Notas iniciais
Fiz algumas alterações para ver se melhora a visualizaçao. '...' => voz da secretária eletrônica; -...- em negrito => ações das personagens; -...- normal => fala. Espero que gostem.

Olho pela janela de meu apartamento, a noite lá fora está animada, luzes iluminando os passantes e aqui sinto uma escuridão pesada, lá fora os risos, as gargalhadas, a felicidade, aqui a tristeza, o sorriso amargo, a depressão. É como se, entre eu e as pessoas que andam ali em baixo, houvesse um gigantesco abismo e não apenas alguns metros para o alto.

Levantei meu copo de uísque e tomei um gole, sinto-o descer queimando por minha garganta, faço uma careta como sempre, não gostava dessa sensação, mas melhor que ficar com a boca amarrada por algum vinho que outros tomam como se fosse normal. “Definitivamente não gosto de vinhos!”, dei um meio sorriso com meu pensamento e bebi mais um gole, sabia que não deveria, mas era algo mais forte do que minha vontade, uma estranha força puxava-me até a garrafa quando a tristeza instalava-se ao meu lado, fato recorrente nesses últimos dias.

O telefone começou a tocar, não me movi, sabia quem era, sabia o que iria dizer e simplesmente deixei tocar enquanto dava outro gole. Ouvi a caixa postal, uma voz impessoal anunciou o momento em que a mensagem seria registrada , então uma voz melodiosa invadiu o ambiente, limitei-me a ouvir o que dizia.

\'Raquel, sou eu... sei que está ai, por favor, me atenda, precisamos conversar o que você viu não era nada, não aconteceu nada e... esquece. Só me liga, por favor, temos que conversar, mesmo que seja para dar um fim em tudo.\', desligou e sorri. Com um último gole acabei o conteúdo de meu copo e o deixei na bancada ao meu lado, dirigia-me ao telefone, liguei o som enquanto apertava um botão e ouvia, novamente, a voz inexpressiva da secretária avisando que a mensagem fora apagada.

— Já é tarde para conversas minha cara, nosso tempo acabou como outros tantos. Está na hora de seguirmos em frente, as duas, sem rancor, sem mágoas, somente com os resquícios do amor que, um dia, sentimos e com as boas recordações que levaremos dele. - suspirei profundamente e fui para meu quarto, às malas que preparei estavam em cima da cama.

Olhei por alguns instantes para o anel em meu dedo e logo o deixei em cima da mesa, sabia que ela viria pela manhã, mas não me acharia. Como prometido sumiria de sua vida, os amigos mais próximos foram avisados, sabiam como me encontrar em caso de emergência, mas somente em emergências, nada mais.

Partiria para uma nova vida, deixando bons amigos e família aqui, mas, em meu interior, isso parecia certo. Observei meu quarto, sorrindo derramei uma última lágrima, não mais choraria, a decisão fora tomada, o caminho escolhido e as conseqüências deveriam ser enfrentadas, agora, era seguir em frente. Pela última vez recorri aquele apartamento, tentando gravar cada bom momento que ali vivi, peguei as malas, desliguei o som, sai e tranquei a porta. Entrei no elevador e, enquanto descia, liguei para uma pessoa.

-Estou indo. - falei com voz distante.

— Tem certeza do que fará? Não quer desistir? - tentou me convencer, sorri era exatamente isso que faria se a situação fosse inversa.

— Tenho, não vou e nem posso voltar atrás agora. Você sabe bem disso, eu tomei uma decisão e as conseqüências estão sendo sentidas, não posso fraquejar, não agora. - outra lágrima, teimosa, escorreu por meu rosto e parou em meus lábios, não a sequei, não era necessário. Sai do elevador e dirigi-me ao carro.

— Entendo. - ouvi um suspiro — Quanto tempo para chegar?

— O tempo de por as malas no carro e chegar ai. - desarmei o alarme e abri a porta de trás, coloquei as mala, fechei-a. - Dez minutos no máximo.

— Estou esperando, então. - respondeu com voz cansada - Cuidado, por favor.

— Terei, até daqui a pouco. - sorri e desliguei sem esperar resposta, entrei no carro, dei a partida e parti. O curso estava bem traçado em minha mente, o que não sabia era que traçaram outro curso e à hora de uma nova escolha estava chegando.

***************** NO OUTRO LADO DA LINHA. ******************

— Desligou. Em dez minutos ela chega, é sua última chance. - avisou a voz. — Não deveria lhe ajudar, estou traindo minha melhor amiga, mas não quero que se vá. Não sem antes saber a verdade. - suspirou e uma lágrima brotou em seus olhos claros, azuis como o mar.

Notas finais
não é minha primeira história, mas é a primeira que acho estar decente para ser postada.