Atrás do Santuário...
4 Ressaca. Quem nunca se aproveitou de um bêbado?
Notas iniciais
Ai está mais um capítulo dessa saga da cachaça. Espero que gostem. E me perdoem mas qualquer semelhança com a vida de algum de vocês, terá sido mera coincidência tá bom...rsrsrs (menos com a minha hehehe) um beijo a todos...
Doze horas depois..........(zzzz)
Uma batida de carroça, não uma trombada de éguas da ilha de *Temícera, talvez tiroteio no escuro. Uma impressão de perca temporária de memória, seguida por aquela sensação horrorosa em que sua boca fica com gosto de escapamento de Fiat Uno mil novecentos e guaraná com rolha 1.0 a álcool e sua cabeça fica parecendo o Grand Canyon, além de vazia ainda ouvindo sua própria voz falando com você beemm longe.
Sim meus amigos, isso se chama RESSACA2,( ou ao 3 ) bem vindo ao inferno do mal estar psicológico. Além de sua cabeça querer te matar, seu estômago ainda reclama querendo chamar o Juca e você ainda tem que jogar pra fora todos aqueles ovos de codorna e a picanha ao alho suculenta que foi servida horas antes.
Um sussurro estranho muito distante podia ser ouvido em ecos. Grunhidos arrastados seguidos de um peso sobre o seu tórax. Sim, eram roncos. Seus olhos pareciam cheios de areia e na boca o sabor do álcool ainda era uma visita tão indesejada, quanto sogra no fim de semana.
Camus tentava abrir os olhos, mas suas pálpebras pareciam pesar uma tonelada e ainda tinha aquela luz forte da tarde que entrava pelas amplas janelas. O peso sobre seu peito o atrapalhava até mesmo respirar. Depois de alguns minutos tentando colocar sua mente em ordem, e claro sem muito sucesso, lentamente ele foi se lembrando de flashs da festa e das cervejas.
Levou uma mão na testa e logo descendo para os olhos apertando-os tentando recompor-se. Só então percebeu que não estava só e que o peso em seu peito tinha cabelos loiros e estava dormindo confortavelmente. Merd! Foi seu primeiro pensamento.
Olhou em volta e percebeu que ainda estavam vestidos, apenas sua camisa estava aberta e seu peito molhado. Respirou aliviado. Sim, era Milo. Aninhado confortavelmente, tão confortável que uma pequenina mancha de baba molhou um pouco seu peitoral. Aquilo era extremamente nojento, ele afastou o amigo o deitando de lado, este apenas resmungou e continuou a dormir e roncar. Camus sentou-se na cama apoiando suas costas na cabeceira enquanto ainda sentia os efeitos do álcool em seu corpo trêmulo.
- Oh merd! Não acredito que fiz isso.
Estava envergonhado de sua postura, mas com certeza quando se lembrasse de tudo o que fez algumas horas antes tentaria se matar. Tentou se levantar para ir ao banheiro, mas uma tontura mais forte tomou conta de seu corpo e ele se deixou cair na cama novamente.
Olhou para um lado e pôde ver que alguém havia deixado água, frutas e alguns chocolates no quarto, para quando acordassem repusessem a glicose e se hidratassem.
Reuniu mais forças e esticou um braço pegando um copinho de água mineral. Sua boca estava tão seca que podia se plantar algumas batatas lá. Tomou um, dois, três copinhos e apoiou-se na cabeceira, e embalado pelas tonturas acabou se rendendo e adormeceu novamente.
Uma hora depois...
Mais uma hora se passou, e de sobressalto como se tivessem soltado uma bomba embaixo da cama, Milo enfim acordou espantado e tentava reconhecer o local onde estava. Olhou para os lados e aos poucos foi se lembrando da festa e do porre e enfim notou que tinha companhia. Olhou para o lado e viu uma bela e adormecida figura ruiva. Sorriu surpreso. Jamais imaginou Camus bêbado em sua cama nem nos mais remotos sonhos.
Como ele já era mais acostumado aos porres, treze horas de sono foram o suficiente para deixá-lo novinho em folha. Levantou-se foi ao banheiro, escovou os dentes tirando a inhaca de pinga da boca e tomou uma bela ducha, voltando em seguida com uma toalha vermelha amarrada na cintura deitando-se ao lado de Camus. Não quis acordá-lo ele parecia exausto.
Milo então pôs-se a velar seu sono. Sua face estava corada e pequenas gotinhas de suor se formavam na testa onde alguns fios de cabelos vermelhos caiam desalinhados.
Os braços largados ao lado do corpo escultural mostravam o quão esgotado ele estava. O peito onde a camisa de linho branco, agora não tão branco claro, devido a respingos de bebida, estava aberta e dava permissão para uma visão distinta de um peito esculpido que arfava levemente seguindo o ritmo da respiração.
Milo sorriu da condição indefesa do amigo, sempre tão controlado. Todavia o admirou, pela bravura, competência e boa postura. E também por ser um ótimo exemplar de amigo. Viajou em pensamentos e lembranças, desde que o conhecera a oito anos, das inúmeras confusões em que se meteram na maioria das vezes por culpa sua, das confidências das primeiras experiências, do quanto Camus era competente e da forma como ele sempre acabava fazendo tudo que Milo queria. Lembrou-se de tudo com carinho. Um carinho muito grande que até mesmo o confundia.
Continuou deitado de lado o observando dormir e pela primeira vez sentiu-se culpado por ter feito com que Camus perdesse a compostura e se entregasse a um porre homérico. Mas se sentia também deslumbrado por estar com ele tão próximo.
Ainda velando o sono profundo de Camus, Milo observou a cabeça apoiada na cabeceira e tombada para o lado. Seus lábios pareciam muito convidativos. Estavam entreabertos e detinham um vermelho tão intenso como o de cerejas silvestres. “Muito convidativos, como seria o sabor desses lábios? Como seria beijá-los?” Pensou Milo enquanto se erguia devagar até alcançar a altura de Camus e se apoiar também na cabeceira da cama. Continuou com o olhar fixo naqueles lábios tão cativantes por alguns instantes.
Foi então que não resistiu, virou-se e ajoelhou na cama aproximando-se devagar. Afastou com cuidado uma mecha de cabelos sedosos, para que pudesse observar melhor aquela face tão conhecida e olhando constantemente em seus olhos temendo que ele acordasse. Aproximou-se um pouquinho mais sentindo seu coração quase sair do peito e tocou timidamente os deliciosos lábios de Camus com os seus.
Apenas um roçar. Mas percebendo que ele não se movia, aproximou-se mais e colou totalmente seus lábios nos dele sugando vagarosamente. O sabor do álcool ainda era evidente, mas lhe pareciam tão doces tão agradáveis.
Não resistiu e intensificou um pouco mais. Sendo mais ousado, inseriu a ponta da língua entre aqueles lábios tão delicados e sentiu que Camus deixou escapar um pequeno gemido, talvez sentindo falta de ar. Milo se afastou rapidamente e como viu que ele ainda dormia, continuou com o carinho.
A sensação era deliciosa. Ter Camus ali, entregue como estava o fez perder a noção. Deslizou dos lábios para o rosto e seguiu pelo pescoço. O cheiro do suor do ruivinho tinha o efeito de um afrodisíaco, e foi então que Milo descobriu-se excitado com toda aquela atmosfera sensual.
Continuou resvalando os lábios, apenas tocando a pele branca e enfim percebeu-se muito próximo ao peito exposto e abriu um pouco mais a camisa onde alcançou os mamilos pequenos e rosados notando a pele eriçada. Não perdeu mais tempo observando, direcionou a boca para um deles e o explorou, acariciando-o com a língua. Camus não se movia.
Milo sentiu-se um aliciador de inocentes e inconscientes, mas estava tão gostoso. Notou que em seu membro surgia uma tímida ereção sob a toalha e pela primeira vez pôde sentir seu rosto abrasar, estava tremendo e muito excitado, e o pior, ou melhor, por Camus, seu melhor amigo.
Um momento de dúvida sombreou uma parte da mente de Milo. Por que estava agindo daquela maneira, e por que não queria parar?
Esperava que ele acordasse ao mesmo tempo em que temia chocá-lo com o que ele estava fazendo. Mas ele sabia que Camus no fundo também o desejava, lembrou-se da face do amigo quando o flagrara se masturbando no fatídico dia na praia e de como ele ficou envergonhado.
Não quis pensar mais, apenas sentir. Com uma mão apoiada ao lado do corpo do ruivo a outra se encontrava livre, foi então que não resistiu e tocou o peito desnudo sentindo toda a maciez daquela pele pálida. Aquela textura aveludada era perfeita para seus dedos.
Tentando controlar-se para não fazer movimentos muito severos, deixou que seus dedos seguissem na exploração do corpo inerte direcionando-os para uma parte de seu amigo que jamais lhe foi permitido ver, nem mesmo quando crianças. Estava sendo perverso, mas estava tão bom...
Forçou o zíper da peça para baixo e quando já estava terminando de abri-lo, se deteve. Um segundo de raciocínio sobrepujou o desejo. Se Camus o flagrasse fazendo aquilo, poderia se aborrecer e até espancá-lo ali mesmo, e depois se tivesse que acontecer que fosse com o consentimento do ruivinho.
Agarrando-se á pouca sanidade mental levantou o zíper e afastou-se um pouco, mas a tentação lhe permitiu que acariciasse suavemente o membro adormecido do amigo por cima do tecido da calça sentindo-o em seus dedos, Camus gemeu fraco mais uma vez, talvez seu subconsciente estivesse enviando mensagens de que estava sendo bolinado.
Milo suspirou profundamente ao ouvir o gemido, era um momento muito erótico, ele estava excitado e sua ereção pulsava dolorida. Ainda apoiado ao lado do corpo adormecido ensaiou mais um beijo, mas no momento em que se aproximava novamente dos lábios vermelhos, Camus despertava.
Num salto desastrado e meio constrangido sentou-se na cama todo desconcertado tentando esconder a enorme ereção que tentava furar a toalha. Camus ao ver aquilo se levantou da cama num pulo sentindo ainda uma tontura infernal.
- Milo? O que está fazendo?
- Eu...ah...é...
- Fala logo, seu aracnídeo safado, o que estava fazendo comigo?
- Err.. eu... nada oras! O que poderia eu estar fazendo com você ruivo?
- Bem, dadas as circunstancias em que você estava sobre mim, eu diria que estava me bolinando.
- Bem eu... É que tinha um bicho em você, e eu estava tirando ele oras.
- Ah sim, um bicho. Que bicho era esse? Só se for você o bicho. Vamos me diga que merda você estava fazendo escorpião safado!
- Ah Camus, vai à merda, eu não estava fazendo nada porra! Era um bicho mesmo, você dormiu tanto tempo que eles devem ter pensado que você estava morto e esse seu mau cheiro deve ter atraído algum inseto, sei lá...
- Ah sei, e você ia matar o inseto com esse “pau” aí debaixo da toalha?
Milo quase teve um ataque, pela primeira vez na vida sentiu uma pontinha bem pequenininha de vergonha por ter sido pego com a boca na bujita, literalmente.
- Ah se liga, cara eu sou homem é normal, acordei agora a pouco, cê sabe que isso é normal acontecer ao acordarmos, olha só!. – Disse arrancando a toalha e expondo aquele mastro perfeito e grande balançando-o na direção de Camus que quase surtou. Como sempre os embaraços de Milo só duravam alguns segundos e ele já escapava pela tangente usando a malandragem nata que ele possuía para sair do cerco.
- Ah Milo, você é um pervertido! Ninguém merece isso. – Camus estava mais vermelho que um morango, mas sorriu da palhaçada do amigo.
- Quer saber, no fundo vai dizer que você não queria mesmo que eu tivesse tentando te beijar, fala a verdade. – Milo era mestre em desarmar as pessoas, em especial Camus. Quando percebeu o embaraço do amigo ao vê-lo arrancar a toalha e mostrar-lhe o “instrumento”, começou com a sessão de piadinhas sem graça.
- Ah Milo, quer saber, fui! Afinal eu tenho casa agora, e nem sei o que ainda estou fazendo nesse quarto com um projeto de escorpião sem noção. Fala sério. Adieu!. – Camus saiu batendo a porta atrás de si, totalmente sem fôlego e ainda pôde ouvir Milo gargalhar lá dentro.
Seguiu escada abaixo ainda meio zonzo. Sua cabeça agora começava a dar os primeiros sinais que precisava de um analgésico ou um café bem forte.
No salão principal, duas servas do Templo de Escorpião limpavam o local e ao avistarem o Santo de Aquário fizeram reverências, e o cumprimentaram com respeito. Camus retribuiu o cumprimento com um sorriso tímido e seguiu rumo á sua morada. As servas não puderam deixar de comentar sobre o físico escultural do ruivo.
- Nossa Athina, o Senhor Camus tem uma bundinha gostosa e tão redondinha que dá até vontade de morder né não?
- Aii Petaloúda Ble, você às vezes é tão tarada, acho que você deveria ter sido escalada para servir no Templo do deus Baco, só pode.
Notas finais
* Segundo a Mitologia Grega, Temícera era uma ilha habitada somente por belíssimas mulheres que se transformavam em éguas e devoravam (no sentido literal mesmo) os homens que davam o ar de sua graça por lá.
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