vagarosamente, roçando nossos quadris em um movimento felino.

O moreno soltou um breve silvo de prazer e logo seus lábios foram ao encontro do meu colo, sua boca beijava, sugava e mordia um de meus seios enquanto suas mãos desceram e apertaram meu bumbum com força. Trilhou um caminho de beijos e mordidas até minha boca ao mesmo tempo em que tirava minha calcinha devagar. Puxou-me para baixo de novo e colou nossos corpos, sua boca tomou a minha com ânsia, penetrou-me de uma vez só e soltei um gritinho de surpresa e satisfação.

Entre os movimentos ritmados, beijos, ofegar e gemidos cravei as unhas em suas costas, Ian gemeu baixo em meu ouvido. Sentou sem pausar o ato, segurou meu quadril com firmeza me guiando enquanto eu subia e descia sobre ele. Mais rápido, supliquei com a voz rouca. Mais forte. Ofegar. Mais rápido. Gemido. Mais forte. Eu sentia mais prazer a cada estocada profunda, rápida e exigente. Gemi alto chegando ao ápice, ele um sorrisinho safado em meio a um gemido rouco. Continuou gemendo e estocando até chegar ao próprio êxtase. Deitou trazendo consigo meu corpo molenga e satisfeito, arrumou-me em cima dele, já que a cama era pequena demais para que descansássemos confortavelmente, recostada junto a seu peitoral pude ouvir seus batimentos desacelerando aos poucos, fitei-o corando e o moreno sorriu. Beijou-me a testa e entrelaçou nossas mãos fechando os olhos em seguida.

Antes mesmo de Nina esmurrar a porta pela manhã eu já acordara, mais confusa do que nunca. O que tínhamos feito? Não que parte de mim não se sentisse realizada pelo ato, no entanto minha parte racional berrava comigo mesma. E se aquilo abalasse nossa amizade? O que esperar depois do que tinha acontecido? O que não esperar? O que fazer com Nina? Minha cabeça rodava. Ian finalmente levantou vestindo as calças. Caminhou duramente até a porta.

- O que diabos você quer? Poderia me deixar em paz? – Bradou irritadiço. Nina bufou contrariada o que fez o moreno fechar a porta novamente. Virou-se para me encarar e meu coração falhou uma batida com o contato visual. Eu sabia que minha noitada de sexo com Ian só havia acontecido pela raiva e bebedeira do moreno e aquilo me intimidava, o que ele poderia dizer? O que eu poderia dizer? – Prometo comprar uma cama maior. – Finalmente se pronunciou sorrindo divertido.

De todas as coisas que ele poderia dizer, de tudo que eu havia imaginado aquela era a sentença mais engraçada, boba e maravilhosa que Ian poderia falar. Aquelas cinco palavras diziam muito mais do que aparentavam e eu entendera o recado direitinho. Sorri sentindo minhas bochechas esquentarem e o moreno gargalhou gostosamente caminhando em minha direção. Ele havia escolhido a mim no final.

- Ainda hoje? – Brinquei fitando-o intensamente. Apoiou o joelho na cama e enlaçou meu cabelo sem deixar de me encarar.

- Agora. – Respondeu pausadamente. Beijou meu pescoço e abracei sua nuca. – Quer dizer, daqui a pouco. – Riu baixo e musicalmente em meu ouvido, beijando-me em seguida.

Notas finais
Provavelmente existem erros de ortografia, então, desculpem :c
Espero que tenham gostado :3
Deixem suas críticas e elogios ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!