Atormentados pelo mal
4 Capítulo 4
Kate acordou pálida, seus olhos estavam vermelhos de cansaço, apesar de ter ido dormir cedo.
–Como posso pensar em mudanças estando assim?- Disse para si mesma.
Kate adorava a cor preto, não queria mudar isso, e não precisava, pensou. Lavou o rosto, mas logo decidiu tomar um banho quente, o banheiro era próximo ao seu dormitório, haviam dois, um masculino e um feminino. Saiu enrolada numa toalha azul, mas antes, claro, conferiu se não havia ninguém no corredor. Foi até sua porta automática e a abriu, ao fazer isso, a que estava atrás de si também abriu, e Jake a olhou erguendo uma das sobrancelhas. Ela se virou para ele, e ao ver o olhar dele, lembrou-se que estava enrolada apenas em uma toalha, ficou com as bochechas rosadas e gritou. Depois berrou:
–Vira!Vira!Vira!
Jake a obedeceu e esperou que ela entrasse no quarto.
–Uffa!- Kate se escorou na porta. Depois olhou para sua estante com espelho, os estojos de maquiagem quase nunca usados estavam lá. Havia muito tempo que passara somente lápis preto no olho, por que não se enfeitar mais um pouquinho? Pensou ela.
Puxou uma cadeira, pegou um dos estojos e começou a se pintar. Passou sombra preto com roxo nos olhos, delineador para deixar os olhos mais amendoados, lápis e máscara para cílios. Depois seguiu para um blush mais rosado e batom vermelho sangue. Escolheu um vestido curto gola V de saia rodada e sem mangas preto. Pôs braceletes de renda preta e all star xadrez branco e preto. Ondulou as pontas de seu cabelo. Se sentia sim mudada, pelo menos através das sua forma humana.
Seguiu até uma cantina para tomar café da manhã, todos os alunos estavam lá, sentados nas mesas, conversando, rindo muito, e derrubando café com chantilly na mesa.
Por ser uma novata, muitos não se acostumaram com seu estilo antigo, mas poderia causar uma impressão melhor de si agora. Seus passos foram lentos, e aos poucos a bagunça parou, todos olhavam para ela. Continuou andando contornando as mesas, até que alguém a chamou:
–Kate, aqui! — Era o garoto com apelido de psicopata.
Ela sorriu e seguiu a mão erguida sentado numa mesa sozinho. Ela se juntou à ele, mas o silêncio a incomodava.
–Perderam alguma coisa?- Disse ela se direcionando à todos que a encaravam, e logo voltaram a fazer o que estavam fazendo.
–Então..parece que você acordou em hoje, né? Você tá linda!
–Valeu. É, acordei bem...de bom humor, seria melhor assim.
–Quer que eu pegue alguma coisa pra você comer?
–Hum...só um café seria ótimo.
–Já volto. -Ele sorriu e se ergueu, voltou logo depois com uma xícara de café, e disse:
–Kate.
–Sim?
–Bom...que tipo de...monstro você é?
–Não se preocupe tanto em saber, garoto.
–Ouvi boatos de que você andou fora da escola ontem à noite.
Ela ergueu uma das sobrancelhas:
–Quem disse isso?
–Ei, calma. Eu só ouvi uma conversa.
–Aham, e você acreditou?
–Não sei se acredito, por isso perguntei.
–Hã, boatos são boatos. Isso que disseram, se quiser saber a verdade, me siga durante as noites. Mas mudando de assunto...você já tem um par pro baile?
–Não.
–Gostaria de ir comigo?
–Quê?- Ele ergueu as sobrancelhas.- Achei que você já tivesse um par, por isso não te chamei antes.
–Não, não tinha. Mas você quer ir, sim ou não?
–Sim,quero. Sabia que vai ter até karaokê lá?
–Não sabia, não. Ah, e se estou certa, os professores também estão chamando os pais dos alunos, né?
–Sim, só que eu ainda não sei se os meus vem. Eles estão à trabalho. Os seus vem?
–Não. Eles estão morando no Canadá. Ei! Tenho que ir agora, ou vou perder a simulação com o professor Grobben.
–Tá, te vejo depois. Estou indo pra minha sala também.
Ao se virar, Kate percebeu que a cantina estava quase vazia, seus colegas já deviam estar se encaminhando para a aula. Correu até a sala 2, descrita no papel mapa. Essa seria a sala, onde teriam times formados, e com armas que atirariam tinta em vez de bala, treinariam a escapar dos oponentes, se manter escondidos e ao mesmo tempo atingi-los.
Todos já estavam lá, enfileirados e ouvindo o senhor Grobben, ele viu Kate chegando:
–Ah, senhorita Kate. Posso dizer que não admito atrasos na minha aula. Será punida por dois pontos em sua ficha.
–Sim, entendo. Desculpe o atraso. -Ela se posicionou na fila, e ouviu as instruções:
–Vamos separar vocês em duplas, onde terão mais chances de sobreviver estando juntos. Eu vou escolher as duplas. Começando por...você senhorita Kate. Você e...ah, Jake Sullivans.
Senhor Grobben foi selecionando os pares, sempre um menino e uma menina. Segundo ele, o objetivo daquela aula, era observar os instintos de sobrevivência e o trabalho em conjunto dos alunos, se um dos parceiros fosse atingido, a dupla perderia 2 pontos de um total de 100. Se a tinta atingisse numa região que causaria a morte se aquilo fosse real, a dupla perderia 50 pontos pela perda de um, e perderia os 100 pontos caso fossem os dois. O último par a sobrar, sem ser atingido será o vencedor, receberiam mais 60 pontos, incluindo 20 na ficha dos alunos. Ah, sim, e nesta enorme sala quadriculada há muros no chão, no teto e nos lados para que os alunos possam se esconder e não serem atingidos tão facilmente. Inclusive, não haverá gravidade neste local, o que torna esta atividade um pouquinho mais divertida.
–Atenção. Todos agora, sigam para a sala de simulação, e boa sorte. As regras são as seguintes: O último casal a sobrar, estarão livres das sessões de treinamento amanhã.- Avisou Grobben.
Uma voz feminina vinda do computador disse:
–Sem gravidade em 20 segundos.- A tela enorme num dos lados da sala de aço marcava os segundos: 30, 19, 18...
–Kate, fica perto de mim. Eu te protejo, você me protege, feito?- Disse Jake.
–Entendi.
5,4,3,2,1. Sala sem gravidade.
Todos os corpos começaram a subir, aquilo era realmente tão...divertido, mas a ação e adrenalina que viriam tornavam aquilo mais sério. As armas eram todas iguais para não haver desvantagem, e de primeiro, uma aluna já havia sido atingida, e foi alertada para seguir até a sala de feridos, onde na verdade ficavam esperando a sessão acabar. Cada arma tinha um número, e quando seu dono levasse um tiro, a voz do computador informava.
–Por aqui, Kate.- Jake foi para trás de um esconderijo, e olhava para os lados para ver se alguém se aproximava.
–Jake, cuidado!- Gritou Kate.
Um garoto loiro e olhos verdes de uniforme branco estava apontando para Jake, e ao atirar, Jake pegou impulso no muro, se jogando para o lado. Quase o atingiu.
–Eu não vou perder pra você, Jake.
–Ah, é? Cadê sua parceira, Daniel?
–A inútil foi atingida. E você também vai ser.
Daniel atirou mais uma vez, e a tinta pegou bem perto de sua cabeça.
–Errou! -Jake zombou e mirou, atirou, mas Daniel deu um mortal lento para trás se desviando do tiro.
Os dois deram risos medonhos. Mas antes dele poder ver, Daniel foi atingido por alguém nas costas.
–O quê?
–"Daniel, arma número 15, morto."- Disse a voz do computador.
–Ha, nem acredito.- Jake deu uma gargalhada. -Queria ter acertado você primeiro, mas parece que minha parceira foi mais esperta.
Kate sorriu com adrenalina nos olhos.
Daniel seguiu para a saída, enquanto os dois foram se esconder atrás dos muros.
–"Armamentos números 13, 22, 20, 19, e 5...mortos."
–Faltam apenas dois casais pra gente vencer. Kate, atrás de você!
Kate se virou e viu uma arma apontada para si, antes que ele atirasse nela, Jake ergueu rapidamente sua arma e atirou no peito do inimigo.
–"Números 25, 26 e 12...mortos. Sobraram apenas números 1, 2 e 7. Arma número 7 perdeu seu parceiro, portanto os vencedores são armamentos número 1 e 2."
–Ei, fomos nós!- Comemorou Kate.
–É.
Seguiram para a saída, seguiram em filas para a sala de observações. O senhor Grobben veio correndo, parabenizar os vencedores:
–Missão cumprida pra vocês. Bom...estão suspensos dos treinamentos de amanhã como eu prometi, e cada um recebe 20 pontos individuais nas fichas.
–Agradecemos.- Disse Kate, sorrindo.
–Ah, estou feliz, vocês defenderam um ao outro e merecem ser os vencedores. Mas agora...preciso ir, tenho aulas com a turma a A². A propósito, a professora Atakoshia quer falar com vocês dois na diretoria.
–Agora?- Os dois juntos.
–É. Agora.
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