Através dos Seus Olhos
10 Equilibrando
Notas iniciais
Capítulo 10-Equilibrando
[BPOV]
Meu quarto parecia ser o refúgio solitário perfeitos pelas próximas horas.
Eu não queria ver ninguém, nem falar com ninguém.
Eu não estava com raiva pelo o que tinha acontecido, mas eu também não estava feliz com aquilo.
Eu não sabia descrever como eu estava. Era um sentimento estranho, confuso, complicado.
Talvez eu estivesse frustrada, talvez intrigada. Era difícil julgar suas emoções, enquanto elas ainda estavam fervilhando por dentre suas veias.
Eu nunca fui do tipo que dava muita importância para o que as outras pessoas diziam ou faziam. Eu tentava permanecer imune a tudo ao meu redor.
Só que isso claramente, não funcionava mais.
Tudo o que ele fazia ou dizia me afetava. Eu odiava ter que admitir isso, mas eu me importava com ele. Era como se eu soubesse que por detrás daquela fachada fria e impenetrável, existia um garoto pelo qual valesse a pena lutar.
Eu só precisava descobrir como.
“Bella!” Alice me chamou, entrando no meu quarto. “Como está?” Ela perguntou, com seu jeito animado, tão característico dela.
“Melhor impossível.” Respondi irritada, o que me fez ganhar uma careta da Alice.
“Que bicho te mordeu, hein?”
“Advinha.” Respondi, com um tom que deixava claro a obviedade do assunto.
“Edward?” Eu apenas assenti. “O que aconteceu dessa vez?” Ela perguntou impaciente, sentando-se ao meu lado.
“O de sempre. Ele foi um grosso, e eu acabei falando demais.” Disse, tentando não dar muita importância ao fato, ou pelo menos, não demonstrá-la.
“Vocês dois são impossíveis.” Ela comentou, revirando os olhos.
“Eu sei que prometi a Rose, mas eu não sei se consigo fazer isso.” Admiti. Eu odiava me sentir impotente. Acho que esse era o pior sentimento que se podia sentir. O de não poder fazer nada.
“Claro que consegue.” Ela me assegurou. Pena que eu não estava tão segura quanto ela.
“Ali...” Eu tentei falar, mas ela me interrompeu.
“Você já está no meio do caminho. É a primeira vez, desde que ele perdera a visão, que o vejo se irritar tanto com uma coisa a ponto dele brigar por causa disso.”
“Ótimo! Agora eu sou a ‘coisa irritante’.” Disse, fingindo minha irritação.
“Você me entendeu.” Ela falou, entediada.
“É, a Rose também disse a mesma coisa.” Relembrei. Todas pareciam concordar que eu era a ‘coisa irritante’ que tirava Edward do sério.
“Eu sei que você concordou com ela, mas você não precisa fazer nada contra sua vontade.” Alice disse, olhando seriamente para mim. O olhar dela era um misto de esperança e compreensão.
Ela realmente estava sendo sincera em sua oferta.
“Eu quero ajudar.”Assegurei-a “Eu só não sei se consigo.” Deixei minhas mãos, caírem em meu colo, num sinal de derrota. Como eu podia desistir tão fácil?
“Você vai conseguir. Acredite em mim. Eu nunca erro” Sorri.
Alice e sua mania de estar sempre certa sobre as coisas. Pelo visto ela realmente acertava, já que Emmett havia me aconselhado a nunca apostar contra ela.
“Agora me diga o que você quer.” Disse, numa tentativa de mudar de assunto. Alice me olhou surpresa, me fazendo dar uma risada.
“Que tipo de amiga você acha que eu sou?” Ela perguntou, levemente ofendida.
“Eu te conheço muito bem Mary Alice Brandom.” Ela me olhou inocentemente, e eu sabia que ela iria me pedir alguma coisa. Eu já a conhecia bem demais.
“Sabe o meu primo...” Ela começou, hesitante.
“O James?” Ela apenas assentiu a minha pergunta.
“ Ele vai estar na cidade na próxima semana.” Ela mordeu o lábio, apreensiva. James na cidade? Isso não soava nada bem.
“O Jasper não vai gostar disso.” Disse, preocupada. Eu não saberia lidar com uma possível futura briga deles. De que lado eu ficaria?!
“Eu sei. Por isso eu queria te pedir um favor” Ela me olhou por um momento, e logo continuou. “Você poderia sair com ele?” Eu arregalei meus olhos, e ela me deu um sorriso amarelo.
“Sair com seu primo...tipo um encontro?” Perguntei, desesperada. Nada contra garotos, mas o que eu menos precisava no momento era de um encontro com um desconhecido.
“Não necessariamente. Ele vai precisar de companhia, e eu não vou poder me dividir entre eles. Você sabe muito bem o que aconteceu da última vez.” E como sabia...
“Eu vou pensar no seu caso.” Aquilo era tudo o que eu podia fazer.
“Você vai descer para o jantar?” Ela perguntou, indo em direção à porta.
“Eu não estou com fome.” Respondi. Eu não estava muito a fim de companhia naquele momento.
“Quer que eu fique com você?” Ela se ofereceu.
“Não, pode ir ficar com nosso loiro maravilhoso.” Disse sorridente, o que me fez ganhar um tapa e um sorriso da Alice.
“Tchau Bells.” Ela se despediu, já abrindo a porta.
“Tchau Ali.”
Alice foi embora, e minha mente voltou para o único pensamento que conseguia ter.
Edward Cullen.
Eu podia ouvir uma música vinda do quarto dele, mas eu não conseguia reconhecê-la.
Era tão estranho viver esse mistério e toda essa tensão, quando tudo o que nos separava era uma parede.
Pelo menos, fisicamente.
Existia tantas barreiras entre nós, que eu achava que nunca conseguiria superá-las.
Por que o ser humano tinha que ser tão complicado?
O som mudou, e eu reconheci a música de cara. Era Collide.
Sorri com a ironia dela.
Eu e ele parecíamos colidir toda vez que nos encontrávamos.
Literalmente, e figurativamente.
Éramos dois opostos que se atraíam, apenas para se repelirem logo em seguida.
Dois imãs, defeituosos.
Duas palavras desconexas, que rimavam, embaladas por uma estranha melodia.
Eu realmente seria capaz de salvá-lo? Ou acabaria afundando-o ainda mais?
Será que ele pensava em mim com a mesma freqüência que eu pensava nele? Se é que ele pensava em mim...O que eu achava uma possibilidade inexistente.
Por que ele pensaria em mim? Não existe nada de especial em mim.
Ouvindo os últimos versos da música, eu havia tomado a minha decisão.
Se eu queria ajudá-lo, ficar ali sentada não adiantaria de nada.
Eu precisava agir.
[EPOV]
Eu era um idiota, um estúpido, um canalha.
Eu não conseguia parar de me xingar mentalmente pelo o que havia acontecido de tarde.
Depois dela, milagrosamente, ter aceitado fazer o trabalho comigo, eu acabei tratando-a da pior maneira possível.
Eu havia exagerado, mas essa parecia ser a única reação que eu tinha perto dela.
Eu nunca reagia normalmente quando se tratava dela.
As pessoas sempre se afastavam de mim, devido a minha maneira de ser. Bella, estranhamente, agia de maneira oposta.
E era exatamente por isso que eu exagerava quando estava perto dela.
Parecia ser a única maneira que minha mente encontrava de afastá-la.
Eu não deveria me aproximar dela. Não era certo. Mas eu queria.
Uma parte de mim ansiava desesperadamente por conhecê-la. Saber que era a mulher por trás do corpo desastrado e da voz docemente angelical. Conhecer a garota que havia conquistado Alice, Emmett, Jasper, meus pais, e até mesmo Rosalie.
Eu precisava entender o que a fazia ser tão especial, mas mais importante ainda, eu queria entender o porquê que eu não conseguia parar de pensar nela.
Collide começou a sair dos alto-falantes do meu som.
A ironia da música para o momento chegava a ser engraçada.
Ela era como um meteoro que havia colidido com o meu mundo.
Um baque, que havia mudado tudo ao meu redor.
Desde que ela havia chegado , eu não conseguia parar de pensar nela.
Eu nunca tinha encontrado alguém que me irritasse e me fascinasse ao mesmo tempo.
Éramos versos complexos de uma mesma música desarmoniosa.
Uma melodia errática, que parecia insistir em ser tocada.
Será que ela pensava em mim tão frequentemente, quanto eu pensava nela?
Eu duvidava. Por que ela perderia o tempo dela pensando em um cara como eu?
Se eu quisesse acabar com esse meu dilema, só me restava uma coisa a ser feita. Eu precisava agir.
[BPOV]
O nervosismo se apoderou de mim, assim que minha mão alcançou a maçaneta da porta.
O que eu iria fazer?
O que eu iria falar?
Eu não sabia como, eu só sabia que deveria agir.
Fechei os olhos. Respirei fundo. Girei a maçaneta e saí do meu quarto. Logo senti meu corpo se chocando com o de outra pessoa.
Eu não precisava abrir meus olhos para saber quem era, mas mesmo assim o fiz.
Afinal, o que ele estava fazendo parado na frente do meu quarto?
“Foi mal.” Me desculpei, antes que a enxurrada de insultos começasse .
“Tu...tudo bem.” Ele titubeou, e eu o encarei desacreditada.
Eu abri e fechei a boca, repetidas vezes, procurando algo para dizer, mas eu não conseguia. Eu não sabia nem o que pensar no momento, muito menos o que dizer.
“Podemos conversar?” Ele perguntou, subitamente. Eu devo ter caído no chão e desmaiado. Eu só podia estar sonhando, não haveria outra explicação.
“Cl...Claro.” Respondi, nervosamente. Mais uma amostra da minha auto-confiança.
“Vamos ficar aqui no corredor?” Ele perguntou, parecendo nervoso.
“Pode ser no meu quarto, se quiser...” Murmurei de maneira quase que inaudível, mas pelo menos ele pareceu escutar, já que assentiu diante das minhas palavras
Abri a porta do meu quarto, e deixei Edward entrar primeiro. Ele assim como a primeira vez, tateou o seu caminho até achar a minha cama. Ele se sentou na ponta da cama, e eu me sentei do lado oposto.
“Me desculpe por estar sempre sendo rude com você, mas é que é difícil para mim...” Ele parecia estar tão perdido quanto eu. Ele deu uma pausa, provavelmente procurando o que dizer.
“Espera.” Decidi interrompê-lo antes que ele voltasse a falar. “Acho que você não é o único aqui que está devendo desculpas.”
“Bella...” Uma sensação estranha inundou meu corpo ao ouvi-lo dizer meu nome pela primeira vez.
“Edward, nós dois erramos, se é para acertarmos , sugiro que nenhum dos dois se desculpe. Vamos apenas, recomeçar.” Eu estava sendo sincera no que eu estava oferecendo.
Não sei, mas às vezes desculpar me parecia uma atitude tão hipócrita.
Uma hora ou outra o que foi desculpado seria jogado na sua cara, sem qualquer piedade.
Esquecer, era diferente. Você esforçaria ao máximo para não reviver aquelas lembranças, até elas serem apagadas por completo.
“Recomeçar?” Edward perguntou, desorientado.
“É. Vamos fingir que os últimos meses não aconteceram.” Esclareci, ele pareceu pensar por um instante.
“Acho isso um pouco impossível.” Ele zombou. Nem agora ele podia deixar a prepotência de lado?
“Você pode ao menos tentar?” Minha voz saiu um pouco ríspida, o que logo em seguida me condenei por fazê-lo. Estávamos pedindo desculpas, no fim das contas.
“Ok” Ele respondeu, ligeiramente seco.
O silêncio logo se instalou. A tensão que o acompanhava poderia ser cortada por uma faca.
Eu precisava fazer alguma coisa. Foi aí que me ocorreu a idéia mais estúpida que eu já tive.
“Oi, eu sou Isabella Swan, mas pode me chamar de Bella.” Disse, com toda a simpatia que uma pessoa podia ter. Esperei pela reação dele, e eu juro que vi o esboço de um sorriso. Mas eu devia estar vendo coisas.
“Eu sou Edward Cullen.” Ele estendeu a mão para mim, e eu logo a aceitei. Senti uma corrente elétrica passando pelo meu corpo. Nossa, isso era estranho.
O silêncio novamente se fez presente. Mas dessa vez não fui eu quem o quebrou.
“Ensaio amanhã, depois da escola?” Ele perguntou, hesitantemente.
“Claro.” Respondi, tentando não transparecer a ansiedade que começava a brotar dentro de mim.
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