Atos E Consequências
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Boa leitura!
Pov. Lindsay
–Menina,era você no ”GleeProject”?-Disse um menino loiro dos olhos azuis de figura angelical enquanto se sentava na poltrona vazia ao meu lado.
–Sim.Quer um autógrafo ou o quê?-Fui grossa e naquele momento gostaria de ter o direito de apagar tudo o que havia dito.Era apenas uma criança que não tinha nenhum envolvimento com a história que se desenrolava na minha vida.
–Não.Só queria saber ,porque está chorando?-Pelo tom percebi não curiosidade como o esperado e sim preocupação,sentimento que poucas pessoas tinham por mim.
–Sabe,por muitas vezes nós adultos nos achamos melhores que vocês,crianças.Como se a idade pudesse fazer você de algum modo tomar melhores decisões,mas é mentira.Talvez se eu tivesse a sua idade não estaria chorando agora,não teria escolhido logo o pior caminho.
–Você,falou,falou,falou,porém acabou não dizendo nada.Ainda não respondeu minha pergunta.-Tive que rir nunca vira alguém tão direto.
–Porquê está rindo?-Falou o menino enquanto sorridente olhava para mim.
–Ninguém nunca foi tão direto comigo.
–Mas não é assim que as coisas devem ser?Pelo menos foi o que o meu pai me ensinou.
–Deveriam ser,entretanto não é assim que as pessoas agem.
–Voltando ao assunto.Foi um garoto?
–Você,é insistente mesmo,menino.Tá,tá vou falar.Foi um garoto,mas a culpa não é dele,é minha.
–Ninguém é culpado pelo próprio sofrimento.Até aquele que tira a própria vida não têm culpa pelo o que sente e faz.A questão é que vocês,pessoas não param para pensar em seus atos e principalmente nas conseqüências que eles vão trazer,nas pessoas que eles vão derrubar.
–Como assim vocês :pessoas ?
–Maneira de falar.A questão seja o que for que tenha acontecido na sua vida não é sua culpa.
–Mas eu sou,tomei decisões erradas que me levaram até aqui.
–Será que elas foram erradas mesmo?Ás vezes fazia parte do plano de Deus que nos encontrássemos.Talvez você precisasse estar aqui por algum motivo.-Enquanto o ouvia não consegui crer que era apenas uma criança estava dizendo tudo aquilo.Era tudo tão maduro e reconfortante.
–Está certo.É engraçado como você apesar de tão pequeno me fez enxergar algo que estava bem a minha frente.Obrigada!
–Não é nada ,é para isso que nós servimos.E se quer um conselho fale com o garoto talvez ainda tenham muitas coisas para ser explicadas.-Disse o menino antes de desaparecer em direção a parte de trás do ônibus.Por muito tempo sua última frase ecoou por minha mente.O que mais me intrigava era a palavra: "nós" e a única explicação que conseguia pensar,não era o que se podia chamar de racional,porém era o que o meu coração ou alma ,como quiser chamar repetia com tanto clamor.Minha consciência dizia que se tratava de um anjo,contudo isso afinal era mesmo possível?
Não que eu não acredite em Deus,mas é muito estranho que isso estivesse ocorrendo logo comigo: LindsayPearce.Acredito em Deus,mas eu sequer posso me chamar de religiosa;Mau frequento a igreja.
Após algumas horas o ônibus estacionou,sinalizando que a viagem finalmente havia terminado.Sentada em minha poltrona aguardei até que todos os outros descessem,e quando não vi a jovem criança confirmei de certa forma minha teoria.Se ele mesmo falou comigo,se tudo não foi mesmo um sonho como estava começando a desconfiar, ele era mesmo um anjo.
De qualquer forma o menino me ajudará, agora eu não sentia mais medo desse futuro.E pela primeira vez nessas horas eu cogitava ligar para Damian e deixar com que ele próprio se explicasse.
Já do lado de fora,encontrei com uma bela mulher,que não poderia ter mais de quarenta anos,sorridente; a "moça" olhava para mim ,enquanto andava na minha direção.Os cabelos loiros não negavam era Júlia ,tia do Cameron.
–Você,deve ser Lindsay,certo?Sou tia do Cameron,ele falou muito sobre você.- Falou ,já mostrando ser o tipo de pessoa que nada abala;alguém que eu mesma já pensara ser.
–Sou eu sim.-Disse ,sem conseguir esconder a total vergonha em minha voz.
–Não precisa se envergonhar.Todo mundo precisa de ajuda ás vezes.Meu sobrinho me contou sobre o que está passando,sei que é difícil,mas não é nada que não possa superar;Eu sou o exemplo disso.
–Você...?-Perguntei juntamente com meus olhos que paravam em sua barriga como se assim Júlia pudesse entender a resposta que queria obter.
–Bem,eu engravidei quando era um pouco mais nova que você,meu namorado era muito jovem e foi embora,porém não posso culpá-lo teria feito o mesmo se pudesse.
–Mas...você teve a criança?-Disse ,nervosa;Tentando encontrar um jeito de não ofendê-la.
–Claro.O Cameron não te falou dela?Logo,logo vai conhecê-la!-Já dentro do carro nós nos encaminhávamos para casa dela que pelo o que Júlia dissera ficava a uma distância razoável dali.
Ela era uma mulher especial,pelo pouco que havíamos conversado isso já era notável.Criou sua filha sozinha:uma garota de dezessete anos que já estava na faculdade cursando um renomado curso de direito,de outro munícipio ,já que infelizmente aqui ainda não havia nenhuma universidade.Era óbvio em sua voz,enquanto a mesma falava o quanto de orgulho e amor ela possuía por aquela menina.Assim sem falar nada desejei que no futuro fosse igual ou metade do que ela era hoje.
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