Atropelada pelo Amor BTS, Kim Taehyung
22 Água Viva.
Notas iniciais
Me jogo na cama e cruzo os braços embaixo da cabeça olhando para o teto branco. O Sr. Rodrigo me ligou minutos depois de eu ter saido da faculdade dizendo que tinha terminado de desmontar os móveis mais cedo, e que eu já podia pegar as chaves. Fecho os olhos e solto um suspiro de puro cansaço. Sinto o colchão afundar ao meu lado e sorrio já sabendo quem é.
– Então, como foram as provas? — Diz me dando um beijo na bochecha. Me viro para ficar de frente para ele e lhe dou um selinho.
– Foram até bem tranquilas... Talvez eu consiga passar. — Dou um meio sorriso.
– Você vai com certeza. — Meu sorriso se alarga e o dele também. — Sabe, o clima no Rio é bem maluco. Ontem, estava frio e querendo chover, mas hoje está o maior calor e sem uma nuvem no céu... com pode isso? — Dou uma risada.
– Você ainda não viu nada! São Paulo tem o clima meio maluco também.
– Ah, é? Não fiquei tempo o suficiente lá para perceber. — Diz passando o braço ao meu redor. Agora isso parece tão natural, a gente se abraçar enquanto fala de qualquer coisa. E tenho que admitir, nunca me senti tão relaxada e... em paz na vida. O V olha para mim e sorri com os olhos brilhando.
– Levanta, tive uma idéia! — Diz saindo da cama e ficando em pé na minha frente com as mãos na cintura.
– No que está pensando Sr. Taehyung? — Digo sentando na ponta da cama.
– Hoje é o nosso ultimo dia juntos, temos que aproveitar. Então, vista sua roupa de banho e pegue o protetor solar, pois nós vamos para a praia!
✴...ஜ 웃 ஜ...✴
Piso com os pés descalços na areia quente e olho para as ondas se quebrando em espuma. Nunca tinha visto o mar tão de perto. Realmente não é a mesma coisa vê- lo pela janela do ônibus do que ao vivo. Olho ao redor e só há poucas pessoas em volta, já que hoje é dia de samana.
– Anda V! Tá muito lento! — Digo rindo, vendo ele se atrapalhar todo em carregar o guarda-sol e as duas cadeiras alugadas até onde estou.
– Se está com pressa, porque não vem me ajudar?
– Nahh, meu homenzão consegue. — Ele finalmente chega até mim, coloca as cadeiras no chão e abre o guarda-sol.
– Quanto sacrifício para carregar três coisas.
– Calada! — Diz se sentando e cruzando os braços embaixo da cabeça.
– Então, que praia é essa? É a primeira vez que eu venho a uma. — Digo colocando a bolsa no chão.
– Sério? É a praia da Reserva. Eu queria um lugar tranquilo e agradável. E me indicaram essa. — Me sento ao seu lado e fecho os olhos para sentir melhor a brisa salgada refrescar o meu rosto. Realmente muito agradável. Abro os olhos e vejo um vidrinho amarelo balançando na minha frente.
– Passa protetor solar em mim? — Pede fazendo aquela carinha fofa. Sorrio sem saber como dizer não. Ele tira a camisa branca e a coloca no colo enquanto se vira. Despejo um pouco de protetor na mão e começo a passar nas suas costas, demorando um pouquinho demais. Ele se vira de frente para mim. Continuo passando protetor nos seus braços e ombros. Hesito um pouco quando chego no seu abdômen, mas continuo passando. Meu Deus, esse garoto precisa parar de fazer isso comigo.
– Por que está me olhando desse jeito, V? — Digo corando um pouco sobe o seu olhar intenso.
– Hã? Eu não... Ah, desculpa é que... — Ele pega a minha mão do seus ombros e aperta forte. — Só quero aproveitar cada minuto que me resta com você. — Dou um meio sorriso nervoso.
– Fala como se nunca fosse voltar. — Desvio os olhos para o chão, tentando me concentrar para não chorar. O V solta a minha mão e segura o meu queixo, me fazendo encara-lo.
– Que ideia é essa? É claro que vou voltar! Agora vira. Não quero que minha garota fique vermelha igual a um camarão. — Solto uma sorriso.
– Sua garota?
– Minha garota. — Ele segura o meu rosto com as duas mãos e se aproxima. — E eu sou o seu homenzão, não é? — Dou uma risada.
– Sim, você é o meu homenzão.
✴...ஜ 웃 ஜ...✴
A visto no céu um avião diferente. Ele parece um helicóptero, mas só que aberto e menor. Duas pessoas acenam animadas lá de cima para os banhistas que acenam de volta e tiram foto.
– Olha V, que legal! — Digo apontando para o pequeno avião.
– Ah, muito legal, né? É um girocoptero. Já andei em um desses na outra praia. É incrível! Dá quase para ver a cidade toda! — Diz com um grande sorriso.
– Parece o máximo!
– Você quer ir? Aposto que vai gostar.
– Não, não, isso deve ser super caro! Deixa pra lá. — Digo balançando a cabeça. Deus que me livre entrar naquela coisa.
– Não é, não. Se quiser a gente vai agora. — Diz se levantando, segurando a minha mão.
– N-não, deixa pra depois. Aliás, você nem sabe onde é. — Ele concorda com a cabeça, mas não me solta.
– Tá bom, sua medrosa. Então, vamos dar um mergulho. — Diz me puxando.
– Ah, não. Vai você que eu te olho daqui. E eu não sou medrosa! — Ele balança a cabeça negativamente.
– Você vai sim.
– Quero ver você me tirar daqui, seu mandão. — Digo levantando e colocando a mão na cintura. Ele dá um sorriso travesso e quando penso que não, me pega pela cintura e me joga sobre o ombro. Não estava esperando por essa. Quando dei por mim ele já tinha se jogado comigo dentro do mar.
– Isso foi golpe sujo! — Digo esfregando os olhos.
– Você que pediu. — Diz tirando o cabelo molhado do meu rosto, sorrindo.
Uma onda vem na nossa direção e eu não sei o que fazer. O V mergulha e eu acabo levando um rebote que me joga para frente, fazendo eu engolir água salgada.
– Você está bem?! Desculpa, esqueci que era a sua primeira vez na praia. — Diz preocupado, me segurando para me firmar em pé.
– Você... cof... é o pior namorado do mundo! — Ele dá aquele seu sorriso quadrado.
– Sou o seu namorado, é? — Coro violentamente.
– Não, é que eu... Humm... Não... — Ele sela sua boca na minha em um beijo intenso, fazendo eu esquecer completamente o que estava dizendo.
– Vem, agora prometo ser o melhor namorado do mundo. — Com um tempo eu acabo me acostumando com as ondas e consigo nadar mais tranquila. O V me bota em seus ombros e eu consigo ver melhor a imensidão do mar e alguns navios ao longe. Resolvemos voltar a areia e comer alguma coisa.
– Olha V! — Digo me abaixando e pegando uma gelatina transparente na borda do mar.
– É uma água viva? — Diz cutucando a gelatina.
– Sim, mas eu acho que está morta. — Digo triste. — Segura aqui. — Corro até a minha bolsa e pego o meu celular.
– Vai tirar foto disso? — Diz me devolvendo a água viva.
– Vou sim. Só por que está morta, não quer dizer que deixou de ser um belo animal. — Digo dando uma piscadela. Tiro a foto e devolvo ela para água.
Depois de comer. O sol começou a se por, lançando raios alaranjados na areia branca.
– Quer dar uma caminhada? Depois vamos embora, já está tarde. — Diz o V colocando sua camisa novamente. Sorrio e faço que sim com a cabeça, pegando as minhas coisas.
Caminhamos de mãos dadas por alguns minutos, com a água salgada molhando nossos pés e o vento frio batendo na pele. A sensação de paz e felicidade é evidente em nossos rostos.
No caminho paramos em uma sorveteria incrível que tinha perto do Plaza. Ficamos rindo e tomando sorvete até a loja fechar. Queríamos prolongar esse dia o máximo possível. Por fim, chegamos ao nosso quarto quase as onze da noite. O V vai tomar banho primeiro e eu fico deitada, pensando sobre hoje e ouvindo os roncos do J-Hope. Ele deveria ir pro médico, porque esses barulhos não podem ser normais. O V sai do banheiro e eu entro para tirar o sal do corpo e do cabelo.
Já de banho tomado. Abro a porta e vejo o V sentado na minha cama de costas para mim, olhando para o vazio. Chego devagar perto dele e o abraço por trás, beijando seu pescoço. Ele vira a cabeça e sela seus lábios nos meus.
– Está pensando em quê? — Ele sorri e me puxa pela cintura, fazendo eu sentar no seu colo.
– Pensando em você, em hoje. — Suspira, me envolvendo com os braços. — E em amanhã. — Abaixo a cabeça, mas me obrigo a levanta-la com um meio sorriso.
– Obrigada por hoje. Nunca me diverti tanto como me diverti com você, V... Bem, tirando a parte de ter quase me afogado. — Digo rindo.
– E parte que você disse que eu era o seu namorado? — Diz sorrindo. Faço bico.
– Correção, eu disse que você era o pior namorado do mundo.
– E agora? — Diz colando sua testa na minha.
– Agora é o melhor. — Digo lhe dando um beijo demorado. O V solta um suspiro pesado.
– Bem, é melhor a gente dormir. Amanhã temos que acordar cedo para ir pro aeroporto. — Saio do colo dele que se levanta logo em seguida ficando na minha frente. Ele se inclina e me dá um beijo rápido. Abaixo a cabeça e concordo.
Amanhã termina tudo.
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