Através da Janela
1 Capítulo único
Notas iniciais
Meu nome era minha sina. Tudo girava em torno do que eu fui, ou deveria ser. Ao sobreviver a um ataque do lorde das trevas, me tornei parte daquilo que nunca quis ser, parte do meu pior inimigo. Hermione insistia em dizer que tudo aquilo era um plano já arquitetado onde eu era o ponto chave de tudo. A guerra estava próxima, e nada evitaria isso.
Me pego encarando a face de um herói, porém nada mais era que meu próprio rosto refletindo a dor daquilo que eu nunca pedi para ser. Daria tudo para que meus pais estivessem aqui.
O reflexo da pequena chama que brilha sobre o aparador reflete em meus óculos, trazendo um semblante aterrador a tudo aquilo. Eu poderia fazer parte da legião daquele que me fez sofrer, aquele que me fez viver anos da minha vida como escravo, enquanto Duda se aproveitava de minha fragilidade, do maldito órfão que eu sempre fui. Tudo teria valido a pena? Eu não sei.
Me pego olhando por uma janela. Seria uma paisagem de Londres ou grandes cassinos em Nova York ? Eu não sabia ao certo o que realmente via, entretanto, me via em uma ambiguidade monótona que dilacerava cada parte de mim.
Todos os quais morreram em meu nome simplesmente apostando naquilo que eu nunca fui realmente. Saberiam eles que sou uma grande farça? Incapaz de salvar Dobby, ou qualquer outro que me confie sua vida. Sirius...Por que você se foi? Todos que eu amo são tomados de mim.
—Lumus.
Tudo a minha volta torna a brilhar com um feixe de luz encantador, mas eu sabia que nenhuma magia acenderia aquilo que estava se apagando dentro de mim.
—Nox
O escuro torna a predominar. Ao longe, a chuva começa a cair pesada, trazendo consigo uma lamentação contínua. Tudo parece morto ao olhar pela janela, apaziguado pelo pássaro magro e de aspecto tristonho, que cruza a chuva majestosamente, momentaneamente refletido sobre a luz que exala de algum canto daquela casa. Seus tons preto esverdeados me fazem recordar as aulas. Tantas coisas aconteceram desde a última vez que pisei em Hogwarts que já nem me lembro mais. Ao longe, vagamente observo o pequeno ser entrar no que parecia ser um ninho em forma de lágrima que abrigava um pássaro semelhante. Um agoureiro.
Surpreso, entendo do que se tratava tudo aquilo a minha volta. Afinal, eu não estava em lugar algum, mas em todos os que poderia estar. A casa nunca passou de meu próprio eu, e a escuridão eram minhas escolhas. Aquilo era sobre mim, sobre o que habitava e se escondia em meu âmago a sete chaves, sobre meu verdadeiro eu, o nome o qual eu carregava em minhas costas, onde eu ansiava em dizer em alto e bom som: Meu nome é Harry Potter, e esse é o meu legado.
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