Atropelada pelo Amor BTS, Kim Taehyung
19 Não acredito em você.
Notas iniciais
Povs Jheny
– Filha, a comida já está na mesa, vem comer. — Diz a minha mãe batendo na porta do meu quarto. Desenterro a cabeça dos travesseiros e limpo as lágrimas com as costas das mãos. Engulo em seco várias vezes, para firmar a voz antes de falar.
– Não estou com fome, mãe.
– Mas meu amor, você nem tocou no seu café. Não quero que fique doente por causa de um garoto!
– Por favor mãe, não quero falar sobre isso. — Digo enfiando a cara debaixo de outro travesseiro, tentando abafar o som da sua voz.
Sinto alguém tirar a almofada do meu rosto e aperto os olhos pela claridade.
– Anda filha, vem comer. Fiz seu prato favorito, lasanha! E para a sobremesa mamãe comprou... sorvete! Agora levante a bunda dessa cama, e coma minha filha, coma até parecer o fofão e sair rolando! — Diz dando um tapinha na minha perna. Sento e sorrio esfregando os olhos. Eu amo demais essa mulher doida. Ela sabe que a única coisa que pode me tirar de uma depressão é sorvete.
– Mãe... — Começo olhando para o chão.
– Sim?
– Você acha que eu deveria fazer? — Ela suspira e se senta do meu lado.
– Olha filha, para ser sincera... eu não sei. Ele pareceria ser um rapaz tão bom, ouça o seu coração. Ele sempre tem a resposta. — Nossa, isso ajudou muito. Respiro fundo. Ela me dá um beijo suave na testa e pega a minha mão.
– Agora vamos.
✴...ஜ 웃 ஜ...✴
Depois de comer até estar satisfeita, arrasto a cadeira para sair da mesa e ir novamente para o meu quarto.
– Vai aonde? — Pergunta o meu pai levantando o olhar do jornal.
– Quarto. — Dou um meio sorriso.
– Não, não, não, pode ir sentando. Você ainda não está rolando. — Diz a minha mãe. Dou uma risada.
– Se eu comer mais alguma coisa, nunca vou entrar nas minhas calças de novo.
– Tem problema não, te compro outras. — Diz o meu pai dando uma piscadela. Sorrio para ele. A campainha toca.
– Agora sente aí, que eu vou atender a porta. — Ela limpa as mãos no avental horroroso da Mônica. Pensei que tinham jogado essa coisa fora.
– Não, deixa que eu atendo. Deve ser o Tinho atrás de comida. Vai escondendo o meu sorvete para aquela formiga gigante não acabar com tudo. — Ando um pouco mais animada até a porta e a abro.
– Fala aí seu maconh... — Meu sorriso se desfaz na hora. O Jin está parado na minha frente, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco e com o canto dos lábios curvados em um meio sorriso tímido. Ele abre a boca para falar, mas falo primeiro.
– O que você está fazendo aqui? — Digo o olhando com desdém.
– Você tem que me ouvir.- Diz com olhos suplicantes.
– Eu não tenho que fazer nada. — Começo a fechar a porta, mas ele a segura com força.
– Espere! Eu não queria fazer aquilo. — Aperto os olhos para ele.
– Não queria fazer aquilo? — Dou uma risada triste. — Imagina se quisesse. — Balanço a cabeça e desvio o olhar com os olhos queimando. — Pensei que gostava de mim. — Me olha magoado.
– Mas eu gosto...
– Não me importo mais. — Digo tentando fechar a porta novamente, mas ele a segura com mais força.
– Solta a droga dessa porta, Jin!
– Não sem antes você me escutar! Droga, Jheny isso está acabando comigo! Mal consegui dormir pensando em você.
– E você acha que eu dormi? Acha que para mim está sendo fácil? Você tem ideia de quanto tempo eu gosto de você? Não? Só uns três anos, Jin. — Ele se encolhe.
– Isso tudo é um engano. — Diz balançando a cabeça. — Eu...
– Tem razão é um engano. — Digo com a voz baixa. Ele me encara. — Eu me enganei em achar que você era diferente, que era um garoto sincero, que podia confiar em você, mas no final... você não passa de uma farsa! — Ele me olha como se eu tivesse lhe acertado um soco. — Essa sua imagem de bom moço não funciona mais comigo... vai embora.
Aproveito a chance que ele está distraído e fecho a porta em um estrondo na sua cara.
Fico parada por alguns segundos encarando a minha mão na maçaneta, sentindo gotas de água deslizando pela a minha bochecha sem parar. Respiro fundo entrecortado e encosto a testa na superfície fria, esperando o meu coração desacelerar e as lágrimas pararem de correr antes de voltar para a cozinha e fingir que nada aconteceu.
Me sobressalto quando sua mão pesada bate na madeira.
– Jheny, por favor abra a porta, eu sei que você está chateada, mas eu posso explicar! Jheny! — Ele começa a tocar a campainha sem parar. Levo as mãos aos ouvidos para tentar abafar o barulho irritante.
Quando estou prestes a abrir a porta para acabar logo com isso ouço a voz do meu pai.
– O que diabos está acontecendo aqui? — Diz saindo da cozinha irritado. Engulo em seco. Meu Deus, agora ferrou.
– N-nada não pai. — Digo me colocandado na frente da porta.
– Jheny por favor! — Diz o Jin quase botando as dobradiças a baixo.
– É aquele moleque, não é? — Faço que sim com a cabeça hesitante.
– Sai da frente. — Arregalo os olhos.
– O-o que você vai fazer?
– Sai da frente, Jhenifer. — Diz com a voz assustadora. Meu pai é de dar medo as vezes. Me encolho, mas não me mexo.
– Não sem antes você me dizer o que vai fazer.
– Só vou ter uma conversinha com esse garoto, agora sai da frente dessa maldita porta Jhenifer!
– Você promete que não vai machucar ele? — Meu pai me olha confuso.
– Você ainda se importa? Depois dele ter te feito chorar! — Eleva a voz.
– Me importo sim! Mesmo depois daquilo eu ainda... gosto dele. Eu sei que é idiota, mas não quero que você o machuque. Prometa. — Ele solta um suspiro pesado e assente. Saio devagar da frente da porta.
Quando o meu pai a abre o Jin arregala os olhos e dá um passo para trás.
– O-oi, senhor.
– Oi, senhor? — Diz o meu pai com os olhos pegando fogo. — O que você quer aqui?
– Vim falar com a Jheny. — Diz nervoso.
– Já não basta o que você fez?- Diz dando um passo ameaçador na direção do dele.
– D-desculpe senhor, mas eu não fiz nada. — Meu pai o lança um olhar de raiva e agarra o Jin pela camisa, quase tirando ele do chão.
– Você magoa a minha filha, vem na minha casa na maior cara de pau, faz um escândalo na frente na minha porta e ainda diz que não fez nada?! Você está implorando para morrer, garoto!
– Pai! -Ele olha para mim e o solta com força . O Jin dá alguns passos para trás sem equilíbrio e cai sentado e de cabeça baixa.
– Só não acabo com você, por que prometi a minha filha que não faria isso. Vai embora antes que eu mude de idéia!
– Não vou a lugar nenhum sem antes dizer a Jheny como eu me sinto. — Ele dá uma pausa enquanto se levanta e olha diretamente para mim. — Sem dizer o quanto estou apaixonado por ela. — Arregalo os olhos pela surpresa.
– Seu... — Diz meu pai avançando, coloco a mão em seu ombro o parando. Ele olha para mim.
– Pai, acho melhor você entrar, eu cuido disso.
– O quê? Eu não vou a lugar nenhum.
– Ah, você vai sim. — Diz a minha mãe aparecendo do nada. Sabichona, estava ouvindo atrás da porta. Não é atoa que ela é a fofoqueira número um do bairro.
– Deixe as crianças conversarem sozinhas, vamos entrar.
– Não vou deixar minha filha sozinha com esse...
– E quem disse que eu estou pedindo? — Ela segura o braço dele. — Estou mandando. — Diz arrastando ele resmungando e fechando a porta atrás deles. Volto a minha atenção ao Jin que dá alguns passos na minha direção.
– Jheny... — Começa tentando segurar a minha mão. Dou um passo para trás.
– Não acredito em você. — Digo cruzando os braços. — Se está realmente apaixonado por mim, por que beijou aquela garota?
– Na verdade... foi ela que me beijou. — Diz meio sem jeito. Levanto um sobrancelha. Ele olha para mim e suspira. — Ela chegou perto de mim cambaleando e falando que estava passando mal. Levei ela para o bebedouro para beber um pouco de água. Quando dei por mim ela já tinha me prendido na parede, pode não parecer, mas ela era forte para caramba. — Fico encarando ele por alguns segundos, refletindo.
– E-eu sei que é difícil acreditar, mas... — Passo os braços ao redor do seu pescoço e selo sua boca na minha. Ele fica tenso por um momento, mas logo abraça a minha cintura me puxando para ele. Me afasto o suficiente para olha-lo nos olhos.
– Por que não falou isso antes, seu grande idiota? — Digo sorrindo. Meu Deus, ele não estava a pressionando na parede, ela que o puxava! Faz sentido já que ele não estava tocando ela. Que burra, eu tava tão chateada que não prestei atenção nesses detalhes!
– Você também não me deu chance!
– E quem disse que precisa de permissão para falar? Aqui não é um jure, Jin. — Ele faz bico resmungando alguma coisa. Não aguento e explodo em risadas.
– Você é o homem mais ingênuo que eu já vi em toda a minha vida! — Ele chega mais perto e passa os braços ao redor da minha cintura me pressionando contra ele.
– Não sou tão ingênuo quanto você pensa. — Diz baixinho no meu ouvido, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiar. Ele coloca uma das mãos em um lado do meu rosto e me dá um beijo terno.
– Então... você me perdoa? — Sorrio.
– Mas é claro bobão! — Seu sorriso se alarga, mas logo fica sério de novo e desvia o olhar, parece nervoso.
– O que foi? — Pergunto preocupada.
– Eu sei que vai ser difícil, já que eu vou embora em poucos dias, mas... você aceita namorar comigo? — Diz me olhando nos olhos. Pisco, sem acreditar.
– A gente poderia se falar todo dia por telefone e por chamada de vídeo. Eu sei que isso parece egoísmo da minha parte te pedir isso, mas não precisa responder agora. Se também não quiser, não vou... — Agarro ele pela camisa e calo a sua boca com um beijo longo, deixando bem claro a minha resposta.
– Isso responde a sua pergunta? — Ele abre um grande sorriso e sela nossos lábios novamente. Eu sei que namoro a distância pode ser difícil, mas o pior e que não estou nem aí.
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