Atrás do Santuário...
9 Milo, este material é perigoso a saúde...mental.
Notas iniciais
Na manhã seguinte, o sol ainda nem tinha despontado no leste direito e Camus já estava arrumadinho, e para aquela ocasião em que sairia do santuário acompanhado Milo, até arriscou usar uma colônia francesa que ganhou em seu último aniversário. Olhou-se no espelho e gostou do que viu.
Desceu ao salão de seu templo onde o farto café estava servido, apenas tomou uma xícara de café forte e sem açúcar e seguiu para o templo de Escorpião.
Chegando lá, chamou por Milo, que para sua surpresa também estava pronto.
- Bom dia Camus! – Milo ostentava o mais perfeito e alvo sorriso, fazendo Camus tremer nas bases.
- Bom dia Milo. – Camus engoliu seco por ver o mais belo exemplar de macho que estava descendo as escadarias. – Err... Acho que vai chover hoje?
- Quê?! – Milo estava com uma interrogação. – Camus, cê bebeu pinga misturada no seu leite do café da manhã? O céu ta limpinho! – Disse enquanto aproximava da janela e observando o tempo.
Camus bateu a mão na testa e virou os olhos.
- Ai, como você é burro! Eu disse que ia chover por você estar pronto a essa hora da manhã. – Riu de si mesmo, e se perguntou mentalmente, desde quando começou a fazer piadinhas sem graça como aquelas? É realmente coisas estranhas estavam acontecendo com ele. Ou será que era só a convivência com espécies do tipo de Milo mesmo?
- Hem....hem! Morri de rir de você agora Camus, tô te estranhando, cê tá muito animadinho, quê que aconteceu lá no seu templo, apareceu passarinho verde lá? – Milo adorava dar tiradas em Camus que agora já tinha fechado a cara de novo.
- Idiota... Bem vamos logo que não sou desocupado como você, preciso resolver uns assuntos ainda hoje. Ahhii se não fosse pelo Shaka eu não ia lá naquela vila de novo. Vamos logo!
- Tá bom, vamos. – Milo abriu o sorriso de novo e puxou Camus pelo braço em direção a saída.
Seguiram para vila e Camus já havia retornado um pouquinho do meio bom humor. Conversaram sobre amenidades, com Milo vez ou outra jogando alguma indireta, que era logo cortada por um corado Camus. E assim se foram estrada a fora.
Após caminharem alguns minutos chegaram a Rodorio. Ao entrarem os portões todos os moradores que passavam pela rua reverenciavam os dois cavaleiros. Milo esbanjava sorrisos e acenos enquanto Camus apenas lançava olhares sérios e pequenos cumprimentos com a cabeça.
Nas ruas estreitas e abarrotadas de lojas e pessoas, todos paravam para admirar as belíssimas figuras passarem. Camus avistou uma loja diferente da que tinha entrado com Afrodite no dia anterior e puxou Milo discretamente para que ele o seguisse.
Ao entrarem na loja, as duas atendentes abriram um enorme sorriso cheio de cobiça e abaixaram ainda mais os decotes dos vestidos. Uma cutucou a outra e entre dentes comentou:
- Hamylla, eu morri e fui pro céu.... Que gostosos nusss... — dizia quase inaudível para a colega que já se deslocava em direção aos dois.
- Calada, Ághata....- Vamos fazer a festa.
- Bom dia senhores, em que podemos ser útil – Destacou bem a palavra “útil”, olhando para os dois.
Camus ignorou fingindo não entender o que a mulher realmente queria vender e prosseguiu. Milo olhou bem fundo o decote da assanhada e sorriu, ao observar que Camus estava todo sério e começando a ficar vermelho com o assédio das vendedoras, mas fez vista grossa e cumprimentou-as tentando comprar logo o presente e rachar fora dalí rapidinho.
E para que isso se desse resolveu tomar a frente e fazer a compra para Milo, se não eles ficariam ali até o aniversário do ano que vem de Shaka.
- Bom dia senhoritas, gostaríamos de ver suas jóias, por favor. – Camus foi direto e categórico, tentando cortar a mulher assanhadinha
- Claro senhores temos muitas jóias aqui. Por gentileza siga-me até aquele balcão. – Uma delas seguiu na frente dos dois mexendo bem os quadris de forma provocativa. A outra atendentes veio atrás analisando os traseiros bem desenvolvidos dos dois clientes.
Milo analisava cada movimento das duas mulheres e também seus comportamentos. Mas se conteve.
- Senhor, gostaria de uma jóia em especial? – A vendedora analisava Camus com olhos predatórios, e esse detalhe não passou despercebido por Milo que se sentiu incomodado com a astúcia da moça.
- Quero ver aquele bracelete com a safira. – Camus dizia e não olhava no olhos da vendedora.
- O senhor diz esse aqui? – Nesse momento a moça abaixou-se bem para pegar a jóia, e olha que nem precisava abaixar tanto, colocando seus peitos quase em cima da vitrine e olhando fixamente no rosto do ruivo. Camus quis morrer, engoliu seco e apenas meneou a cabeça em sinal de aprovação.
Milo, que até o momento estava calado, e isso era coisa rara, apenas observando Camus, ao ver aquela situação toda com seu ruivo resolveu agir. Assim que a mulher pôs a belíssima jóia sobre a vitrine ele se aproximou muito de Camus e quase encostou o rosto ao dele.
O ruivinho apenas olhou com o canto dos olhos, sentia algo dentro de si, que dizia, “corre que o grego vai aprontar”, mas permaneceu olhando a peça.
- É mesmo muito bela essa peça.
- Sim senhor, quase tão bela quanto o senhor! – Camus corou e Milo quase voou no pescoço da sirigaita mor. E então se manifestou.
- É Camus, é mesmo uma jóia muito bela, podemos levá-la.
Camus pedia a Zeus para que Milo não aprontasse nenhuma e já sentia seu estômago gelar sentindo essa possibilidade.
Foi então que veio a carga.
- Camus, antes de comprar a peça, venha aqui que eu quero mostrar algo. – Camus olhou para a moça e se afastou seguindo Milo até outra vitrine de modo que ficassem de costas para as mulheres.
- O que quer mostrar Milo, você gostou da peça, vamos levá-la logo e sair daqui, disse baixo para que as mulheres não ouvissem.
- Ahh vem aqui só um pouquinho.
Camus seguiu o grego até o outro lado da loja novamente deixando as vendedoras babando enquanto os despiam com os olhos. De frente para uma vitrine de estátuas Milo começou a gesticular e falar alto com Camus.
No momento em que o ruivinho já estava mais calmo, Milo levou uma mão à sua cintura o trazendo para junto de seu corpo. As mulheres se entreolharam duvidosas, mas até aí, era aceitável. Foi então que o bizarro aconteceu.
Milo, sem nenhum pudor abaixou a mão e deu um apertão na bunda redondinha de Camus que deu um pulinho pra frente. De tão assustado que estava nem se mexeu. As duas vendedoras se olharam chocadas e já foram logo tratando de subir os decotes em sinal de total decepção.
Camus completamente vermelho virou-se e voltou ao balcão onde fechou a compra. As assanhadas agora se portavam como vendedoras sérias fecharam a venda e fizeram um bonito pacote. Milo ostentava no rosto um sorriso sapeca enquanto apoiava-se no ombro de Camus olhando para as mulheres, agora sérias.
Saíram da loja, e Camus completamente embaraçado com a situação. Dentro da loja, as duas moçoilas lamentavam.
- Minha amiga, dois pedaços de mau caminho daqueles gostando da mesma fruta que nós.
- É e eu que pensei que hoje íamos fazer a festa.
- Nós somos duas azaradas né não?
- Pois é se der uma chuva de pica cai uma racha na nossa cabeça.
Lamentaram, mas lá fora um grego sem vergonha estava vitorioso, primeiro por não ter sido transformado em picolé de escorpião no palitinho e segundo por ter sentido a textura durinha da bundinha de Camus. Delícia.
Mas agora teria um longo trabalho pela frente, fazer Camus melhorar a cara de quem matou a mãe por causa da mistura do almoço.
- Milo, seu filho de uma puta biscateira, como é que você me faz uma coisa daquela, e toma essa merda de presente que isso é seu. Oh merd! Eu sabia, sabia que ia dar nisso sair com você. – Camus estava furioso e Milo sorria da cara de péssimos amigos dele.
- Calma aí ruivinho, só livrei você de ser atacado por aquela tarada lá. Ela tava quase te dando em cima da vitrine, puta que pariu, será que só eu tenho bom senso aqui? – Milo era mesmo muito cara lisa.
- Caralho quando eu precisar de sua ajuda, eu peço para a cascavel que estiver mais próxima Milo. Você é um tremendo idiota. O que eu disse sobre não me envergonhar na frente das pessoas da vila? Nem o Afrodite me envergonhou.
- Calma colega, foi só uma apertadinha na bundinha oras? Que mal há?
- A bunda é minha e não gosto que toquem nela ta sabendo?
- Nossa tanto estardalhaço por causa de uma pegada na bundinha, se eu pegasse no seu pau então você tinha morrido. E olha que essa foi a primeira idéia que me passou pela cabeça. – Disse enquanto massageava as têmporas com um sorriso sapeca.
Camus, furioso andava na frente e Milo, correndo para alcançá-lo se justificando da “pegada”, tentando fazê-lo entender. Mas ele estava irredutível. Milo então perdeu a paciência de tentar se justificar pulou na frente dele e o segurou pelos ombros. Reconhecendo que fez uma brincadeirinha de gosto mais que duvidoso.
- Camus, pare! – Olhou bem fundo nos olhos dele o fazendo parar e encará-lo. – Me desculpe, eu sei que fui um idiota.
Camus apenas olhava para ele com a testa franzida e muito vermelho. Mil coisas passavam em sua bela cabecinha ruiva. Como pode Afrodite dizer que Milo também está apaixonado se ele faz todas aquelas idiotices e o envergonha na frente de todo mundo. Não, definitivamente Milo não está apaixonado, apenas quer brincar, pensa totalmente inconformado.
- Camus, eu confesso que fui um idiota, mas aquelas piranhas lá estavam quase te comendo, eu tinha que te salvar.
Um silêncio se estabeleceu entre eles. Permaneceram se encarando por segundos que pareciam não ter fim. Milo então munido de toda coragem, apertou um pouco mais as mãos em torno dos ombros do ruivinho puxando-o um pouco mais para perto. Camus sentiu um arrepio correr-lhe a espinha com o toque firme, mas não se opôs.
A distancia entre eles era mínima e Camus fechou os olhos esquecendo-se do episódio passado e da raiva que sentiu do greguinho. Uma nuvem colorida cerrou sua mente e ele já não pensava em mais nada, e só sentia um delicioso frio no estômago.
Ele pôde sentir mais e mais forte o perfume de Milo. Suas mãos começaram a suar e sentiu o hálito mentolado do homem a sua frente vencer os centímetros que separavam seus lábios e...
- AHHHHH!!! Vaiii....issso, assim não pára, vem seu safado me toma ...Ahaan!!
Nesse momento pôde-se ouvir um barulho semelhante àquele que os discos fazem se distorcendo e Milo parou o que estava prestes a fazer com Camus para prestar atenção nos gemidos que vinham da mata. Camus acordou do transe piscando várias vezes para voltar a si, e ainda não acreditando no que quase aconteceu.
- O que foi?- Camus perguntou preocupado.
- Shhh...tem alguém trepando ali! – Milo já saia na ponta dos pés em direção á mata da beira da estrada.
Camus bateu a mão na testa e bufou exausto e decepcionado. Como pode ele, o sempre tão certinho, estar apaixonado por um maníaco abelhudo. Cruzou os braços impaciente e esperou no meio da estrada, resolveu que não acompanharia Milo naquela empreitada vergonhosa.
Milo então se escondeu por trás de uma árvore e pôde ver com clareza o que se passava. Um casal de namorados estava se divertindo ali no meio do mato na esperança de que lá estariam em privacidade. Milo tapava a boca para não rir.
A moça cavalgava o namorado e balbuciava todo tipo de obscenidade possível. Foi então que o espírito do Curupira ( N/A Curupira na Grécia? É peguei pesado) apossou-se de Milo.
Podiam ser vistos dois chifrinhos em sua cabecinha oca e loira, quando ele avistou uma caixa de marimbondos, daqueles bem grandes e pretos, e teve a idéia brilhante de jogar nela uma pedra para que eles acabassem com a festa do casal.
Só de curtição mesmo. Não deu outra, mirou o vespeiro e saiu correndo. Camus que estava parado no meio da estrada ao ver que Milo saía em disparada assustou-se e correu também olhando de vez em quando para trás.
Milo corria aqui e caía ali, ouvindo os gritos desesperados do casal que teve sua festa interrompida.
Alguns metros do local, Milo enfim parou e se agachou rachando de rir da travessura que havia feito. Camus estava sem entender nada até que ele revelou.
O ruivo então bateu a mão no rosto. Definitivamente, como é que pode alguém interromper um quase beijo para atirar pedras em caixas de marimbondos. Ah não definitivamente, aquilo tinha sido a gota d`água.
- Milo, pelamor de Zeus, será que você nunca vai crescer?
- AHH Camus você precisava ver a cara deles....(risadas histéricas).
- Não! Eu não precisava ver e quer saber, to cheio de você. Fica aí e se mije de rir depois vá sozinho para o santuário, eu que não vou ficar aqui, essa sua doença pode ser contagiosa. – Virou as costas decidido a perder a esperança de engatar algo com o loiro capetinha.
Milo recuperando-se da crise de riso correu atrás de Camus e segurou-o pelo braço.
- Qualé Camus, relaxa você tem que entrar na onda, a vida é tão curta, sobretudo para nós cavaleiros, vamos aproveitar o máximo oras.
- Acontece Milo, que eu não tenho o menor interesse em aproveitar a vida do jeito que você gosta isso é coisa para dementes, e que eu saiba meu cérebro ainda funciona em período integral.
Milo ficou sério e novamente pediu desculpas para Camus que estava corado, mas de raiva.
- Er... Camus, agente... err...lá atrás...antes dos marimbondos...
- Que bom que não aconteceu Milo, os germes da loucura que você carrega, podem estar presentes na sua saliva.
Milo ainda permaneceu sério.
- Me dá um beijo Camus?
- O quê?
- B-E-I-J-O.- soletrou fazendo Camus urrar de raiva. E soltou a bomba nele.
- Como é que você pode querer beijo Milo, você é broxante! Onde já se viu parar um beijo pra espionar trepada alheia e ainda por cima acabar com a festinha deles, você é doente e t...... – Não pôde dizer nada, pois teve seus lábios selados pelos quentes lábios de Milo.
A sensação foi deliciosa. O segundo beijo agente nunca esquece. Milo tinha uma boca deliciosa, e aqueles lábios eram tão tentadores, e Camus se perdeu em meio às sensações.
Uma mistura de calor e frio tomou conta do corpo do ruivinho que há essa altura já não se lembrava das travessuras do loiro safado. Se entregou á delícia daquele beijo, quando Milo forçou a língua para o interior quente e macio daquela boquinha pequena.
Camus involuntariamente ergueu as mãos e enlaçou a cintura delgada sendo assim puxado para colarem os corpos. Como era boa a sensação de ser beijado de verdade. Não era como ter sido beijado apenas, mas beijar também.
Mesmo que da forma mais desajeitada possível, batendo os dentes e tudo mais. Mas era mágico. Não conseguiu se segurar sentiu seu coração bater acelerado, tão acelerado que Milo percebeu a sua agitação o prendendo mais ao seu corpo, e intensificando mais o beijo primoroso.
Milo sentiu todo o corpo do francesinho estremecer e sorriu. Ele abriu os olhos por um instante e pôde observar, ainda sem interromper o beijo, como Camus era belo assim tão entregue.
Fechou os olhos novamente e sentiu como se uma *sequóia gigante, tivesse caído em sua cabeça, seguida por um som abafado que numa fração de segundos vieram seguidas de um cheiro forte de naftalina, e daquelas bem fortes que Nóedeve ter usado na arca para espantar os carrapatos e as aranhas do local.
- Au! Porra! – Abriu os olhos e soltou Camus, procurando o idiota que o tinha acertado
Foi então que pôde observar uma criatura extremamente antiga que vestia uma espécie de túnica preta e desgastada com um guarda-chuvas preto na mão. A criatura deveria ter saído das profundezas do inferno só pode.
O próprio espírito de porco e toda a parafernalha do cão, soltando pela boca sem dentes toda sorte de impropérios que com certeza deveria ter aprendido com a Derci Gonçalves. Era um dos anciões da Vila de Rodorio.
- Seus moleques sem vergonha, pó pará com essa pouca vergonha na minha estrada. Se lá no santuário vocês têm essas libertinagens aqui, não, vocês estão numa estrada de família. – A criatura parece ter engolido uma vitrola antiga que estava ligada na própria energia do inferno, pois não calava nunca.
Milo então soltou Camus e começou a bater boca com o velho.
- Ahh vai tomá no c**, essa estrada aqui é pública e quem banca essa merda é o santuário seu velho carcomido de uma figa, vai engraxar as botas do capeta. Você tá fazendo hora extra aqui na terra!
Camus tentou fazer com que Milo parasse de ofender o velho e o velho a Milo, mas eles pareciam parentes próximos dado o vocabulário de ambos ser da mesma espécie. Camus então vencido pelo cansaço da tentativa ser em vão ergueu os braços em sinal de rendição.
Tudo o que ele não queria era estar apaixonado por uma pessoa como Milo, que era uma mistura de tudo que há de podre na terra, espião, abelhudo, tarado, pinguço etc. e agora atacava velhos na estrada com palavras de baixo calão. Era o cúmulo. Embora o beijo tivesse sido fantástico, ele estava agora dividido.
Seu coração queria Milo, mas seu cérebro pedia para que ele se afastasse, pois o grego era uma combinação terrível entre bomba atômica e desastre natural. Saiu do local deixando as duas criaturas sem educação brigando e seguiu de volta ao santuário. Estava cansado, faminto e confuso.
O beijo de Milo, mais uma vez mexeu com seus hormônios, mas aquelas duas tentativas bizarras frustradas realmente o deixaram dividido.
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