Atração
1 Capítulo 1
Kyojuro sofreu graves danos após a missão que lhe foi confiada, na qual encontrou a Lua Inferior I, Enmu, e a Lua Superior III, Akaza. Em razão disto, estava temporariamente “fora de ação” até que se recuperasse o suficiente para voltar ao trabalho.
Era seu irmão, Senjuro, quem cuidava de seus ferimentos. Os cuidados guiados pelo amor fraternal que norteava a relação dos dois gerava resultados muito bons. Embora ainda fosse demandado muito tempo para que se recuperasse completamente, os machucados do mais velho se encontravam cada vez melhores em um bom ritmo.
— Irmão... – disse, adentrando cuidadosamente os aposentos. — Irmão, você tem visita...
Kyojuro abriu um de seus olhos, vez que o outro estava debilitado e faixas o cobriam, de modo a não deixar que fosse ainda mais prejudicado.
— Visita, hm? – Seu rosto esboçou um sorriso confiante, como sempre costumava fazer. – Eu tenho algumas ideias de quem pode ser.
— Uh... Está pensando em alguém específico?
— Não exatamente! – disse, sentando-se em seu futon e dando uma grande espreguiçada. — Apenas imagino que sejam meus amigos, preocupados com meu estado atual. – Ele permanecia demonstrando confiança em suas próprias palavras.
— Eu devo deixar todos entrarem de uma vez? São muitos...
— Oh! Todos vieram? É uma boa surpresa! – Seus olhos brilharam com a notícia. – Nosso pai está em casa?
— Não, ele já saiu...
— Então deixe que entrem! Não vai acontecer nada de errado!
— Certo...
Senjuro retornou, abrindo mais o fusuma e deixando um pouco mais de luz adentrar o recinto. Fora, mas não muito longe, encontravam-se os Pilares, juntamente com Tanjirou, Zenitsu e Inosuke.
Inosuke se virou rapidamente na direção de Senjuro, em razão do barulho emitido pela abertura do fusuma.
— OY! GONPACHIRO, MONITSU, OLHEM!
— Inosuke, por favor não faça tanto barulho! Rengoku-san não está completamente recuperado-
A advertência de Tanjirou não surtiu efeito, o garoto entrou correndo nos aposentos de Kyojuro, empunhando suas nichirins e sendo seguido posteriormente pelos demais.
— MALDITO! NÃO OUSE MORRER ANTES DE SER DERROTADO POR MIM EM UMA BATALHA!
Tanjirou e Zenitsu o seguraram pelas costas, enquanto aquele se debatia e continuava balbuciando palavras “ameaçadoras” sobre como queria batalhar naquele exato momento.
— R-Rengoku-san, como está se sentindo...? – perguntou Tanjirou, ainda segurando o colega.
— Eu estou muito bem, Kamado, meu garoto!
— “Muito bem” nós sabemos que você não está... – disse Zenitsu, observando Kyojuro.
Soltando uma breve gargalhada, o mais velho concordou.
— Eu estou me sentindo melhor do que o esperado! Meu irmãozinho tem feito um ótimo trabalho! – todos costumavam dizer que Kyojuro era tão radiante quanto o próprio sol, ao ponto de que suas simples palavras eram capazes de trazer certa força aos presentes.
A certa distância, Senjuro observava, claramente preocupado com toda a algazarra que acontecia no recinto. Estava receoso de que a agitação e barulheira de algum modo fossem prejudiciais à saúde ainda em recuperação do mais velho.
— Você tem certeza? Pensamos em conversar com Tamayo-san para que ela pudesse ajudar, mas não saberíamos como seria a sua reação-
— Tanjirou ficou legitimamente preocupado com a sua saúde e desde o final da missão tem buscado por buscado meios de colaborar com sua recuperação! – interrompeu Zenitsu. — ... Na verdade todos nós ficamos preocupados, você se machucou pra valer...
O jovem olhou na direção dos demais.
— Ora, estamos todos suscetíveis a isto, a qualquer momento. Nunca sabemos o que exatamente iremos enfrentar e estamos que estar prontos para aceitar nosso destino!
— Ara ara... Estamos cientes de que é nosso destino, mas nada nos impede de que tenhamos preocupação uns com os outros, não acha? – Shinobu deixou transparecer um leve sorriso, como sempre costumava fazer.
— Shinobu está correta, Kyojuro! Essa sua atitude orgulhosa não é nada fabulosa, então aceite logo que você é nosso amigo e que como você está se sentindo importa a todos nós!
Todos riram diante das palavras de Tengen, o que trouxe um clima mais descontraído à “reunião”.
Assim seguiram por um longo tempo, tendo inclusive uma refeição sido preparada para e com a ajuda dos presentes, que puderam desfrutar de um grande momento de amizade em meio a tempos tão conturbados.
As tentativas de convencer Kyojuro de receber ajuda de Tamayo foram em vão. Em todas as oportunidades ele se recusava, reiterando que estava sendo cuidado pelo irmão.
Ele estava utilizando aqueles momentos para estreitar ainda mais os laços com Senjuro, que desde sempre se sentia inseguro quanto ao futuro. Depois do acontecido com sua mãe e posteriormente com seu pai, o mais velho acabou se sentindo responsável por proporcionar segurança e conforto ao mais novo, que vivia enfrentando diversos problemas. Ele não gostaria que este momento tivesse a interferência de qualquer outro.
O reencontro acabou sendo muito bom, e o momento de se despedir foi um pouco difícil a todos. A presença de Kyojuro era sempre luz na vida de todos, e ele fazia muita falta.
Inclusive, a fim de resguardar esta presença tão essencial a todos, Gyomei se ofereceu para orar e até mesmo abençoar o jovem, que não opôs resistência a isto. A sobrevivência na batalha enfrentada foi um milagre, e proteção extra neste quesito sempre seria bem-vinda, especialmente pois Muzan Kibutsuji ainda seguia vivo, fazendo graves e perigosos planos em locais até então desconhecidos por todos.
Pouco a pouco, os visitantes foram partindo, desejando todo o melhor para que o colega retornasse logo.
No momento de sair do local, Tanjirou percebeu que Mitsuri ainda não havia se prontificado, tendo permanecido no interior da residência. Buscando se aproximar da garota e chamar sua atenção para que pudesse ir com os demais, foi interrompido por Senjuro.
— ... Uh? Senjuro?
— Deixe, ela irá depois...
— .... Você tem certeza?
O mais novo sinalizou com a cabeça.
— O meu irmão é mentor da senhorita Kanroji, e por isso acredito eles têm uma ligação especial... Ela ficará bem, papai não está em casa e deve demorar um pouco mais para retornar...
Tanjirou sabia pouco da situação atual do pai dos garotos, mas tudo indicava que não era tão boa quanto o ideal. De qualquer modo sentiu que não deveria interferir nisto nesse exato momento.
— Bem... Certo! Imagino que ela tenha convivência com vocês, então isto não deve ser um problema muito grande. Caso encontrem dificuldades, não hesitem em nos chamar!
Os olhos de Senjuro pareceram brilhar no momento que Tanjirou mencionou tais palavras.
— ... C-certo! Obrigado, senhor Kamado!
[...]
Mitsuri silenciosamente adentrou os aposentos de Kyojuro e se sentou ao lado de seu futon. O rapaz a olhou bem, surpreso por ela não ter ido embora.
— Imaginei que teria ido com os outros, Kanroji! Aconteceu algo para que ficasse?
A rosada era quem estava especialmente preocupada com o estado de saúde de seu mentor. Há um tempo consideravelmente longo se conheciam, e foi Kyojuro quem acompanhou todo o seu crescimento em lutas, ensinando-lhe e ajudando-a a desenvolver novas técnicas.
— Não, não! Eu apenas gostaria ficar aqui com você... Está precisando de alguma coisa?
— Estou bem, obrigado por se preocupar! Como eu havia dito, Senjuro está fazendo um ótimo trabalho cuidando de... Quase tudo. – Ele demonstrou um radiante sorriso, orgulhoso pelo desempenho do irmão mais novo. – Eu sei que é um trabalho puxado para alguém tão novo, mas ele está saindo muito bem!
— Aaah, o amor fraternal é tão lindo!! — Mitsuri estava um tanto empolgada.
Por ser o pilar do amor, os seus sentimentos sempre eram intensos. Tanto é verdade que Mitsuri normalmente vivia amores platônicos com pessoas que demonstrassem um mínimo de habilidade ou atenção.
Kyojuro riu. Por sua convivência com a garota, ele muito mais do que outros sabia como as coisas funcionavam.
— Ah, Rengoku-san... Sei como estão você e Senjuro, mas como está o seu pai?
O moço parou por alguns instantes, pensando.
— Sinceramente, ele não está no melhor estado possível, mas não se preocupe com isto! Eu e Senjuro estamos dando duro para que ele se recupere o quanto antes!
A garota sabia um pouco sobre a realidade sobre Shinjuro em decorrência do convívio que possuía com Kyojuro. Soube através de poucas e rápidas conversas que ele havia sucumbido ao alcoolismo e que isto estava prejudicando seus filhos, principalmente o mais novo.
— Apesar do que está acontecendo... – o rapaz olhou dentro dos olhos da garota. – Isto não vai apagar as chamas que ardem dentro do meu coração! – ele falava com uma firmeza exemplar. – Farei o meu melhor para provar ao meu pai que posso ser um excelente pilar das chamas e que meu trabalho fará diferença a todos!
Aquelas palavras foram um baque em Mitsuri. Ela sentia toda a paixão nas palavras de Kyojuro. Não no sentido romântico da palavra, mas de forma que conseguia indicar o entusiasmo pelo seu ideal.
Ocorre que ele, embora estivesse demonstrando toda a sua fortaleza, não conseguia esconder muito bem a decepção e a tristeza em seu olhar. Isto também era detectado pela jovem garota.
— A vida é curta demais para nos rendermos a arrependimentos ou a frustrações! –ele aparentemente tentava desviar o assunto. — Mas me diga, Kanroji. Como você está se saindo ultimamente?
No fundo, Mitsuri sabia que deveria confiar nas palavras do rapaz. Ela também sabia, porém, que no momento não poderia fazer muita coisa para ajudá-lo, senão desviar sua atenção para o outro assunto que foi trazido à tona. Ele não deveria estar se sentindo muito à vontade em falar sobre Shinjuro, então a garota apenas seguiu o fluxo proposto.
— Eh, b-bem... Eu na verdade estou bem! Tem sido divertido ficar com os outros Pilares, embora ainda não tenham me designado para alguma missão grande... – ela desviou um pouco o olhar. – Na verdade tenho me achado muito fraca e... Acho que ainda estou longe do ideal, que posso e preciso melhorar muito mais-
— Umu! – Ele pareceu especialmente entusiasmado ao falar sobre o treinamento de Mitsuri. – Você está certa, ainda temos muito no que melhorar! Sei que você me surpreender mais e mais como sempre faz, Kanroji!
— Ah, Rengoku-san... – ela passou a mexer de forma insegura em uma de suas tranças. — Uhm, eu... Não sei exatamente como me comportar melhor nos nossos treinamentos!
— O quê? – O rapaz apresentou uma expressão de surpresa, seguida por outro de seus radiantes sorrisos. – .... Kanroji, o que eu acho mais fascinante em você é justamente os erros que você comete durante os nossos treinamentos!
O olhar dos jovens se encontrou novamente.
Desta vez, porém, parecia diferente. O olhar penetrante do rapaz estava fazendo que as “borboletas em seu estômago” de Mitsuri flutuassem de forma leve, sendo que a jovem sentia seu coração cada vez mais acelerado.
— M-meus erros...?
Kyojuro afirmou com a cabeça. Fechando os olhos e de forma serena, prosseguiu os seus dizeres.
— Mesmo diante de tantas falhas, você nunca desiste de atingir seus objetivos! Seu espírito de luta é algo que eu admiro! Desde que eu a vi pela primeira vez, soube que era diferente!
Mitsuri escondeu o rosto entre suas duas mãos. O rosto da garota se encontrava quente, coberto em tons de vermelho afim de transparecer sua timidez naquele momento.
— O seu coração também queima com uma ardente chama! São coisas que me atraem muito e que existem em você!
A garota nunca esperaria que seu mentor, em algum momento, fosse dizer este tipo de coisa para ela. Levantou-se, interrompendo a fala de Kyojuro. Ela não podia negar que estava nervosa com a enxurrada de informações que ele estava despejando, se encontrando no meio de um turbilhão de emoções.
Sem pensar muito e utilizando-se de uma força extraordinária, ela pegou o homem no colo.
— Eu preciso de ar, Rengoku-san! Vamos lá para fora!
— W-woah, como preferir!
A rosada carregou Kyojuro até a varanda que ficava próxima ao quarto. Era uma noite fresca, sem muito movimento por perto.
Sentando-se com ele ao lado, escondeu novamente seu rosto entre suas duas mãos. Não sabia ao certo como reagir a toda a declaração súbita que acabara de acontecer.
Ele observava a garota em toda a sua timidez, respeitando o momento dela e permanecendo em silêncio até que ela dissesse algo.
— ... R-Rengoku-san, você... Está falando sério...? Você realmente acha tudo isso de mim?
— Sabe, Kanroji... Depois de tudo que eu e os garotos enfrentamos na última missão, me recordei de como a vida é frágil e curta, então não posso perder mais do meu tempo. – ele sorriu mais uma vez, de forma confiante enquanto observava a lua.
Mitsuri o observava, prestando muita atenção em seus dizeres enquanto tentava abafar um pouco da timidez que os demais sentimentos mistos que sentia haviam despertado.
— É verdade que somos pilares, mas acima disto nós somos humanos. – ele voltou sua atenção mais uma vez para a companheira. – Por sermos humanos, nós somos mortais. Nós crescemos, envelhecemos e morremos, e essa é a beleza da vida. Honestamente falando, eu fico feliz por estar vivo hoje, mas estou ainda mais feliz por lembrar de quantas vidas consegui salvar aquele dia.
A garota passou levemente a sua delicada mão no rosto de Kyojuro. A pureza daquele homem, juntamente com o exemplo de sua meta de vida, era tudo o que um pilar precisava para cumprir o seu destino.
— Kyojuro! Pensando por este lado, entendo que não é só você que não pode mais perder tempo! Eu preciso dizer que admiro a sua atitude e todo o seu jeito! Você é incrível, e tudo isto também me atrai!
O homem parou. Em uma rara exceção, havia sido chamado pelo seu nome, de modo informal. O momento seguinte se prosseguiu no mais puro silêncio, apenas com os dois se olhando, estagnados, até que o mais alto tomou a decisão de perguntar.
— .... É sério?
— É!
— Isso é fantástico! Eu já quero crer na possibilidade de você ser a minha futura esposa-!
— Vamos com calma, Kyojuro! – disse Mitsuri, rindo alegremente.
A lua pareceu brilhar um pouco mais ante toda aquela demonstração de carinho e consideração de um para com o outro.
— Então... Mitsuri, por um acaso aceita sair comigo para comer sakura mochi quando eu estiver me sentindo um pouco melhor? Você sabe, para não precisar me carregar sempre por aí!
A garota olhou para ele e ponderou por alguns instantes.
— ... Depende.
— Depende?
— Vou poder comer quantos eu quiser?
Kyojuro soltou uma alta risada.
— Claro que vai, podemos inclusive apostar e ver quem come mais!
— Então eu aceito! Prepare-se para perder! – disse ela, rindo com seu parceiro.
— Nós veremos, mas já gosto da sua atitude positiva!
Mitsuri carinhosamente colocou sua palma sobre a mão de Kyojuro, que respondeu virando-a para que pudesse entrelaçar seus dedos com os da garota, ambos aceitando os sentimentos recíprocos que foram declarados.
Apoiando sua cabeça no ombro do mais alto, fechou os olhos ao receber um pequeno beijo em uma de suas tranças. A pilar do amor sabia que aquele sentimento confessado era puro, doce e sincero, como sempre esperou que fosse.
Notas finais
É a minha primeira vez escrevendo uma fic de Kimetsu no Yaiba.
A personalidade da Mitsuri e do Kyojuro é meio difícil de escrever por ambas serem bem intensas, mas fiz o meu melhor!
Pode ser que algumas coisinhas fiquem meio OOC, portanto juro que vou buscar melhorar mais nas próximas, meu ship merece um pouquinho mais uahauha
Espero que tenha sido uma leitura leve e divertida, mt obg por ler!
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