Notas iniciais
Espero que estejem gostando!!!
Comentem e recomendem, pois é uma história que vale muito a pena ser lida!!!

BPOV

"Só se eu puder pedir primeiro." — eu disse com um sorriso triste. Senti que as almofadas ao meu lado foram pressionadas, como se ela tivesse se sentado. Ela estava relativamente perto, podia sentir o calor que emanava de seu corpo.

"Por que você precisa pedir desculpas? Fui eu quem te ofendi" — disse ela, de um jeito triste, e um pouco confusa.

"Eu não costumo agir dessa forma. Eu deveria ter sido mais educado. Você não tinha como saber da minha condição. Eu fui um completo idiota e por isso te peço desculpas."

"Eu aceito a suas desculpas com uma condição." Sua voz mudou, tornando-se suave e doce.

"E que condição seria essa?" Eu inclinei minha meu rosto para o lado, pra me aproximar mais de sua voz.

"Só se você aceitar as minhas." Ela riu um pouco. Eu sorri em sua direção.

"Sim, claro. A propósito, eu sou Edward," — estendi minha mão para sua direção, caso ela quisesse cumprimentar. Ela não sabia, mas, isso significava muito pra mim, mais até do que palavras. Pode-se aprender muito com o aperto de mão de alguém.

Sua minúscula e fria mão escorregou pela minha. Ela apertou firme, não mostrando sinais de timidez ou nervosismo.

Trouxe a minha outra mão para colocar por cima da dela. Eu acariciava cuidadosamente para conhecer melhor os detalhes de mão. Seus dedos eram longos e finos. Suas unhas eram muito curtas e não tinha nenhum tipo de esmalte sobre elas,nas pontas eram ásperas e disformes. Provavelmente ela rói unhas.

"Sou Bella." Ela disse, inclinando-se um pouco. Sua respiração soprou contra meu rosto e eu sorri involuntariamente.

"É um prazer conhecê-la, Bella." Eu disse meio formal. Sua mão continuou a descansar na minha palma. Havia um tipo de corrente elétrica estranha entre nós.

"Prazer em conhecê-lo, também," disse ela elevando sua voz por conta da música. "Você não é daqui, não é?"

"É tão óbvio?" Eu ri, puxando lentamente a minha mão de volta para descansar na minha perna.

"Bem, você não tem um sotaque do sul. Além disso, você não parece está enturmado com qualquer grupinho." Ela disse, e eu fiquei meu surpreso. Ela não parecia querer se afastar. Isso era um bom sinal.

"Sou de Chicago. E você não me parece ser daqui também " Eu perguntei suavemente. Meu rosto virado em direção ao dela para que eu pudesse ouvi-la melhor.

"Não, Eu sou do -"

"Espere ... deixe-me adivinhar," — mordi meu lábio de um minuto, remoendo meus pensamentos pra tentar ser um pouco mais agradável. "Você tem um ligeiro sotaque do sul. Não é tão pesado como o do meu companheiro de quarto do Texas. Me parece ter uma influência latina. Deixa-me pensar... Novo México?"

Ela riu. "Quase, Arizona. Muito bem." Ela deu um tapinha no meu joelho. Senti quando ela relaxou na parte de trás do sofá. Acho que eu estava seguindo pelo caminho certo.

"O que você cursa?" Ela perguntou educadamente. Sua voz era clara e eu gostei disso. Eu me chutei mentalmente por ter sido tão rude com ela antes.

"Música. Eu toco piano. Quero ser profissional um dia." — falei dando de ombros, um movimento que surgiu naturalmente. "É o que eu gosto de fazer. E também de qualquer jeito, não há muito mais que possa fazer."

"Não diga isso! Eu tenho certeza que você pode fazer mais coisas do que você pensa! Pode fazer qualquer coisa que você queira, eu acho" — ela disse com uma convicção que quase me fez acreditar nela.

Eu dei ombros novamente, voltando ao assunto original. "E qual é o seu curso?"

"Inglês. Eu quero ser uma escritora." Ela disse e eu pude notar que ela ficou envergonhada pela afirmação.

"Eu gosto de ler.", eu disse sem pensar.

"Sério?"

Eu ri, "Você sabe, eu posso ler. Eu leio muito, na verdade. Braille, livros de áudio e tudo isso. Eu só não gosto muito TV. Eu acho que é um pouco..."

"Barulhenta." — ela terminou a frase por mim. Eu sorri e balancei a cabeça afirmando. Espero que ela tenha visto o gesto.

"Então, quem foi que te arrastou pra essa festinha?" — perguntei sarcasticamente.

Ela riu e esse som aqueceu meu coração. "Bem, eu moro aqui. Mudei-me na semana passada. E a festa é coisa da Alice. E quanto a você?"

"Jasper me arrastou por ordem da Alice. Ele é meu companheiro de quarto. Me mudei na semana passada também."

"Parece que temos muito em comum."

"Eu acho que temos sim", eu sorri um pouco. Não sei porquê, mas, eu corei. Eu sentia o calor se aglomerar nas minhas bochechas.

"Quer uma bebida?" Perguntei pra ela.

Mas que diabos, estou pensando? Eu não podia lhe pegar uma bebida! Eu poderia pedir pra alguém, e seu eu fosse sozinho, provavelmente eu ia derrubar alguém antes mesmo de achar a cozinha.

"Claro! Ei, será que poderíamos ir lá pra varanda? Está ficando muito barulhento aqui pra mim." Ela tocou no meu joelho. "O que você quer beber?"

"Queria uma água, por favor." — eu respondi tentando ao máximo não mexer minha perna. Seu contato elétrico enviava correntes por todo meu corpo.

"Ok, já volto. Não saia daqui." — ela escorreu sua mão pela minha perna até ir embora. Os lugares por onde os dedos dela se arrastaram, começaram a formigar.

Quando não ouvi mais seus passos eu esfreguei o local com a palma da minha mão. Eu respirei fundo. Que porra ta acontecendo comigo?

BPOV

Quando a segunda mão dele tocou na minha eu senti que estava pegando fogo. Eu engoli em seco e corei violentamente. Eu estava assustada e excitada ao mesmo tempo. Por mais que eu quisesse, não conseguia trazer minha mão de volta. Eu quase me senti como se ele estivesse fazendo algo indecente, devido à forma como ele me tocava. Mesmo sendo tão estranho, adorei a experiência.

Seu rosto e sua linguagem corporal estavam muito diferentes comparados com hoje à tarde. Eu estava orgulhosa de mim mesma por não ter fugido quando o vi sentado no sofá. Mas a vontade de pedir sinceramente desculpa pelo que eu havia feito mais cedo, falou mais forte. E fiquei ainda mais surpresa quando ele pediu desculpas primeiro. De maneira alguma eu esperava por isso.

Eu corri para a cozinha. Três tipos de refrigerante estavam à disposição dos convidados. Peguei uma Sprite Zero pra mim e uma garrafa de água para ele, enxugando o resto de água e gelo que havia em torno da garrafa. Eu encontrei tudo isso antes mesmo do que eu esperava. Ótimo, eu precisava de um minuto pra acalmar meus nervos.

"Você está bem?" Alice perguntou pegando meu braço, me surpreendendo.

"Sim. Só estou... Eu não sei. Nervosa, eu acho?" Isso soou mais como uma pergunta, do que uma afirmação.

"Bem, eu te vi sentada ali com Edward. Ele é lindo!" — ela pulou para cima e para baixo, sorrindo loucamente.

"Sim. Ele é exatamente, o cara lindo que eu disse uma besteira mais cedo," — eu resmunguei.

"Ah. Isso só pode ser destino! Bem, ele parecia animado com seu papo até agora. Vai nessa e aproveita gata!" — ela disse dando uma tapa na minha bunda e saindo.

Eu ri, chocada com o que ela fez. Queria saber o quanto de álcool ela já tinha consumido essa noite. Não me importa, amanhã não seria meu dia de lavar o banheiro mesmo.

Fui em direção a Edward com as bebidas na mão. De repente uma dúvida. Será que eu devia avisá-lo que eu já tinha chegado ou entregava a garrafa direto a sua mão? Eu fiquei na frente dele um segundo, pensando nas minhas opções.

"Bella, você precisa de ajuda ou algo assim?" — ele disse rindo um pouco. Eu pulei quando ele falou.

"Como você fez isso?" — perguntei escancarado minha mandíbula.

"Todo mundo tem um certo som quando anda. Além disso, eu reconheci o seu cheiro."

"Caramba, eu tô fedendo? Preciso tomar um banho." — eu murmurei. Coloquei a água na sua mão e ele apoderou-se dela. Começou a abrir lentamente a tampa, rindo um pouco mais.

"Não. Você cheira a morangos, e um pouco de livros. Eu acho você que é linda."

Meu rosto queimou com suas palavras. Era apenas sendo gentil? Ele estava me paquerando?

Chutei-me mentalmente. Provavelmente foi só a minha imaginação voando alto. Eu lenta e cuidadosamente peguei em sua mão. "Vem, vamos para a varanda. Ou você quer que eu te deixe em paz?"

"Não. Aqui está começando a ficar muito quente pra mim.", ele deslizou seus finos óculos de metal pelo nariz perfeito. Enquanto se levantava seu rosto ficou a milímetros do meu. Ele era bem mais alto, essa diferença fez-me sentir como uma criança a olhar para um adulto. Ele era lindo e eu prendi minha respiração na garganta. Ele percebeu isso, para o meu total embaraço. "Você está bem?"

"Estou sim. Você tem razão. Aqui está muito quente ", eu peguei sua mão cuidadosamente pela segunda vez e o levei-o através do pequeno mar de gente.

Eu abri a porta para o quintal e fiquei aliviada por não encontrar mais ninguém por lá. Eu acendi a luz, e então me virei pra Edward. "Cuidado, tem um degrauzinho aqui. Eu vou te levar pra uma cadeira tudo bem?"

Sua mão apertou a minha. Ele era estranhamente gracioso. "Está bem."

Guiei-o pela varanda até a cadeira mais próxima. Quando a cadeira atingiu as costas de seus joelhos ele se sentou. Eu parei, e fiquei admirando ele por um momento. Percebi que eu ainda estava segurando a mão dele.

Puxei de volta a minha mão e me dirigi à cadeira a seu lado. Mas antes mesmo chegar ao local eu levei uma topada e caí diretamente no colo de Edward. A água de sua garrafa salpicou molhando meu rosto e meu corpo e o dele também.

"Me desculpe." — falei tentando me levantar e percebi que ele estava me segurando. Minhas costas na direção ao seu peito.

"Você está bem?" Sua voz tinha um tom de preocupação, suas mãos ainda em torno de minha cintura. Não vou negar que me sentia aconchegada ali. De fato era muito convidativo aqui...

"Eu sou muito desastrada. Eu tenho uma tendência a cair muito." — disse timidamente

"Você deveria ser mais cuidadosa. Eu não quero que você se machuque."- ele disse com um pequeno sorriso. Suas mãos lentamente saíram de minha cintura e eu senti falta disso instantaneamente. Com cuidado comecei a limpar meu rosto com as mãos. Levantei-me e comecei a procurar minha garrafa de soda que estava perdida em algum local da varanda agora.

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Eu fiquei chocado quando ela caiu bem no meu colo. Sua queda foi tão repentina e eu tive a impressão que ela tropeçou sobre seus próprios pés. Gostaria de saber por que é que ela se afastou tão rapidamente, eu não era contra ela estar no meu colo. Eu senti falta de seu peso sobre mim; aquilo era muito bom, só que eu não ia dizer isso em voz alta.

Eu a ouvi gemer e topar em alguma coisa. Houve um pequeno ruído, em seguida, o amassar de um metal. Bella suspirou, colocando algo, provavelmente, sobre alguma mesa próxima.

"Se isso faz você se sentir melhor, eu caio muito também." Eu brinquei.

Ela riu durante uns segundos antes de completar "Sim, mas eu tenho certeza que eu sou bem pior que você."

"Você tem certeza?" Eu ri, relaxando contra o banco.

A porta abriu com um forte rangido.

"Edward eu tenho algumas coisas pra fazer e estou indo nessa. Quer uma carona?" Jasper perguntou da porta.

Eu suspirei e lentamente assenti. Eu puxei minha bengala que estava encostada ao lado da cadeira. "Foi um prazer falar com você, Bella".

"O prazer foi todo meu", disse ela suavemente. Eu não entendi a alteração do seu tom de voz e isso me frustrou.

"Adeus, Bella", Eu disse seu nome outra vez. E gostei do modo que ele parecia tão natural saindo dos meus lábios.

"Adeus. Talvez, pudéssemos nos encontrar lá no campus. Eu gostaria de te ver outra vez-", ela parou de falar como se tivesse dito alguma coisa que não deveria.

"Ver é só um jeito de falar Bella, E, sim, eu gostaria de te ver novamente." Eu ironizei, e eu ouvi uma risadinha. Eu sorri na direção de sua voz antes de ir em direção a porta. Assim que cheguei Jasper agarrou meu braço.

Saímos em silêncio até que ele me ajudou a entrar em sua caminhonete. Inclinei minha cabeça contra o vidro e dei mais um suspiro.

"Você está bem?"

"Estou bem", disse com um suspiro.

"Você vai chamar a Bella pra sair?", o carro ia lentamente, no curto trajeto até o nosso dormitório.

"Eu não sei. Provavelmente não. Por quê? " — eu perguntei confuso. Levantei minha cabeça do encosto do vidro e virei meu rosto na direção de sua voz.

"Bem, você pode não ser capaz de ver o olhar dela cara, mas eu posso. Ela gosta de você." Ele disse rindo um pouco

Admirei-me quando ele falou sobre a minha deficiência tão naturalmente, fazendo piada sobre isso. Foi uma agradável mudança já que ele era tão politicamente correto. E mais espantado ainda fiquei com o que ele disse sobre a Bella.

"Sério?"

"Sim. Você gosta dela?"

Pensei um segundo antes de responder. "É, eu gosto."

"Então, chame ela pra sair." — ele disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

"É mais fácil dizer do que fazer." — respondi rapidamente, afastando a idéia de que alguém como eu pudesse ser um homem completo. Qualquer mulher merecia mais do que isso.

"E, por que você acha isso?" — a caminhonete parou e ouvi as chaves se agitarem com a súbita mudança, mas, Jasper não parecia sair do seu lugar.

"Eu não acho que..."

Ele me cortou, colocando a mão no meu ombro. "Cara, e daí? Ela é uma das garotas mais fantásticas que eu conheço. Ela é realmente inteligente e capaz de sustentar uma conversa. E mais, ela é muito gostosa..."

"Exatamente o que eu preciso." Eu ri da sua declaração, ao pensar sobre a última parte. "Ela é gostosa?"

"Ah sim."

"Alice vai adorar saber disso" — e começamos a rir dessa conversa tão boba. .

"Talvez eu a chame pra sair. Eu não sei." — dei ombros. Eu senti ele encostando se no banco ao meu lado e, em seguida, o carro se agitar com uma gargalhada.

"O que foi?"

"Cara, sabia que para um cego você é um tarado bem exigente?" — ele gargalhou.

"Cala a boca", eu ria com ele. Em seguida, ajustei meus óculos. "Mas o fato dela ser bonita ou não honestamente não faz diferença."

"Sim, mas você não vai negar que ficou mais animado quando eu disse que ela era gostosa", ele abriu a porta e eu segui seu exemplo. Eu desci cuidadosamente da cabine. A mão de Jasper repousava sobre meu ombro, guiando-me de volta para o dormitório.

"Não se preocupe, isso apenas significa que você é um homem como qualquer outro."

"E talvez eu seja."

Notas finais
E aí?? O que estão achando??