Violetta Castillo

Acordei com uma voz cantando, ao abrir os olhos eu percebi que era minha mãe. Ela sempre cantava em ocasiões especiais, o que às vezes eu não entendia já moramos em Corazón, uma falha no tecido do espaço tempo e também o centro de uma guerra.

Meus pais sempre fizeram de tudo para me proteger, moramos em um tipo de abrigo antibombas onde ficamos isolados do mundo lá fora. Eu nunca saí daqui, e não faço a mínima ideia de como é tudo fora desse lugar. Quando eu era pequena meus pais me contavam histórias de como tudo era antes da guerra, como todos os dons de cada pessoa se uniam pela paz.

— Algo especial? – levantei e fui até minha mãe.

— Todos os fatos são especiais querida.

— Onde está o papai? – perguntei enquanto ela me servia uma tigela de mingau.

— Ele foi lá fora – eu olhei para ela por um minuto e percebi que apesar dela parecer feliz, tinha medo nos seus olhos – Ele ficará bem.

Tomei o meu mingau em silêncio, às vezes penso que eles escondem algo de mim.

O fato de termos dons piora tudo na guerra, perdemos muitos amigos e eu tenho medo de perder as únicas duas pessoas que me sobraram.

Sobre os meus dons: eu posso dizer que tem mais ai do que eu sei. Meus pais costumam dizer que sou especial e que farei grandes coisas um dia. Mas eu não sei se quero isso.

Meu pai entrou pela pequena passagem que tínhamos. Ele parecia estar em um pensamento longe.

— Pai – aproximei-me dele – O que está acontecendo? – eu sentia que tinha algo de errado.

— Não se preocupe minha querida, vai ficar tudo bem – ele falou acariciando meu rosto – Vamos embora daqui.

— Para onde vamos?

— Vamos para a terra.

Terra, o lugar onde o sol ilumina os dias e a lua as noites. Já ouvi muitas histórias desse lugar. Pelo o que meus pais diziam é um lugar lindo e tranquilo, até que me lembre de um fato:

— Espera! – Meus pais me olharam – A terra assim como nós, está em guerra... Vamos fugir de uma guerra para outra?

— Não minha querida. As grandes guerras de lá acabaram há muito tempo... Esse não é o maior problema daquele planeta.

Meu pai tentou me acalmar, mas não deu muito certo. Se as grandes guerras acabaram o que aconteceu com as pequenas? E o que ele quis dizer com: Esse não é o maior problema daquele planeta?

Às vezes me canso de fazer perguntas que sei que não irei conseguir respostas.

— Partiremos em breve

E isso foi tudo que disseram. Guardei alguns pertences meus em uma mochila e ajudei minha mãe com outras malas.

Quando tudo estava pronto meu pai foi na frente conferir se tudo estava bem. E eu aproveitei para pegar um dos livros na sua bolsa. Ele tinha um pouco de ciúmes com os seus livros, mas eu sempre conseguia pegar um escondido, puxei qualquer livro e guardei na minha mochila bem a tempo.

— Vamos – Ele nos chamou.

Eu não vou mentir, eu estou ansiosa para ver o mundo, mesmos que ele fosse só destruição.

Passamos pelo pequeno túnel até que finalmente chegamos. Não sei bem como descrever o lugar. Meus olhos encheram de lágrimas por desespero. Tudo estava escuro. Alguns prédios estavam pegando fogo, dava para ouvir barulhos de explosões ao longe.

— Vamos Violetta – minha mãe pegou na minha mão e começou a me guiar.

Por toda parte tinha destruição, pessoas feridas e até cheguei a passar por corpos jogados no chão, completamente imóveis.

Tentando me desviar de tudo aquilo eu comecei a prestar atenção em meu pulso, onde tem uma pulsei de bronze com as marcas Primus.D., ganhei essa pulseira quando fiz dez anos, até hoje ela me acalma em tempos difíceis.

Paramos em frente ao um prédio, me surpreendi por ele ainda estar intacto. Não esperamos muito do lado de fora, logo entramos.

Ele não estava escuro como lá fora, era um lugar bonito. Chegou até dar um pouco de esperança, acho que posso dizer assim.

Foi então que percebi que tinha mais alguém ali. Um senhor sorria para nós de um canto da sala.

— Você foi esperada por um longo tempo – sua voz saia com dificuldade – Seu destino está começando.

— O que tem o meu destino?

— Violetta, esse é o Antônio. Ele nos ajudará a ir para a terra – minha mãe falou tentando mudar de assunto.

— Isso mesmo criança.

Isso não fazia muito sentido. Se podíamos ir para a terra, então qualquer pessoa que estivesse nessa guerra também gostaria de ir. Preciso ter uma conversa seria com os meus pais.

— Vamos, não podemos perder tempo – o velhinho de cabelo branco aproximou.

Meus pais deram alguns passos a frente. Eu já não estava entendendo nada, na verdade nunca entendo. Só sei que luzes azuis saíram dos meus pais em direção ao Antônio, mas no meio do caminho se dissolveram no ar.

— Tenham uma boa viagem – Ele disse.

Meus pais voltaram para o meu lado, olhei nos olhos do Antônio e então tudo ficou escuro. Me senti um pouco enjoada até que vi uma luz. Ela era linda, e eu não sei por qual razão, mas parecia que eu podia fazer tudo, ela era a lua. Levantei percebendo que estávamos em um beco, meus pais estavam ao meu lado. Voltei minha atenção para eles, eu tinha tantas perguntas, mas resolvi fazer a que eu achava ser a certa.

— Onde estamos?

— Bem vinda a terra.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.