Atrás do Santuário...

8 Ceder é fácil, difícil é segurar o rojão...


Notas iniciais
Olá caros leitores.

Novamente aqui estou postando mais uma capitulo. E sim, esse também tem palavras chulas e bordoões que não são meus, por isso reservo os créditos ao meu digníssimo Chicó de O Auto da Compadecida, e alguns ditos populares extras também. Pronto, já me justifiquei. Se alguém quiser me processar, eu não moro mais no Brasil e não volto aki nem com bomba ...kkkk

Espero que gostem, boa leitura.

Uma sala ampla e totalmente sem móveis, apenas janelas grandes com cortinas brancas e transparentes balançando ao vento. Um delicioso calor acolhia os corpos estendidos sob o tapete persa perfeito. Gemidos e ofegos, e mais calor. Mãos fortes apertando a pele firme e alva marcando-a e tornando-a arrepiada. Sussurros fracos denunciando o desejo que consumia a chama ardente da paixão...

- Não.......pare......

Porém ao longe um incômodo foi sentido como se estivessem sendo observados por olhos mal-intencionados.

- Camus? – Sem respostas. – Camus? – Nada de acordar. – CAAAAAAAAAMUSSS!!!!!!!!!!!!! –(gritinho histérico)

- Ai caralho, quê? Onde? Quando? – Porra Afrodite, que merda você está fazendo aqui no meu quarto. – Camus acordou atônito puxando o edredom para cima tentando esconder um “detalhe” que há muito havia sido visto por Afrodite.

- Bom dia pra você também... — (Risinhos sarcásticos)

- Não tô vendo nada de bom!

- Aii Camusinho que estresse logo de manhã. Devia me agradecer pensei até que você estava passando mal, estava gemendo, só quis te acordar e libertá-lo do sofrimento. – Afrodite ria da condição encabulada do amigo, e sabia perfeitamente o que se passava para que ele estivesse gemendo.

- Ahh...é bem, é eu estava...é tendo um sonho mesmo, o santuário estava sendo invadido. – Tentava justificar os gemidos, mais só se complicava mais com isso.

- Bem, sonhando você até podia estar, mas com outra coisa sendo invadida e não o santuário. – Afrodite levantou-se da cama do amigo e caminhou até a janela, abrindo-a para que entrasse a brisa matutina. – E nem precisa disfarçar Camus que eu sei perfeitamente com o quê, você estava sonhando.

- Ah, Afrodite, você não sabe de nada, e eu não tenho que te dar explicações. – Começava a se irritar por ter se denunciado, levantou-se da cama segurando o edredom enquanto seguia para o banheiro. – Afinal, que cargas d`água o trouxeram aqui no meu quarto tão cedo?

- Ora, mas você já se esqueceu? Ficamos de ir juntos até Rodorio comprar o presente de aniversário do Shaka. Puxa vida Camus, você nunca se esquece de um compromisso.

- Ah me desculpe Afrodite, é que ultimamente têm acontecido umas coisas estranhas que andam me perturbando muito, pois você não acredita que ontem mesmo fui atacado aqui no meu quarto?

- O QUÊ???? Como assim atacado?

- É uma maluca, serva de Milo, veio aqui e me atacou enquanto eu lia na sacada, vê se pode.

- Aiii meus sais, e aí, o que ela fez?

- Ah nada de mais, apenas me derrubou no chão e começou a me beijar. Tinha que ser serva do Milo mesmo. Psicopata louca de pedra coitada.

- Bom, ainda bem né, você me assustou, pensei que fosse algum vilão maluco que queria arrancar sua cabeça.

- É, mas estou bem. O Milo apareceu e pôs a doida pra fora do meu quarto.

- O MILO? Mas como ele sabia que você estava em apuros.

- Não sei, só sei que foi assim! – Encerrou tentando evitar dar mais informações sobre o sonho picante que tivera com o loirão.

Afrodite e Camus conversaram enquanto o ruivo se aprontava para irem até a vila, comprar o tal presente. O episódio do sonho de Camus estava agora apenas na imaginação do ruivinho, evitou distribuir mais informações para Afrodite. Ele podia ser um ótimo amigo, mas a língua dele não cabia dentro da boca e nesse momento tudo o que ele não precisava era de mais um fofoqueiro na lista.

Desceram as escadarias enfim passando por todos os templos abaixo em silencio embora naquele horário alguns dos moradores deles já estivessem fora, cuidando da vida de alheia como sempre. Milo também não estava em seu templo. Camus fingiu não se inquietar por isso, seguiram em frente e saíram do santuário.

Na vila, entraram em algumas lojas para encontrar algo parecido com o indiano, Afrodite viu um castiçal em ouro com uma bela safira e se apaixonou, Camus havia perdido a paciência há muito tempo e comprado um sári branco em seda, belíssimo, na primeira loja em que entraram, mas o danado do Afrodite com mania de mulher preferiu andar mais.

Já passava das 11:00 a.m, e o estômago de Camus rugia, seguiram então para um restaurante local e fizeram uma pausa para o almoço batendo um papinho “tranqüilo”.

- Mas me diga Camusinho querido, como andam as coisas entre você e Milo? – Afrodite foi seco e sem rodeios, fazendo Camus se engasgar com a salada de rúcula.

- C-como assim, eu e o Milo?

- Aii Camusinho não se faça de mosquinha morta, você sabe muito bem do que e estou falando.

- Eu, é que não sei do que você esta falando Afrodite.

- Ahh quer saber, que se fôda. – Afrodite perdeu a paciência deixando os talheres ao lado do prato e foi direto ao ponto. – Camusinho, eu quero saber se você já deu uns pegas com ele, e se não deu quando é que vai dar, por que essa enrolação já tá dando no saco de todo mundo.

Camus ficou mudo apenas encarando os belos olhos azuis do amigo com o seu talher suspenso em direção à boca e em estado catatônico.

- Responde logo, deu ou não deu. Afinal já são quase dois meses que vocês não cagam nem desocupam a moita, ao menos ao meu ver e dos outros. Se estão fazendo está tudo muito escondido. E se está escondido é hora de revelar por que lá no santuário não tem esse negócio de segredo mais não, ta sabendo Camusinho!

Camus não podia acreditar. Além de tudo que estava acontecendo com ele nos últimos tempos, quase foi “estuprado”, foi assediado, bolinado também foi embebedado, agora deveria expor sua vida sexual inexistente pra todo o time do Flamengo e do Corinthians e agora do Santuários Futebol Clube.

- Não Afrodite, não dei pega nenhum com o Milo. Satisfeito!

- Nãao, nem um pouco, afinal, eu sei que ele está se derretendo por você, e você por ele. Não vai me dizer que ainda continua virgem, com um gostoso como o Milo querendo te pegar de jeito. Pelamor de Zeus Camusinho é muito sangue frio literalmente.

- Olha Afrodite, eu não sou como você que fica aí arrastando as asinhas pro Máscara da Morte, eu sou difícil. E depois quem garante que eu estou apaixonado. – Camus torceu o nariz e cruzou os braços fingindo indiferença.

- Aii ai, o amor é lindo! Camus, você esta doidinho por ele, assume logo.

Camus abriu os olhos e encarou o amigo. Virou-se para ele e enfim desabafou.

- Ahhhi merd, Afrodite, você sempre me desarma. Aquele grego é um fanfarrão, o que adianta eu estar apaixonado, ele é um safado, e quem me garante que ele não quer apenas se aproveitar de mim?

- Ahá! Eu sabia! Tá vendo não doeu nadinha você assumir que arrasta a bunda no cascalho por ele Camusinho. E eu sei que ele também está apaixonado por você, mas você não dá lado. Seja mais flexível meu francesinho, onde é que está a toda aquela analogia romântica dos franceses?

- Acorda Afrodite, na vida real é muito mais difícil.

- Se abra mais, dê espaço ao Milo, ele quer chegar em você.

- Eu não sei, eu tenho medo.

- Medo de quê? Ahh sei, você está com medo da agulha dele? Sim, é de ter medo mesmo é enooorrme, mas vai de vagarinho. Transar a primeira vez é igual colocar cabo de enxada, vai cedendo aos poucos quando você vê já ta dentro.

Nesse momento Camus jogou uma folha de rúcula no amigo sem vergonha que se rachava de ri do constrangimento do ruivo que a essa altura já estava tão vermelho quanto seus cabelos.

- Ahhii, definitivamente, eu devo ter feito algo muito horrível. Na outra encarnação eu devo ter sido algum Deputado Estadual ou Federal e quem sabe até Ministro ou Juiz de Futebol só pode ou quem sabe outra praga do gênero.

- Ai Camusinho, você me faz rir muito definitivamente. Mas como seu amigo, eu te digo, dê uma chance ao Milo. Ele está realmente apaixonado por você. E ó, nem precisa ficar com vergonha de assumir isso não, desde as ameaças do Milo aquela vez, as coisas lá no santuário mudaram muito. Veja bem, até o Mestre, já não esconde mais suas taras com o Dohko, e o Shaka então. Aquele lá quem diria. Quer esconder dele é só ir pra casa de Virgem, ele não aparece lá mais não!

Camus estava agora pensativo, não queria dar o braço a torcer, mas seu coração batia tão forte quando o nome de certo aracnídeo era pronunciado.

- Olha, a festa do Shaka é na sexta, vai estar todo mundo lá. Vai ser uma festa temática indiana, aí você já sabe, esses indianos tem manias de lamparinas, daí todas as luzes do santuário estarão apagadas, e os ambientes serão iluminados apenas pelas lamparinas coloridas.

- Mas aí vai ficar tudo meio que no escuro oras.

- Aii Camusinho, realmente você ainda é virgem... Noossa que preocupação com o escuro. Fique sabendo que o Shaka está pondo a maior fé que vai rolar algo entre vocês na festa dele, aí nós resolvemos colocar as luzes mais fraquinhas para que vocês fiquem mais á vontade, entendeu?

- Aii Afrodite, eu não sei não.

- Sabe sim, cata logo aquele gostoso, ele te quer também.

- Não prometo nada. E quer saber, vamo mudando de assunto, você esta falando demais e isso esta começando a me infectar. E vamos logo terminar esse almoço por que quero ir embora dessa vila. Tô cheio de tanta puxação de saco do povo daqui.

Terminaram o almoço e enfim partiram rumo ao santuário. Por onde passavam as duas figuras belíssimas e altas, exibindo os corpos esculturais, naquela ocasião não usavam as armaduras e deixaram as mulheres babando poças e mais poças, mal sabiam elas que da fruta que elas gostavam eles comiam até o caroço, o caule, as folhas e até as raízes.

Camus e Afrodite chegaram ao santuário, alguns minutos depois. Conversaram amistosamente durante o trajeto. Na entrada do santuário os guardas ostentavam suas armaduras brilhantes e lhes prestaram reverências.

Seguiram em direção às escadarias principais que davam acesso aos templos quando ao longe avistaram duas figuras belíssimas conversando num canto e ao avistarem o dois recém chegados, foram encontrá-los.

- Boa tarde senhores!

- Boa tarde! – Responderam Camus e Afrodite á Saga e Milo

- Mas o que é que vocês estavam fazendo fora do santuário até essas horas? – Perguntou Milo com curiosidade e uma ponta de ciúme. Afrodite era uma criatura muito perigosa. Mesmo que fossem amigos apenas era melhor não correr o risco, afinal não se amarra cachorro com lingüiça, né não?

- Aii Milinho, nós fomos até a vila, comprar o presente do Shakinha. Vocês já compraram o de vocês?

- Ainda não tive tempo de sair do santuário, mas amanha pela manhã pedirei á uma serva para que vá até lá e compre algo para o loiro. – Disse Saga sem muito entusiasmo.

- É eu também não comprei o meu. Por que vocês não me avisaram, eu poderia ter ido com vocês. – Milo reclamou.

- É verdade, mas eu precisava conversar com o Camusinho um pouco em particular. – Afrodite deu uma piscadela para Milo, que sorriu, ao passo que Camus novamente ficou muito vermelho. Ele parecia um pisca-pisca daqueles de natal, toda hora mudava de cor.

- Bom, já que vocês colocaram a conversa em dia hoje, você poderia me acompanhar amanhã Camus? – Milo olhou fundo nos olhos verdes do ruivinho e deu um sensual sorriso. Ele era todo sensual, mesmo que involuntariamente.

Camus ficou estático e não conseguiu responder se ia ou não e nesse momento Afrodite deu um cutucão na costela dele, daí ele desengasgou.

- Auu!! Caralho! Ah é...é sim, eu vou com você. – Camus se recompôs rapidinho da cutucada seca e já logo colocou de volta a máscara de impassibilidade e retrucou. – Mas vou logo avisando, se quer que eu vá, tem que ser bem cedo, e também não pretendo ficar entrando em todas as lojas que tem por lá, e também quero que não me envergonhe na frente das pessoas da vila...

- AHHH ta ta...já sei senhor certinho. Pode deixar que já tomei a nota mental.

Afrodite apenas balançava a cabeça enquanto sorria dos dois apaixonados não declarados. Saga apenas observava a situação já prevendo que logo logo mais um romance se estabeleceria no santuário.

- Muito bem colegas, a conversa ta boa, mas eu vou me retirar, preciso acertar as ordens com a nova serva. – Disse Saga friamente.

- Nossa Saga, você troca mais de serva do que de cueca. – Disse Afrodite tentando fazer alguma gracinha e recebendo um olhar congelante de Saga.

- Não meu caro, é apenas um câmbio entre Milo e eu.

- Que tipo de coisa vocês cambiaram? – Afrodite estava realmente curioso.

- A serva, de Milo, Petaloúda Ble.

- Ah é colegas, eu a entreguei ao Saga em troca de um barril de Ouzo vinte e cinco anos. Ela estava me dando muito trabalho – Milo sorriu e lançou um olhar cúmplice para Camus que sorriu tímido e baixou o olhar. Afrodite acompanhou a conversa abafando risadas.

Só podia ser Milo mesmo. Na concepção dele, a serva definitivamente iria aprender a ter boas maneiras com Saga.

Mas não muito distante dali, na casa de Gêmeos Petaloúda Ble, já havia sido entregue ao novo local de servidão aguardando seu novo mestre. Como a atrevida nata que era, foi logo enxerindo nos aposentos particulares e fuçando em suas coisas, quando de repente, acha um apetrecho que lhe chamou muito a atenção.

Um porta retrato com uma belíssima foto em “duplicidade”. Seus belos olhos castanhos brilharam de contentamento, e como num passe de mágica, sua gana em “devorar” o ruivo gostoso se transferiu instantaneamente para as duas figuras idênticas postadas na foto.

A nova saga de Petaloúda Ble estava para começar. O que ela não sabia era que aquelas duas figuras idênticas poderiam lhe dar mais trabalho que Milo. Mas ela era brasileira, e brasileiro não desiste nunca. Pode até mudar de foco, mas desistir jamais.

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Notas finais
Obrigada por terem vindo até aqui.
Bjux

P.S: Tomando uma nota importante, não tenho nenhuma intenção de ofender nenhuma pessoa com essa história. caso alguém se manifeste pode confiar que mudo o conteúdo ok.
Obrigada.